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GIBA UM

"Ele [papa] está bem, acordado e vigilante. Responde bem tanto à cirurgia quando à anestesia geral"

de SERGIO ALFIERI //cirurgião italiano que operou o Papa Francisco

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O governo quer colocar uma trava de segurança para a classe média para a compra de veículos com desconto (o rótulo populares é para poucos).

Deverá fixar um limite para a aquisição de carros por pessoas jurídicas (e ninguém até agora havia pensado nisso).

Mais: o objetivo é evitar que empresas transportadoras e locadoras de automóveis compre grandes lotes de veículos, reduzindo a oferta para consumidores comuns.

Por ora, o governo determinou que, nos primeiros 15 dias, apenas pessoas físicas poderão comprar carros com desconto.

“Ele está bem, acordado e vigilante. Responde bem tanto à cirurgia quando à anestesia geral. Até caçoou de mim, perguntando: ‘Quando faremos a próxima operação?’”,
de SERGIO ALFIERI //cirurgião italiano que operou o Papa Francisco.

In -  Bota western
Out  -  Bota coturno

Transformar em grande evento

A apresentadora, atriz, influenciadora digital, youtuber e embaixadora da Unicef, Thaynara Oliveira Gomes, ou melhor Thaynara OG (primeira foto), promoveu mais uma vez o ‘São João da Thay’ no estacionamento do São Luís Shopping, que levou uma multidão para apreciar os shows de vários artistas como Ivete Sangalo, Alcione, Leo Santana, Thiago Pantaleão, Lucy Alves, entre outros.

E entre os apoiadores estavam a Disney , que serviu como inspiração para o tema da festa com filme Elementos e foi dividido em quatro setores: Fogo, Ar, Água e Terra, Devassa, Garoto, Bic e 99. 

“A minha meta é transformar o São João da Thay em um festival para fazer com que São Luis do Maranhão entre para o roteiro turístico de grandes eventos do Nordeste”.

O evento acontece desde 2017 (com um intervalo de dois anos  2020 e 2021 por causa da pandemia) e Thaynara diz que a madrinha de tudo foi Preta Gil.

Entre tantas celebridades e vários ex-BBBs estavam, (da segunda foto à esquerda para à direita) as cantoras Ivete Sangalo e Alcione, a jornalista Maria Cândida; a cantora e atriz Lucy Alves e a atriz Fabiana Karla.

Não queria ser vaiado

Lula recebeu convite da Renascer, assinado por Estevam Hernandez, para participar da Marcha para Jesus “com muita alegria” e, na carta onde avisava que não poderia comparecer, tratou de cantar glória aos “valores cristãos” da mega passeata em São Paulo.

Depois, assessores avisaram que, na concentração evangélica, quando Jorge Messias, da Advocacia-Geral da União, mencionou seu nome foi interrompido por vaias. O presidente petista sabia que, se ele estivesse lá, as vaias poderiam ser muito mais retumbantes: preferiu ficar longe.

As relações de Lula com os evangélicos não são cordiais, como também com os jornalistas que, agora, resolveu mantê-los à distância num cercadinho às portas do Palácio, como fazia Jair Bolsonaro. Só que não fala com eles e tampouco em finais de eventos quando protege também seus convidados importantes.

Lula não quer perguntas: só quer falar o que quer – e nenhum repórter quer saber disso.

Diálogo e respeito

Um dos casais mais queridos da atualidade Agatha Moreira e Rodrigo Simas, foi escolhido para estrelar duas campanhas do Dia dos Namorados. A primeira é da grife brasileira de roupas e acessórios Jeanslosophy e outra é a Redley (vestuário, tênis e mochilas).

“O diálogo e o respeito, sempre. Acreditamos que esse é melhor caminho para um relacionamento saudável” é o lema do casal. Agatha está no ar como Graça da novela Terra e Paixão, e Rodrigo poderá ser visto em breve no papel de Chitãozinho,  na série As Aventuras de José & Durval, na Globoplay que conta a história da dupla sertaneja Chitãozinho e Xororó.

A sintonia do casal é tanta que eles têm entrosamento no estilo e brincam: “Temos gostos muito similares e adoramos dividir nosso closet. Usamos muitas calças e casacos um do outro. Isso facilita muito as nossas malas na hora de viajar”.

“Controle social”

333 Não é de hoje que Lula quer controlar (força de expressão) a imprensa. Já queria emplacar uma certa regulamentação dos órgãos da mídia, considerada censura. No segundo governo de Lula, o então ministro Franklin Martins, da Comunicação, tinha um plano pronto.

