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Giba Um

"É um cidadão que sabe que fez caca, que sabe que fez uma burrice, que sabe que tentou dar um golpe"

de LULA// na abertura da 4ª Conferência Nacional da Cultura em Brasília

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 Há uma nova tendência registrada nos estúdios de tatuadores do Rio de Janeiro: está sendo utilizada especialmente por turistas em visita ao Rio e que não querem deixar a cidade sem levar um souvenir. E nesse caso, um souvenir é na própria pele – e ninguém sabe como começou. 

MAIS:  os turistas pedem que lhes sejam tatuados “retratos do Rio”. Entenda-se; trechos da calçada de ondas de Copacabana, Corcovado e o Cristo Redentor e outros tantos em tamanho de 5 centímetros ou ligeiramente maior. O local da tatoo fica à escolha do cliente. 

In –  Livro: Inove para ser único
Out – Livro: As armas da persuasão

 


Reunião familiar

 Apesar da grande campanha de promoção para a estreia da nova novela das 19h da Globo Família é tudo, escrita por Daniel Ortiz, com direito a trens de Metrô de São Paulo, envelopados com os protagonistas da novela e uma ação especial na estação Tatuapé, o primeiro capítulo não foi muito bem na audiência, com 25 pontos no Rio de Janeiro e 20  pontos em São Paulo. A trama antecessora Fuzuê havia marcado 29 no Rio e 24 em São Paulo. O que mais chamou atenção foi a audiência registrada no estado paulista, já que o cenário da novela é em São Paulo. Apesar de iniciar com o pé esquerdo, muitos especialistas acreditam que haverá muitos capítulos para trama crescer e fazer jus a marca de 100ª novela das 19h. Grande parte do elenco se reuniu para assistir o primeiro capítulo junto, na  Barra da Tijuca, no Rio. Entre tantas que estavam por lá, da esquerda para à direita, as protagonistas Nathalia Dill (Vênus), Ramille (Andrômeda) Juliana Paiva (Electra), além das vilãs Rafa Kalimann (Jéssica), Ana Hikari (Mila) e Lucy Ramos (Paulina). Arlete Salles infelizmente não compareceu, afinal uma de suas personagens Frida) está desaparecida. Mais: uma curiosidade uma das fotos feitas para divulgação foi inspirada na série Friends.


Piora a situação de Bolsonaro


Chamado de “cagão” pelo ex-ministro e general da reserva Walter Braga Netto por não topar se envolver numa tentativa de golpe, o general Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército no governo Bolsonaro, deu seu depoimento de oito horas, na semana passada, na sede da Polícia Federal, em Brasília, reforçando a participação do ex-presidente na empreitada. Freire Gomes confirmou reuniões no Planalto quando foram discutidos detalhes da “minuta do golpe” onde o então presidente Jair Bolsonaro alterou trecho que, segundo a PF “embasaria a consumação do golpe de Estado em andamento”. O relato de Freire Gomes apresentou um peso especial da palavra de um ex-comandante do Exército. O general respondeu todas as perguntas, certo de que a condição de subordinado do presidente descaracteriza o crime de omissão que querem lhe atribuir. A questão hierárquica vale mais. Ou seja: confirmando o que Mauro Cid já disse, o depoimento do general complica ainda mais a situação de Bolsonaro. 


Mais dois

O brigadeiro Baptista Junior, da Aeronáutica, também deu seu depoimento há poucas semanas, trazendo informações similares as que foram consideradas relevantes para a Operação Tempus Veritatis. Único dos três chefes das Forças que teria aceitado participar do golpe, o ex-comandante da Marinha Almir Garnier ficou em silêncio quando compareceu à Polícia Federal – e faz parte do bloco dos investigados. A “minuta do golpe” nas mãos de Jair Bolsonaro derruba a tese da defesa, segundo a qual, o Capitão só teria tido acesso somente “para ver do que se tratava”.  


