Colunistas

CLÁUDIO HUMBERTO

"Eu não passo faixa para ladrão"

Jair Bolsonaro (PL), em ato no Rio de Janeiro, ao lembrar ausência na posse de Lula

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Estados ‘de esquerda’ têm cidades mais violentas

O ranking do Anuário Brasileiro de Segurança Pública revela que as três cidades brasileiras mais violentas estão em estados com governadores que apoiaram o presidente Lula (PT) nas Eleições de 2022. No topo, Santana, no Amapá do governador Clécio Luís (SD); a taxa de mortes violentas intencionais (MVI) atingiu 92,9% em 2023. A cidade é seguida por Camaçari, com taxa de MVI em 90,6%; e Jequié, com MVI em 84,4%; todas duas na Bahia, do governador petista Jerônimo Rodrigues.

Estranho no ninho

O Mato Grosso é o único estado com governador oposicionista (Mauro Mendes-União) no top 10. Sorriso, em 4º, tem taxa de MVI em 77,7%.

Tá em todas

Quando apurada a letalidade policial, estados esquerdistas nadam de braçada. Jequié, outra vez na Bahia de Jerônimo Rodrigues, leva o topo.

Rio destoa

Angra dos Reis, no Rio de Janeiro de Cláudio Castro (PL), é a segunda com maior letalidade policial. É o único estado oposicionista no ranking.

Apoiadores de Lula

O ranking da letalidade policial têm ainda outras duas cidades do Amapá, quatro da Bahia e duas de Sergipe, governado por Fábio Mitidieri (PSD).

Governo já torrou R$96 milhões em viagens em julho

O governo Lula (PT) conseguiu torrar mais de R$96,5 milhões com viagens nas primeiras duas semanas de julho. O total de gastos com passagens e (especialmente) diárias de servidores, terceirizados e até “convidados eventuais” pulou de R$697 milhões no dia 2, aponta a Transparência, para R$793,5 milhões no dia 17 de julho. Até o momento foram 293,1 mil voos realizados a serviço do governo Lula em 2024.

Exterior

Cerca de 16% dos gastos, diz o Portal da Transparência, foram com viagens internacionais: R$126 milhões.

Na nossa conta

Despesas com passagens, quase todas aéreas, custou ao pagador de impostos R$307 milhões até agora este ano. Diárias, R$482 milhões.

Vale sempre lembrar

O governo Lula bateu o recorde histórico com gastos de viagens em 2023: R$2,3 bilhões, dos quais R$1,4 bilhão custeou apenas diárias.

Taxad

Imposto criado pelo governo Lula sobre serviços de streaming como Netflix, o Condecine cobrará 3% da receita bruta de grandes empresas. Só no caso do Netflix, com faturamento estimado em US$4 bilhões por ano no Brasil, o governo quer tomar R$600 milhões.

Inflação mais alta

Até o Ministério da Fazenda jogou a toalha e elevou a previsão de inflação neste ano. A Secretaria de Política Econômica mudou a projeção do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 3,7% para 3,9%.

Constrangimento

Lula tomou enquadro da Anistia Internacional após piada relativizando violência doméstica, “Além de não ter graça, o comentário de Lula normaliza uma tragédia brasileira que deveria preocupar todo mundo”.

Sobrevivência

“Não é uma questão de honra, é uma questão de sobrevivência política censurar os internautas”, anailsa o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) sobre a sanha de Lula por regular as big techs.

Pode não

Segundo Domingos Sávio (PL-MG), Lula “não trabalha para o controle de gastos públicos e equilíbrio fiscal”. Para o deputado, o governo cria “narrativa mentirosa” e tenta culpar o Banco Central para fugir da culpa.

Upgrade

George Soares, eleito deputado estadual pelo PV do Rio Grande do Norte, trocou a Assembleia Legislativa pelo Tribunal de Contas potiguar. Tomou posse como conselheiro nesta quarta-feira (17).

A desculpa de sempre

Outra vez, o presidente Lula responsabilizou a imprensa pela verborragia que acabou relativizando violência contra mulher caso o agressor seja corintiano. Sugeriu que a imprensa é que tira a frase do contexto.

Foi sucesso

Lotou evento com Jair Bolsonaro na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, nesta quinta (18). Uma multidão se aglomerou perto do trio para ver o ex-presidente. O governador Cláudio Castro (PL) também marcou presença.

Pensando bem...

...em breve, no Brasil, a Lei da Regulamentação dos Memes.

PODER SEM PUDOR

Necrológico de sonho

Ex-deputado federal e atual ministro do Superior Tribunal Militar, Flávio Bierrenbach era apenas um garoto de quinze anos de idade quando seu professor de Português determinou a lição do dia: cada aluno deveria imaginar como gostaria que escrevessem seu necrológico. O garoto Flávio foi o único a merecer nota dez, com a seguinte frase: “Morreu ontem aos 99 anos, vítima de marido ciumento, o ex-presidente da República Flávio Bierrenbach”.

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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