Colunistas

CLÁUDIO HUMBERTO

"É mais um caso em que o STF ultrapassa seus limites"

Senador Rodrigo Cunha (Pode-AL) critica provável decisão do STF de liberar o porte da maconha no País

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Após 212 dias, Lula enfim recebe irmã de Marielle

O presidente Lula (PT) deixou para o oitavo mês de governo o encontro com Anielle Franco, sua ministra da Igualdade Racial e irmã do símbolo esquerdista Marielle Franco. Anielle foi última ministra a ser recebida pelo petista para reunião privada, entre os 37 chefes da Esplanada. O encontro reservado com o presidente da República é sinal de prestígio na Praça dos Três Poderes. A ausência pode demonstrar o contrário.

Padrão?

Até o final de julho, apenas as ministras Simone Tebet (Planejamento) e Anielle Franco não haviam realizado encontros privados com Lula.

Prestígio

Antes mesmo de tomar posse, o novo ministro do Turismo, Celso Sabino, teve reunião reservada com o chefe, dia 25 de julho.

Casulo

Cerca de um terço dos 37 ministros se encontrou com Lula apenas uma vez. Encontros múltiplos são apenas para ministros palacianos.

Prioridades

Quase nenhum ministro tem o prestígio do presidente da Argentina, Alberto Fernández, que se encontrou com Lula cinco vezes.

Acenos ao Planalto racham bancada evangélica

O clima entre parlamentares conservadores e “progressistas” da bancada evangélica da Câmara dos Deputados anda azedo. Os eleitos sob a bandeira do bolsonarismo em 2022 reclamam da proximidade dos deputados do Republicanos e PSD com o governo do petista Lula, que articula para cooptar partidos do centro, fundamentais para votações no Congresso. Os deputados Cezinha de Madureira (PSD-SP) e Silas Câmara (Rep-AM) têm sido alvos de críticas dos colegas da “frente”.

Sinal claro

Três ministros de Lula foram à posse de Silas como coordenador da frente, quinta (3). Silas também já defendeu urgência do PL da Censura.

Péssima ideia

Madureira é apontado como responsável por levar o ministro Jorge Messias (AGU) à Marcha para Jesus. O “Bessias” acabou vaiado.

Aproximação gradual

A aprovação da MP dos Ministérios de Lula foi atribuída a um esforço de membros lulistas da bancada evangélica.

Copo d’água

O clima seco em Brasília impulsionou o consumo de água no Supremo Tribunal Federal, que bateu o recorde do ano em junho. Foram 2.889 m³ de água. A fatura também foi alta: R$90,8 mil no mês.

Presença famosa

Além de diversas autoridades dos Três Poderes, a posse de Celso Sabino como ministro do Turismo contou com a presença de Fafá de Belém, que cantou o Hino Nacional. A artista é amiga do novo ministro.

Posse disputada

A segurança no STF foi reforçada para a posse de Cristiano Zanin e envolveu até a Polícia Legislativa. Até o cachorro Jethro, que cobre o Congresso, circulou entre convidados e imprensa atrás de explosivos.

Master credibilidade

Enquanto o Brasil faz vergonha, soltando traficantes e favorecendo bandido flagrado com droga na prisão, em Portugal a Mastercard dá exemplo e recusa o uso de seus cartões na compra de drogas.

Sabedoria popular

Sobre o silêncio do Congresso Nacional acerca da interferência do STF no Legislativo, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) disparou: “minha avó já dizia, quem muito se abaixa, o fundo aparece”.

Partida cara

Enrolada em uma disputa com o PSB, a senadora Leila Barros (PDT-DF) teve o carro penhorado pela Justiça nesta quinta (3). A dívida passa dos R$100 mil. A parlamentar informou à coluna que vai recorrer da decisão.

Agora, liberdade

Governistas espernearam e evitaram, por ora, a ida do Adriano Machado à CPMI do 8 de Janeiro, Testemunho do fotógrafo flagrado por câmeras de segurança dentro do Palácio do Planalto, durante a quebradeira, “ameaça a liberdade de imprensa”, dizem lulistas.

Segredo de túmulo

Ex-líder do grupo, José Rainha surpreendeu os presentes ao se negar a revelar à CPI do MST o motivo pelo qual rompeu com o movimento: “Levarei para o cemitério”, avisou peremptoriamente.

Pensando bem...

...todo mundo já está de olho na próxima vaga.

PODER SEM PUDOR

Ateu, graças a Deus

Quando se vê no aperto, o ex-deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), materialista convicto, recorre a Deus. Foi assim quando rezou a bordo de um jatinho em pane em pleno voo, com o ex-senador Eunício Oliveira (MDB-CE) como testemunha. Certa vez, quando Inocêncio Oliveira (PL-PE) e Arlindo Chinaglia (PT-SP) ameaçavam trocar sopapos no Plenário, ouviu-se a voz conciliadora do então presidente da Câmara, ao microfone: “Pelo amor de Deus, senhores, parem com isso!...”

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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