Colunistas

ARTIGOS

Enem abre porta, mas a chave está na equidade

Até 2023, um dos principais desafios apontados pelo Ministério da Educação (MEC) era o desinteresse de jovens da rede pública em se inscrever

Continue lendo...

Mesmo após mais de duas décadas de existência, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ainda expõe uma contradição central da educação brasileira: para além de avaliar o desempenho dos estudantes ao fim da Educação Básica, o exame se tornou um instrumento de democratização do acesso ao Ensino Superior e, como tal, escancara a persistência das desigualdades sociais no País.

Até 2023, um dos principais desafios apontados pelo Ministério da Educação (MEC) era o desinteresse de jovens da rede pública em se inscrever.

Naquele ano, segundo recente declaração do ministro da Educação, dos 4,3 milhões de estudantes que concluíram o 3º ano do Ensino Médio na rede pública, apenas 1,18 milhão de alunos da rede pública participaram do exame, ou seja, 58% dos potenciais concluintes.

Diante disso, o governo federal reformulou o programa Pé-de-Meia em 2024, oferecendo uma bonificação de R$ 200 para os estudantes que comparecessem aos dois dias de prova.

O resultado, possivelmente alcançado com a ajuda dessa bonificação, foi um salto significativo e importante na adesão: 1,66 milhão de inscritos da rede pública, representando 94% dos concluintes (ainda segundo recente declaração do ministro da Educação). 

Mas a pergunta que permanece é: participação significa engajamento real, igualdade de oportunidade? Para muitos estudantes em situação de vulnerabilidade, é possível que a motivação não tenha sido acadêmica, mas financeira.

O pagamento do incentivo serviu como alívio momentâneo para dificuldades concretas, mas não necessariamente como ferramenta de projeto de vida. Participar da prova não é o mesmo que prepará-la com a intenção de disputar uma vaga no Ensino Superior.

Esse descompasso aparece claramente nos dados de desempenho. Em 2024, a média dos estudantes da rede privada no Enem foi de 605 pontos, enquanto os da rede pública foi de 514 – uma diferença de 19,65%, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Entre as 50 melhores escolas no ranking do Enem, apenas três são públicas – todas federais.

Uma das raízes do problema é o fenômeno que o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) chama de “barreira de horizonte”: a dificuldade que jovens periféricos têm de se imaginar ocupando espaços universitários. A ausência de referências familiares ou comunitárias no Ensino Superior reforça a percepção de que “não é para eles”.

A desigualdade também se manifesta na infraestrutura escolar. Segundo relatório da Unesco (maio/2025) e do último Censo Escolar, muitas escolas públicas ainda carecem de bibliotecas, laboratórios e professores especializados – elementos considerados fundamentais para desenvolver as habilidades avaliadas pelo Enem. 

Estamos diante de um paradoxo: as melhores vagas nas universidades públicas – gratuitas – continuam sendo ocupadas, em grande parte, por alunos que puderam pagar pelo Ensino Médio. E a desigualdade se perpetua.

Nesse contexto, qual deve ser o papel da escola pública? Mais do que ensinar conteúdos, ela precisa ajudar a construir projetos de vida. Isso implica despertar no aluno o interesse em planejar o futuro e ser protagonista da sua própria história.

É crucial também oferecer orientação acadêmica consistente, explicar as etapas do Enem, divulgar oportunidades reais, criar grupos de estudo, articular parceriasww com universidades.

Mas, sobretudo, precisamos cultivar nos estudantes a crença de que é possível sonhar com o Ensino Superior.

Segundo o Censo da Educação Superior de 2022, apenas 20% dos jovens de 18 a 24 anos frequentavam uma universidade. Por isso, tornar os estudantes da rede pública mais preparados para disputar vagas no Ensino Superior não é apenas uma meta educacional, é uma exigência democrática.

O Enem pode ser, sim, uma poderosa ferramenta de transformação social. Mas, para que isso se concretize, é necessário ir além da bonificação emergencial, por melhor intencionada que seja.

É preciso investir no simbólico e no estrutural: começando por mostrar que a universidade é um caminho viável – e desejável – para todos.

 

Assine o Correio do Estado

 

Cláudio Humberto

"O inquérito é policial, não judicial"

Ex-juíz federal Marcelo Bretas ao defender a prerrogativa da Polícia Federal

18/01/2026 07h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

Continue Lendo...

Lula torra mais de R$500 mil em anúncios em 6 dias

A Secretaria de Comunicação de Lula, que adora demonizar as chamadas big techs, despejou entre R$537 mil e R$632,6 mil em propaganda apenas na plataforma Meta, que é a controladora de redes sociais no Brasil como Facebook, Instagram, WhatsApp, Messenger e Threads. Conforme levantamento da coluna, considerando dados disponibilizados pela própria Meta Platforms, a dinheirama bancou propagandas que circularam entre domingo (11) e sexta-feira (16).

