Colunistas

Cláudio Humberto

"[A CPMI do INSS] não pode ser liquidada pelos poderosos de plantão"

Senador Eduardo Girão (Novo-CE) defende a prorrogação da investigação da comissão

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Lula aconselhado a se livrar de assessor radical

Petistas mais moderados dizem ter recomendado a Lula (PT) reavaliar o que dita ao seu ouvido o assessor Celso Amorim, ministro de fato das Relações Exteriores, cujas recomendações têm feito o Brasil se situar sempre no lado errado das disputas – da invasão na Ucrânia às ações no Irã, passando pela guerra de Israel contra os terroristas do Hamas. Cada vez mais radical à medida que a vida encurta, Amorim, 83 anos, tem sido péssimo conselheiro para o chefe de governo, na opinião desse grupo.

 

Seu nome é atraso

A cabeça atrasada de Amorim tem contribuído para a perda progressiva de prestígio de Lula mundo afora, segundo avaliam esses assessores.

 

Assessor não fala

Acharam o fim da picada Amorim dar entrevistas atacando o governo dos EUA por “matar o líder de um país” etc. Não lhe cabe esse protagonismo.

 

Queridos ditadores

Amorim também fez Lula defender o ditador corrupto Nicolás Maduro e outros tiranos amigos, situando o Brasil na escória que defende tiranias.

 

Cavalo de pau

Os petistas palacianos querem Lula com atitude atualizada, moderna e democrática, priorizando interesses do País, não de ideologia decadente.

 

Caso Master é ‘impossível de segurar’, diz deputado

O deputado Sanderson (PL-RS) aposta que “muita gente vai cair” se as investigações sobre o caso do Banco Master prosperarem no Congresso Nacional. “A situação é tão grave, que é impossível de segurar”, afirmou o parlamentar em entrevista ao podcast Diário do Poder. O deputado vê indícios de envolvimento de grandes autoridades da República, da esquerda à direita, e defende que todos sejam punidos: “ladrão é ladrão”.

 

Inércia

Sanderson criticou a inércia do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que até o momento não instalou a CPI do Banco Master.

 

Geral

Apesar da falta de ação de Alcolumbre, o deputado afirmou também que muitos parlamentares “se escondem” atrás do presidente do Senado.

 

Nunca antes

Sanderson, que é pré-candidato ao Senado, vê “crise sem precedentes” no Brasil com o escândalo do INSS, Banco Master e acusações no STF.

 

Supremo tirano

Curioso como a mídia só se refere a Ali Khamenei como “líder supremo” do Irã, como exigia ser chamado o ditador explodido no fim de semana. Ele instalou o regime que persegue e mata opositores, mulheres e gays.

 

Terror terrorista

A nova cúpula do Hezbollah nem teve tempo para o primeiro cafezinho: assumiu e disparou bombas em apoio ao Irã. Dez minutos depois, esses terroristas eram eliminados por Israel, com a habitual precisão cirúrgica.

 

INSS ordinário

Imigrante se aposentou após ralar muito no Brasil, mas não tem acesso ao INSS: o sistema de reconhecimento facial é o da Justiça Eleitoral e, como não é eleitor no Brasil, para o INSS, ele simplesmente não existe.

 

Apoio geral

Secretário-geral da Otan, Mark Rutte elogiou a incursão no Irã que anulou o ditador Ali Khamenei e boa parte do sistema de mísseis balísticos do país. Ele garantiu que há “apoio amplo” dos principais líderes europeus aos planos do presidente dos EUA, Donald Trump.

 

Interesses difusos

O plenário do Senado tem duas sessões marcadas para esta semana. A pauta prevê acordos internacionais e outros projetos que criam datas comemorativas, mas nada da CPI do Banco do Master.

 

Senado submisso

Gera discussão entre senadores a omissão do presidente da Casa, Davi Alcolumbre, a cada estocada do Supremo Tribunal Federal em suas prerrogativas. Dizem não saber se é medo, rabo preso ou parceria.

 

Mais rico, mais seguro

Durante entrevista no Jornal Gente, da Radio Bandeirantes, ontem, o brasileiro Rodrigo Paiva, que tem empresas nos Emirados, país vizinho do Irã, mostrou sentir-se mais seguro em Dubai do que no Brasil.

 

Prevenção ou remédio

Está na agenda da Câmara dos Deputados, esta semana, um projeto de 2019 criando “novos regimes para socorrer instituições financeiras”. Se aprovado, fundos públicos é que irão “fornecer liquidez ao sistema”.

 

Pensando bem...

...é longe do ideal, mas a PEC da Segurança ao menos não cria “guarda revolucionária”.

 

PODER SEM PUDOR

Quebra-quebra

O saudoso deputado Maurício Fruet adorava pegadinhas. Certa vez, o mau tempo fez o voo Rio-Curitiba seguir para São Paulo, depois para Londrina, onde pernoitaram em hotel. Na manhã seguinte avisaram que o voo iria para Florianópolis. Fruet entrou em ação, falando alto: “O pior é que eles querem nos cobrar o pernoite em Londrina!...” Os passageiros foram contidos à força. Teve gente querendo quebrar tudo.

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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