Além de esportista


A “fadinha do skate” e grande esperança brasileira de medalha nas Olimpíadas de Paris, Rayssa Leal, acaba de mergulhar num mundo que jamais imaginou. Depois de ganhar o título de 'fidèle' da Louis Vuitton, agora se tornou a primeira brasileira a ser embaixadora global da grife de luxo francesa. Rayssa fala do seu relacionamento com a moda: "O skate tem relação com a moda. O modelo do tênis e a composição que você faz com as roupas, cada skatista tem seu estilo de vestir, e eu sempre quero estar com um look legal na pista. Em cada final de campeonato que eu participo, eu já penso na roupa e procuro uma peça diferenciada e, de preferência, assinada por algum estilista”. E completou: “Eu estou em um momento muito feliz da minha carreira como Skatista e, ter uma parceria com a grife mostra um outro lado meu além de ser skatista, porque eu realmente gosto muito do universo fashion”.  Mais: a skatista foi convidada pessoalmente pelo diretor artístico da marca, Nicolas Ghesquière, para estar na primeira fila no Paris Fashion Week.

 


Puro-sangue

O marqueteiro argentino Pablo Nobel está sendo cotado para comandar a campanha do prefeito Ricardo Nunes, candidato à reeleição em São Paulo. É mais uma prova de forte influência de Jair Bolsonaro, a quem caberá também indicar o vice da chapa. Nobel trabalhou para as vitoriosas candidaturas de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo e – surpresa – também de Javier Milei à presidência da Argentina. Nunes, à propósito, dono de um penteado arrumadíssimo, com direito a topete, tem horror a cabeleira de Milei e suas costeletas. 

 

 

 

Conquista do Agro

Lula prepara uma série de iniciativas, nos próximos meses, para tentar vencer as resistências do agronegócio. Terá encontros com empresários da área na Granja do Torto e estão previstas viagens para Goiás, Tocantins, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul para lançamento de obras do novo PAC. Um plano está em estudo na Fazenda e no BNDES para ajudar quem sofreu com os problemas climáticos e falta de renda. O Crédito Rural terá sua linha de financiamento em dólar e o Plano Safra terá R$ 400 milhões para financiar atividades agrícolas.

PÉROLA

“É um cidadão que sabe que fez caca, que sabe que fez uma burrice, que sabe que tentou dar um golpe e que sabe que ele vai para a Justiça e que sabe que ele vai ser julgado”, 
de LULA// na abertura da 4ª Conferência Nacional da Cultura em Brasília.

OLHO NO PIB

Mesmo que a implicância com o presidente da República seja a mesma, já existe na Faria Lima quem esteja comemorando a gestão da política econômica de Fernando Haddad (Fazenda) até o final do governo Lula. Muitos consideram que é cada vez mais provável o crescimento do PIB até 2026 superar os 3%. É um percentual que vem sendo considerado pelas instituições financeiras inatingível pela maioria dos profetas do mercado. Estaria pelo menos um ponto percentual acima do PIB potencial do Brasil calculado pelas instituições financeiras entre 1,5% e 2%. E Haddad aumenta a aposta para 2,5%. 

"Interventor"

O vice-presidente Geraldo Alckmin está se revelando um enxadrista da retomada da indústria nacional. A decisão de colocar Ricardo Cappelli na presidência da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial faz parte de uma jogada maior do que a checagem do cumprimento das metas da Nova Indústria de R$ 300 bilhões lançada pelo governo em janeiro. Caberá a ele o papel de evitar má alocação de recursos e desperdício de munição financeira em segmentos pouco estratégicos. Alckmin enxerga Cappelli como uma espécie de “interventor” do Nova Indústria Brasil”. 

ATÉ CONVIDADOS

Novo balanço revela que apenas nos dois primeiros meses de 2024, o governo de Lula torrou R$ 83 milhões em viagens “à serviço” de servidores que seguem o exemplo do chefe. De janeiro a fevereiro deste ano já foram 36.176 viagens de servidores, incluindo terceirizados e até “convidados eventuais”. Mais despesas: o governo acaba de abrir licitação de R$ 20 milhões para “reformar imóveis” da Presidência, especialmente o Palácio da Alvorada, residência do casal presidencial. Os projetos estão sendo acompanhados (e criados também) por Janja.


