Colunistas

ARTIGOS

Crise Ambiental-Humanitária no Rio Grande do Sul

Continue lendo...

Um desastre monumental! Assim muitos definiram o que está acontecendo no Rio Grande do Sul, com 1 milhão e 300 mil pessoas afetadas, 90 mortes e 132 desaparecidos até o momento. As notícias da situação crítica em que diversas cidades gaúchas, incluindo a capital, se encontram nestes últimos dias, repercutiram no país e no mundo, provocando uma série de ações de solidariedade, além de uma grande comoção.

O que atualmente está acontecendo nesse estado deve servir de alerta para todos, porque, infelizmente, este é só o começo de uma sequência de desastres ambientais sem precedentes e de grandes proporções, sem previsão de cessar.

As chamadas ações antrópicas, como, por exemplo, a queima de combustíveis fósseis, são responsáveis pelo aumento dos gases de efeito estufa, que geram, consequentemente, o aumento da temperatura da Terra. Os cientistas afirmam que a temperatura média global já cresceu mais de 1ºC desde o período pré-industrial e as implicações deste acréscimo é o que estamos constatando.

Os impactos ambientais desse aquecimento global são diversos, desde o aumento na incidência de eventos climáticos extremos, como tempestades enormes e rigorosas, assim como as que ocorreram pelo sul do país, além da elevação do nível do mar, a perda de cobertura de gelo, a mudança de ecossistemas, até mesmo a desertificação. Qualquer uma dessas consequências subverte o equilíbrio do planeta.

Quando se fala em planeta e em meio ambiente, está se falando também dos seres humanos, pois as questões ambientais não se resumem a elas próprias, uma vez que o ser humano vive nesse meio, vale dizer, o desequilíbrio ambiental desequilibra a vida no planeta e, por conseguinte, a vida humana.

De acordo com o World Disasters Report 2023, ocorreram 399 catástrofes naturais no planeta no último ano, que resultaram em mais de 86 mil vítimas humanas fatais (sem contar as vidas das outras espécies), tendo afetado de alguma forma cerca de 93 milhões de pessoas e, além das citadas perdas humanas, tais acontecimentos acarretaram mais de 202 bilhões de dólares em perdas econômicas.

Fato é que não se pode separar o meio ambiente do ser humano, devido a uma interdependência complexa e inexorável, sendo assim, todas as grandes alterações ambientais sempre terão forte impacto na vida humana, como estamos assistindo agora no Rio Grande do Sul.

Para destacar alguns exemplos brasileiros, na cidade de Curitiba, no Paraná, outubro de 2023 foi considerado o mês mais chuvoso dos últimos 26 anos, deixando, aproximadamente, 110 mil afetados, também, em fevereiro de 2023, na cidade de São Sebastião, em São Paulo, foi verificado 600 pontos de deslizamento devido às fortes chuvas, deixando mil pessoas desabrigadas e 64 mortes, e, em maio de 2022, no município de Recife, em Pernambuco, após muitas precipitações, o número de desalojados alcançou 122 mil pessoas.

Estes desastres não estão afetando somente o Brasil, pois estão ocorrendo no mundo todo, recentemente, em abril de 2024, Dubai suportou enorme quantidade de chuvas, fazendo com que até o aeroporto local, um dos mais movimentados do mundo, tivesse suas operações suspensas, devido às inundações.

Em Lisboa, no final de março de 2024, vimos algo ainda pior e inusitado, porque, além de toda chuva e alagamentos, foi observado um enorme tornado no Rio Tejo, próximo à ponte Vasco da Gama. Neste caso, pude constatar in loco o medo dos habitantes de que novos desastres pudessem ocorrer, pois as chuvas se repetiram enquanto lá estive cursando a pós-graduação em Direitos Humanos, Constitucionalismo Global e ESG, na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, em Portugal.

Existe um problema adicional para quem precisa se deslocar além das fronteiras nacionais por causa dos desastres ambientais, pois essas pessoas não têm os mesmos direitos que os refugiados, muito embora, em 2020, o Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) tenha reconhecido Ioane Teitiota como o primeiro refugiado climático do mundo, orientando as nações a não devolverem os refugiados ambientais aos seus países de origem.

Por fim, é possível perceber que estamos diante de um imenso problema que a humanidade precisará lidar, pois não se restringe somente a uma crise ambiental, tampouco a uma crise humanitária, trata-se de uma gigantesca crise ambiental-humanitária, que afeta todo o mundo e todos os seres humanos que vivem em nosso planeta, e que afetará, em especial, as futuras gerações.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

Continue Lendo...

Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

Cláudio Humberto

"Mostrou roubalheira enorme"

Romeu Zema (Novo), sobre queda do sigilo do caso Master

13/09/2026 07h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

Continue Lendo...

