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GIBA UM

"Deixa eu ver você sem prótese. Deixa eu segurar seu olho"

de MICHELLE BOLSONARO // pedindo à deputada Amália Barros (PL-MT), que tirasse sua prótese ocular, após contrair toxoplasmose há 20 anos, e guardando o olho no bolso.

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“Deixa eu ver você sem prótese. Deixa eu segurar seu olho”,
de MICHELLE BOLSONARO // pedindo à deputada Amália Barros (PL-MT), que tirasse sua prótese ocular, após contrair toxoplasmose há 20 anos, e guardando o olho no bolso.

Vaquinhas online relacionadas ao padre Júlio Lancellotti, cuja atuação é voltada para pessoas em situação de extrema pobreza. Conseguiram levantar R$ 258,5 mil para ajudar moradores de rua em São Paulo. Nos pedidos, tem cobertores, absorventes.

Mais: também tem pedidos de café da manhã e temas genéricos como “ajuda” e arrecadação – e até carro. O padre Júlio Lancellotti, à propósito, processa o Estado por uma pessoa detida com pés e mãos amarrados: pediu R$ 500 milhões de indenização.

In - Inverno: sopas quentes
Out - Inverno: sopas frias


Mais mudanças

Há indícios de nova composição ministerial para atender os pedidos do Centrão: Márcio França deixaria a Pasta de Portos e Aeroportos (tem bom orçamento) para abrigar o deputado federal Silvio Costa Filho (Rep-PE) e assumiria do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviço, hoje pilotado pelo mesmo PSB – e seu amigo (não tem nada contra esse remanejamento). Ana Moser (Esportes) seria poupada. Duas mulheres ministeriais teriam cargos negociados: Cida Gonçalves deixaria o Ministério da Mulher e Luciana Araújo, o de Ciência e Tecnologia. Fabiano Silva permanece nos Correios. 

 

GULOSO

Além da presidência da Caixa, o PP de Arthur Lira quer aterrissar também na diretoria do Banco do Brasil. O partido já indicou o nome de Jorge  Bastos para vice-presidência do banco, hoje ocupada por José Ricardo Sasseron, funcionário de carreira do BB e ex-diretor da Previ. Ex-diretor-geral da ANTT, Bastos ocupa atualmente a previdência da Infra S/A, estatal criada a partir da fusão da Valec com a ELP. No governo Bolsonaro, era próximo de Ciro Nogueira, da Casa Civil e depois, bandeou-se para o grupo de Arthur Lira. 

 

Ameaçada

A deputada Carla Zambelli (a segunda mais votada em São Paulo e a terceira em todo o Brasil), que vivia gritando nas redes sociais “te amo, Bolsonaro”, está ameaçada de perder o mandato. Teria se envolvido com um hacker chamado Walter Delgatti, para invadir urnas eletrônicas e as contas do ministro Alexandre de Moraes (STF). Ele disse à PF que preferiu entregar Zambelli porque tinha medo de ser morto em “queima de arquivo”. Zambelli marcava encontros em rodovias e locais desertos e quase sempre de madrugada. Zambelli é aquela que perseguiu um homem negro no Jardins, em São Paulo, com uma 9mm na mão, dizendo que tinha sido agredida (não foi nem suavemente tocada).

 

APRESENTAÇÕES

O hacker Walter Delgatti ficava hospedado em hotel de Brasília, pago por ela. Tratou de levá-lo ao dono do PL, seu partido, Valdemar Costa Neto (ele diz que não lembra detalhes da conversa) e até mesmo a Jair Bolsonaro, no Palácio da Alvorada. Perfil da deputada, que teve seu passado na Espanha questionado por Bolsonaro: ganha R$ 41,6 mil de salário, tem verba de gabinete mensal para até 25 assessores (custa R$ 110 mil) e suas despesas em seis meses foram de R$ 220 mil (mais de R$ 35 mil por mês, fora salário). Já foi xingada até por Joice Hasselmann.

