Colunistas

GIBA UM

"Ele tá taxando para sobrar mais para ele. Você que entrou nesse barco furado esperando churrasco"

de FLÁVIO BOLSONARO // senador em suas redes sociais, lamentando em quem acreditou nas palavras de Lula durante a campanha presidencial. 

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A direção do INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) discute o aumento das taxas cobradas para depósito e registro de patentes. O assunto já foi discutido com o vice-presidente  e ministro Geraldo Alckmin.

O INPI tem sofrido com limites orçamentários.

Mais:  no ano passado, custeio e investimentos eram da ordem de R$ 92 milhões e o instituto só recebeu R$ 66,3 milhões. O número de decisões proferidas pelo INPI em relação a pedidos e registros de patentes foi de 33,4 mil em 2023, inferior aos 40,6 mil do ano anterior. 

Uma releitura

A atriz Deborah Secco, 44 anos, não teve tempo para lamentar sua separação de Hugo Moura. Recém-saída da novela Elas por elas não tem parado um minuto fazendo diversas publis (como é chamada as propagandas nas redes sociais) e também emprestado seu rosto para diversas campanhas, como a Label Mafia, Constance calçados, Loreal Paris.

Uma das última que fez para Shein aparece ao lado da filha Maria Flor, de 7 anos, voltada para o Dia das Mães. Deborah garante que sua filha é uma cópia sua: “Acho que a Maria Flor tem todo o meu jeito. Às vezes, me dá até nervoso do quanto que eu me vejo nela. Não sei se ela vai querer seguir essa vida. Ela é ainda muito jovem, mas diz que quer ser cantora e adora todo esse mundo”.

Secco ainda fala que a filha é muito ligada à moda “Ela sabe muito o que ela gosta, não me deixa escolher, opinar muito nas roupas dela. Ela é muito independente desde sempre e a gente incentiva muito isso nela. Ela escolhe tudo desde sempre, tem a vontade dela, o gosto dela e eu acho isso o máximo”.

Deborah finaliza falando de seu papel como mãe: “Um coração meu que bate fora do peito, que passou a ser a razão e a maior importância da minha vida. Virei uma mulher muito mais potente, comecei a ver o que realmente importa e brigar por isso, lutar por isso”.

Jurídicos na Europa

Os ministros do STF Gilmar Mendes e Dias Toffoli e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, estão participando de três eventos jurídicos na Europa e jornais e emissora de TV especializadas em jornalismo querem saber quem paga as despesas fora do Brasil.

Os organizadores dos eventos dizem que não são responsáveis pelas despesas. Entre 24 e 26 de abril, eles estiveram em Londres, participando do 1º Fórum Jurídico, ‘Brasil de Ideias’, ao lado de outras autoridades do Judiciário brasileiro.

Amanhã, os três estarão no Fórum ‘Transformações – Revolução Digital e Democracia’, realizado pelo Fórum Integração Brasil e Europa com o IDP – Instituto Brasileiro de Direito Público, de propriedade de Gilmar Mendes, que acontece em Madri, Espanha. E entre 6 e 8 estarão em outro evento em Madri, organizado pelo Conselho Federal da OAB e pela Escuela de Oractica Juridica da Faculdade de Direito da Universidade Complutense. 

Promessas e lembranças

A maior feira agrícola do país, a Agrishow, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, foi visitada em dias alternados pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Alckmin aproveitou para anunciar uma nova linha de crédito do BNDES para micro, pequenos e médios produtores rurais e cooperativas com faturamento de até R$ 300 milhões.

E ainda prometeu taxas de juros menores para este ano. Já Bolsonaro ficou lembrando das ações de seu governo voltadas à infraestrutura e ao agronegócio, como a pavimentação da BR-163 e a inauguração do trecho da Ferrovia Norte-Sul. E citou mudanças na Ceagesp. Não deu para fazer novas promessas.  

Chegando à maioridade

Apesar de ser bem discreta em sua vida, Suri Noelle Cruise Holmes, ou melhor Suri Cruise, filha de Katie Holmes e Tom Cruise ela sempre chama a atenção. Com seus recém-completados 18 anos, voltou a ficar sobre os holofotes. Vivendo com a mãe desde o divórcio o contato com o pai foi muito pouco.

