Colunistas

Cláudio Humberto

"É lamentável"

Alfredo Gaspar (União-AL), relator da CPMI do INSS, sobre nova suspensão de oitiva

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Partidos fora da cláusula levam R$14,4 milhões/mês

Partidos nanicos, que não sobreviveriam sozinhos às exigências da cláusula de barreira e precisaram apelar para as federações partidárias em 2022 para continuarem a ter acesso à propaganda gratuita no rádio e na TV e – especialmente – aos bilhões dos fundões da Justiça Eleitoral, ainda embolsam R$14,4 milhões por mês do Fundo Partidário. Avante, Cidadania, PCdoB, PRD, PV, Solidariedade e Rede não alcançaram os mínimos eleitorais em 2022, mas continuam a faturar via federações.

 

Valores desde 2022

Fusão do Patriota com PTB, o PRD tem agora só quatro deputados federais, mas recebe R$3 milhões/mês. Se uniu ao Solidariedade.

 

Todo mês

O Cidadania (em federação com o PSDB) recebe R$1,8 milhão/mês; o Rede (unido ao Psol), R$1,14 milhão; e o Solidariedade, R$2,93 milhões.

 

Nanicos na esquerda

O PCdoB, com nove deputados e R$1,8 milhão/mês do fundo, e o PV (quatro deputados), com R$1,14 milhão, viraram puxadinhos do PT.

 

Em extinção?

O Avante leva R$2,52 milhões do fundão por mês, apesar de ter apenas oito deputados federais. E ainda não fechou federação para 2026.

 

Tentativa de achaque de ministro ocorreu em Miami

Ocorreu em território americano a reunião em que importante ministro do governo Lula (PT) teria tentado achacar um empresário brasileiro. Por envolver crime de autoridade estrangeira, advogados do empresário o aconselharam a fazer denúncia ao Departamento de Justiça do governo dos EUA. Voltando de viagem ao continente asiático, o ministro fez “pit-stop” em Miami para abordar o empresário, na companhia de advogado ligado a grandes corporações, influente na OAB e próximo do Planalto.

 

Corre-corre

O caso foi revelado na revista Veja e provocou corre-corre no Planalto, mas ninguém entendia por que a denúncia havia sido feita nos EUA.

 

Jogo é bruto

O empresário se mostra assustado com o que lhe aconteceu, por isso ainda insiste no anonimato por não se sentir protegido de retaliações.

 

Mal pela raiz

Enquanto toma pé no assunto, o governo avalia “cortar o mal pela raiz” antes que o caso “exploda”, evitando impacto na campanha eleitoral.

 

Estimativa

Dirigentes partidários como o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, estimam que as novas regras eleitorais devem reduzir o campo político este ano para apenas “10 a 12 partidos” (ou federações), disse.

 

Eleição quente

A Polymarket recebeu US$277 mil (R$1,45 milhão) em apostas sobre a eleição presidencial brasileira, apenas na segunda-feira (16). No total, o cenário que prevê o vencedor tem US$27 (R$141) milhões apostados.

 

Camisa 10

Aproveitando os holofotes voltados à convocação da Seleção, o PL brincou sobre seu pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro: “segue como um dos titulares, convocado há muito tempo pelo povo brasileiro”.

 

Menos luxo

O senador Eduardo Girão (Novo-CE) apresentou um projeto de lei que cria regras claras (e mais rígidas) para o uso de jatinhos da FAB por autoridades: “Essas vergonhosas mordomias hão de cessar”.

 

Gasolina nas alturas

A produção de petróleo dos Emirados Árabes Unidos caiu quase à metade, após o fechamento do Estreito de Hormuz, segundo a agência Bloomberg. O barril de petróleo Brent ficou ontem em torno dos US$100.

 

Reprovação capixaba

Pesquisa Real Time Big Data (BR-09011/26) aponta que, no Espírito Santo, Lula possui alta taxa de reprovação, maior que a média nacional: 56% e apenas 38% aprovam o trabalho do petista.

 

Boicote não dá

O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), criticou o cancelamento da sessão de ontem (16) da CPMI do INSS, ao citar blindagem ao chefe da Contag: “Entidade ligada ao PT que mais roubou dos aposentados”.

 

Caminho claro

Secretário de Segurança de São Paulo, Guilherme Derrite resumiu, ao programa Pânico: “é impossível vencer uma eleição para o Senado” “sem o apoio do ex-presidente Bolsonaro e do governador Tarcísio de Freitas.

 

Pensando bem...

...delação “do fim do mundo” acaba com tudo, menos a corrupção.

 

PODER SEM PUDOR

Nem com mágica

Nos anos 1940, o mágico Petrovsky chegou a Araxá (MG) para um show e foi logo pedir patrocínio ao prefeito José Adolfo de Aguiar, conhecido pão duro. O prefeito chamou o tesoureiro e mandou abrir o cofre na frente do mágico: “Pode se servir à vontade.” O homem respondeu, intrigado: “Mas o cofre está vazio, prefeito...” O prefeito o desafiou: “Uai, o senhor não é mágico? Faça aparecer o dinheiro, ora essa!” O mágico foi embora sem fazer o show.

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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