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Futebol

PVC: A ansiedade por reforços nas janelas de transferências

Existe um lugar intermediário entre a falta de agressividade do Palmeiras e o excesso de compras dos rivais

PVC

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28/07/2023 - 00h05
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A chegada de James Rodríguez ao São Paulo, para receber R$ 960 mil mensais por dois anos, contrasta com a aparente apatia do Palmeiras na janela de contratações. "Da próxima vez, contrata um navio", cantou a torcida uniformizada, em protesto à gestão Leila Pereira, no sábado (22).
Há uma compreensível ansiedade por reforços nos períodos disponíveis para transferências, nem sempre solucionada com a chegada de novos jogadores.
O Palmeiras contratou 18 jogadores desde janeiro de 2020, quando Anderson Barros assumiu a diretoria de futebol. Ganhou nove títulos. No mesmo período, o São Paulo fez 23 contratações, o Corinthians, 29, e o Santos, 26. O Tricolor conquistou um Campeonato Paulista. Corintianos e santistas, nenhuma taça.
Quando o Internacional saiu de um longo período de ostracismo para ser campeão da Libertadores e do Mundial e alcançar dois vices do Brasileiro, o presidente Fernando Carvalho criou um mantra: "Aeroporto é aonde o torcedor vai para receber time campeão, não para festejar contratação".
Aquele Internacional não deixou de contratar, mas os mais badalados de janeiro de 2006 foram Fabiano Eller e Jorge Wagner. Também Adriano Gabiru, odiado pelos colorados antes de marcar o gol do título mundial, contra o Barcelona. "Me perdoa, Gabiru", virou canto famoso na recepção do Internacional como melhor time do planeta, no aeroporto Salgado Filho.
É inegável que grandes contratações causam alvoroço e, muitas vezes, grandes resultados. Alexandre Mattos fez a melhor contratação do Palmeiras dos últimos dez anos, ao ganhar a concorrência com São Paulo e Corinthians e comprar Dudu, do Dínamo de Kiev, depois de sucesso do atleta em período de empréstimo ao Grêmio.
No mesmo ano do Mundial do Internacional, o Palmeiras comprou Valdivia, do Colo-Colo, por US$ 3,5 milhões. Ídolo de barro, foi paixão de uma parte da torcida e símbolo de um período de raríssimos títulos no Parque Antarctica.
As janelas de transferências trazem pressões embutidas, não apenas das arquibancadas. Empresários de jogadores fazem força para realizar negociações, repórteres ficam sedentos por notícias, e uma fábrica de boatos aparece. Também surge uma quantidade gigantesca de ilusões, com nomes que carregam glórias do passado e não representam perspectiva para o futuro.
Nestes últimos três anos, o Corinthians contratou ou recomprou Willian, Balbuena, Romero, Luan, Jô, Cazares, Cantillo, Otero, Yony González, Maycon, Yuri Alberto, Paulinho... Aqui há só metade dos que foram chamados de reforços e não reforçaram.
O São Paulo trouxe de volta o zagueiro Miranda e o atacante Pato, contratou Vitor Bueno, Tiago Volpi, Nahuel Bustos, Andrés Colorado, Orejuela... Um pouco antes, fez contrato de quatro anos com Daniel Alves e lhe entregou a camisa 10.
Existe um lugar intermediário entre a falta de agressividade do Palmeiras e o excesso de compras dos rivais. O Flamengo tem sido agressivo e certeiro, mesmo sabendo que houve erros como Vidal, Pedro Rocha, Piris da Motta, Pablo, Bruno Viana, Kenedy e Marinho. Desde 2020, depois de montar e apenas incrementar a equipe campeã da Libertadores, o Flamengo contratou 27 atletas e gastou R$ 620 milhões.
Ganhou oito taças.
Tudo é risco. O São Paulo gastará R$ 24 milhões por dois anos de contrato com James, que não participou de 45% das partidas do Olympiacos pelo Campeonato Grego –jogou 20 vezes, marcou cinco gols e deu seis assistências.
O Palmeiras não contrata e poderá penar se houver lesão de algum jogador-chave.