 

Alvo gaúcho

O anúncio mais caro foi para divulgar, entre os dias 9 e 16, ações do governo Lula no Rio Grande do Sul. Custou entre R$90 mil e R$100 mil.

 

Bolso aberto

A Meta dá o valor estimado dos anúncios. Somando todos que miraram os gaúchos nos últimos seis dias, o custo foi entre R$235 mil e R$280 mil

 

Gastança liberada

Outro alvo foi o eleitorado do Ceará, os gastos da Secom para propagandear o governo Lula custou entre R$118,2 mil e R$135,3 mil.

 

Tem mais

O já conhecido Pix também ganhou holofotes, na quarta (14). A fatura ficou entre R$50 mil e R$60 mil. A indústria, coitada, uma merreca R$100

 

Pior derrota do PT foi com chapa ‘puro sangue’

A pior derrota do PT na história das eleições presidenciais no Brasil foi responsabilidade da única chapa “puro sangue” do partido desde a redemocratização. Em 1994, a dupla Lula/Aloizio Mercadante levou a pior surra do petismo: perdeu no primeiro turno para o tucano Fernando Henrique Cardoso (que conquistou 54,3% dos eleitores) com menos da metade dos votos (27%). Desde então, o PT foge do “puro sangue”.

 

PT-PL

Para piorar, na primeira eleição presidencial exitosa de Lula, em 2002, o PT formou chapa com o PL, atual partido de Jair Bolsonaro.

 

Junto e misturado

Na reeleição de Lula, em 2006, o vice José Alencar era filiado ao então PRB, atual Republicanos, que depois integrou a coligação de Bolsonaro.

 

Inédito

Em 2006, o PSDB sofreu sua pior derrota: o candidato Geraldo Alckmin, atual vice de Lula, teve menos votos no segundo que no primeiro turno.

 

Caso raro

A única chapa “puro sangue” a vencer eleição presidencial no Brasil foi Fernando Collor-Itamar Franco, ambos filiados ao PRN, em 1989. A chapa Aécio Neves-Aloysio Nunes (PSDB) perdeu por 3% para Dilma Rousseff (PT)/Michel Temer (PMDB), em 2014.

 

Disse, sem provas

Lula disse que o Brasil não vai se limitar ao “eterno papel” de exportador, no acordo com a União Europeia, e que “dispositivos incentivam” o investimento no Brasil. Não explicou como muda o papel brasileiro.

 

Política é assim?

O pedido contra o ministro do STF Dias Toffoli é o primeiro pedido de impeachment do ano (eleitoral). Em 2025 foram cerca de 40 pedidos contra ministros da Corte, metade contra Alexandre de Moraes.

 

Comparação

Foram 158 o total de pedidos de impeachment feitos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro durante o seu mandato, média inferior a 40 por ano. Os ministros do STF superaram a média do ex-presidente em 2025.

 

Na nossa conta

Apesar de deputados federais estarem curtindo suas “férias” até o próximo dia 2 de fevereiro, a Câmara dos Deputados já registra mais de R$1,12 milhão em despesas, aponta a Transparência.

 

Veto-lorota

O presidente Lula (PT) anunciou veto a R$400 milhões do orçamento de emendas parlamentares, este ano. O valor parece alto, mas representa apenas 0,6% dos R$61 bilhões destinados a essas emendas, em 2026.

 

Sem coincidência

Proposto por um eleitor em 2017, o fim do auxílio moradia de senadores, deputados e juízes é a “ideia legislativa” de maior sucesso da História, com 253 mil assinaturas no site do Senado. Virou PEC em 2019, como manda a lei, e desde então está... na gaveta.

 

Nós pagamos

O ano mal começou, mas o governo Lula (PT) admite que já torrou R$139 mil com viagens em 2026. A maior parte dos gastos (64%) foram destinados a viagens internacionais: R$84,4 mil.

 

Pensando bem...

...propaganda é a alma do negócio e do governo.

 

PODER SEM PUDOR

Cláudio Humberto

O fígado sofredor

O esporte favorito de Miguelzão, figura popular em Campina Grande (PB), era chamar de “beberrão” um conterrâneo ilustre, nos papos do calçadão da avenida principal, naquele ano de 1990: o poeta e candidato a governador Ronaldo Cunha Lima. Eleito, Cunha Lima resolveu fazer as pazes com Miguelzão. Uma testemunha ponderou:

- Ronaldo não guarda nenhum rancor, reconheça que ele tem bom coração!

- É, o coração dele é bom – assentiu Miguelzão – Mas o fígado não presta...

CLAÚDIO HUMBERTO

"O que ele quer tanto esconder?"