Na campanha que o levou de volta ao Planalto, o mesmo Franklin rondava o bloco principal, Lula chegou a falar sobre o assunto, mas depois, bem avisado, resolveu encolher. O chefe do Governo só gosta de grande café com representantes das redes sociais – e desde que sejam a seu favor, o que logo deverá acontecer.

Mais: nos tempos de Lula 2, o nome usado para esconder a censura era “controle social” da mídia.

Eike na Amazônia

Eike Batista prepara nova empreitada. Agora, quer ingressar no mercado de livros. Quer ser investidor, editor, distribuidor e escritor. O primeiro livro já tem título: Selva. O livro conta as peripécias de Eike na Amazônia, notadamente suas aventuras como atravessador do garimpo de ouro.

Na época, Eike tomou um tiro em desavenças na região. Outra aventura foi o uso de parapente (semelhante ao para quedas, de voo livre) para descer dos céus no meio da Amazônia.

“AeroJanja”

333 O assessor para assuntos internacionais da Presidência, Celso Amorim, já chegou à Noruega para participar de debates no Fórum de Oslo.

Em seu site de apresentação, o Fórum se lembra de ter, entre seus membros, diversos ganhadores do Nobel da Paz, como o norte-americano Jimmy Carter e o colombiano Juan Manuel Santos. Há quem ironize dizendo que Amorim foi para lá para tentar pavimentar o caminho de Lula também ao Nobel da Paz.

À propósito: a reforma de um dos jatos A330 da FAB, que será transformado para uso pessoal do presidente (com salão, chuveiro e cama de casal), já ganhou um apelido: AeroJanja.

REESTATIZAÇÃO

O governo está quebrando a cabeça para achar uma solução para satisfazer Lula em seu desejo de romper o estatuto da Eletrobras e comprar ações compatíveis com a participação da União na empresa. O Estado detém 10,18%, mas seu poder de voto está restrito a 10%.

Na visão de Lula, a União ficou na empresa como boi de piranha, para ser espoliada e contribuir com parcela maior dos investimentos. Mais: a parte excedente aos 10% das ações ninguém sabe se continuarão recebendo dividendos similares ou queda da remuneração atingirá os acionistas.

Não queria

Na semana passada, o baiano Rui Costa (Casa Civil) classificou o Distrito Federal como “ilha da fantasia” e afirmando que “aquele negócio de colocar a capital longe da vida das pessoas fez muito mal ao Brasil”, o que provocou grande reação de muitos políticos e líderes comunitários da Capital.

Um deles disse que Rui Costa “é um poeta quando está de boca fechada”. Aí, Lula recomendou a ele, a quem cita sempre como “minha Dilma de calças”, que pedisse publicamente desculpas.

Costa disse que “seria melhor aguardar a poeira abaixar”, mas o presidente insistiu. Ele disse que “foi um desabafo e que não tem nada contra quem mora na cidade” – e Lula não gostou.

INGRATIDÃO

O marido de Daniela Carneiro, ministra do Turismo, Waguinho, prefeito de Belford Roxo, quando soube que ela poderia ser fritada em nome da articulação política, acusou o governo de “ingratidão” (ele apoiou e batalhou pela eleição de Lula no segundo turno em sua cidade).

O mais cotado para substituí-la é o deputado Celso Sabino (União-PA), aliado do presidente da Câmara, Arthur Lira, que quer trocar os três ministros desse partido. O outro é Juscelino Filho (União-MA), ministro das Comunicações.

Frigideira

A base governista está aumentando a fritura do ministro Rui Costa (Casa Civil) e até fomentando sua troca, depois de seus comentários sobre Brasília. Lula até ouviu Arthur Lira (Câmara) que também se queixou do homem da Casa Civil e aliviou a barra do ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais).

Costa é apontado como trava das nomeações e liberações de emendas parlamentares e tem até uma aliada: Gleisi Hoffmann. Ela analisa todos os indicados.

Planejado

Se o nome de Lula foi vaiado na Marcha para Jesus, o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), cotado pela direita para disputar o Planalto em 2026, foi muito festejado, com palmas e gritos.

Bem orientado por Gilberto Kassab, secretário-geral do governo, Tarcísio fez um discurso estritamente religioso, ajoelhou-se, levantou as mãos aos céus e pediu proteção para o Brasil e para São Paulo. E citou versículos bíblicos.

