Cidades

aposentadoria compulsória

Servidor estima que desembargador levou R$ 2 milhões para soltar megatraficante

Informação aparece em um print de diálogos feitos entre assessores de Divoncir Maran e anexados ao processo do CNJ

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Troca de mensagens feitas por servidores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul foram fundamentais para embasar a decisão do Conselho Nacional de Justiça que levou à punição do desembargador Divoncir Schreiner Maran à pena de aposentadoria compulsória, no último dia 10, por ter libertado o megatraficante Gerson Palermo. Em uma delas, um servidor público opina que o magistrado deve ter recebido uma pequena fortuna para conceder a liminar. 

Em um destes diálogos, o companheiro de uma assessora do desembargador estima que ele tenha faturado pelo menos R$ 2 milhões para soltar o chefão do tráfico. Condenado a 126 anos de prisão, Palermo foi solto em 21 de abril de 2020, durante um feriadão no começo da pandemia de Covid 19. 

No dia seguinte, outro desembargador, Jonas Hass, reverteu a decisão, mas o traficante já havia rompido a tornozeleira eletrônica e fugido. Até hoje, quase seis anos depois, não foi recapturado. 

Por conta daquela decisão, algumas semanas depois o desembargador foi denunciado ao Conselho Nacional de Justiça pelo juiz Rodrigo Pedrini Marcos.  Porém, somente no começo de fevereiro deste ano o CNJ julgou o caso e aposentou o aposentado desembargador. 

Mas, antes disso, em fevereiro de 2024, Divoncir Maran foi alvo de uma operação da Polícia Federal e acabou sendo afastado do cargo, ao qual não retornaria mais. Em abril de 2025, ao completar 75 anos, ele se aposentou por idade.

O autor do comentário sobre a suposta cobrança de propina foi um policial rodoviário federal que é familiar da assessora Gabriela Soares Moraes. Esta, por sua vez, redigiu a ordem de soltura e que possivelmente acompanha de perto o que se passava no Tribunal. Gabriela chegou a ser alvo da Polícia Federal durante a operação de 8 de fevereiro de 2024, quando Divoncir foi afastado..

Na conta dela apareceram movimentações financeiras suspeitas. Posteriormente a PF constatou que eram remessas feitas por seus pais. Além disso, meses depois da liminar ela foi promovida de cargo.

Por determinação do desembargador e de sua esposa, a servidora Gabriela foi a autora do texto que concedeu a liberdade a Gerson Palermo, conforme a investigação do Conselho Nacional de Justiça. 

Conforme print de um diálogo que apareceu em seu celular, depois que este o interlocutor falou que "deve ter entrado no bolso do desembargador uns 2 mi",  ela afirmou que a soltura do megatraficante em troca de suposta propina não era caso isolado.

Este "foi o segundo processo que ele mandou fazer que sangrava a injustiça", comentou ela, sem dar detalhes sobre a suposta venda de sentença anterior. "É doido ter que obedecer nestes casos", concluiu. 

Print anexado ao processo que levou o Conselho Nacional de Justiça a punir o desembargador Divoncir Maran 

Gabriela sabia que Gerson Palermo não tinha doença comprovada e não se enquadrava nos critérios para que presidiários fossem soltos por conta da pandemia, mas acatou as ordens superiores, conforme deixa claro o acórdão do CNJ. 

"Malgrado sua contrariedade técnica, a funcionária acatou as determinações do Desembargador quanto ao deferimento do writ, em observância à hierarquia funcional e considerando que a decisão seria subscrita pela autoridade judiciária competente, conforme se depreende de conversa com o assessor F. C., na qual Gabriela afirma que teve que fazer uma "gambiarra" para deferir o pedido conforme o Desembargador determinou e que "o cara (Gerson Palermo) é traficante", diz trecho do relatório.

Os comentários de Gabriela feitos no dia 23 de abril, quando o traficante especializado em fazer o transporte aéreo de cocaína já havia fugido.

