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"A mulher tem um olhar especial. Ela pode estar onde quiser"

de MICHELLE BOLSONARO // ex-primeira-dama, em vídeo anunciando viagem por todo o Brasil.

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A mulher tem um olhar especial. Ela pode estar onde quiser. Ela consegue ser mãe, trabalhar na política e realizar várias atividades”,

de MICHELLE BOLSONARO // ex-primeira-dama, em vídeo anunciando viagem por todo o Brasil.

In - Smoothie floresta negra

Out - Smoothie de manga e banana

Além de 33 milhões de pessoas passando fome, o Brasil também vive o empobrecimento radical das crianças. Estudo do IBGE mostra que a fome e a pobreza já alcançam 46,2% da população de zero a 14 anos, um recorde.

Mais: desde 2017, o repasse federal para a merenda não sofre reajuste. A verba é de R$ 0,36 por estudante do ensino fundamental ou médio, naturalizando distribuição de água e bolacha e forçando dois alunos a dividirem um único ovo cozido.

Arrumando as gavetas

Ricardo Lewandowski completa 75 anos no dia 11 de maio e antes disso, deverá formalizar a comunicação sobre sua saída até dia 10 de março. Nos próximos 60 dias não receberá mais novos casos e concluirá processos de sua autoria, participando das votações em plenário.

O ministro também tem a intenção de reduzir o número de processos em seu gabinete e deixar um acervo de 600 a 800 casos sem análise. Nos tempos de Márcio Thomaz Bastos no Ministério da Justiça, ele sempre assessorava Lula na escolha de algum novo ministro do STF, o que não acontecerá agora com o ministro Flávio Dino.

Sem isenção

O governo Lula deverá retirar a isenção de visto para quatro países (EUA, Austrália, Índia e Japão) instituída no governo Bolsonaro.

A medida teve baixo impacto para a vinda de turistas para o Brasil. Por outro lado, a medida não ganhou nem um sinal do princípio da reciprocidade, com base no qual são exigidos os mesmos critérios estabelecidos para a entrada dos brasileiros em cada país. A ideia era reforçar o turismo e o Ministério das Relações Exteriores mostrou que a iniciativa não deu certo.

Batalha no Carf

Cinco dos maiores bancos do país têm cerca de R$ 95 bilhões em disputas no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf): o Itaú reúne a maior parte desse valor, R$ 65,2 bilhões, impulsionado pelo que é conhecido como processo de maior valor na pasta. Já venceu uma autuação fiscal de R$ 29,6 bilhões em primeiro julgamento no Carf e aguarda decisão pela Câmara Superior. Os outros são Bradesco (R$ 10,5 bilhões em seis disputas), Santander (R$ 9,5 bilhões, oito processos), BTG (R$ 8,2, seis processos) e Banco do Brasil (R$ 2,2 bilhões). O Carf tem 168 processos bilionários: somados, discutem R$ 463,8 bilhões.

Querem mais

O governo Lula acaba de oferecer um reajuste de 7,8% nos salários dos servidores federais neste ano e agora, meio de repente, representantes do funcionalismo apresentaram nova proposta. Querem a aplicação de um percentual linear de 13,5% a partir de março. Assinam a proposta representantes de 23 entidades de diferentes carreiras da elite do funcionalismo federal, como auditores da Receita Federal, funcionários do Tesouro e diplomatas. O governo não vai dar.

Perdas e lucros

Fortes secas registradas no Uruguai deverão ser beneficiadas por brasileiros na área de energia. A Administração Nacional de Usinas e Transmissões Elétricas do Uruguai está batendo na porta de empresas de geração para comprar energia.

Boit Energy e Tradener já receberam sinal verde do Ministério de Minas e Energia para vender o insumo ao país vizinho. A CPFL tem sido contatada pelos uruguaios. Lá, a situação é delicada: as duas principais hidrelétricas do Uruguai geraram apenas cerca de 20% da energia consumida no país (a taxa normal é de 45%).

Não se lembra como era antes

A cantora, atriz e empresária Rihanna ganhou um super presente de aniversário (completou 35 anos no dia 20 de fevereiro): uma nova gravidez. Ela e o rapper ASAP Rocky, já tem um filho de 9 meses. E o anúncio de sua nova gestação venho logo depois de sua apresentação na final do Super Bowl domingo (12).

