Cidades

tragédia

Homem morto por Bernal era fiscal de rendas do Governo do Estado

Roberto Carlos Mazzini havia arrematado uma casa em um leilão e o ex-prefeito se recusou a entregá-la. O auditor foi atingido por dois tiros e Bernal se entregou à polícia

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Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, morto a tiros pelo ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, na tarde desta terça-feira (24), era fiscal tributário da Secretaria de Estado de Fazenda, um dos cargos mais cobiçados do Executivo Estadual. 

Seu salário no começo de março foi de R$ 69,1 mil e desde 2008 atuava como fiscal concursado no Governo do Estado. Ele havia comprado, por pouco mais de R$ 2,4 milhões, a casa que pertencia a Bernal, na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande, em um leilão judicial.

Atualmente o fiscal estava lotado em em um posto de atendimento da Sefaz na Acrisul, em Campo Grande. Conforme a informação inicial, Alcides Bernal fez pelo menos três disparos e dois deles atingiram o servidor público.

No interior do carro do fiscal, que estava próximo ao local do crime, foi encontrada uma notificação extrajudicial, datada de 20 de fevereiro deste ano, enviada por Carlos Mazzini, na qual o comprador estava dando prazo de 30 dias para que Bernal esvaziasse a casa e entregasse as chaves. A morte ocorreu quatro dias depois deste prazo final. 

Neste documento consta a informação de que a recusa de entrega acarretaria em um aluguel mensal equivalente a 1% do valor do imóvel. Este aluguel mensal, segundo Carlos Mazzini, seria de R$ 24.135,45, deixando claro que ele pagou mais de R$ 2,4 milhões no leilão realizado pela Caixa Econômica Federal.

Em um primeiro pregão, o imóvel foi ofertado por R$ 3,7 milhões, mas ninguém se interessou. Depois, o valor caiu e o fiscal tributário acabou comprando a mansão. 

Esta mesma notificação informa que o leilão foi adjudicado pela Caixa em abril de 2023 e que desde então ele tentava assumir a casa localiza em área nobre de Campo Grande e na qual o ex-prefeito já morou.

Socorristas ainda fizeram manobras de reanimação durante 25 minutos, mas ele acabou morrendo no local.  Logo depois dos disparos o ex-prefeito se apresentou na Depac Cepol, na região do bairro Tiradentes.  Roberto Carlos estava acompanhado de um chaveiro, que será testemunha-chave das investigações iniciais. 

EX-RADIALISTA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos em em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos, sendo o segundo mais bem votado. 

Em 2012 lançou campanha para prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Girot, no segundo turno, com 62,55% dos votos válidos. Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas perdeu a disputa. 

NOTA DO SINDICATO

O sindicato que representa os servidores emitiu nota lamentando o assassinato.

"É com profunda consternação e indignação que recebemos a notícia do assassinato do nosso colega Roberto. Ele era um servidor dedicado, pai de família e, acima de tudo, uma pessoa honrada. Neste momento de dor, expressamos nossa solidariedade à família e a todos que tiveram o privilégio de conviver com ele. A perda deixa uma lacuna irreparável no seio da família e em toda a nossa categoria, que hoje se encontra enlutada."

 

Oportunidades

Funsat abre a quarta-feira com 1.264 oportunidades de emprego

O Emprega CG também faz ação e incluí 200 vagas exclusivas para o Grupo Pereira

25/03/2026 10h35

Funsat oferece 1.264 vagas de empregos nesta quarta-feira

Funsat oferece 1.264 vagas de empregos nesta quarta-feira Divulgação / FUNSAT

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A Fundação Social do Trabalho (Funsat), inicia está quarta-feira (25) com mais uma ação que abre 1.264 vagas de emprego para Campo Grande. 

Além da Funsat, o Emprega CG oferece 200 vagas exclusivas para o Grupo Pereira, a seleção dessas vagas específicas, ocorre no período da tarde, a distribuição das senhas acontece das 13h às 15h50, enquanto a triagem vai até às 16h. 

A iniciativa do Emprega CG está integrada ao calendário do programa, já realizou outras ações ao longo do mês de março. 

Para as vagas gerais há oportunidades nos cargos de armazenista (2), atendente de balcão (5), auxiliar operacional de logística (50), consultor de vendas (18), fiscal de caixa (2), motorista de caminhão (13), operador de caixa (91), preparador físico (2) e técnico de carnes e derivados (2).

Já os cargos que não precisam de experiência prévia, têm à disposição 837 vagas para o perfil aberto, permitindo o treinamento remunerado dentro da empresa. Nessa categoria as oportunidades que ganham destaque são ajudante de carga e descarga (43), auxiliar de serviços de alimentação (35), auxiliar de padeiro (71), frentista (5), operador de telemarketing ativo (25), repositor de supermercados (35) e vendedor interno (2). 

Para o público PCD são 15 vagas prioritárias, dispostas nas funções de auxiliar administrativo (5), repositor de mercadorias (5), empacotador à mão (2), auxiliar de limpeza (1), motorista de caminhão (1) e porteiro (1).

Os atendimentos acontecem nas unidades da Funsat. 
Centro: Rua 14 de Julho, 992, Vila Glória
Polo Moreninhas: Rua Anacá, 699, região do Bandeira

Para mais informações, o candidato pode ir nas agências presenciais ou pelos canais oficiais da fundação nas redes sociais. 
 