De volta ao topo

Jeff Bezos, fundador da Amazon é o homem mais rico do mundo, segundo cálculos feitos pelo índice de bilionários da Bloomberg. Ele voltou a superar Elon Musk, fundador da Tesla e dono da rede social X (antigo Twitter). Em direções opostas as ações da Amazon subiram fazendo com que a fortuna de Bezos chegasse a US$ 200 bilhões; já as ações da Tesla tiveram uma desvalorização de 50% e com isso, seu patrimônio que estava avaliado em US$ 229 bilhões no ano passado, caiu para US$ 197,7 bilhões. Completando o pódio dos mais ricos do mundo e colado à Musk, está Bernard Arnault, presidente do grupo de luxo LVMH, com patrimônio de cerca de US$ 197 bilhões. 

OUTROS BILIONÁRIOS

Ainda sobre a lista dos homens mais ricos do mundo segundo a Bloomberg estão, por ordem, do quarto ao décimo lugar: Mark Zuckerberg, dono do grupo meta (Instagram, Facebook e outros) com um patrimônio avaliado em US$ 179 bilhões; Bill Gates, dono da Microsoft (US$ 150 bilhões); Steve Ballmer, maior acionista da Microsoft (US$ 143 bilhões); Warren Buffett, dono da holding Berkshire Hathaway, que congrega ações de 49 empresas (US$ 133 bilhões); Larry Ellison, fundador e diretor executivo da Oracle Corporation (US$ 129 bilhões); Larry Page, fundador do Google (US$ 122 bilhões); e Sergey Brin, também fundador do Google com patrimônio avaliado em US$ 116 bilhões.

MISTURA FINA

DEPENDENDO do ritmo dos julgamentos no STF envolvendo militares (e se condenações ocorrerem), casos como o de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, podem ser julgados pela Justiça Militar por uma ministra civil – e não militar. Em março chega ao final o mandato do brigadeiro Francisco Joseli como presidente do STM e sua sucessora mais provável é Maria Elizabeth Guimarães. Será a única mulher a ocupar uma cadeira no STM. E ela é advogada. 

O MINISTÉRIO Público do Rio Grande do Sul vai solicitar à Aneel abertura de processo e punição financeira contra a CEEE Equatorial por seguidas falhas de fornecimento de energia ao estado do Rio Grande do Sul. O MP-RS já ajuizou ação civil pública contra a companhia, exigindo indenização superior a R$ 200 milhões para cobrir prejuízos causados por apagões no estado. Na semana passada, a Aneel confirmou multas de mais de R$ 100 milhões contra a Enel por interrupções na distribuição de energia em São Paulo entre 2019 e 2021.

O PRESIDENTE da Petros, Henrique Jager, tem feito uma peregrinação junto a lideranças petroleiras. Tenta aparar as arestas por conta do equacionamento do fundo de pensão, anunciado em dezembro. Para cobrir o déficit, será necessária uma contribuição extra de R$ 1,5 bilhão. Metade desse valor terá de sair do bolso dos funcionários e aposentados da Petrobras. 

SÃO Paulo disputou com o México um investimento de R$ 11 bilhões da Toyota para produção de novos veículos. O anúncio oficial de uma expansão da fábrica de Sorocaba deverá ser feito ainda este mês. Serão produzidos lá um novo modelo de um compacto hibrido e outro de um SUV da montadora. 

BTG e Pátria Investimentos vem mantendo conversas para uma possível fusão entre seus negócios de telecomunicações. De um lado, está a V.tal, dona de uma rede com mais de 400 mil km de fibra ótica e cerca de 26 mil km de cabos subterrâneos; de outro, a Winity Telecom, focada na construção e compartilhamento de infraestrutura da comunicação, notadamente 4G e 5G. No ano passado, a V.tal teve receita líquida de R$ 5,5 bilhões; a Winity, ainda tenta se encontrar no mercado de telecomunicação.

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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