Colunistas

Cláudio Humberto

"Esse governo é analógico! Que vergonha!"

Deputado Sóstenes (PL-RJ) critica demora para liberar recursos para ajudar o Sul

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Tapetão de Lula no STF revolta parlamentares

Ainda provoca desgaste para Lula (PT) no Congresso o tapetão que o governo aplicou no Supremo Tribunal Federal no caso da desoneração da folha de pagamento dos setores que mais empregam no País. Lula & Cia perderam cinco vezes na Câmara e no Senado, mas ganharam no aliado STF a reversão o projeto que prorrogava a medida. Marcel van Hattem (Novo-RS) define o que vê: “Coalizão espúria construída para contrapor as decisões do Congresso que desagradam [o governo Lula]”.

 

Sem acordo

“O Congresso se manifestou de forma clara sobre essa questão, mais de uma vez, e sua decisão precisa ser respeitada”, disse van Hattem.

 

Independência ferida

“Judicializar decisão do Legislativo, órgão competente para tal função, é ataque nítido à independência dos Poderes”, diz Luciano Zucco (PL-RS).

 

Falta de respeito

“É chantagem institucionalizada”, avalia Kim Kataguiri (União-SP), que acredita que o tapetão é um desrespeito à decisão do parlamento.

 

Chantagem

Passa a mensagem de que, se o governo for derrotado, basta apresentar MP inconstitucional para forçar o congresso a rever”, disse Kataguiri.

 

Demitidos do governo Lula totalizam só 0,0003%

Com mais de 1,1 milhão de empregados, o maior empregador único do Brasil, o governo federal demitiu apenas 403 servidores (0,0003%) desde que Lula (PT) assumiu a Presidência, em janeiro de 2023. A taxa de funcionários punidos com demissão após processos administrativos, como prevê a Lei, caiu pela metade em relação ao mesmo período no governo Bolsonaro, quando 757 funcionários públicos foram demitidos.

 

Máxima privada

A “curva da vitalidade” de Jack Welch, célebre executivo da GE nos anos 80, prevê afastar 10% dos empregados com a pior produtividade.

 

Nem aposentadoria

Foram 90 as aposentadorias cassadas pelo governo Lula nos primeiros 16 meses de governo, contra 119 na administração passada.

 

Bem diferente

O governo Bolsonaro demitiu 45 pessoas do emprego, cargo ou função entre janeiro de 2019 e maio de 2020. No atual governo Lula, zero.

 

Pegando carona

O presidente Lula foi a Alagoas inaugurar uma obra já concluída, projeto do ex-senador Benedito de Lira turbinado com recursos pelo filho Arthur Lira e finalizada por JHC, o bem-avaliado prefeito de Maceió.

 

É bom ficar de olho

Enquanto o governador Eduardo Leite estima em R$19 bilhões o custo da reconstrução do Estado, no governo federal já houve previsão mais elástica: “entre R$50 bilhões e R$100 bilhões”. Humm...

 

Internet garantida

O valor de mercado das 1.000 unidades do Starlink, sistema de conexão à internet via satélite, doadas por Elon Musk ao Rio Grande do Sul, é de R$2 milhões, além de outros R$184 mil/mês em custos de operação.

 

Real parlamentarista

Em entrevista ao podcast Diário do Poder, o deputado Luiz Phillipe de Orleans e Bragança (PL-SP) disse acreditar que “o parlamentarismo é o que salvaria o Brasil”. Para ele, o presidencialismo produz ditadores.

 

Anielle na mira

Rendeu representação na Comissão de Ética Pública da Presidência contra Anielle Franco (Igualdade Racial) exploração das chuvas no Rio Grande do Sul para pedir votos. São poucas as chances de dar em algo.

 

Brasília presente

A campanha Brasília pelo Sul, organizada pela primeira-dama do DF, Mayara Rocha, arrecadou mais de 100 toneladas de alimentos para as vítimas das enchentes. Dez caminhões e três vans já partiram da capital.

 

Não têm limites

O governo vai torrar R$2 milhões retirados do bolso do pagador de impostos em “serviços de comissaria”, ou seja, na mais pura mordomia a bordo dos aviões da FAB utilizados por Lula e o vice Geraldo Alckmin.

 

Quem avisa...

Para Capitão Alden (PL-BA), o governo “compromete a harmonia entre Poderes e só gera mais desgaste para o próprio Lula, que até outro dia estava com mais de 130 assinaturas em um pedido de impeachment”.

 

Pensando bem...

...então está combinado: é “fake news” notícias sobre o governo que o governo não gosta.

 

PODER SEM PUDOR

Mulher de César

Ildo Meneghetti disputava contra os trabalhistas o governo do Rio Grande do Sul pela Frente Democrática. O mote de sua campanha era a honestidade. “Ele tem as virtudes da mulher de César”, diziam seus adeptos. O vereador trabalhista Temperani Pereira provocou: “Cuidado com esse negócio de mulher de César; Messalina foi uma delas e teve 156 amantes...”

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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