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Pressionada, Adriane decreta corte radical de gastos e das nomeações

Decreto, que manda reduzir em 25% gastos com água, energia e combustível, determina renegociação de todos os contratos

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Pressionada por servidores, que estão sem reajuste há três anos, e prestadores de serviço, como a Santa Casa, a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), decretou uma espécie de moratória nos gastos públicos válida até o fim de junho, o que afasta a possibilidade de conceder reposição salarial ao funcionalismo, cuja data-base é maio. 

Decreto publicado em edição extra do Diogrande desta sexta-feira (7) determina ainda o corte de pelo menos 25% nos gastos com água, luz, combustíveis, impressões e demais serviços de terceiros prestados por pessoa física e/ou jurídica. 

Em uma das raras agendas públicas em que se dispôs a falar com a imprensa depois da reeleição, ao contrário daquilo que ocorria antes, no dia 12 de fevereiro a prefeita Adriane Lopes, ao ser indagada sobre a saúde financeira da prefeitura, limitou-se a afirmar que “as coisas estão caminhando como devem acontecer”. 

A declaração veio acompanhada da informação de que cerca de R$ 50 milhões em precatórios que deveriam ter sido pagos no ano passado haviam sido quitados no começo de fevereiro, deixando claro que a crise financeira na administração municipal não é de agora. 

O decreto desta sexta-feira, no qual administração deixa claro que a situação está crítica e contradiz as declarações da prefeita feitas quase um mês antes, direciona boa parte das diretrizes para o corte de gastos com funcionalismo, colocando fim às nomeações para cargos comissionados.

Proíbe, por exemplo, que alguém receba o salário do chefe quando este entra de férias ou se afasta por motivo de saúde. Veta a contratação de médicos ou professores temporários ou ampliação da carga horária de professor com o pagamento de horas complementares, exceto para substituir docente afastado de sala de aula. 

Limita até mesmo a contratação de estagiários ou mirins, restringe o pagamento de diárias, convocação de novos servidores efetivos, pagamento de plantões, cedência de servidores para outros órgãos públicos, gratificações por trabalhos em áreas de difícil acesso, entre outras medidas de contenção de gastos. 

Na mesma edição extra do Diogrande, porém, ainda aparecem dezenas de nomeações para cargos de confiança em diferentes secretarias e a cedência de servidores para a câmara de vereadores, sendo que o pagamento dos salários ficará a cargo do Executivo. 

O decreto deixa claro que qualquer “transgressão” destas normas deverá passar pelo crivo dos secretários de Gestão e Finanças. “A Secretaria Municipal da Fazenda deverá se manifestar quanto a disponibilidade financeira para atendimento da demanda e a adequação da despesa quanto as regras da legislação aplicável, em especial a Lei de Responsabilidade Fiscal, o orçamento público e as normas do presente decreto”, diz trecho da publicação.

Nas justificativas oficiais para a publicação, a administração não admite que as finanças municipais estejam mal das pernas. Alega, entre outras questões, que a medida de agora faz parte do “projeto de modernização da gestão pública municipal, iniciado por meio da reforma administrativa promovida e a digitalização mediante adoção de sistemas informatizados, com vistas à promoção de economia de recursos financeiros e humanos”. 

Em seu artigo sexto, o decreto determina renegociação dos valores dos contratos relativos a obras ou fornecimento de produtos. Sugere, inclusive, que aqueles fornecedores ou empresas que não aceitarem redução de valores, tenham os contratos rompidos. “Devendo ainda ser avaliada a essencialidade da manutenção do contrato, com vistas a decidir pela manutenção ou não do mesmo caso o contratado não conceda o desconto”, diz trecho do parágrafo dois deste artigo 

Secretários ou diretores-presidentes que não conseguirem atingir as metas de corte de gastos ou que fizerem nomeações indevidas  serão punidos, promete o decreto,  “sob pena de responsabilização administrativa”. 

Porém, o decreto destaca que, apesar dos cortes ou das restrições de gastos, a prestação dos serviços prestados pela prefeitura de Campo Grande, como coleta de lixo, atendimento em postos de saúde, escolas, iluminação pública, manutenção de semáforos, varrição de ruas, serviço de tapa-buracos, entre outros, deve ser mantida em todos os setores da administração municipal. 

E em meio a esta onda de corte de gastos, uma delas deve atingir dezenas de Unidades Básicas de Saude (UBS). Desde 2019 boa parte delas funciona com o chamado horário estendido, das 7 até 19 horas. O custo era bancado pelo Governo Federal. Agora, porém, elas devem voltar a fechar às 17 horas, uma vez que a demanda por atendimento nas duas “extras” é baixo. 
 

Salvo

Jovem que ameaçava se jogar de torre é salvo após horas de negociação em MS

Em crise emocional após o fim de um relacionamento, rapaz de 25 anos mobilizou equipes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros; diálogo evitou tragédia

21/06/2026 16h58

Foto: Divulgação

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Um trabalho conjunto entre equipes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros evitou uma tragédia na noite deste sábado (20), em Ponta Porã.

Um jovem de 25 anos, que havia subido em uma torre de telecomunicações no Jardim Ivone e ameaçava se lançar da estrutura, foi convencido a desistir da tentativa após um longo processo de negociação conduzido pelos agentes de segurança.

A ocorrência mobilizou equipes de emergência para a Rua da Infância, onde moradores acionaram as autoridades ao perceberem o homem em situação de risco.

Quando os primeiros militares chegaram ao local, encontraram o jovem em elevado estado de sofrimento emocional, permanecendo no alto da torre e resistindo a qualquer tentativa inicial de aproximação.