Mas, um simples comentário de uma assessora não seria suficiente para punir um desembargador com mais de 40 anos de carreira. Eles, contudo, ajudaram a Polícia Federal a descobrir uma série de movimentações financeiras relativas  à compra e venda de gado e de imóveis.

O filho mais velho do desembargador, que também foi alvo da operação da PF em fevereiro de 2024, seria o "principal operador" do desembargador, teria conduzido uma negociação de gado e recebido "quantias consideráveis em espécie, nas mais variadas transações financeiras suspeitas, não sendo compatível com os rendimentos declarados", diz o texto 

O rendimento mensal deste filho mais velho do desembargador era de R$ 7.687,50, conforme investigação da PF. Porém, entre junho de 2021 e meados de março do ano seguinte, ele movimentou R$ 1.074.532,05 em sua conta bancária. 

O relatório final da condenação do desembargador não traz muitos detalhes sobre o tamanho do imóvel ou a quantidade de bovinos repassados em troca da soltura do traficante. Mas, aponta indícios de lavagem de dinheiro por meio do que é chamado "gado de papel".

NA ALEGRIA E NA TRISTEZA

Na decisão do CNJ também aparece a informação de que a esposa de Divoncir,  Viviane Alves Gomes de Paula, tinha participação direta na suposta venda de sentenças e na lavagem de dinheiro. Até o início de 2021 ela era funcionária do Tribunal Regional Eleitoral e conseguiu o emprego por conta da influência do desembargador, quando este integrava o TRE.

Na investigação que levou à condenação do magistrado aparece a informação de que Viviane de Paula dava orientações aos assessores do marido sobre como deveriam atuar. "Dentre as mensagens de texto analisadas, em 31/3/2021 consta o diálogo entre Viviane Alves Gomes de Paula e F.C. no qual infere-se a ingerência da primeira em processo que seria decidido pelo magistrado, cuja minuta seria elaborada pelo segundo, a quem ela transmite determinações, supostamente a pedido do companheiro", apontou 

"A naturalidade com que os interlocutores procedem às tratativas denota tratar-se de situação corriqueira, ou seja, era comum que a companheira do magistrado dirigisse determinações sobre processos judiciais específicos ao assessor do magistrado, que a ela se reportava dando retorno sobre as minutas e notícias sobre julgamentos", revelaram os investigadores. 
 

Elém disso, o CNJ também acatou a argumentação dos investigadores de que Viviane (segunda esposa de Divoncir, que era viúvo) era responsável por pagamentos, sempre em dinheiro, na construção de um imóvel da família. Estes pagamentos, segundo investigação da PF, eram para ocultar a origem do dinheiro. 

Em outubro de 2024, quando já estava aposentado, Divoncir Maran também foi alvo da operação Ultima Ratio, uma investigação da Polícia Federal que apontou suposto esquema de venda de sentenças no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. 

Nesta operação, cinco desembargadores da ativa e dois aposentados foram alvo de buscas e apreensão. Os filhos de vários deles, todos advogados, também entraram na mira da Polícia Federal. A suspeita é de que a venda de sentenças envolva familiares,  assim como teria ocorrida no caso da libertação do megatraficante Gerson Palermo.

Operação Oncojuris

Fraude milionária envolvia ex-servidor, donos de farmácias e candidato a vereador

Esquema manipulava decisões judiciais para compra de medicamentos e desviava recursos públicos

23/04/2026 17h20

Delegada titular do Dracco, Ana Claudia Medina

Delegada titular do Dracco, Ana Claudia Medina Foto: Marcelo Victor/ Correio do Estado

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Guilherme de Oliveira Neto, Luiz Henrique Marino, Reginaldo Pereira dos Santos, Victor Guilherme Lezo Rodrigues e Altair Penha Malhada presos na manhã desta quinta-feira (23) no âmbito da 'Operação Oncojuris' são apontados como integrantes de um esquema criminoso que teria causado prejuízo de R$ 78 milhões aos cofres públicos do Estado.