 

Nada de novo

A ideia de lançar um programa de incentivos à compra de eletrodomésticos (por enquanto, não sai) e a possibilidade de entregar imóveis mobiliados no ‘Minha Casa, Minha Vida’, não chegam a ser novidades. Em 2013, o governo Dilma lançou uma linha de crédito especial de R$ 18,7 bilhões para que beneficiários do ‘Minha Casa, Minha Vida’ comprassem móveis e eletrodomésticos. Os equipamentos não vinham integrado aos imóveis, diferente da nova proposta de Lula. Na época, o programa foi batizado de ‘Minha Casa Melhor”. O incentivo durou um ano e meio.

 

Fotos: Reprodução

Uma pausa estratégica

Gastronomia, moda, beleza, maternidade, interpretação são alguns assuntos ligados a uma só pessoa, Isabella Scherer, ou melhor, Isa Scherer, 27 anos, que por muito tempo ficou conhecida como a filha do ex-nadador Fernando Scherer, o Xuxa. Quase seguiu a carreira do pai, no qual confessa que é boa, mas resolveu seguir a carreira artística ganhando destaque depois de sua participação em Malhação: Viva a Diferença. Mas estourou mesmo depois de vencer a 8ª edição do Masterchef Brasil. Na capa da revista Glamour digital, confessou que começou a se interessar por gastronomia, porque ficava muito tempo sozinha, durante um relacionamento abusivo que teve. Agora casada com o modelo Rodrigo Calazans e mãe dos gêmeos Mel e Bento de 10 meses, também acrescenta no seu currículo está função. Ela conta que desde pequena queria ter uma carreira e o fato de seu pai ser famoso não influenciou, porque ela só começou ter contato com pai de fato quando venho para São Paulo aos 13 anos. Sobre planos para o futuro muitos: “Eu tenho uma marca de moda, a Serê, que lancei em 2019. Dei uma pausa para reformular um pouco e, em breve, ela vai voltar com tudo! Estou empolgada com uma linha de utensílios de cozinha que vou lançar no próximo ano, já em reta final, testando e colocando alguns deles em prática. Para o futuro, quem sabe um restaurante”.

 

Festa da fé sem tributos

O Brasil tem 110 mil igrejas evangélicas que serão beneficiadas pela reforma tributária com isenção de impostos, incluindo-se “associações beneficentes e assistenciais”. São entidades filantrópicas, casas de repouso e instituições de ensino atreladas aos templos alcançadas pela medida já aprovada pela Câmara e em tramitação no Senado. Especialmente acham que, do jeito  que o texto está, pode implicar na ampliação da imunidade tributárias para rádios, televisões e gráficas. A emenda saiu por acordo com a bancada evangélica, apoiada pelos ministros Fernando Haddad (Fazenda), Jorge Messias (Advocacia-Geral da União) e Alexandre Padilha (Relações Institucionais) e é considerada o maior aceno de Lula aos evangélicos, que apoiaram Jair Bolsonaro. Entre as principais lideranças religiosas do país que estão muito satisfeitos com a decisão do governo, estão Robson Rodovalho (Sara Nossa Terra), Abner Ferreira (Assembleia de Deus em Madureira), Silas Malafaia (Assembleia de Deus em Cristo), José Wellington Bezerra da Costa (Assembleia de Deus em São Paulo Ministério do Belém), Márcio Valdão (Igreja Batista Lagoinha) e – nem poderia ser diferente – Edir Macedo (Universal Reino de Deus). Todas têm instituições filantrópicas e de ensino, além de casas de repouso. “Tem de tirar o chapéu para o Lula”, diz Cezinha de Madureira (PSD-SP), da Assembleia de Deus.

