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Pressionada, prefeitura promete "resolver" buracos em 60 dias

Câmara Municipal abriu uma CPI para investigar a operação tapa-buraco em Campo Grande esta semana, o serviço já foi alvo do Ministério Público

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Em meio a uma investigação aberta pela Câmara Municipal de Campo Grande, a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) informou que acredita que dentro de 60 dias tenha conseguido resolver, ao menos boa parte, dos buracos nas ruas da cidade.

Esta semana os vereadores confirmaram a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a execução dos serviços de tapa-buraco na Capital. 

Enquanto isso, população reclama de buraqueira pelas ruasEnquanto isso, população reclama de buraqueira pelas ruas - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Entre os eixos centrais do pedido estão a apuração de supostas irregularidades em contratos, a drástica redução dos investimentos na manutenção das vias públicas este ano e o não cumprimento de prazos de resposta a pedidos de informação já aprovados pelo plenário. 

O requerimento segue para a Procuradoria Jurídica da Casa de Leis, responsável pela emissão de parecer técnico que deve efetivar a instalação da comissão.

Pressionada com essa situação, a prefeitura afirmou em nota ao Correio do Estado que “prevê que, nos próximos 60 dias, os serviços avancem para um nível de atendimento capaz de reduzir significativamente os transtornos enfrentados pela população”.

“A normalização dos serviços, no entanto, não significa o encerramento da operação, uma vez que o tapa-buracos é uma atividade permanente de manutenção corretiva”, complementa a prefeitura.

A prefeitura ainda afirmou que intensificou a operação tapa-buraco nas últimas semanas, com o aumento de equipes, que agora são 12 em atuação nas sete regiões urbanas de Campo Grande.

“No início de junho, eram apenas duas equipes. Após medidas administrativas, o número chegou a sete frentes em setembro, mês em que cinco empresas também foram incorporadas por meio de credenciamento junto ao Consórcio Central”, conta.

A empresa incorporada foi a RR Barros Serviços e Construções Ltda., que já era responsável pelo serviço no Centro e nas Regiões Prosa e Lagoa. Ela ficou com os contratos da Construtora Rial (atual Força Engenharia), envolvida no escândalo, e passou a comandar o tapa-buraco em todas as sete regiões da Capital.

“Com as medidas adotadas, a produtividade diária passou de aproximadamente 450 buracos tapados em junho para até 2 mil em setembro. A expectativa é alcançar 3 mil buracos tapados por dia durante o período de estiagem. Nos quatro meses de intensificação, foram recuperados mais de 80 mil pontos de pavimento, com cerca de 150 mil metros quadrados de remendos executados”, continua a prefeitura.

A administração ainda declarou que neste ano o serviço de tapa-buraco “já ultrapassou 251 mil buracos tapados, mais de 532 mil metros quadrados de pavimento recuperado e aproximadamente 38,4 mil toneladas de massa asfáltica aplicadas”.

O Município alega que a situação atual das ruas se deve a uma malha viária com desgaste acentuado de “mais de 30 anos de utilização” e pelas chuvas registradas em setembro e neste mês, que bateram recordes para o período.

Em nova promessa, a prefeitura afirma que outra medida a ser tomada será o início, neste segundo semestre, do programa de recapeamento das vias, “priorizando, na primeira etapa, as vias arteriais com maior fluxo de veículos e, posteriormente, avançando para os bairros”.

INVESTIGAÇÃO

A CPI foi proposta pela vereadora Luiza Ribeiro (PT) e prevê um prazo de 120 dias para iniciar a investigação.

O requerimento foi assinado pelos 29 vereadores de Campo Grande e, segundo a Câmara Municipal, “a mobilização dos parlamentares é resposta à grave crise ocasionada pela falta de manutenção das ruas da cidade e ressalta a urgência do Poder Legislativo em oferecer uma resposta concreta e fiscalizatória às constantes demandas da população”.

“Ninguém consegue andar pela cidade. Nos últimos dias, com o aumento das chuvas, ficou impossível transitar em alguns locais. A população chegou a um nível de indignação muito grande. A CPI não é uma caça às bruxas, mas uma forma de responsabilizar quem deve ser responsabilizado e, principalmente, esclarecer a população”, afirmou o presidente da Câmara, vereador Epaminondas Neto, o Papy (PSDB).

CONFUSÃO

Durante a sessão ordinária da Câmara Municipal de ontem, que seria dedicada a ouvir o titular da Sisep, André Moura Brandão, sobre os trabalhos de tapa-buraco, uma confusão envolvendo um servidor municipal acabou por encerrar a discussão.