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Marketing digital não é postar. É construir demanda.

18/08/2026 00h03

COLUNISTA ARTHUR MAXIMILIANO

COLUNISTA ARTHUR MAXIMILIANO

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Em um ambiente cada vez mais saturado de conteúdo, empresas precisam parar de confundir presença digital com estratégia de marketing.

Durante muito tempo, estar no digital parecia suficiente.

Criar um perfil no Instagram, publicar com frequência, impulsionar algumas campanhas, abrir um WhatsApp Business e manter um site no ar eram movimentos que, por si só, já diferenciavam muitas empresas.
Esse cenário mudou.

Hoje, praticamente todo negócio está conectado. O concorrente publica. O cliente pesquisa. O algoritmo disputa atenção. A inteligência artificial produz conteúdo em segundos. E uma quantidade quase infinita de mensagens chega todos os dias às mesmas pessoas.

O problema, portanto, deixou de ser simplesmente estar presente.

O desafio agora é ser relevante.

Essa mudança parece pequena, mas altera completamente a forma como o empresário deveria enxergar marketing digital.

Ainda existem empresas que medem sua estratégia pela quantidade de posts publicados. Se o Instagram está ativo, acreditam que o marketing está funcionando. Se o vídeo teve visualizações, sentem que houve resultado. Se a campanha gerou cliques, comemoram.

Mas nenhuma dessas métricas, isoladamente, paga a conta.

Marketing digital precisa ajudar a empresa a gerar atenção, criar percepção de valor, aumentar confiança e transformar parte dessa audiência em oportunidade comercial.

Isso significa que marketing não pode viver separado de vendas.

Uma empresa pode ter milhares de seguidores e poucos clientes. Pode produzir vídeos todos os dias e não gerar uma única conversa comercial relevante. Pode investir em tráfego pago e descobrir que os contatos recebidos não têm perfil para comprar.

Movimento digital não é necessariamente resultado empresarial.

É por isso que a primeira mudança precisa acontecer na pergunta que o empresário faz.

Em vez de perguntar “o que vamos postar esta semana?”, deveria perguntar “qual percepção queremos construir no mercado?”.

Antes de perguntar quantos seguidores ganhou, deveria entender quantas oportunidades foram geradas, quais temas despertaram interesse real e quais conteúdos aproximaram o público da decisão de compra.

O digital amadureceu.

E, com ele, o consumidor também.

Hoje, antes de comprar, uma pessoa pode pesquisar no Google, olhar o Instagram da empresa, consultar avaliações, assistir a um vídeo, perguntar para uma inteligência artificial, acessar o LinkedIn de um profissional, comparar concorrentes e conversar pelo WhatsApp.

A decisão não acontece mais em um único canal.

Isso significa que a empresa precisa construir coerência ao longo dessa jornada.

Não adianta ter uma propaganda excelente e um atendimento ruim no WhatsApp. Não adianta possuir um Instagram sofisticado e um site que não explica claramente o que a empresa faz. Não adianta falar sobre excelência no conteúdo e entregar uma experiência completamente diferente ao cliente.

Marketing deixou de ser apenas comunicação.

É também experiência.

Outro fenômeno importante é a popularização da inteligência artificial.

Produzir conteúdo ficou muito mais fácil. Textos, imagens, vídeos, apresentações e campanhas podem ser criados em uma velocidade que seria impensável poucos anos atrás.

Isso traz produtividade, mas cria um novo problema: se todos conseguem produzir mais, quantidade deixa de ser diferencial.

O conteúdo genérico tende a valer cada vez menos.

Empresas precisarão demonstrar experiência, opinião, repertório, casos reais e identidade. A inteligência artificial pode ajudar na produção, mas não deveria apagar a personalidade da marca.