 

O outro lado de Renata

A narradora Renata Silveira, 33 anos,  é pioneira na narração feminina no mundo esportivo. “Nunca imaginei ser uma narradora de futebol. Em 2014 eu estava terminando a pós em jornalismo esportivo e a Rádio Globo lançou o concurso “Garota da Voz”. Eu me inscrevi, mas sem pretensão alguma de virar uma narradora. Venci o concurso, me tornei a primeira mulher a narrar uma Copa do Mundo e me apaixonei por isso”.  E confessou: “Não vejo a hora de daqui a pouco ser normal e não ter mais essa coisa de primeira isso, primeira aquilo. Quem dera que outras mulheres já tivessem feito isso anteriormente, que eu fosse só mais uma chegando, sem peso, sem tanta cobrança”. Mais: durante o Domingão com Huck, foi revelado uma face da Renata que poucos conheciam: ela foi bailarina, fez parte do corpo de dança da Xuxa e do Domingão do Faustão. 

“Independência”

Antes de embarcar no Governo Lula, o Centrão acertou com o Planalto que partidos como PP e Republicanos irão manter o discurso de “independência” no Congresso, ainda que ambas as siglas estejam negociando, nos bastidores, cargos em ministérios e no segundo escalão da Esplanada. O pacto foi feito de forma a evitar que a aliança constranja governadores e parlamentares mais conservadores do Centrão. É uma adaptação do velho refrão “Me engana que eu gosto”.

 

100% de presença

Nem o gordo salário de R$ 41,6 mil e demais penduricalhos que aumentam os ganhos mensais, garantiram a presença de parlamentares na Câmara no primeiro semestre. Só 124 tiveram 100% de presença nas 57 sessões analisadas. O levantamento considerou 551 deputados, já que alguns assumiram postos de outros que se ausentaram para adotarem cargos, inchando o parlamento, que tem 513 vagas. Aos 88 anos, Luiza Erundina (PSOL-SP) foi a quem menos apareceu: foram 40 ausências.

 

 

Menos hostil

Depois da tensão causada pela presença de Nicolás Maduro na Cúpula dos chefes de Estado sul-americano realizada em Brasília, no final de maio, o governo brasileiro trabalha com a agenda mais que especial para a cúpula de países amazônico, no dia 8 de agosto, em Belém , no qual é esperado a presença do venezuelano. A relevância do encontro e tudo o que será discutido está sendo preparado pelos oito países que integram a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica – incluindo um ambiente menos hostil para Maduro. A decisão poderia facilitar a reaproximação de seu governo com vizinhos.

ARMISTÍCIO

A Tok & Stok tem experimentado um certo alívio graças ao poder de convencimento do Carlyle, seu principal acionista. O gigante norte-americano do private equity conseguiu costurar uma espécie de armistício com bancos credores da rede varejista, a começar por Santander e Banco do Brasil. Há conversas em torno de um waiver de um ano para retomada do pagamento da dívida da companhia, da ordem de R$ 350 milhões. O acordo está ligado ao aporte feito pela Carlyle estimado em R$ 100 milhões – e de lá, pode surgir mais.

MISTURA FINA


AGORA, a CPMI do 8 de janeiro, já sabe que a “boca fechada” do tenente-coronel Mauro Cid em seu depoimentos, já estava acertada pela cúpula militar para não prejudicar ainda mais a imagem das Forças Armadas. Havia ações isoladas por alguns integrantes que respiravam aliviados (e seus superiores também) a cada depoimento de Mauro Cid. A quebra de sigilo dele pode provocar novo desespero em algumas rodas supostamente verde-oliva. 

O DEPUTADO Antônio Carlos Rodrigues está articulando uma dispersão no PL, com a saída de parlamentares da ala mais moderada do partido. O grupo seria composto por parte de 20 deputados que votaram a favor da reforma tributária. Seria mais um sinal de erosão no bloco bolsonarista do Congresso – com o agravante de que, muito provavelmente, esse grupo vai aderir à base governista. 

