Colunistas

Cláudio Humberto

"Arthur Lira é o Pelé da Câmara"

Deputado Elmar Nascimento (BA), líder do União Brasil na Câmara dos Deputados

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Lula aconselhado a afastar Padilha da articulação

Quando se deu conta de que três importantes medidas provisórias caducariam nesta sexta-feira (2), e sem resistência de deputados que o apoiam, inclusive petistas, o presidente Lula (PT) deixou cair a ficha. Passou a dar ouvidos a velhos companheiros que recomendam freio de arrumação. Começando pela retirada Alexandre Padilha, da articulação que virou desarticulação, substituindo-o por alguém mais experiente e que, leal a Lula, tenha a simpatia dos presidentes da Câmara e Senado.

 

Cansado de guerra

O problema não é Padilha nem de qualquer outro ministro, como observam políticos experientes, e sim o próprio Lula, cansado de guerra.

 

Olho no boné

Como Lula tem dificuldade de demitir quem ele gosta, a torcida petista é para Padilha pedir o boné e poupar o presidente de constrangimento.

 

Segue ministro

Se for consumado seu afastamento, o mais provável é que Alexandre Padilha fique no governo como titular ministro da Secretaria-Geral.

 

Pedindo licença

Queixam-se os deputados também da falta de orientação para que os ministros comuniquem previamente as visitas que fazem a seus estados.

 

Tebet pode ‘cair para o lado’: o Meio Ambiente

A ex-senadora Simone Tebet (MDB), atual ministra do Planejamento, voltou a ser mencionada no Palácio do Planalto para ocupar o lugar de Marina Silva, cuja saída do Ministério do Meio Ambiente tem sido dada como inevitável, após reagir mal ao esvaziamento da pasta após a Câmara alterar a MP da Esplanada. Tebet chegou a ser oferecer para o Ministério no Meio Ambiente e Lula gostava da ideia. Mas Marina, à época, bateu o pé e não aceitou nada além do cargo que ocupa agora.

 

Isolada

Antes de perder poder, Marina rompeu com o líder do governo, senador Randolfe Rodrigues, que abandonou o Rede e deve ir para o PT.

 

Escanteio

Lula também esvaziou atribuições do Planejamento antes de entregá-lo a Tebet, que, sem Meio Ambiente, preferia Desenvolvimento Social.

 

Jogo de cadeiras

Ao contrário de Marina, Simone “cisca para dentro” do governo e não torna pública eventual insatisfação interna. Ganhou pontos no Planalto.

 

Governo minoritário

Os cálculos do presidente Lula são ainda mais pessimistas que a estimativa dos líderes. Ele disse em São Paulo que só há 136 deputados “de esquerda”, quase um quarto do total. Os líderes contam em 144.

 

Sabe de nada

Apesar de o Senado de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) insistir que a maioria da população seria “a favor da regulação das redes sociais”, pesquisa no site do próprio Senado, no e-Cidadania, aponta que mais de 424 mil pessoas (55%) rejeitam o projeto da censura (PL 2630/20).

 

Direito de escolha

O ex-presidente Jair Bolsonaro evitou criticar a indicação de Lula (PT) do advogado Cristiano Zanin para vaga no Supremo Tribunal Federal. Disse apenas que “a indicação é de competência privativa do presidente”.

 

Relação estremecida

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), deixou clara a insatisfação do Legislativo e avisou: “não haverá nenhum tipo de sacrifício dos parlamentares” pelo governo Lula (PT) no futuro.

 

Segundo cérebro

O deputado José Medeiros (PL-MT) ironizou, no Twitter: “só após descobrir recentemente que o intestino é uma espécie de segundo cérebro é que passei a compreender gente como o milionário do Psol”.

 

Outro, não

Marcos do Val (Pode-ES) quer o Senado barrando o nome de Cristiano Zanin, amigo e advogado de Lula, para o STF: “Já basta o ministro Alexandre de Moraes seguindo com suas ações inconstitucionais”.

 

Ato em Curitba

Eleito deputado federal mais bem votado do Paraná, com 344 mil votos, Deltan Dallagnol realiza ato contra decisão da Justiça Eleitoral que cassou o mandato. Será neste domingo (4), em Curitiba (PR).

 

Massacre em Tiananmen

Em 4 de junho de 1989, há exatos 34 anos, o mundo assistia estarrecido à violenta repressão da ditadura chinesa aos protestos na Praça da Paz Celestial, em Pequim, gerou o massacre que matou centenas.

 

Pensando bem...

...não há bolso que aguente o arcabouço.

 

PODER SEM PUDOR

Vigilância cidadã

Eleito presidente da CPI dos Correios, o senador Delcídio Amaral (PT-MS) pôde constatar nas ruas que a opinião pública não aceitaria investigações de meia-tigela. Ele saía de um almoço no restaurante “Le Français”, em Brasília, quando foi reconhecido pelo motorista de uma van escolar: “Senador, vê lá, hein?”, gritou o homem, “para não acabar em marmelada!” Delcídio foi simpático, sorriu e fez sinal de “joinha” para o vigilante cidadão. A CPI quase custou o mandato do então presidente Lula.

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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