André Mendonça (STF), o “terrivelmente evangélico” falou que “busca a Deus antes de tomar suas decisões no tribunal”.

CADÊ BOLSONARO?

Depois do discurso (ou oração) de Tarcísio de Feitas, muitos participantes da Marcha gritavam “Cadê Bolsonaro?”. Ele e Michelle Bolsonaro estavam lá no ano passado, mas desta vez, o ex-presidente preferiu não aceitar o convite.

No meio da grande massa deste ano, não havia bandeiras ou faixas a favor e contra diversas figuras públicas. Também nos discursos, pastores e líderes religiosos optaram por não fazer menção a Bolsonaro. Há quem aposte que, por enquanto, Lula não quer se aproximar (e nem depender) de evangélicos.

Na contramão, Cristiano Zanin, indicado para o STF, tem se aproximado deles – quer seu apoio, mesmo sabendo que não votam.

MISTURA FINA

  • O PT quer uma TV para chamar de sua: o partido apresentou ao Ministério das Comunicações um pedido para ter seus próprios sinais televisivos. Assinam o pedido, Gleisi Hoffmann, presidente nacional do partido e Jilmar Tatto, secretário de Comunicação. Querem concessões que estejam vagas, ou seja, já existentes, mas não utilizadas atualmente. Detalhe: Lula é contra. Acha que Gleisi no comando de um canal é um perigo para o governo e muitos de seus ministros. E até poderia ser uma arma da sonhada candidatura dela ao Planalto.
  • LULA – e Janja, é claro – passou o feriado de Corpus Christi no litoral da Bahia. O casal hospedou-se na base naval de Aratu, na península de Paripe, a 30 quilômetros de Salvador, destino tradicional de presidentes da República durante feriados ou períodos de recesso. Lula já passou lá o carnaval deste ano. Nos dois mandatos anteriores, também se hospedou na base naval de Aratu, que oferece casa colonial na praia privativa de Inema. Na época, Marisa Letícia é quem estava a seu lado.
  • O JULGAMENTO de Jair Bolsonaro pelo TSE, no próximo dia 22, vai ganhando novas evidências de que havia mesmo um golpe sendo tramado nos bastidores do governo. O celular do ex-ajudante-de-ordens do presidente, tenente-coronel Mauro Cid, tem diversos rascunhos de decretos de convocação das Forças Aramadas para garantir “a lei e a ordem”. Aí, tudo poderia acontecer. Na casa do ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, já fora encontrado um decreto de “estado de emergência”.
  • POR enquanto, o programa de concessões portuárias do governo Lula só tem bagrinho: Márcio França (Portos e Aeroportos) vai lançar até setembro edital de licitação de quatro terminais pesqueiros – Aracaju (SE), Cananéia (SP), Natal (RN) e Santos (SP). E nada de concessões num único bloco: a ideia é negociar os ativos separadamente. Deverá haver redução nos preços  em comparação às licitações no passado – os terminais de Vitória e Manaus. O objetivo é reduzir os riscos de licitação sem ofertas.
  • JADER Barbalho Filho (Cidades) está negociando com a equipe econômica a liberação de R$ 260 milhões para a CBTU e outros R$ 90 milhões para a Trensurb. É um sinal de que o governo quer suspender a concessão das duas estatais. Sindicatos de funcionário pressionam para que as licitações sejam engavetadas. A CBTU reúne a operação de trens urbanos de Recife, Maceió, João Pessoa e Natal. A Trensurb é responsável pelo transporte ferroviário de passageiros na Grande Porto Alegre.
  • MESMO com a desistência do ex-ministro e deputado federal Ricardo Salles (SP), grande parte do PL ainda não afastou a hipótese de candidatura própria à prefeitura de São Paulo, embora Valdemar Costa Neto, já esteja um tanto comprometido com Ricardo Nunes, que quer ser reeleito. Em rodas mais chegadas, o mesmo Costa Neto tem falado muito no nome do ex-ministro da Ciência e Tecnologia e atual senador Marcos Pontes, o eterno astronauta.

Claudio Humberto

"Se você está endividado, a culpa é do governo Lula"

Flávio Bolsonaro (PL), candidato ao Planalto, ao prometer organizar as contas públicas

23/08/2026 08h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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Oposição critica PGR engajada à defesa de Lula

Opositores estão indignados com o procurador geral da República (PGR), acusado de “engajamento” na defesa de Lulinha, filho de Lula (PT), investigado por tráfico de influência e corrupção. Paulo Gonet tentou retirar a relatoria de André Mendonça, ministro do STF que não se submete a Lula, e depois tentou levar o processo à 1ª instância. “Absurdo”, diz Marcel van Hattem (Novo-RS), lembrando que, nomeado por Lula, Gonet se opôs a 1ª instância julgando casos do 8 de janeiro.