A POSSIBILIDADE de Jair Bolsonaro recuperar o direito de se candidatar a cargos público é quase nula, mas o ex-presidente está convencido de que participará das eleições de 2026, só que disputando uma cadeira no Senado. A ideia dele é constituir uma mini bancada lá formada de pessoas de sua família e muita chegadas a ele. Ou seja: os filhos Eduardo (SP) e Flávio (RJ), Michelle Bolsonaro (DF), todos do PL e assim como outros senadores que já estão lá como Damares Alves (Rep-DF), Jorge Seif (PL-SC) e Marcos Pontes (PL-SP). Pouca gente acredita.

OS interessados da Arábia Saudita no agronegócio brasileiro vão além da proteína animal. O Salic, fundo soberano do país, pretende investir na área de grãos, especialmente em lavouras de soja. Os árabes se movimentam junto a uma das maiores empresas de propriedades agrícolas daqui, o que sinaliza a intenção de montar no Brasil uma cadeia integrada de suprimentos de proteínas, tendo o Salic como ponta de lança. O fundo soberano já é acionista da Minerva Foods e está no meio do processo de aporte na BRF em parceria com a Marfrig numa operação de R$ 4,5 bilhões.

A VALE avisou a Agência Nacional de Transportes Terrestres e o governo do Espírito Santo que apresentará até o fim do mês o projeto final da construção da fase 1 da ferrovia entre Santa Leopoldina e Anchieta. E já estava atrasada: a implantação do trecho de 80 km foi um dos compromissos assumido pela mineradora em troca da renovação antecipada (dezembro de 2020) das concessões das estradas de ferro de Carajás e Vitória-Minas. A Vale ainda deverá construir um segundo trecho, de Anchieta a Presidente Kennedy.

EM processo de reestruturação, a Via, dona da Casas Bahia e rede Ponto iniciou uma onda de demissões, enxugando várias áreas, para geração de economia e redução de despesas. As primeiras levas somam 100 desligamentos por semana. O grupo fechou o ano de 2022 com 46 mil funcionários. Dois anos antes, em 2019, tinha pouco mais de 41 mil. Ficou pesada ao avançar no marketplace e em serviços. 

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Claudio Humberto

"Se você está endividado, a culpa é do governo Lula"

Flávio Bolsonaro (PL), candidato ao Planalto, ao prometer organizar as contas públicas

23/08/2026 08h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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Oposição critica PGR engajada à defesa de Lula

Opositores estão indignados com o procurador geral da República (PGR), acusado de “engajamento” na defesa de Lulinha, filho de Lula (PT), investigado por tráfico de influência e corrupção. Paulo Gonet tentou retirar a relatoria de André Mendonça, ministro do STF que não se submete a Lula, e depois tentou levar o processo à 1ª instância. “Absurdo”, diz Marcel van Hattem (Novo-RS), lembrando que, nomeado por Lula, Gonet se opôs a 1ª instância julgando casos do 8 de janeiro.

Batom na cueca
Gonet se esforça para tirar do STF dois dos três inquéritos contra Lulinha relatados por Mendonça. O outro permaneceria nas mãos de Flavio Dino.

Guinada ridícula
Para van Hattem, é até ridículo a PGR mudar de posição sobre 1ª instância quando o investigado é o filho do presidente da República.

Críticas na academia
Professor de pós-graduação da USP e mestre e doutor em Direito Constitucional, Rubens Beçak também se associa aos críticos da PGR.

Escândalo paralelo
Já Evair de Melo (PP-ES) acha que não tem como retirar o caso Lulinha do STF pelas conexões do filho de Lula com o escândalo do INSS.

PL espera ter duas vezes mais senadores que o PT
Nas primeiras pesquisas que já circulam dentro do PL, o partido projeta pelo menos o dobro de senadores em relação ao PT. A Casa Alta é a prioridade da sigla, que pretende lançar candidatura para a presidência do Senado, além de ter força política para andar com as pautas que viraram bandeiras do partido nesta eleição. Entre as principais prioridades, andar com pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), ainda que não haja votos para vitória.