Capa e recheio da revista Vogue britânica, ela revelou que não se lembra muito de como era sua vida antes do nascimento de seu primogênito. “Ser mãe é tudo! Você realmente não lembra como era a vida antes, é realmente algo muito louco! Você, literalmente, tenta relembrar, e realmente há fotos minhas de antes, mas os sentimentos, as vontades, as coisas que você aprecia, tudo, você apenas não se identifica porque simplesmente não importa mais”.

Durante a entrevista ela afirmou que iria lançar um novo álbum ainda este ano (depois de 6 anos), mas tudo pode mudar por causa da nova gravidez. E garante que nunca parou de escolher músicas e gravar somente tirou um tempo para se dedicar ao seu lado empresarial (Fenty Corp está avaliada em cerca de US$ 2,8 bilhões e Rihanna possui uma participação de 50%). E para finalizar disse que sempre se cobra muito e é uma cobrança toxica.

Mistério na volta

Não que Jair Bolsonaro esteja morrendo de vontade de retornar ao Brasil, mas sabe que tem de se submeter a nova cirurgia para cuidar de problema na área digestiva, de atender à pressão dos aliados e, de quebra, parar de ser chamado de “covarde” devido a seu isolamento (até o número de telefone ele trocou).

Complicado é escolher (e acertar) como será sua volta ao país. O ex-presidente gostaria de protagonizar um retorno com grande multidão à sua espera no aeroporto. Os mais chegados gostam da ideia, mas lembram que terá de enfrentar mais de 160 processos, sem foro por prerrogativa de função e poderia parecer provocação ao STF.

Uma volta silenciosa a bordo de um jatinho (quem empresta?) e desembarque num hangar seria uma boa solução, mas aumentaria a ideia de “isolamento”. Mais: apesar de tudo o ex-presidente recebeu uma boa notícia de seu amigo Valdemar Costa Neto, dono do PL: na condição de “presidente honorário” do partido, ele receberia um salário de R$ 39 mil mensais, que agora foi aumentado para R$ 41 mil mensais. Já dá para comprar mais latas de doce de leite.

Sou mais bonita hoje

Prestes a completar 55 anos (6 de março), a jornalista, escritora e apresentadora Regina Volpato, resolveu criar uma conta no OnlyFans. “Eu achava que o Onlyfans fosse só pornografia, mas não é. Tá vendo como o preconceito cega a gente? Tem gente que coloca foto só do pé, nada de pornografia.

Tem gente que coloca texto, vídeo. Sou curiosa e morro de vontade de fazer coisas diferentes e o Onlyfans vai ser mais uma oportunidade”. E rebateu as críticas pela sua entrada: “E daí que eu tenho 54? E daí que sou jornalista? E daí se eu quiser sensualizar? Achei curiosa a maneira como a notícia impactou as pessoas”; E completou: “Me vejo muito bem, uma mulher madura e bonita. Estou muito tranquila com minha aparência. Ouso dizer que me acho mais bonita hoje que na época do Casos de Família.

Me cuido e sou vaidosa. Se não estivesse tão tranquila e resolvida comigo mesma, talvez esses comentários me soassem como críticas ou castração”.

Não apita

A polêmica sobre a volta dos impostos sobre combustíveis serve para reafirmar que Gleisi Hoffmann não apita nas decisões do governo. Nos últimos tempos, defendeu “recriar a Petrobras”, o que não tinha muito sentido se olhando o valor da companhia. Depois da festa de corrupção que assolou a estatal, a Petrobras chegou ao fundo do poço valendo R$ 4 bilhões. Graças a alguns sólidos presidentes, no final de 2022 estava avaliada em quase R$ 600 bilhões.

“Frigideira pequena”

Nem só de gasolina Lula fala com Fernando Haddad: o presidente tratou de tranquilizar o ministro quanto à fritura pública pela presidente do PT, dizendo que “a frigideira de Gleisi é pequena demais para ele”. Setores petistas, contudo, já falam que Haddad logo será carta fora do baralho em relação a 2026. Sobem no ranking Rui Costa (Casa Civil) e Camilo Santana (Educação), que significam pouco diante de um eventual retorno de Jair Bolsonaro.

