Colunistas

CLÁUDIO HUMBERTO

"Este senhor só fala asneiras"

Deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO) após Lula relativizar violência contra mulher

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Deputados preparam CPI dos ‘amigos de Lula’

As suspeitíssimas benesses conferidas aos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da J&F, JBS etc., entraram na mira de deputados federais, que correm para coletar assinaturas, instalar a CPI e investigar a edição da Medida Provisória 1232/24 e a relação dos irmãos com o alto escalão do governo Lula (PT). “Fazer ‘esquema’ está no DNA dos governos do PT. Foi assim no passado e os maus exemplos, como esse, estão se repetindo no presente”, conclui Ricardo Salles (PL-SP), autor do pedido.

Sem risco de calote

A MP reforçou caixa da Amazonas Energia permitindo pagamento para termoelétricas recém-compradas pela Âmbar Energia, dos dois irmãos.

Amigos do rei

“Não é possível admitir que uma MP seja editada para o exclusivo benefício de amigos do presidente Lula”, destaca o pedido de CPI.

Escondido

As 17 reuniões com membros do Ministério de Minas e Energia, incluindo o ministro, e omitidas da agenda, também entraram na mira da CPI.

Tic tac

O autor lembra a prisão dos Batistas, suspeitos de gatunagem na Lava Jato, “É questão de tempo para voltarem todos para a cadeia”, diz Salles.

Gastos de Lula com cartões superam R$8,7 milhões

A Presidência da República de Lula (PT) conseguiu torrar R$8,7 milhões até meados de julho, com apenas 36 cartões corporativos. Cada vez que um cartão do Palácio do Planalto foi usado este ano, o pagador de impostos perdeu mais de R$1,8 mil. Os dados são do Portal da Transparência, que aponta: a conta total desses cartões, que custeiam qualquer despesa das autoridades do governo federal, da tapioca ao hotel, é de R$33,7 milhões até o momento em 2024. 

Nunca antes

Em 2023, o governo Lula bateu o recorde de gastos com Cartões de Pagamento do Governo Federal, o cartão corporativo: R$90,6 milhões.

Outro tipo

Para custos com emergências reais, autoridades têm o cartão de pagamento da defesa civil, cuja conta está em R$272 milhões este ano.

Outro ritmo

Entre 2017 e 2021, gastos com cartões corporativos ficaram entre R$50 e R$57 milhões. Em 2022 foram a R$90 milhões e 2023 bateu o recorde.

Nem assim

A decisão do STF de ampliar o prazo para um acordo entre Executivo e Legislativo sobre a desoneração da folha partiu de pedido de advocacias da União e do Senado. Outra solução seria Lula desistir da ação. 

É ameaça?

Alexandre Silveira (Minas e Energia) avisou ao TCU que adiou o início do acordo do governo Lula com a Âmbar Energia, dos irmãos Batista, para que o tribunal avalie o caso. E pediu: se o TCU decidir pela suspensão, anule também todos os contratos semelhantes de outras energéticas.

Caçada

Presidente da CCJ da Câmara, Carolina de Toni (PL-SC) aponta perigo no precedente de a Justiça gaúcha cassar Maurício Marcon (Pode-RS): “Perseguição contra parlamentares de destaque da direita é evidente”.

Cenário adverso

Tá feia a coisa para o prefeito de Belém (PA), Edmilson Rodrigues (Psol). O Paraná Pesquisas (PA-05357/2024) aponta gestão desaprovada por 74,9%. A rejeição ao psolista também é alta: 56,3%.

Só promessa

O governador Eduardo Leite (PSDB) anunciou que vai colocar recursos próprios do Rio Grande do Sul para socorrer o setor privado. O motivo: a ajuda prometida pelo governo Lula não chegou. “Cansamos de esperar”.

No aquecimento

A fritura de Alexandre Ramagem pode jogar no colo do ex-ministro Eduardo Pazuello a indicação do PL para disputar a prefeitura do Rio de Janeiro. Ramagem tem se enrolado no caso da suposta “Abin paralela”.

Biden da Silva

A admissão de Lula de que leu o discurso sobre pessoas com deficiência após aquiescer a pedido de Janja para “tomar cuidado” com as palavras porque “essa gente tem a sensibilidade aguçada” teve efeito imediato. De comparações com Biden à dúvida: “essa gente?”.

Pirata prejudica

Pesquisa realizada pela CNI aponta que 69% dos brasileiros acreditam que a pirataria e o contrabando afetam negativamente a criação de emprego e 72% reconhecem que prejudicam a economia brasileira.

Pensando bem...

...taxar partidos políticos, nem com multa.

PODER SEM PUDOR

Gasolina capitalista

O deputado Henrique Lima Santos era líder estudantil na Faculdade de Direito de Salvador quando sua carteira de motorista foi indeferida, sob a alegação de que “o proprietário do automóvel é fichado como comunista”, segundo documento do Detran. O secretário de Segurança, deputado Lafaiete Coutinho (UDN), despachou o papel ao governador Antonio Balbino (PSD) “para decidir se o automóvel é do centro, da direita ou da esquerda”. Balbino respondeu, por escrito: “Conceda-se. O automóvel pode ser comunista, mas a gasolina, com certeza, é americana”.

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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