Colunistas

CLÁUDIO HUMBERTO

"Governo Lula tem ânsia de meter a mão do bolso do contribuinte"

Deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB) sobre o real interesse do governo federal

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Governo prepara reforma para acomodar centrão

Sofrendo a cada votação no Congresso, sobretudo na Câmara, o governo Lula rabisca a reforma ministerial para acomodar partidos como União Brasil, Progressistas e Republicanos. A adesão deve ser tímida, como no caso do PP e do Republicanos. O passe do União foi selado com a saída de Daniela Carneiro do Ministério do Turismo. O deputado federal Celso Sabino (União-PA) já era chamado de ministro entre os colegas e despachava como tal, antes mesmo de sentar na cadeira.

No muro

O PP, com 49 deputados, foi sondado e deve ser lembrado. Reunião da sigla sobre a reforma tributária foi tocada pelo cacique Ciro Nogueira (PI).

Peso de ouro

O apoio do PP deve sair caro. A sigla quer uma pasta com musculatura. Wellington Dias, do Desenvolvimento Social, balança na pasta.

Lá e cá

Daniela, cotada para liderança de Lula na Câmara, deve ser a ponte para atrair o Republicanos. O partido insiste que vai seguir “independente”.

Apetite

Com fome de cargos e recursos, a Câmara quer avançar sobre domínios petistas no governo federal. Correios e Embratur estão na lista.

PT nomeou 58 ministros de tribunais superiores

Dos atuais 92 ministros na ativa atuando em tribunais superiores, Dilma e Lula conseguiram emplacar 58 nomes. Levantamento feito pela coluna considerou o TSE, STF, STJ, STM, TST e TCU, que foi considerado apesar de não pertencer ao Judiciário. A ex-presidente Dilma, com seis anos de governo, é a recordista em nomeações, emplacou 31 ministros. A petista superou até mesmo o “criador”, Lula, que fez 27 nomeações.

Fila de espera

O número de indicados ainda vai aumentar. No STJ, 24 dos atuais 30 ministros são da gestão petista. O tribunal está com três cadeiras vagas.

O que sobrou

O ex-presidente Jair Bolsonaro assinou 18 nomeações. Fernando Henrique Cardoso, outras 10. As seis restantes são de Michel Temer.

Hegemonia petista

No STF, tutor-geral da Nação, Dilma tem quatro nomeados, seguida por Lula, com três; Bolsonaro tem dois. Temer e FHC, um ministro cada.

Fim da guerra

O governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), gostou da reforma tributária da Câmara. Considera que a melhor notícia é o fim da guerra fiscal que esmaga gestões responsáveis, que não abusam dos incentivos fiscais.

Fraturas expostas

Chamou atenção o acesso das pessoas com celulares, na reunião do PL em que o governador de São Paulo foi hostilizado. Havia mais gente gravando as lacrações que oradores inscritos. No PT, celular fica do lado de fora. No PL, barram os que não levam celular já com câmera ligada.

Le Pen se fortalece

O canal BFM TV, de Paris, divulgou pesquisa em que 65% dos franceses se dizem satisfeitos com a polícia e 59% apoiam o endurecimento das leis de imigração. O país segue traumatizado com os violentos protestos contra a morte do rapaz que avançou numa blitz da polícia e foi alvejado.

Veículo estranho

Dois detalhes chamaram atenção dos carrões que saíram do prédio onde é sediado o PL, na última semana. Primeiro, a pressa excessiva; o outro um Jeep Commander com placa do Ministério das Comunicações.

Caiado vem aí

O União Brasil se animou com pesquisa que mostra boa avaliação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Caiado, com boa relação no agronegócio, pode ser o nome do partido para as eleições de 2026.

Capital

A reforma rendeu mais dividendos ao presidente da Câmara do que a Lula, segundo o instituto Quaest, que, aliás, errou muito na campanha: foram 63% a 58% menções positivas a Arthur Lira nas redes sociais.

Pé no freio

Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) sugerem desaceleração até do agronegócio. As vendas de maquinários agrícolas caíram 3,6% de abril para maio.

Derretendo o nada

A já sofrida vida dos acionistas minoritários da Americanas ficou ainda pior na semana passada. A ação, que já custava a ninharia de R$1,18, fechou a semana valendo alguns centavos a menos.

Pergunta no Congresso

É motivo de vergonha ou de alívio a saída de Daniela Carneiro do esvaziado Ministério do Turismo?

 

PODER SEM PUDOR

Porto de louco, sô

Em um ano, o porto de Paranaguá deixou de exportar 2,9 milhões de toneladas de milho e soja, com perdas de US$1,5 bilhão para o agronegócio paranaense. Depois foi fechado pela Capitania dos Portos, por falta de segurança. Com o Senado prestes a votar decreto legislativo de intervenção federal no porto, comandado pelo psiquiatra Eduardo Requião, irmão do então governador, que regiu lançando a campanha “O porto é nosso!” O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) reagiu com ironia: “Mas o irmão é dele!”

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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