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Jantar de decisões: reunião entre STF e o presidente e os impactos negativos na vida dos aposentados

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A notícia sobre a reunião entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o presidente Lula, especialmente no contexto da revisão da vida toda para aposentados, assume proporções ainda mais significativas à luz das informações veiculadas pelo portal Metrópoles. O presidente Lula chegou à residência do presidente do STF, ministro Barroso, pouco antes das 20h30min de terça-feira, acompanhado da primeira-dama Rosângela Silva, a Janja.

Antes da agenda reservada, o presidente do STF afirmou que o jantar ocorreria a pedido de Lula e seria uma “conversa institucional”, e o portal Metrópoles noticiou que a pauta era a ação revisional dos aposentados. Vale ressaltar que o plenário do STF já havia, em um marco histórico, reconhecido o direito a essa revisão previdenciária, um avanço que representa uma conquista crucial para aposentados que aguardavam ansiosamente há mais de uma década por essa reparação.

A demora na obtenção desse direito é um aspecto crucial a ser considerado. Muitos aposentados, ao longo desses anos de espera, têm falecido sem presenciar a Justiça declarada pelo STF. Esse cenário dramático destaca não apenas a urgência na efetivação desses direitos, mas também a necessidade de se evitar qualquer medida que comprometa ou reverta as conquistas já alcançadas, representando uma potencial injustiça para aqueles que anseiam por uma aposentadoria digna.

Além disso, a possível tentativa de anular o julgamento do STF levanta sérias preocupações quanto ao cumprimento do regimento interno da Corte, pois traz a inverídica omissão no voto do ministro aposentado Lewandowski. Tal movimento não apenas desafia princípios legais, mas também compromete a credibilidade do próprio STF. A sociedade confia na mais alta instância judicial para proteger e promover a Justiça, e qualquer sinal de interferência política nas decisões judiciais mina essa confiança.

E mais, uma interferência baseada em custos operacionais e financeiros que são inverídicos, conforme demonstrado no processo.

A reverberação política desse cenário é evidente. Anular uma decisão consolidada, que atende a anseios legítimos da população, pode ter implicações significativas na popularidade do governo. A opinião pública está atenta a questões relacionadas aos direitos previdenciários, e uma decisão que vá de encontro à Justiça declarada pelo STF certamente geraria descontentamento e desconfiança.

Portanto, é imperativo que as autoridades envolvidas ponderem não apenas sobre os aspectos legais, mas também sobre a dimensão humana desse processo. A busca pela justiça social deve prevalecer, respeitando-se os direitos conquistados pelos aposentados e preservando a integridade e a credibilidade do sistema judicial.

A situação torna-se ainda mais contundente quando se observa o contraste entre a demora na efetivação dos direitos dos aposentados e a destinação de bilhões de reais para programas como a Lei Rouanet e emendas parlamentares. Enquanto vultosos recursos são alocados em diversas áreas, os aposentados, que contribuíram ao longo de suas vidas para o sistema previdenciário, encontram-se em uma espera prolongada, muitas vezes sem alcançar a justiça trazida pelo STF. E agora encontram o atual governo buscando impedir que obtenham justiça. Essa disparidade financeira levanta questões fundamentais sobre a priorização de recursos e a distribuição equitativa dos mesmos. É essencial que a sociedade e as autoridades reflitam sobre a necessidade de um equilíbrio mais justo na alocação de verbas, assegurando que a Justiça previdenciária seja tratada com a mesma importância dada a outras áreas de investimento público.

Em meio a essa reflexão, torna-se premente reforçar o compromisso com a justiça social e a equidade, garantindo que os aposentados não sejam relegados ao esquecimento enquanto clamam por direitos já reconhecidos. A busca pela coesão social requer não apenas ações pontuais, mas uma revisão mais ampla das prioridades orçamentárias, visando à promoção do bem-estar de todos os cidadãos, inclusive daqueles que dedicaram grande parte de suas vidas ao trabalho e à construção do País.

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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