Melhor cenário
Nas contas dos liberais, o partido pode chegar aos 28 senadores. Se Jair Bolsonaro estivesse na ativa, o número poderia bater os 32.

Com calma
Já as previsões mais conservadoras apontam para 20 senadores, mas com mais destaque, já que esperam nomes como Michelle Bolsonaro. 

Olho no vizinho
As planilhas trazem projeções para outras bancadas também. Petistas, nas contas do PL, devem beirar os 10 parlamentares.

Modus Operandi
“Do mar de lama do Sítio de Atibaia à Mansão do Lulinha em Brasília”, Sérgio Moro (PL-PR), juíz que condenou Lula na Lava Jato, sobre o elo de Lulinha, a lobista Roberta Luchsinger e testemunha do caso de Atibaia que voltou ao folhetim por assinar contrato da mansão do QG do Lobby.

Pesos e medidas
Carlos Bolsonaro (PL-SC) comparou o caso de Lulinha, cada vez mais imerso no triângulo com a lobista Roberta Luchsinger e o Careca do INSS, com o do pai, que teve até inquérito por se aproximar de baleia.

Preço artificial
O medo do impacto na campanha eleitoral bateu na equipe de Lula e o governo já estuda prorrogar o subsídio à gasolina. O benefício, que deveria ser provisório, pode ganhar mais 30 dias de sobrevida.

Na gaiola
Ronaldo Caiado, pré-candidato do PSD ao Planalto, lamenta a situação da segurança púbica no país, “O cidadão é obrigado a transformar o próprio carro em uma gaiola para tentar não ter o celular arrancado.”

Sem pudor
Após apontar tentativa de “balão” da PGR no ministro André Mendonça (STF), com pedido de enviar o caso Lulinha à 1ª instância, o candidato a vice-presidente Novo, Eduardo Girão, diz que “eles perderam o pudor”.

Ciência e coragem
Segundo Marcelo van Hattem (Novo-RS), candidato ao Senado, “não basta falar em impeachment [no STF] agora. É preciso conhecer fatos, reconhecer os abusos e ter coragem para agir quando eles acontecem”.

Jogo sujo
Ao anunciar sanções contra autoridades de Cuba, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, acusa a ditadura comunista de “décadas usando grupos de fachada para infiltrar, corromper e radicalizar americanos”.

Não era genocídio?
O deputado Osmar Terra (PL-RS) lembra da “lacração estúpida” de Lula e da ex-ministra da Saúde Nísia Trindade, que chamaram o governo Bolsonaro de “genocida” por mortes dos Yanomami... mesmo povo que registrou recorde de mortes entre 2023 e 2025, em pleno governo do PT.

Pensando bem...
...quando a propaganda é demais, o santo desconfia.

PODER SEM PUDOR

Cláudio Humberto

Eu nomeio, você paga

O falecido Humberto Lucena (PB) adorava nomear parentes, quando presidiu o Senado. Ao ser tachado de “a caneta mais rápida de Brasília”, chamou o repórter que o ironizara ameaçando processo. E lorotou: “Nomear parentes só é pejorativo no Sul. No Nordeste, o povo até gosta”. O jornalista, nordestino de Pernambuco, perdeu a paciência. Puxou Lucena pelo braço e disse ao seu ouvido, firme, quase gritando: “Nós dois sabemos que o sr. está mentindo, mas vou fingir que não ouvi”. Lucena não tocaria mais no assunto. Nem processaria o jornalista.

Direito

O que a Justiça pode determinar quando o trânsito destrói uma família

Confira a coluna desta quinta-feira (13)

13/08/2026 00h03

Leandro Provenzano

Leandro Provenzano Foto: Montagem / Correio do Estado

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Recentemente, um caso que tramitou no Tribunal de Justiça de Minas Gerais manteve, no fim de julho, a condenação de uma concessionária de energia elétrica pela morte de um ciclista atropelado por um funcionário que prestava serviço à empresa.