Entre as curiosidades da vida de Suri: uma dela é que ela gosta do meio artístico, tanto que no ano passado ela atuou em um musical escolar ‘The Addams Family: A New Musical’, interpretando a Mortícia Addams e no cartaz para divulgação, pediu para que seu nome, não tivesse nenhuma ligação com os pais e aparecesse como Suri Noelle.

Katie resumiu a relação com sua filha: “O que tem sido realmente importante para mim com minha filha, porque ela já era muito visada em uma idade jovem, é que eu realmente gosto de protegê-la. Sou muito grata por ser mãe dela. Ela é uma pessoa incrível”.

In –  Exercícios em casa: pular corda
Out – Exercícios em casa: polichinelo

De volta

Aliados próximos dizem ter ouvido de Geraldo Alckmin a pretensão de disputar o governo de São Paulo em 2026. O projeto é de conhecimento do PSB e até de Lula, que não se opõe. O PSB quer usar as eleições municipais deste ano, sobretudo na capital paulista, como vitrine para tentar reinserir Alckmin na cena e no protagonismo político do Estado. Por enquanto tudo fica na discrição que é para evitar desgaste.

Só com emendas

O Rui Costa (Casa Civil) aproveitou sua participação na sessão da Comissão de Infraestrutura do Senado para requisitar verbas das emendas parlamentares para bancar obras do novo PAC. Segundo Costa 6.372 obras de programa vão precisar das emendas para serem executadas ao lodo dos anos.

Das obras que esperam emendas parlamentares e foram apresentadas por conta do Senado, 2.762 são da área da saúde; 3.373 são da educação; e 237 de esporte. Apesar do apelo de Costa a ideia de usar as emendas não tiveram adesão da maioria dos parlamentares. 

Pérola

“Ele tá taxando para sobrar mais para ele. Você que entrou nesse barco furado esperando churrasco e cerveja, meus sentimentos”, 
de FLÁVIO BOLSONARO // senador em suas redes sociais, lamentando em quem acreditou nas palavras de Lula durante a campanha presidencial. 

NÃO BATEM

Sondagem feita junto a empresários de setores já pressionados pela carga tributária revela uma descrença com os números colocados à mesa pelo governo. A maior parte dos consultados aposta que, com as alíquotas de referência do novo sistema tributário – até que se prove o contrário,  estimada pela Fazenda em 26,5% - será impossível fechar a conta do arcabouço fiscal.

É como se Lula estivesse jogando o Brasil em um esforço de guerra, com o discurso de que a arrecadação fiscal obtida se justificaria com a melhoria de qualidade de vida da população.

Campo minado

A relação entre o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, e o secretário-executivo da Pasta, Irajá Lacerda, aliados de longa data, está estremecida. Fávaro já procura um substituto.

Na semana passada, durante participação na 1ª Reunião Ordinária do Observatório do Meio Ambiente e das Mudanças Climáticas do Poder Judiciário, o ministro cobrou punição exemplar do pecuarista Glaudecy Oliveira Lemos, acusado pelo desgaste químico de 81 mil hectares do Pantanal.

O tiro ricocheteou no 2º. Lacerda advogava para Lemos antes de assumir o cargo. 

NOVO ROUND 

Mais de 70 procedimentos do Cade enrolam ainda mais o escritório de Vinicius de Carvalho (CGU) a um possível conflito de interesses envolvendo a Novonor (ex-Odebrecht). São muitos acordos de leniência e processos ligados a uma verdadeira festa de obras. Em todos, a Novonor é representada pela firma de advocacia fundada por Carvalho.

Ele nega conflito de interesses porque só representa a Novonor no Cade, não na CGU. A parceria até vinha sendo discutida. Em outubro passado, o Cade fechou dois acordos a favor  da Novonor – via VMCA, escritório de Carvalho, que se diz licenciado. 

“Degradação”

O estudo técnico que embasa a licitação lançada pelo Iphan para restaurar a Praça dos Três Poderes, em Brasília, aponta que “o estado de conservação piorou” depois do vandalismo de 8 de janeiro.