Quanto mais conteúdo artificial existir, maior tende a ser o valor daquilo que parece verdadeiro.

O empresário precisa compreender também que marketing digital não começa no anúncio.

Um anúncio apenas amplifica aquilo que já existe.

Se a oferta é ruim, ele acelera uma oferta ruim. Se o posicionamento é confuso, leva mais pessoas para uma mensagem confusa. Se o atendimento demora, gera mais contatos para uma operação despreparada.

Tráfego pago não corrige falta de estratégia.

Antes de aumentar o investimento em mídia, a empresa precisa entender quem quer atingir, qual problema resolve, por que alguém deveria escolher sua solução e o que acontecerá depois que o interessado clicar.

É justamente nessa conexão entre marketing, vendas e operação que muitas empresas ainda falham.

O marketing gera uma oportunidade, mas o comercial demora para responder. O vendedor não sabe de qual campanha o contato veio. O cliente recebe uma proposta genérica. Depois, ninguém acompanha.

No fim do mês, a conclusão é de que “o marketing não funcionou”.

Talvez o problema não estivesse no marketing.

Talvez estivesse na ausência de uma jornada organizada.

Outro ponto importante é entender que nem todo conteúdo precisa vender imediatamente.

Parte do marketing constrói demanda antes que exista intenção de compra.

Uma empresa que ensina, apresenta problemas que o cliente ainda não percebeu, compartilha conhecimento e demonstra competência começa a ocupar espaço mental antes da necessidade surgir.

Quando o momento de compra chega, essa lembrança importa.

É a diferença entre tentar aparecer apenas quando o cliente já está procurando uma solução e construir confiança antes que essa busca comece.

Isso exige consistência.

Não significa produzir todos os dias sem estratégia. Significa repetir uma mensagem central de formas diferentes até que o mercado compreenda com clareza aquilo que a empresa representa.

As marcas mais fortes não são necessariamente as que dizem mais coisas.

São as que conseguem ser lembradas por alguma coisa.

Por isso, uma das perguntas mais importantes do marketing atual é simples: quando alguém pensa no problema que sua empresa resolve, existe alguma chance de lembrar de você?

Se a resposta for não, talvez o desafio não seja publicar mais.

Talvez seja posicionar melhor.

O marketing digital dos próximos anos será cada vez menos uma disputa apenas por alcance e cada vez mais uma disputa por relevância, confiança e intenção.

As ferramentas continuarão mudando.

Hoje falamos de Instagram, Google, TikTok, WhatsApp e inteligência artificial. Amanhã surgirão novas plataformas e novos formatos.

Mas a essência permanece.

Empresas precisam entender pessoas, comunicar valor e construir confiança.

A tecnologia muda o canal.

A gestão define a estratégia.

Por isso, o empresário que ainda trata marketing digital como obrigação de “manter as redes atualizadas” está olhando para uma das principais áreas de crescimento do negócio de maneira pequena demais.

Marketing não é postar.

Marketing é construir demanda.

E, em um mercado onde todos conseguem falar, a vantagem será de quem conseguir ser ouvido, lembrado e escolhido.

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O fim da idade mínima na aposentadoria especial dos técnicos de enfermagem

Uma decisão que coloca a saúde do trabalhador em primeiro lugar

14/08/2026 00h03

Juliane Penteado

Juliane Penteado

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A rotina de um técnico de enfermagem é marcada por desafios que vão muito além do cuidado com os pacientes. São longas jornadas de trabalho, plantões exaustivos, contato permanente com vírus, bactérias, secreções e materiais contaminados, além do desgaste físico e emocional inerente à profissão.

A pandemia de covid-19 tornou ainda mais evidente aquilo que os profissionais da enfermagem já conheciam há muito tempo: cuidar do outro exige dedicação, preparo técnico e, muitas vezes, um grande sacrifício pessoal. Em inúmeros momentos, esses trabalhadores colocaram a própria saúde em risco para preservar a vida de milhares de pessoas.