A fala do titular teria uma duração de 10 minutos, de acordo com o regimento da Casa de Leis. Ele até solicitou mais tempo, mas seu posicionamento não durou mais que 5 minutos; em razão da interrupção na sessão, começou o tumulto no plenário, momento em que um servidor público municipal e um empresário local se desentenderam.

A confusão começou após o comerciante, que estava com uma maquete das ruas esburacadas e mostrava para os presentes, ficar na frente do servidor público da Secretaria Especial de Articulação Regional (Sear), que pediu para que o homem saísse da frente dele durante a fala do secretário. 

Durante a discussão, a maquete foi quebrada, e o servidor arremessou o objeto no espaço onde ficam os vereadores. Na sequência, o presidente da Casa pediu para que os guardas civis metropolitanos retirassem o servidor do plenário. 

O servidor se recusou a deixar o plenário e os guardar usaram a força para retirá-lo da Casa de Leis.

No plenário havia cerca de 100 servidores públicos que foram ao local para protestar contra a abertura da CPI e também pessoas que estavam no local para manifestar sua insatisfação com a situação das ruas da Capital.

Diante de toda a situação, a sessão foi encerrada “por questões de segurança”, segundo a Câmara. (Colaborou João Pedro Flores)

* SAIBA

A prefeitura alega que na segunda-feira ruas dos Bairros Anhanduizinho, Bandeira, Prosa, Lagoa, Segredo e Imbirussu, com frentes de trabalho nas Avenidas Thyrson de Almeida, Gury Marques, Cônsul Assaf Trad, Alberto Araújo e Gunter Hans, além de ruas dos Bairros Parati, Vilas Boas, Rouxinóis, Tayama Park, Vila Manoel da Costa Lima, Jardim Presidente e Coophatrabalho receberam o serviço de tapa-buraco.

“A Sisep informa que a programação dos serviços é definida com base em levantamentos técnicos e nas solicitações recebidas pelos canais oficiais da prefeitura, como o telefone 156 e o aplicativo Mais CG”, diz trecho de nota.

investigação

Família de pedreiro morto cobra câmeras corporais em policiais

Versão dos parentes que estavam na residência no momento da morte de Bruno Rafael, de 18 anos, confronta o relato apresentado pelo Choque nesta semana

22/10/2026 08h20

Sofá da casa ainda está com a mancha do sangue de Bruno

Sofá da casa ainda está com a mancha do sangue de Bruno Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A família de Bruno Rafael Souza da Silva, de 18 anos, que morreu em ação do Batalhão de Choque nesta semana, acredita que, se as câmeras corporais estivessem nas fardas dos policiais envolvidos na ocorrência, comprovaria que o pedreiro não apontou a arma para os agentes, confrontando a versão contada pela corporação para justificar os disparos contra o jovem naquela madrugada.

O caso começou na sexta-feira, quando Gian Marcelo Samaniego Ramão, de 27 anos, morreu no Bairro Parque do Lageado, em Campo Grande, vítima de um latrocínio. Segundo imagens de câmera de segurança divulgadas pela polícia, o crime ocorreu às 19h20min daquele dia. Na ocasião, os autores roubaram um Volkswagen Gol vermelho e mercadorias que seriam da vítima.

Depois de terem localizado um dos participantes do crime, identificado como Yuri Silva Santos Modesto, de 27 anos, os policiais se dirigiram ao Bairro Portal Caiobá II, endereço apontado por Yuri como residência de outro envolvido no latrocínio, vulgo Neguinho e que teria efetuado os disparos contra Gian. Porém, o que aconteceu no local continua em aberto, visto a guerra de narrativas dos dois lados da história.

Enquanto o Batalhão de Choque afirma que Bruno teria tirado uma arma da mochila e apontado para os policiais, a família do jovem segue dizendo que não havia arma na casa e que o suspeito não teria ameaçado os agentes. Fato é que toda essa ação aconteceu dentro do quarto do rapaz, próximo à namorada, ao pai e à madrasta.

Alexandra Raquele, de 18 anos, que era namorada de Bruno, afirma que as câmeras corporais dos policiais poderiam ter ajudado a provar o lado da família, além de esclarecer com detalhes o que aconteceu no quarto quando os agentes ficaram sozinhos com Bruno.

“Eu acho que sim [teria ajudado]. Porque eles falam que o Bruno foi até a porta e quando viu os policiais, voltou e foi para dentro do quarto, e quando os policiais entraram, ele já estava tirando a arma da mochila, o que é mentira. Quando eu falei para ele ‘olha os homens’, ele só abriu o olho e não chegou a levantar, ele só levantou na hora que os policiais mandaram. Isso tudo aconteceu em questão de 10 minutos, e então eu escutei o barulho do tiro”, disse.