Enquanto o Corpo de Bombeiros organizava uma possível operação de resgate em altura e preparava equipamentos para uma eventual intervenção, policiais militares iniciaram uma estratégia baseada no diálogo.

O objetivo era estabelecer uma relação de confiança capaz de reduzir a tensão e impedir um desfecho fatal.

Durante as conversas, o rapaz relatou estar abalado emocionalmente em razão do término de um relacionamento amoroso. Em determinado momento, manifestou o desejo de fazer uma ligação para a mãe e afirmou que gostaria de conversar com o ex-companheiro antes de tomar qualquer decisão.

Diante da situação, os policiais empenhados na negociação conseguiram localizar a pessoa indicada pelo jovem e promoveram o contato entre os dois.

Segundo informações apuradas no local, a conversa teve papel decisivo para que ele reconsiderasse a atitude e passasse a colaborar com as equipes de resgate.

Após um período de diálogo contínuo, o homem aceitou descer da estrutura por conta própria, sempre acompanhado visualmente pelos bombeiros e policiais que atuavam na ocorrência.

A descida ocorreu sem incidentes, encerrando momentos de tensão que mobilizaram moradores da região e profissionais de segurança pública.

Assim que alcançou o solo, o jovem recebeu atendimento pré-hospitalar do Corpo de Bombeiros. Na sequência, foi encaminhado ao Hospital Regional de Ponta Porã, onde passou por avaliação médica e recebeu encaminhamento para acompanhamento especializado em saúde mental.

A ocorrência terminou sem necessidade de uso da força ou de qualquer método de contenção física. O resultado foi atribuído à atuação coordenada entre as equipes envolvidas e à condução humanizada adotada durante toda a negociação.

O episódio registrado em Ponta Porã também reforça a importância de reconhecer sinais de sofrimento emocional, que muitas vezes se manifestam de forma silenciosa e passam despercebidos por familiares, amigos e pessoas próximas.

Mudanças bruscas de comportamento, isolamento social, tristeza persistente e demonstrações de desesperança podem indicar que alguém necessita de apoio e acolhimento.

A atenção a esses sinais e a busca por ajuda adequada são fundamentais para prevenir o agravamento de crises emocionais e contribuir para a preservação da vida
 

INQUÉRITO

MPE vai apurar impactos causados pelo transporte de minério em Corumbá

O tráfego intenso de caminhões com cargas de minério de ferro tem causado transtornos na BR-262, além de poluição que pode agravar a saúde da comunidade

21/06/2026 16h30

MPE está de olho em nos impactos gerados às comunidades e ao meio ambiente de Corumbá com a atividade mineral da LHG Mining

MPE está de olho em nos impactos gerados às comunidades e ao meio ambiente de Corumbá com a atividade mineral da LHG Mining Foto: Fábio Marchi

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O Ministério Público Estadual (MPE) instaurou inquérito administrativo para acompanhar e fiscalizar os impactos gerados às comunidades e ao meio ambiente com a atividade mineral em Corumbá, com base em denúncias dos moradores dos distritos de Maria Coelho e Porto Esperança. O órgão vai apurar a efetividade das medidas de controle da poluição atmosférica.

A movimentação diária e intensa de caminhões com cargas de minério de ferro da mineradora LHG Mining, das minas de Urucum ao porto fluvial da empresa, tem gerado transtornos no tráfego da rodovia BR-262 e excessiva poeira em estradas vicinais, com agravos à saúde pública e a vegetação. Uma ação tramita no Ministério Público Federal pedindo reparação dos danos.

Depois de declinar competência para analisar o pedido de abertura de inquérito civil a pedido da associação de moradores de Porto Esperança, alegando se tratar de área da União, o MPE informou nesta sexta-feira que a 2ª Promotoria de Justiça de Corumbá vai investigar o caso, cujo procedimento está em fase de instauração.

A mineradora anunciou em audiência pública que vai suspender o transporte rodoviário de minério até o Porto Gregório Curvo, realizado por 300 caminhões/dia, com a utilização do ramal ferroviário que integra a ferrovia Malha Oeste. No entanto, a mudança só ocorrerá em 2029, prazo de conclusão das obras de expansão do porto.

Perícia técnica

Neste espaço de três anos, a LHG se comprometeu a minimizar os impactos ambientais nas duas comunidades, como o controle da nuvem de pó do minério. Em Porto Esperança, foi implantado um sistema de aspersão numa extensão de 4 km da estrada de acesso a partir da BR-262, com quatro caminhões-pipa operando diariamente.

No entanto, o tráfego de caminhões gera incômodos, com ruídos e congestionamento, e também riscos de acidentes na rodovia. Em Maria Coelho, onde há uma estação ferroviária, os moradores reclamam da dificuldade de se locomoverem pela estrada, devido ao volume de caminhões, e também sofrem com poeira e contaminação da água.

Em nota, o MPE informou que será realizada uma nova perícia técnica para aprofundar a análise dos eventuais impactos ambientais e à saúde coletiva. Outra medida será a notificação da empresa envolvida para prestar informações sobre as medidas de controle da emissão de material particulado decorrente do transporte de minério.

O distrito de Porto Esperança fica localizado na margem esquerda do Rio Paraguai, região de Pantanal, distante 85 km de Corumbá. A comunidade se fixou ali desde a chegada dos trilhos da antiga Noroeste do Brasil, no início do século passado. Maria Coelho, situada na borda do Morro de Urucum e distante 35 km da cidade, também surgiu com a ferrovia.

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