Os dois filhos da vítima, adolescentes na época, receberão R$ 25 mil cada um por danos morais, além de pensão mensal equivalente a dois terços dos rendimentos do pai até completarem 25 anos. O atropelamento aconteceu em 2009, mas somente agora, 17 anos depois é que o caso foi julgado pelo Tribunal.

O caso é didático porque reúne, em um único julgamento, quase tudo o que uma família precisa saber depois de um acidente de trânsito, e quase tudo o que ela costuma ignorar.

O primeiro ponto é quem paga. Existe a crença de que a responsabilidade começa e termina no motorista. Não é assim.

A lei estabelece que o empregador responde pelos danos causados por seus empregados no exercício do trabalho, e responde independentemente de ter culpa própria. Ou seja: não interessa se a empresa treinou bem o motorista, se exigiu curso de direção defensiva ou se o veículo estava em ordem. Se o funcionário atropelou alguém trabalhando, a empresa responde.

Isso muda tudo na prática. Uma coisa é buscar reparação contra um motorista que não tem patrimônio algum. Outra, bem diferente, é acionar a empresa para a qual ele trabalha, que tem CNPJ, faturamento e, quase sempre, seguro de responsabilidade civil.

O segundo ponto é a prova. A defesa da concessionária sustentou que o ciclista teria entrado repentinamente na via, apoiando-se no boletim de ocorrência. A relatora rejeitou o argumento com uma observação que vale guardar: boletim baseado exclusivamente na versão do condutor envolvido é relato unilateral de quem tem interesse direto no resultado. Boletim de ocorrência não é sentença. 

Muitas famílias desistem de buscar seus direitos porque leram no documento uma versão que as culpa. Essa versão pode, e deve ser contestada com testemunhas, perícia, imagens e prova técnica. Vale lembrar, ainda, que o Código de Trânsito impõe ao motorista o dever de guardar distância lateral mínima de um metro e meio ao ultrapassar ciclistas, exatamente por serem eles os usuários mais frágeis da via.

O terceiro ponto é o que a Justiça pode determinar. Em caso de morte, a lei prevê o pagamento das despesas com tratamento, funeral e luto, além de pensão aos que dependiam economicamente da vítima. Para os filhos, os tribunais costumam fixar essa pensão em dois terços da renda até os 25 anos; para o cônjuge ou companheiro, até a idade provável de vida da vítima.

Soma-se a isso o dano moral, que é direito próprio de cada familiar, não se divide um valor único entre todos. 

Quando a vítima sobrevive, o raciocínio é o mesmo. A lei garante o custeio integral do tratamento, os lucros cessantes (o que a vítima deixou de ganhar) referentes ao período de afastamento e, havendo redução permanente da capacidade de trabalho, pensão correspondente a essa perda.

Cicatrizes, amputações e deformidades geram dano estético, que o Superior Tribunal de Justiça reconhece ser cumulável com o dano moral. São verbas distintas, e pedi-las separadamente pode alterar significativamente o resultado.

Resta o tempo

O caso mineiro levou dezessete anos entre o acidente e a decisão de segundo grau, mas o prazo para ingressar com a ação é curto. Provas se perdem, testemunhas somem, câmeras são sobrescritas.

Se você perdeu alguém no trânsito, ou ficou com sequelas depois de um acidente, e o responsável estava trabalhando quando aquilo aconteceu, existe muito mais em jogo do que um acordo rápido oferecido pelo seguro nas primeiras semanas. Vale conhecer o tamanho real do que a lei assegura antes de assinar qualquer coisa.

Leandro Amaral Provenzano - OAB/MS 13.035. Sócio do escritório Provenzano Advogados.

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