Homicídio

Cartório certificou que mansão de Bernal estava desocupada, diz família de vítima

Fiscal tributário foi assassinado a tiros pelo ex-prefeito ao tentar entrar em imóvel que adquiriu em leilão

25/03/2026 10h02

Fiscal tributário morto por Bernal foi velado nesta quarta-feira

Fiscal tributário morto por Bernal foi velado nesta quarta-feira Foto: João Pedro Zequini

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A família do fiscal tributário da Secretaria de Estado de Fazenda de Mato Grosso do Sul (Sefaz), Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, morto a tiros pelo ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, contesta versão de que ele teria invadido o imóvel e afirma que o cartório certificou que a mansão se encontrava desocupada no momento do leilão.

O crime aconteceu nessa terça-feira (24) e o o fiscal tributário está sendo velado na manhã de hoje. No local, a família preferiu não se manifestar devido ao luto, mas emitiu nota onde manifesta "consternação e tristeza diante dos fatos ocorridos".

Conforme a nota, o imóvel em questão foi adquirido pela vítima diretamente junto à Caixa Econômica Federal e tratava-se de um bem que já não pertencia ao ex-prefeito, que perdeu a propriedade anteriormente e já havia sido regularmente informado sobre o fato.

"O contrato de compra e venda foi firmado e o cartório competente certificou que o imóvel se encontrava desocupado no momento da aquisição", diz a nota.

Ainda conforme a família, imagens de câmeras de segurança demonstram que Mazzini estava entrando no imóvel, que acreditava estar desocupado, quando foi surpreendido por Bernal, que teria ido até o local e entrou na residência já efetuando disparos.

Roberto Mazzini estava desarmado e foi atingido por dois tiros.

 "Diante dessa tragédia, a família clama por justiça e confia que os fatos serão rigorosamente apurados, com a devida responsabilização dos envolvidos. Reiteramos nosso luto e pedimos respeito neste momento de dor"m conclui a família na nota.

Confira a nota na íntegra:

A família Mazzini manifesta profunda consternação e tristeza diante dos fatos ocorridos. Roberto Mazzini era um homem de família — filho, pai, esposo, irmão e sogro — cuja perda deixa um vazio irreparável.

O imóvel em questão havia sido adquirido diretamente junto à Caixa Econômica Federal. Tratava-se de um bem que já não pertencia ao antigo proprietário, tendo este perdido a propriedade anteriormente (ele havia sido regularmente notificado disso). O contrato de compra e venda foi firmado e o cartório competente certificou que o imóvel se encontrava desocupado no momento da aquisição.

Temos conhecimento de imagens que demonstram que Roberto Mazzini estava entrando no imóvel, adquirido por meios legais e descrito como desocupado na documentação de aquisição, quando foi surpreendido.

Segundo as informações apuradas até o momento, após ser notificado por equipe de segurança, o Sr. Alcides Bernal dirigiu-se ao local armado e ingressou na residência efetuando disparos. Os indícios apontam que sua conduta foi deliberada e antecedida de decisão consciente.

Roberto Mazzini estava desarmado, foi atingido covardemente nas costas e não teve qualquer possibilidade de defesa.

Diante dessa tragédia, a família clama por justiça e confia que os fatos serão rigorosamente apurados, com a devida responsabilização dos envolvidos.

Reiteramos nosso luto e pedimos respeito neste momento de dor.

O crime

Alcides Bernal matou o fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini após se recusar a entregar seu imóvel, que havia sido leiloado.

Ele flagrou por meio do monitoramento de segurança a vítima entrando na propriedade, durante a tarde de ontem.

A disputa pelo imóvel começou em 2023, quando em um primeiro pregão, o imóvel foi ofertado por R$ 3,7 milhões, mas ninguém se interessou.

Depois, o valor caiu para R$ 2,4 milhões e o fiscal tributário acabou comprando a mansão. Contudo, mesmo após ter sido arrematado por Roberto Mazzini, Bernal se recusava a entregar a casa, levando a imbróglios judiciais, o que resultou no assassinato de ontem.

Pouco antes das 14h, Bernal foi avisado pelo monitoramento de segurança do imóvel que Roberto estava tentando entrar no terreno, com a ajuda de um chaveiro. Ao chegar no local, o ex-prefeito se desentendeu com o fiscal e efetuou dois disparos na direção do rival judicial, sendo que um dos tiros atravessou a região da costela.

Após isso, Bernal fugiu do local do crime e se apresentou à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac-Centro). Enquanto isso, a Polícia Militar e a Ambulância foram acionadas por testemunhas que ouviram os tiros e identificaram uma movimentação estranha no imóvel.

De acordo com o tenente Gustavo Frias, do Corpo de Bombeiros, Roberto já estava sem sinais vitais quando as autoridades e socorristas chegaram na ocorrência.

Na parte interna da caminhonete de Roberto, que ficou na frente da casa até a família retirar, havia uma notificação extrajudicial para desocupação, emitida no dia 20 de fevereiro enviada por Mazzini, na qual o comprador estava dando prazo de 30 dias para que Bernal esvaziasse a casa e entregasse as chaves. A morte ocorreu quatro dias depois deste prazo final.

O caso segue investigação da Polícia Civil.

  

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