Moraes lidera número de pesquisas em crise do STF

Apontado como partícipe de intensa troca de mensagens com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes liderou o interesse de pesquisas no Google no último mês, conforme dados da plataforma. O pico da pesquisa foi em 1º de setembro, quando o ministro André Mendonça levantou o sigilo de relatório da Polícia Federal que revelou mensagens de Vorcaro a número atribuído a Alexandre de Moraes.

 

Interesse na capital

O índice do interesse tem escala de 0 a 100. O Distrito Federal liderou as pesquisas (100), seguido por Mato Grosso (66) e Rondônia (66).

 

Diferença

Enquanto Moraes bateu os 100, as pesquisas por André Mendonça bateram o pico na mesma data, mas com menos da metade (44).

 

Epicentro da crise

Até pesquisas por “STF” despertaram mais interesse do brasileiro do que Mendonça, atingiu 58 no índice de pesquisas.

 

Ninguém liga

Os números mostram que o interesse pelo filme “Dark Horse” não decolou. O pico foi na quinta-feira, só 23 na escala.

 

Governo Lula: R$90 milhões com viagens em 14 dias

O governo Lula (PT) conseguiu torrar cerca de R$90 milhões com viagens nas últimas duas semanas. Segundo dados do Portal da Transparência, o total de despesas com descolamentos já ultrapassa R$1,3 bilhão em 2026. Foram R$735,8 milhões com diárias distribuídas a funcionários e outros R$560,3 milhões com as passagens aéreas. O total não inclui a fortuna gasta nas viagens de Lula e da primeira-dama Janja.

 

Em dólar

Viagens internacionais do governo do PT já custaram R$161,7 aos pagadores de impostos. Foram R$8 milhões nas últimas duas semanas.

 

Tem mais

O governo petista conseguiu torrar também R$7,8 milhões com “outros gastos” de viagens. São taxas, seguros de viagens etc.

 

Número 1

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, é número um entre os gastões com viagens: R$510 mil com passagens e diárias, diz a Transparência.

 

Falta combinar com o eleitor

A ordem na campanha de Lula é evitar que a eleição vire, nas palavras de petistas, “Fla x Flu” de ministros do STF. A estratégia é deixar Moraes e Mendonça brigando e tentar puxar o eleitor para outros assuntos.

 

Combustível eleitoral

Medidas do governo para segurar os preços dos combustíveis devem custar R$40 bilhões por seis meses, diz Bruno Moretti (Planejamento). O alívio é no posto e a conta estaciona no bolso do pagador de impostos.

 

Tudo certo, mas...

O TCU encontrou as projeções fiscais do governo formalmente dentro das metas, mas apontou aumento do déficit efetivo e problemas de transparência e consistência das estimativas. “Certo” com “ressalvas”.

 

Soberba na conta

Internamente, a campanha de Lula reconhece que subestimou a dificuldade da disputa contra Flávio Bolsonaro (PL). Até prepara mobilização neste domingo (13) para tentar “chacoalhão” na candidatura.

 

Cara de pau

Lula tomou invertidas ao celebrar o fim da taxa das blusinhas, criada por ele mesmo. Seguidores nas redes sociais não perdoaram, “a quadrilha do PT é assim, te quebram uma perna, depois te dão uma muleta”.

 

Na terça

Já tem data o novo depoimento de Daniel Vorcaro na Polícia Federal sobre as fraudes financeiras em operações com o BRB. O ex-banqueiro dono do Master falará à PF na terça-feira, dia 15.

 

Em queda

Caiu 66,6% o número de crianças registradas como cidadãs italianas no Brasil em 2025. O dado é do Instituto Nacional de Estatística da Itália (Istat), que relacionou parte da redução às novas regras para a transmissão da cidadania aos filhos nascidos no exterior.

 

Fatura petista

Rogério Marinho (PL-RN) apontou os R$120 bilhões a mais em tributos sobre consumo para 2027. Diz o senador que é o método do PT: aumentar gastos e empurrar a dívida para cima de quem trabalha.

 

Pensando bem...

...a aliança com Lula deu PT.

 

PODER SEM PUDOR

Cláudio Humberto

Greve teatral

O Ato Institucional nº 5, que revogou as liberdades democráticas no Brasil de 1968, levou muitos adversários do regime militar à cadeia. Entre eles Carlos Lacerda, que resolveu iniciar uma greve de fome no cárcere. O médico e amigo Antônio Rebello, que monitorava o pulso de Lacerda, começou a ficar preocupado e vivia implorando para que o líder carioca suspendesse a greve. Um dia fez uma comparação definitiva: “Você está tentando fazer Shakespeare no País da Dercy Gonçalves!”. Percebendo o ridículo da situação, Lacerda desistiu da greve na hora.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).