Segundo apurado pela polícia, os cinco exerciam diferentes funções no esquema que manipulava decisões judiciais para compra de medicamentos e desviava recursos públicos por meio de pequenas farmácias e empresas de assessoria, sem qualquer capacidade financeira ou estoque. O grupo ingressava em ações judiciais como parte interessada, oferecendo medicamentos com valores muito abaixo do Preço Máximo de Venda ao Governo (PMVG).

As investigações começaram há sete meses após o Núcleo de Atendimento à Saúde (Nas) identificar um padrão considerado atípico em decisões sobre a compra de medicamentos, inclusive para tratamento de câncer.

Outro ponto crítico revelado pela investigação é que os medicamentos, em muitos casos, eram importados de forma irregular, sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sem número de lote e sem garantias mínimas de segurança, colocando em risco pacientes, especialmente aqueles em tratamento oncológico.

Donos de farmácias, Luiz Henrique Marino e Reginaldo Pereira dos Santos são investigados por atuar como empresários locais, fornecer orçamentos e participar diretamente da execução financeira das fraudes.

Ex-servidor público, Guilherme de Oliveira Neto e Victor Guilherme Lezo Rodrigues e Altair Penha Malhada, estes advogados, são investigados por compor o chamado "núcleo jurídico" do esquema, responsável por viabilizar as decisões que autorizavam o bloqueio de verbas públicas.

Ao todo, foram cumpridos 21 mandados em diferentes regiões do país. Entre os cinco mandados de prisão expedidos em Mato Grosso do Sul, apenas  Luiz Henrique Marino foi preso em Ribas do Rio Pardo. Os demais foram detidos em Campo Grande.  

Operação

Exonerado em junho de 2025, Guilherme de Oliveira Neto trabalhava na Secretaria de Estado de Saúde apontado como uma das peças de articulação interna do esquema. A apuração aponta ele como um dos que direcionavam os orçamentos de empresas específicas para subsidiar decisões judiciais.

Reginaldo Pereira dos Santos aparece como responsável por empresas como a Medic Import, além da Drogaria Vitória, localizada na Avenida Ernesto Geisel. Conforme as investigações, as empresas atuariam fornecendo orçamentos e, posteriormente, recebiam os valores liberados judicialmente.

Conhecido como "Henrique da Farmácia", Luiz Henrique Marino, foi candidato a vereador em Ribas do Rio Pardo em 2024 pelo PL, obteve 381 votos e não se elegeu. 

Segundo as autoridades, após a liberação dos recursos, grande parte dos valores era desviada por meio de cobranças de taxas de serviço ou assessoria, que podiam ultrapassar 70% do total repassado. Apenas uma pequena fração era efetivamente utilizada na aquisição dos medicamentos.

Estimamos que o montante de notas fiscais emitidas de forma irregular chega a aproximadamente R$ 78 milhões, afirmou o superintendente substituto da Receita Federal, Erivelto Alencar.

As investigações seguem em andamento para identificar outros possíveis envolvidos e aprofundar o rastreamento dos recursos desviados.

A deflagração da Operação Oncojuris, foi conduzida pela Receita Federal em conjunto com o Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), o Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) do Ministério Público Estadual e o Núcleo de Atenção à Saúde (NAS) da Defensoria Pública do Estado.

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ALEMS

Assembleia reconhece calamidade pública em Dourados após 6,4 mil casos de Chikungunya

Com o reconhecimento da Alems, o município dispõe de maior flexibilidade orçamentária e financeira para o enfrentamento da doença

23/04/2026 15h30

Assembleia reconheceu estado de calamidade em Dourados com o aumento nos casos de Chikungunya

Assembleia reconheceu estado de calamidade em Dourados com o aumento nos casos de Chikungunya Wagner Guimarães

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A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) reconheceu o estado de calamidade no município de Dourados após o crescente número de casos de Chikungunya na cidade. A medida foi aprovada por unanimidade na manhã desta quinta-feira (23) e garante ao município maior flexibilidade financeira para a adoção de medidas urgentes e necessárias para o enfrentamento da doença. 