Outra investida

Além do Twitter e da promessa de levar internet à Amazônia, Elon Musk ensaia nova investida no Brasil. A OpenAI estaria se preparando para entrar no país, aportando recursos em startups. Trata-se de um híbrido de laboratório de pesquisas de inteligência artificial e fundo de venture capital, sem fins lucrativos, fundado por Musk e outros investidores norte-americanos como San Altman, Peter Thiel e Reid Hoffman. A OpenAI tem feito crescentes aportes em empresas da América Latina. No ano passado, liderou a capitalização de US$ 60 milhões na startup colombiana Treinta.

Compra-se clubes

O fundo V Sports, do Reino Unido, vai se juntar a um clube ainda seleto de investidores que já fincaram bandeira nos gramados brasileiros, como o City Group, do sheik Mansour bin Zayede, que comprou o Bahia. Ou o fundo norte-americano 777, controlador da SAF do Vasco. O V Sports é dono do Aston Villa, da Inglaterra e recentemente fechou a aquisição de 46% do Vitória de Guimarães, de Portugal. Agora quer abrir uma equipe na cidade de Las Vegas.

MISTURA FINA

NOS próximos dias, o ministro José Múcio Monteiro (Defesa) vai conversar com comandantes das três forças militares para discutir propostas que têm surgido de mudanças do artigo 142, que trata das Forças Armadas. O PT quer aprovar emendas com alterações no texto. Entre elas, a proibição de militares no governo, restrição de operações de GLO (Garantia da Lei e da Ordem) e redação que não permita distorções como a de que haveria um suposto “poder moderador” das Forças Armadas.

O SENADOR Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil, diz que o ministro Fernando Haddad (Fazenda) “é o novo Bolsonaro do PT”. E emenda: “Eles tentam encontrar o ‘novo culpado’ pela falta de rumo do governo e atacam o ministro da Fazenda deles mesmos”. Nogueira participa do grupo de empresários bolsonaristas que atacam Haddad em razão da “possível deterioração da situação econômica do país”.

JAIR Bolsonaro deverá participar, em março, em Washington, de uma conferência conservadora. O filho Eduardo Bolsonaro passou o carnaval com ele em Kissimmee, acertando os detalhes para o evento, que deverá contar com figuras de vários segmentos, entre norte-americanos e brasileiros residentes nos Estados Unidos. Entre São Paulo e Rio, Eduardo também está convidando aliados próximos de Bolsonaro para participarem da conferência. Só que cada um paga suas despesas (diferente dos eventos do Lide, de João Doria).

A MINISTRA Marina Silva (Meio Ambiente) deverá anunciar logo a entrada de novos financiadores no Fundo Amazônia. Há negociações para que Canadá e Austrália também façam aportes. Além da Alemanha e da Noruega, França e Espanha já sinalizaram a intenção de contribuir com o Fundo da Amazônia. A estimativa é que as novas doações internacionais passem de R$ 1 bilhão. O fundo tem cerca de R$ 5,4 bilhões em recursos disponíveis.

A LIGHT empresa de energia do Rio de Janeiro, avisa que pode quebrar com prejuízos com “gatos” (furto de energia), que retiram R$ 1,25 bilhão em receita por ano. E há o agravante de cobrança de ICMS pela energia furtada. O governo de lá não combate os “gatos” com medo de perder a receita. A Light tem dívidas bilionárias e concessões prestes a vencer. E seu controlador é Beto Sicupira, um dos acionistas da Americanas.

A CNN Brasil, que agora opera como canal aberto (antena parabólica), acaba de registrar o primeiro lucro de sua história. Nos primeiros dois meses do ano, teria lucrado R$ 3 milhões (a emissora é deficitária desde sua entrada no ar). Nos últimos três anos, a situação financeira ficou mais apertada, as demissões alcançaram mais de 50% da corporação e só em 2022, foram mais de R$ 100 milhões de prejuízo. A propósito: em janeiro, a CNN cresceu no digital e ficou à frente da Jovem Pan (a liderança segue com a GloboNews).

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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