Apresenta danos como a subtração de pedras de piso (arrancados e arremessados contra vidraças do Planalto e do STF), depredação do painel de sinalização e destruição das portas do Espaço Lucio Costa. Os ataques aceleram os “processos de degradação do piso”. O edital prevê serviços de custo aproximado de R$ 993 mil.

"Carluxo de Lula"

A primeira-dama Janja da Silva tem feito reuniões com influenciadores da esquerda no Palácio do Planalto. Como se comandasse uma “Secom paralela”, chamou para si a missão de coordenar a comunicação do governo nas mídias digitais, Janja já tem ascendência na gestão de pessoas de Lula e da própria Presidência nas redes sociais.

É uma espécie de “Carluxo de Lula” sem espaço para quaisquer crueldades, mas sempre atenta às ações do ‘inimigo’. Até agora, Paulo Pimenta, ministro da Secom, não abriu a boca: está esperando saber como é que ele fica. 

MORAIS E MATERIAIS

Não teve jeito: o ex-governador de São Paulo João Doria teve mesmo que pagar indenização por danos morais e materiais aos artistas Marisa Monte e Arnaldo Antunes. O fato se deu pelo uso indevido da canção “Ainda bem” em uma ação publicitária na campanha de 2017, no tempo em que era prefeito.

O STF condenou Doria em definitivo a pagar R$ 40 mil a cada artista. O valor que teve de ser dividido entre os dois, foi de R$ 84,2 mil, já com juros e correção. E teve de pagar também os honorários advocatícios dos dois artistas.

MISTURA FINA

  • NO movimentado processo de sucessão da Vale, alguns integrantes do conselho querem levantar outra discussão: a remuneração do futuro presidente, que será escolhido no segundo semestre. Entre esses conselheiros, existe a avaliação de que o salário tem que baixar. Para que se tenha um parâmetro, nos últimos três anos, Eduardo Bartolomeo, atual presidente, recebeu um total de R$ 160 milhões entre salários e bônus. Qualquer um que se sentar lá, não quer sair de jeito nenhum.
  • A HUAWEI costura com o Palácio do Planalto uma audiência entre seu novo CEO no Brasil, Gao Kexin, e o presidente Lula. O executivo quer apresentar suas credenciais. Entre outros temas, deverá manifestar a intenção da empresa de incluir uma cidade brasileira entre as localidades mundiais em que fará testes com a telefonia 5G. O Brasil está atrasado e nem conseguiu plantar o 5G em todo o território nacional. É mais um afago dos chineses em suas aproximações com a gestão Lula, a exemplo do projeto de criação de salas 100% digitais na rede pública de escolas na Bahia. 
  • A RECUPERAÇÃO  extrajudicial anunciada pela Casas Bahia, com a repactuação de R$ 4,1 bilhões em dívidas, é a ponta do iceberg de uma reestruturação ainda maior que, no limite, poderia culminar no desmonte de uma das maiores operações de M&A já feitas no varejo brasileiro. O grupo avalia a venda do Ponto (ex-Ponto Frio), o que significaria o fim do enlace societário iniciado em 2008, quando o Pão de Açúcar, ainda sob o comando de Abílio Diniz, comprou as duas redes. As discussões atingem também o reforço do caixa para honrar compromissos financeiros – o calcanhar de Aquiles da Casas Bahia. 
  • A ORTOBOM  virou objeto de desejo de vários fundos. A empresa está tinindo e é reconhecida por sua competência em comprar matéria prima barata, de origem chinesa e sua eficiência na gestão financeira, especialmente planejamento tributário. Com mais de 2,5 mil lojas, tem um faturamento superior a R$ 9 bilhões. Os fundos querem se esticar nos colchões da Ortobom.
  • GALVÃO Bueno deve mais de R$ 1,5 milhão ao Estado de São Paulo pelo não pagamento de ICMS, imposto que incide sobre a circulação de mercadorias e prestação de serviços. O valor está sendo executado na Justiça em nome da empresa Bueno Wines Distribuidora de Bebidas, do qual Galvão é o proprietário. Agora, a Justiça sugeriu penhora financeira, parcial, pouco mais de R$ 16 mil, por saldo insuficiente encontrado no país. O próximo passo poderá ser bens. 

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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