Batom na cueca
Gonet se esforça para tirar do STF dois dos três inquéritos contra Lulinha relatados por Mendonça. O outro permaneceria nas mãos de Flavio Dino.

Guinada ridícula
Para van Hattem, é até ridículo a PGR mudar de posição sobre 1ª instância quando o investigado é o filho do presidente da República.

Críticas na academia
Professor de pós-graduação da USP e mestre e doutor em Direito Constitucional, Rubens Beçak também se associa aos críticos da PGR.

Escândalo paralelo
Já Evair de Melo (PP-ES) acha que não tem como retirar o caso Lulinha do STF pelas conexões do filho de Lula com o escândalo do INSS.

PL espera ter duas vezes mais senadores que o PT
Nas primeiras pesquisas que já circulam dentro do PL, o partido projeta pelo menos o dobro de senadores em relação ao PT. A Casa Alta é a prioridade da sigla, que pretende lançar candidatura para a presidência do Senado, além de ter força política para andar com as pautas que viraram bandeiras do partido nesta eleição. Entre as principais prioridades, andar com pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), ainda que não haja votos para vitória.

Melhor cenário
Nas contas dos liberais, o partido pode chegar aos 28 senadores. Se Jair Bolsonaro estivesse na ativa, o número poderia bater os 32.

Com calma
Já as previsões mais conservadoras apontam para 20 senadores, mas com mais destaque, já que esperam nomes como Michelle Bolsonaro. 

Olho no vizinho
As planilhas trazem projeções para outras bancadas também. Petistas, nas contas do PL, devem beirar os 10 parlamentares.

Modus Operandi
“Do mar de lama do Sítio de Atibaia à Mansão do Lulinha em Brasília”, Sérgio Moro (PL-PR), juíz que condenou Lula na Lava Jato, sobre o elo de Lulinha, a lobista Roberta Luchsinger e testemunha do caso de Atibaia que voltou ao folhetim por assinar contrato da mansão do QG do Lobby.

Pesos e medidas
Carlos Bolsonaro (PL-SC) comparou o caso de Lulinha, cada vez mais imerso no triângulo com a lobista Roberta Luchsinger e o Careca do INSS, com o do pai, que teve até inquérito por se aproximar de baleia.

Preço artificial
O medo do impacto na campanha eleitoral bateu na equipe de Lula e o governo já estuda prorrogar o subsídio à gasolina. O benefício, que deveria ser provisório, pode ganhar mais 30 dias de sobrevida.

Na gaiola
Ronaldo Caiado, pré-candidato do PSD ao Planalto, lamenta a situação da segurança púbica no país, “O cidadão é obrigado a transformar o próprio carro em uma gaiola para tentar não ter o celular arrancado.”

Sem pudor
Após apontar tentativa de “balão” da PGR no ministro André Mendonça (STF), com pedido de enviar o caso Lulinha à 1ª instância, o candidato a vice-presidente Novo, Eduardo Girão, diz que “eles perderam o pudor”.

Ciência e coragem
Segundo Marcelo van Hattem (Novo-RS), candidato ao Senado, “não basta falar em impeachment [no STF] agora. É preciso conhecer fatos, reconhecer os abusos e ter coragem para agir quando eles acontecem”.

Jogo sujo
Ao anunciar sanções contra autoridades de Cuba, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, acusa a ditadura comunista de “décadas usando grupos de fachada para infiltrar, corromper e radicalizar americanos”.

Não era genocídio?
O deputado Osmar Terra (PL-RS) lembra da “lacração estúpida” de Lula e da ex-ministra da Saúde Nísia Trindade, que chamaram o governo Bolsonaro de “genocida” por mortes dos Yanomami... mesmo povo que registrou recorde de mortes entre 2023 e 2025, em pleno governo do PT.

Pensando bem...
...quando a propaganda é demais, o santo desconfia.

PODER SEM PUDOR

Cláudio Humberto

Eu nomeio, você paga

O falecido Humberto Lucena (PB) adorava nomear parentes, quando presidiu o Senado. Ao ser tachado de “a caneta mais rápida de Brasília”, chamou o repórter que o ironizara ameaçando processo. E lorotou: “Nomear parentes só é pejorativo no Sul. No Nordeste, o povo até gosta”. O jornalista, nordestino de Pernambuco, perdeu a paciência. Puxou Lucena pelo braço e disse ao seu ouvido, firme, quase gritando: “Nós dois sabemos que o sr. está mentindo, mas vou fingir que não ouvi”. Lucena não tocaria mais no assunto. Nem processaria o jornalista.

