Cidades

Buraco sem fim

Empresa da máfia do tapa-buraco troca de nome

Após a operação do Ministério Público, a Construtora Rial virou Força Engenharia Ltda.; o nome consta em todos os contratos que empreiteira tem com a Prefeitura de Campo Grande, porém sob o mesmo CNPJ

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A Construtora Rial, empresa suspeita de estar no centro de esquema de corrupção nos contratos de tapa-buraco em Campo Grande, mudou de nome quase dois meses depois de operação do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MPMS) revelar o desvio na Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep).

Na segunda-feira, a equipe de reportagem do Correio do Estado acessou o Portal de Transparência da Prefeitura Municipal de Campo Grande para visualizar os contratos firmados entre a empresa investigada e o Executivo municipal, e o nome costumeiro ainda aparecia normalmente no site, sem qualquer alteração.

Porém, no dia seguinte, ao acessar novamente o Portal de Transparência, uma mudança chamou a atenção: a Construtora Rial virou Força Engenharia Ltda.

Segundo pesquisa feita pela reportagem, a mudança é apenas nominal, sem que o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) sofresse modificações para que os contratos não precisassem ser substituídos.

No dia 12 de maio, a empresa foi o principal alvo da Operação Buraco Sem Fim, que descobriu um esquema milionário que agia nos contratos de tapa-buracos da Sisep.

De acordo com nota oficial do MPMS na época da ação, a então Construtora Rial teria faturado, de 2018 a 2025, entre contratos e aditivos, o montante de R$ 113.702.491,02.

Vale lembrar que, conforme matéria veiculada pelo Correio do Estado ontem, a empresa pediu para que o serviço de tapa-buraco nas Regiões Anhanduizinho, Segredo, Imbirussu e Bandeira, onde é responsável pela manutenção, fosse paralisado em razão dos desdobramentos da investigação do mês passado.

“A Construtora Rial solicitou a paralisação dos serviços de tapa-buracos após a deflagração da Operação Buraco Sem Fim. Na mesma ocasião, a Controladoria-Geral do Município (CGM) encaminhou ofício à Sisep recomendando a suspensão dos serviços para fins de auditoria instaurada sobre os contratos, incluindo a suspensão de pagamentos de medições recentes até a conclusão das análises técnicas”, disse a Sisep, em nota.

“A medida tem caráter cautelar e preventivo, com o objetivo de resguardar o interesse público, assegurar a regularidade dos processos administrativos e garantir a adequada verificação dos procedimentos de execução contratual, conforme diretrizes encaminhadas pela CGM à Sisep”, completou a Pasta.

Empreiteira era responsável pelo tapa-buraco em quatro regiõesEmpreiteira era responsável pelo tapa-buraco em quatro regiões - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

SEGUE NO MERCADO

Mesmo diante de todos esses fatos, a empresa não parou de tentar entrar em licitações. Desde o início deste mês, o governo do Estado, por meio da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul), lançou cinco licitações que preveem investimento de até R$ 1,9 bilhão em 18 lotes diferentes em praticamente todas as regiões do Estado.

Conforme consta na ata de licitação dos lotes, a agora Força Engenharia está interessada nos pedaços dois, seis e 15, que correspondem aos municípios de Ribas do Rio Pardo, Camapuã e Jardim, somando R$ 315.585.395,59.

Importante destacar que a empresa já tem contratos com a administração estadual para serviços de tapa-buracos em Costa Rica e Três Lagoas.

Durante a operação do MPMS, Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa, dono da Força Engenharia Ltda., teve sua prisão preventiva revogada pelo juiz Waldir Peixoto Barbosa, da 5ª Vara Criminal de Campo Grande, depois de permanecer preso por quase 30 dias.

O pai do empreiteiro, o pecuarista e sócio da empresa, Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, também foi preso na operação, mas conseguiu reverter a prisão preventiva em domiciliar, e será monitorado por tornozeleira eletrônica até o fim deste ano.

*SAIBA

Doze dias depois de Rudi Fiorese – que também foi preso na Operação do MPMS – assumir o comando da Agesul, o diretor renovou o contrato com a Construtora Rial para fazer, por mais um ano, a manutenção de rodovias em Camapuã e Três Lagoas, o que garantiu mais R$ 20 milhões para a empresa. 

CAMPO GRANDE

Energisa traz equipes de outros estados para restabelecer energia

Até às 5h30min desta sexta-feira (11), 77% dos moradores afetados tiveram o fornecimento de energia elétrica restabelecido

11/09/2026 07h45

Equipes da Energisa trabalhando para substituir postes

Equipes da Energisa trabalhando para substituir postes Foto: Divulgação/Energisa

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Energisa ampliou equipes em quatro vezes e está trazendo funcionários de outros estados para restabelecer o fornecimento de energia elétrica em Campo Grande (MS), após forte temporal registrado no fim da tarde desta quinta-feira (10).

Até às 5h30min desta sexta-feira (11), 77% dos moradores afetados tiveram o fornecimento de energia elétrica restabelecido.

De acordo com a concessionária, várias áreas da Capital foram afetadas, mas, nenhum bairro ficou sem luz por completo. Serviços essenciais, como hospitais, foram priorizados pelas equipes.

“A concessionária vem realizando manobras na rede para possibilitar o restabelecimento do serviço. Em muitos casos, porém, a continuidade dos trabalhos depende diretamente da substituição de estruturas, serviço que já está sendo realizado desde as primeiras horas. Durante toda a madrugada, equipes operacionais seguiram trabalhando nas ruas. Postes estão sendo substituídos e a rede, reparada de forma integral. A Energisa reforça que segue comprometida com o restabelecimento do fornecimento de energia para todos os clientes”, informou a concessionária por meio de nota enviada à imprensa.