Com a aprovação, a medida tem durabilidade de 90 dias ou até que a situação de calamidade cesse. Durante a votação do projeto, o presidente da Alems, o deputado Gerson Claro (PP) lembrou que a situação já foi vivida na Pandemia e, por isso, é de extrema importância. 

O projeto foi votado em regime de urgência devido ao avanço da doença no Estado, principalmente em Dourados, especialmente nas áreas de aldeias indígenas. 

De acordo com o deputado Zé Teixeira (PL), são aproximadamente 14 mil pessoas na região indígena que não conta com coleta de lixo, o que contribui para a proliferação do mosquito. 

"Como que esse tanto de gente mora em uma pequena área e, claro, produz lixo e não tem coleta? Conversei com o prefeito Marçal Filho na semana passada e realmente está difícil. Estão adiando consulta de câncer para atender a Chikungunya. Conversei com o senador Nelsinho Trad, que reforçou o pedido da atuação da Força Nacional diante do avanço da doença, porque já saiu da reserva e atinge toda a cidade de Dourados. São R$ 7 milhões empenhados para a cidade que estão aguardando liberação", ressaltou.

Como medida de intensificação ao combate à doença, a Prefeitura de Dourados vem realizando um mutirão de limpeza na Reserva Indígena. Nos últimos três dias, já foram retiradas cerca de 20 toneladas de resíduos nas aldeias Bororó e Jaguapiru. 

Na última quarta-feira (22), as equipes iniciaram os trabalhos nas primeiras horas do dia na Aldeia Bororó e atuam simultaneamente na Aldeia Jaguapiru e na Comunidade Santa Felicidade. Com o uso de caminhões, maquinários e pás carregadeiras, o mutirão realiza limpeza porta a porta e em áreas consideradas críticas, como as margens do anel viário, garantindo a destinação adequada dos resíduos.

Desde 9 de março, mais de 1,1 mil toneladas de resíduos já foram recolhidos em diferentes regiões da cidade. A expectativa é manter o ritmo nos próximos dias, com ações concentradas nas áreas mais críticas.

"Estamos sentindo na pele e vendo que as pessoas demoram semanas e até anos para se recuperar. Elas terão dificuldades para trabalhar. Se não tivesse uma ação rápida poderemos ter uma população adoecia, sem condição de trabalho, que dá demanda para indústria, para o comércio, para o INSS, enfim, que desorganiza tudo. Já falamos com o Governo Federal, temos uma preocupação muito grande, porque há previsão de ao menos dois meses ainda de contaminação alta. Passamos caixa de som pedindo para cuidar da limpeza das casas, porque o mosquito transmite dengue e a Chikungunya, pedimos aos professores para reforçar essa conscientização", disse a deputada Gleice Jane (PT). 

Ela ainda complementou que o Governo Federal liberou mais R$ 2,3 milhões através da Defesa Civil e outros R$ 1,3 milhão pelo Ministério do Desenvolvimento Social para distribuir cestas básicas aos que não estão trabalhando, além de frascos de repelentes à população. 

O município também já havia declarado situação de calamidade pública e o Governo Federal reconheceu a situação de emergência em Dourados. 

Epidemia

Dourados registra 6.411 notificações da doença, com 2.204 casos confirmados, 4.959 prováveis, e 2.755 ainda em investigação. O município contabiliza oito mortes por chikungunya, sendo sete na Reserva Indígena.

Atualmente, 41 pacientes seguem hospitalizados com suspeita ou confirmação da doença. A taxa de positividade chega a 60,2%, indicador de que a maioria das pessoas com sintomas testadas tem diagnóstico confirmado.

Em nível estadual, Mato Grosso do Sul já soma 12 mortes por chikungunya em 2026, o que representa 63% dos 19 óbitos registrados em todo o Brasil neste ano.

A prefeitura reforça o alerta para que a população colabore, mantendo quintais limpos e livres de recipientes que possam servir de criadouro para o mosquito, medida considerada decisiva para conter a epidemia.

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