Direito

O que a Justiça pode determinar quando o trânsito destrói uma família

Confira a coluna desta quinta-feira (13)

13/08/2026 00h03

Leandro Provenzano

Leandro Provenzano Foto: Montagem / Correio do Estado

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Recentemente, um caso que tramitou no Tribunal de Justiça de Minas Gerais manteve, no fim de julho, a condenação de uma concessionária de energia elétrica pela morte de um ciclista atropelado por um funcionário que prestava serviço à empresa.

Os dois filhos da vítima, adolescentes na época, receberão R$ 25 mil cada um por danos morais, além de pensão mensal equivalente a dois terços dos rendimentos do pai até completarem 25 anos. O atropelamento aconteceu em 2009, mas somente agora, 17 anos depois é que o caso foi julgado pelo Tribunal.

O caso é didático porque reúne, em um único julgamento, quase tudo o que uma família precisa saber depois de um acidente de trânsito, e quase tudo o que ela costuma ignorar.

O primeiro ponto é quem paga. Existe a crença de que a responsabilidade começa e termina no motorista. Não é assim.

A lei estabelece que o empregador responde pelos danos causados por seus empregados no exercício do trabalho, e responde independentemente de ter culpa própria. Ou seja: não interessa se a empresa treinou bem o motorista, se exigiu curso de direção defensiva ou se o veículo estava em ordem. Se o funcionário atropelou alguém trabalhando, a empresa responde.

Isso muda tudo na prática. Uma coisa é buscar reparação contra um motorista que não tem patrimônio algum. Outra, bem diferente, é acionar a empresa para a qual ele trabalha, que tem CNPJ, faturamento e, quase sempre, seguro de responsabilidade civil.

O segundo ponto é a prova. A defesa da concessionária sustentou que o ciclista teria entrado repentinamente na via, apoiando-se no boletim de ocorrência. A relatora rejeitou o argumento com uma observação que vale guardar: boletim baseado exclusivamente na versão do condutor envolvido é relato unilateral de quem tem interesse direto no resultado. Boletim de ocorrência não é sentença. 

Muitas famílias desistem de buscar seus direitos porque leram no documento uma versão que as culpa. Essa versão pode, e deve ser contestada com testemunhas, perícia, imagens e prova técnica. Vale lembrar, ainda, que o Código de Trânsito impõe ao motorista o dever de guardar distância lateral mínima de um metro e meio ao ultrapassar ciclistas, exatamente por serem eles os usuários mais frágeis da via.

O terceiro ponto é o que a Justiça pode determinar. Em caso de morte, a lei prevê o pagamento das despesas com tratamento, funeral e luto, além de pensão aos que dependiam economicamente da vítima. Para os filhos, os tribunais costumam fixar essa pensão em dois terços da renda até os 25 anos; para o cônjuge ou companheiro, até a idade provável de vida da vítima.

Soma-se a isso o dano moral, que é direito próprio de cada familiar, não se divide um valor único entre todos. 

Quando a vítima sobrevive, o raciocínio é o mesmo. A lei garante o custeio integral do tratamento, os lucros cessantes (o que a vítima deixou de ganhar) referentes ao período de afastamento e, havendo redução permanente da capacidade de trabalho, pensão correspondente a essa perda.

Cicatrizes, amputações e deformidades geram dano estético, que o Superior Tribunal de Justiça reconhece ser cumulável com o dano moral. São verbas distintas, e pedi-las separadamente pode alterar significativamente o resultado.

Resta o tempo

O caso mineiro levou dezessete anos entre o acidente e a decisão de segundo grau, mas o prazo para ingressar com a ação é curto. Provas se perdem, testemunhas somem, câmeras são sobrescritas.

Se você perdeu alguém no trânsito, ou ficou com sequelas depois de um acidente, e o responsável estava trabalhando quando aquilo aconteceu, existe muito mais em jogo do que um acordo rápido oferecido pelo seguro nas primeiras semanas. Vale conhecer o tamanho real do que a lei assegura antes de assinar qualquer coisa.

Leandro Amaral Provenzano - OAB/MS 13.035. Sócio do escritório Provenzano Advogados.

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