Fotos: Divulgação/Energisa 

TEMPORAL

Forte temporal foi registrado no fim da tarde desta quinta-feira (11) em Campo Grande. De acordo com o meteorologista Natálio Abrahão, foram registrados 24,4 milímetros em 28 minutos e 3.095 raios em 36 minutos.

A tempestade foi rápida, mas causos muitos prejuízos. Reportagem do Correio do Estado percorreu os principais pontos de estragos e constatou que a chuva causou:

  • Queda de árvores em todas as sete regiões de Campo Grande
  • Interdição de avenidas por conta da quedas de árvore
  • Queda de árvores em cima de carros
  • Queda de postes de energia
  • Alagamento de ruas
  • Queda de energia em dezenas de bairros
  • Abertura de buracos e crateras nas ruas
  • Queda do painel do Fort Atacadista na avenida Ernesto Geisel
  • Desabamento do teto da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Universitário
  • Explosão de parede de vidro em academia no bairro universitário
  • Sujeira e lixo nas ruas: galhos, folhas, latas, garrafas, copos plásticos, entre outros diversos objetos
  • Semáforos desligados em diversas avenidas

Não houve vítimas fatais.

 

CUIDADOS

O tempo chuvoso requer cuidados aos sul-mato-grossenses. Confira:

  • Em caso de chuva: não enfrentar pontos de alagamento ou enxurradas; procurar rotas alternativas no trânsito e dirigir devagar;
  • Em caso de raio: evitar locais abertos; não ficar debaixo de árvores; não ficar próximo a cercas de metal; ficar calçado e desligar eletroeletrônicos da tomada;
  • Em caso de granizo: deve-se tomar cuidado no deslocamento após chuva de granizo, pois o chão fica escorregadio.

Campo Grande

Chuva e vendaval deixam rastro de destruição em Campo Grande

Rajada chegou a quase 84 km/h entre 17h e 18h de ontem; ventos derrubaram árvores e letreiro de atacadista, e destruíram área da Esplanada Ferroviária

11/09/2026 07h40

Fotos: Paulo Ribas

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O fim da tarde de ontem em Campo Grande foi marcado por chuva e fortes ventos, com rajadas que chegaram a quase 84 km/h, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A tempestade resultou em diversas árvores caídas, telhados despedaçados e até o letreiro de um atacadista na Avenida Ernesto Geisel foi derrubado pelo vento.

O temporal que estava previsto pela meteorologia chegou no fim da tarde, acompanhado de granizo.

A mudança no tempo foi rápida, com nuvens carregadas encobrindo o céu acompanhadas de ventania e, na sequência, a chuva de forte intensidade e a queda de granizo. Segundo dados do Inmet, as rajadas de vento chegaram a 83,88 km/h entre as 17h e 18h.

Em poucos minutos, alguns transtornos já foram registrados, como semáforos desligados, queda de energia em diversos bairros e alagamentos.

Nas redes sociais, há registro de destalhamento de casas e comércio. Na Esplanada Ferroviária, parte do Armazém Cultural foi totalmente destelhada.

Telhado da Esplanada Ferroviária foi arrancado pela força dos ventos - Foto: Paulo Ribas

Na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Universitário, parte do teto de vidro desabou durante a tempestade e parte da estrutura caiu na área da recepção. Informações iniciais são de que nenhum paciente foi atingido.

Quedas de árvores ocorreram em vários locais, dentre eles, houve registro na Avenida Capital, na Avenida Bandeirantes, na Avenida Hiroshima, dentre outros.

No Fort Atacadista da Avenida Ernesto Geisel, quase esquina com a Avenida Manoel da Costa Lima, um letreiro caiu sobre a via, ficando atravessado e dificultando a passagem de carros. Não há informação de vítimas.

Segundo o meteorologista Natálio Abrahão, da Uniderp, caíram 3.095 raios em 36 minutos, em Campo Grande, durante a chuva.

Em nota, a concessionária de energia elétrica Energisa informou que há várias demandas pela cidade e que as equipes já foram acionadas e estão nas ruas. Até o fechamento desta edição, não havia informação de quantos bairros estavam com problemas de energia.

ALERTA

O risco de tempestade havia sido alertado pelo Inmet e pela Defesa Civil Municipal. Ontem, o risco aumentou e o alerta evoluiu para laranja, com vigência para até as 23h59min de hoje.

Conforme o comunicado, há riscos de chuvas entre 30 milímetros e 60 milímetros por hora, ou de 50 milímetros a 100 milímetros em um único dia, além de ventos intensos. O risco de corte de energia, estrago em plantações, quedas de árvores e alagamentos também aumentou em decorrência da atualização do aviso. 

A Defesa Civil orienta que, com a chegada de uma tempestade, a população deve procurar um local seguro, distante de árvores, postes, fiações elétricas e objetos que possam ser arremessados pelo vento. Também é importante não tentar atravessar ruas, avenidas ou áreas inundadas, mesmo que esteja em algum veículo.

Em áreas de encosta, é fundamental observar rachaduras no solo, inclinação de árvores e postes, estalos ou movimentações no terreno. Em caso de emergência, acione a Defesa Civil local pelo telefone 199 ou o Corpo de Bombeiros, pelo 193.

* Saiba 

A temperatura máxima ontem foi de 33,9°C em Campo Grande, às 13h; a previsão para hoje na Capital indica que a temperatura deve variar entre 22°C e 34°C e ainda há possibilidade de chuva pela manhã e noite.

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