Colunistas

CLÁUDIO HUMBERTO

"Lula é um desastre"

Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre recorde do déficit nominal no governo Lula

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Parlamentares resistem à MP de Pimenta no RS

A Medida Provisória (MP) que colocou Paulo Pimenta como ministro para auxiliar na reconstrução do Rio Grande do Sul é vista com desconfiança por parlamentares que enxergam intenções eleitoreiras de Lula ao colocar o gaúcho pré-candidato como uma espécie de governador biônico. Há movimentos para encurtar a estadia do ministro no comando da pasta extraordinária, prevista para perdurar até fevereiro de 2025. “Foi um gesto político baixo, politiqueiro”, avalia o senador Girão (Novo-CE).

Pré-campanha

Deputado pelo Rio Grande do Sul, o petista Paulo Pimenta não esconde a vontade de disputar o governo estadual em 2026.

Sem utilidade

Cresce a pressão para deixar a MP perder a validade, em setembro. O nível da água já deverá ter abaixado e o ministério poderá ser fechado.

Vai cair

“O PT quer fazer tudo: culpar, lacrar, lançar candidato, menos salvas os gaúchos”, diz senador Ciro Nogueira (PP-PI) ao esperar a queda da MP.

Sem clima

Para o senador Marcos Rogério (PL-RO), não há clima para aprovar a medida, “A situação das MPs está muito ruim”, avalia o senador.

‘Justiça jabuticaba’ custou R$30 bilhões em 2023

Ramos ‘jabuticaba’ do Judiciário, que ganharam esse apelido por ser daquelas coisas que a gente só vê no Brasil, como a fruta nativa da Mata Atlântica, a Justiça do Trabalho e a Justiça Eleitoral custaram ao pagador de impostos R$30,3 bilhões em 2023, indica o relatório Justiça em Números, divulgado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A fortuna é quase 25% dos R$132,8 bilhões que o todo o Judiciário custou no ano.

Valor unitário

Segundo dados do CNJ, o valor total da despesa por brasileiro é de R$113,40 na Justiça do Trabalho e de R$35,88 na Justiça Eleitoral.

Fábrica de marajás

Da bilionária despesa, a Justiça do Trabalho torra 95% com folha de pagamento, maior proporção de todo o Judiciário. A Eleitoral, 88%.

Trocado

Na lista de despesa por segmento, a Justiça Militar Estadual é a de menor custo, R$235,3 milhões. Corresponde a 0,2% do total.

Nem leu

Carta que Lula enviou aos organizadores da Marcha para Jesus nem mesmo foi lida no palco do evento. Na edição do ano passado, a simples menção ao nome do petista impulsionou saraivada de vaias.

Péssimo cabo

Até o Datafolha captou crescente rejeição a nomes apoiados por Lula (PT) na disputa pela Prefeitura de São Paulo. O número, que era de 37% em agosto/2023, pulou para 45% no levantamento de maio/2024.

Roubem Hood

Lula se vende como o “cara da teologia da libertação, que fez voto de pobreza”, diz José Medeiros (PL-MT). “Mas, na prática pega dinheiro do BNDES... É o cara que tira dinheiro dos pobres para dar aos ricos”.

Lula rejeitado

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Rep) leva melhor em relação a Lula (PT) entre eleitores de Praia Grande (SP) revela o Paraná Pesquisas. Tarcísio tem 73,7% de aprovação, Lula fica com 41,3%.

Muitos na Justiça

A riquíssima Estapar, empresa de rede de estacionamentos, lamentou a perda de carros estacionados no aeroporto Salgado Filho (Porto Alegre) que foram inundados, mas avisou que não vai pagar pelo prejuízo.

Passou a corrente

O deputado André Fernandes (PL-CE) fechou o gabinete que mantinha em Fortaleza após sucessivos ataques de criminosos. O parlamentar lamentou, mas diz que o fechamento é pela segurança da equipe.

Reforço no DF

A Educação do Distrito Federal vai ganhar reforço de mais de 4 mil novos servidores. Só professores são mais de 3,2 mil. O anúncio foi feito pelo governador Ibaneis Rocha (MDB), que autorizou as contratações.

Até tu?    

A lavada homérica no Congresso que reestabeleceu o fim da farra da saidinha de presos contou com um voto petista contra o presidente Lula: o senador Fabiano Contarato (ES).

Pensando bem...

...expor pré-candidato antes da disputa quase sempre é má ideia.

PODER SEM PUDOR

A namorada de Pimenta

Cansado, o então ministro Pedro Parente tirou uns dias de folga. Ficou longe de tudo e de todos, principalmente dos jornais e da TV, mas atendeu ao telefonema da mulher, jornalista, naquela noite de 20 de agosto de 2000: “Pedro, o Pimenta matou a namorada!”. O ministro-chefe da Casa Civil de FHC quase teve um enfarte: “Meus Deus, que desgraça!... E eu nem sabia que ele tinha namorada!”. Por um instante ele achou que ela se referia ao ministro Pimenta da Veiga (Comunicações) e não Pimenta Neves, diretor do jornal Estado de S.Paulo que havia assassinado Sandra Gomide.

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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