Um amigo de 42 anos de Bruno, que quis se manter no anonimato, também se manifestou sobre as câmeras falando “eles [os policiais] tinham que ter essa câmera”.

Vale destacar que é um debate recente o uso das câmeras corporais nos policiais militares de Mato Grosso do Sul. Em momentos passados, a Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) condicionou a aquisição da tecnologia à liberação de verbas federais específicas. No cenário nacional, 14 estados e o Distrito Federal utilizam o equipamento.

Mesmo com o depoimento dos familiares, a Polícia Militar afirmou que “todo o procedimento seguiu rigorosamente os protocolos operacionais da corporação, com formalização perante a autoridade de polícia judiciária para a devida apuração dos fatos”, além de manter a versão contada inicialmente pelo Choque.

ALEGRE E BRINCALHÃO

Em conversa com o Correio do Estado em frente à residência onde Bruno morreu, a família relata que ele era um menino divertido e batalhador, que saía bem cedo para trabalhar como pedreiro na construção de casas de programas sociais do governo, como o Minha Casa, Minha Vida, e ainda ajudava o pai e a madrasta com as atividades domésticas.

“Quando eu peguei ele para criar, ele tinha 3 anos. Criei ele, fiz o que eu pude e o que eu não pude para ele. Era um menino bom, e não é porque ele morreu que eu estou dizendo isso, ele era um menino realmente bom. Saía às 6h, voltava e ficava em casa. Era um menino reto. Eu só tenho a lembrar de coisas boas”, disse a madrasta.

“Ele era um moleque alegre, brincalhão, todo mundo gostava dele, todo mundo ria e brincava com ele. Onde ele chegava, ele fazia amizade. Não era para ter acontecido isso com ele”, complementou o amigo de infância.

O irmão mais velho de Bruno, que não quis ser identificado, disse que o maior sonho do rapaz era comprar um carro e que ele estava juntando dinheiro do trabalho para realizá-lo. 

* SAIBA 

Segundo a PM, após a morte de Bruno foi instaurado inquérito policial militar para apurar as circunstâncias dos fatos. Após sua conclusão, esse caso é remetido para o Ministério Público e à Justiça.

REFORMULAÇÃO

TJMS aumenta pena de mãe e filho que mataram parente em churrasco

O crime ocorreu após uma brincadeira entre a vítima e um de seus sobrinhos, à qual os agressores reagiram de forma desproporcional e por motivo fútil, segundo o MPMS

22/10/2026 07h50

Marineide Santana e Odaison Santana Rui Dias foram condenados pela morte de Jonilson Pereira

Marineide Santana e Odaison Santana Rui Dias foram condenados pela morte de Jonilson Pereira Reprodução: Princesinha News

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O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) reformou parcialmente a sentença proferida pelo Tribunal do Júri de Aquidauana e aumentou as penas de Marineide Santana e Odaison Santana Rui Dias, mãe e filho, pelo assassinato de Jonilson Pereira Gomes, de 33 anos.

Ambos foram condenados por homicídio duplamente qualificado. Com o recurso, a pena da mãe subiu para 16 anos e 11 meses, enquanto a do filho passou para 19 anos e 6 meses de reclusão, ambas em regime fechado. 

Na sentença inicial, a mãe recebeu a pena de 16 anos de reclusão, e o filho foi condenado a 18 anos de reclusão, ambos em regime fechado.

O pedido de reformulação da pena foi interposto pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), através da 3ª Promotoria de Justiça de Aquidauana.

O recurso sustentou a necessidade de reformar o cálculo das penas, demonstrando que as circunstâncias do crime exigiam uma resposta penal mais severa e proporcional.

O homicídio ocorreu em janeiro do ano passado, durante um churrasco familiar. Conforme a denúncia ministerial, o crime foi motivado por uma brincadeira entre a Jonilson e um de seus sobrinhos, à qual os agressores reagiram de forma desproporcional e por motivo fútil.

Submetidos a julgamento popular perante o Tribunal do Júri da Comarca de Aquidauana, os réus foram condenados por homicídio qualificado por motivo fútil e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima.

No recurso ao TJMS, o Promotor de Justiça João Meneghini Girelli pleiteou penas maiores ao apontar maior gravidade em dois fatores: a quebra de confiança no ambiente familiar, onde a vítima estava acolhida,  e a brutalidade do ataque.

Ao acolher o recurso ministerial, a 3ª Câmara Criminal concluiu que as circunstâncias do crime justificavam maior reprovação das condutas e, por isso, aumentou as penas aplicadas aos réus, fixando as penas definitivas em 16 anos e 11 meses de reclusão para a mãe e 19 anos, 6 meses e 15 dias para o filho.

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