Por essa razão, a aposentadoria especial sempre ocupou um lugar importante no sistema previdenciário brasileiro. O benefício foi criado justamente para reduzir o tempo de exposição a agentes capazes de comprometer a saúde e a integridade física do trabalhador.

Entretanto, a Reforma da Previdência, aprovada em 2019, passou a exigir o cumprimento de uma idade mínima para a concessão da aposentadoria especial. Na prática, isso significava que muitos profissionais precisariam permanecer expostos aos riscos ocupacionais durante mais tempo, mesmo depois de preencherem o período mínimo de atividade especial exigido pela legislação.

Em junho de 2026, esse cenário começou a mudar.

Ao julgar a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) n.º 6309, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a inconstitucionalidade da exigência da idade mínima para a concessão da aposentadoria especial.
A decisão trouxe uma reflexão importante: se a finalidade do benefício é proteger a saúde do trabalhador, não parece razoável obrigá-lo a permanecer em atividade apenas para cumprir um requisito etário.

Mais do que uma discussão jurídica, trata-se de uma questão relacionada à dignidade humana, à valorização do trabalho e ao direito fundamental à saúde.

Na prática, a decisão pode beneficiar milhares de profissionais da área da saúde, entre eles os técnicos de enfermagem.

Mas é importante esclarecer um ponto fundamental: a aposentadoria não será concedida automaticamente.

A comprovação da atividade especial continua sendo indispensável. O Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP), os laudos técnicos e outros documentos permanecem essenciais para demonstrar a exposição habitual e permanente aos agentes nocivos.

Também é importante destacar que a decisão não eliminou todas as alterações promovidas pela Reforma da Previdência. O julgamento tratou especificamente da exigência da idade mínima, permanecendo válidas as demais regras relativas ao benefício.

Além disso, a análise do direito não se resume ao preenchimento dos requisitos legais.

Cada trajetória profissional é única. Há técnicos de enfermagem que trabalharam em diferentes hospitais, exerceram atividades concomitantes, mudaram de função ao longo dos anos ou até mesmo deixaram a área da saúde para atuar em outras profissões.

Em muitos casos, esses períodos podem influenciar diretamente o valor da aposentadoria e a estratégia a ser adotada.

Por esse motivo, a análise do histórico contributivo é uma etapa fundamental do planejamento previdenciário.

Não basta apenas verificar se existe direito ao benefício. É igualmente importante avaliar o impacto financeiro da decisão, identificar a regra mais vantajosa e compreender as consequências futuras da escolha realizada.

Essa análise é especialmente relevante porque a aposentadoria constitui uma decisão com efeitos permanentes. Um equívoco cometido no momento do requerimento pode representar perdas financeiras significativas ao longo de muitos anos.

Ao longo da minha trajetória como professora e advogada previdenciarista, tenho observado que a informação continua sendo um dos instrumentos mais importantes para a concretização dos direitos sociais.
O Direito Previdenciário não trata apenas de cálculos, contribuições e requisitos legais. Ele trata de pessoas, de histórias de vida e do reconhecimento do trabalho desempenhado ao longo de décadas.

Talvez seja justamente essa a principal lição trazida pela decisão do Supremo Tribunal Federal: a proteção previdenciária deve estar alinhada à realidade humana e social de cada trabalhador.

Afinal, por trás de cada processo existe uma história construída com esforço, dedicação e esperança.
E, em se tratando da enfermagem, talvez exista algo ainda mais valioso: o reconhecimento daqueles que escolheram dedicar a própria vida ao cuidado com a vida de tantas outras pessoas.

Juliane Penteado Santana é advogada previdenciarista, professora, palestrante e autora. Há mais de duas décadas atua na defesa dos direitos sociais e na promoção da educação previdenciária.

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