Deputado Carlos Jordy (PL-RJ), sobre o vai e vem nas decisões do ministro Dias Toffoli

17/01/2026 07h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

Continue Lendo...

PT descarta chapa “puro sangue” de Lula em 2026

De olho no espólio de Lula pós-2026, facções do PT começaram a aventar a possibilidade de uma chapa “puro sangue”, só com petista, nas eleições deste ano. O devaneio, debelado dentro do próprio partido, serviria para turbinar um nome para suceder a Lula, que não poderá ser reeleito em 2030, caso seja eleito este ano, e, ainda que perca, terá avançados 85 anos. Apesar de o assunto ser discutido com alguma reserva internamente, a história vazou e causou incômodo no PSB.

Candidatos

Os entusiastas da ideia citam os nomes de menos dois ministros: Camilo Santana (Educação) e Fernando Haddad (Fazenda).

Sem chance

Influente membro da executiva nacional petista confirmou à coluna que o PT não vive o apogeu eleitoral e a chapa puro sangue está descartada.

Vice aprovado

Geraldo Alckmin segue como favorito para repetir a dobradinha, mas o vice precisa bater o martelo se fica ou disputa majoritária em São Paulo.

Cenários

O PT deixa claro ao PSB que a preferência não é do partido, mas de Alckmin. O MDB, por exemplo, está de olho na cadeira de vice.

Servidores do TST torram R$2 milhões em diárias

O vai e vem de servidores, juízes auxiliares, desembargadores e até “colaboradores eventuais” do Tribunal Superior do Trabalho (TST) custou R$ 2.027.225,45 apenas em 2025. Os dados foram levantados pela coluna com informações do Portal da Transparência. A maior parte das viagens foi nacional e inclui Brasília como um dos trechos. Entre as justificativas estão eventos de formação e correições ordinárias. O TST foi procurado para se manifestar. O espaço segue aberto.

Malas prontas

O maior custo unitário foi de R$71,4 mil para uma viagem da ministra Katia Magalhães Arruda para Lisboa (Portugal).

Gastam mesmo

O pico da gastança ocorreu em abril e agosto, que registra viagens com destinos como Lima (Peru) e Belém (PA), R$ 280 mil em cada mês.

Motivos

A viagem internacional a Lima foi justificada com cursos de qualificação. No caso da capital paraense, foi a fracassada COP-30. 

Batismo

"Já pode chamar este escândalo [do Banco Master] de Toffolão ou ainda está cedo?", a provocação é do senador Alessandro Vieira (PL-RJ), que vê interferências do ministro do STF no caso do Banco Master.

Sine qua non

Pegou mal deboche de Alexandre de Moraes n a formatura da turma de Direito da USP. O deputado Sanderson (PL-RS) voltou a defender o impeachment do ministro do Supremo para a “volta da democracia”.

Hermanos

A taxa de pobreza de Buenos Aires, capital da Argentina, sob comando do governo libertário de Javier Milei, registrou recuo de mais de 10% no terceiro trimestre de 2025. A indigência também caiu, de 11% para 5,3%.

Fracasso retumbante

Não bateu 2% da meta pretendida pelo governo para o “Voa Brasil”, que tentou vender para velhinhos passagens aéreas encalhadas em horários cruéis. Foram 52 mil bilhetes até este mês. O pretendido: 3 milhões.

Pente fino

Rendeu representação no TCU apontamento da Transparência Internacional de risco de fraudes no Novo PAC. É o senador Eduardo Girão (Novo-CE) quem pede investigação sobre a eventual falcatrua.

Caso pensado

Eduardo Bolsonaro não gostou da brincadeira de Alexandre de Moraes (STF) com possível ironia após transferência de Jair Bolsonaro. Diz que o ministro tenta intimidar a todos, “se mostra perverso de propósito’, diz.

Dois por um

Não foi só o ministro Gilmar Mendes (STF) que Michelle Bolsonaro se encontrou esta semana. Também falou com Alexandre de Moraes. Aos dois, o pedido foi um só: prisão domiciliar para o marido Jair Bolsonaro.

Desagradou

A atuação de Dias Toffoli no caso do Banco Master rendeu críticas da associação dos peritos criminais federais. A associação diz que vê com preocupação e risco as limitações impostas pelo ministro do STF.

Pensando bem...

... bom era quando juízes (e ministros) só falavam nos autos.

PODER SEM PUDOR

Cláudio Humberto

Cabeça chata

Baixinho, atarracado e quase sem pescoço, o marechal cearense Humberto de Alencar Castello Branco certa vez reagiu assim à pilha de processos levada a ele pelos ministros Octávio Bulhões e Roberto Campos:

- Os senhores sabem por que eu tenho cabeça chata? É de tanto os senhores baterem nela e me pedirem: ‘Assina logo isso aí, presidente’...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).