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"Maduro é acusado de torturas, desaparecimentos, agressões e crimes contra a humanidade"

de HAMILTON MOURÃO // senador e ex-vice presidente, sobre Nicolás Maduro no Brasil.

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“Maduro é acusado de torturas, desaparecimentos, agressões e crimes contra a humanidade. Lula, ao receber Maduro, mostra que não tem compromisso com a democracia e nossos valores!”,

de HAMILTON MOURÃO // senador e ex-vice presidente, sobre Nicolás Maduro no Brasil.

O PT foi o partido que mais recebeu emendas, de acordo com o Painel do Orçamento Federal: engordou em R$ 346,1 milhões. O segundo colocado é o PSD de Gilberto Kassab com R$ 234,8 milhões. O PP de Ciro Nogueira e Arthur Lira ficou com R$ 199,2 milhões.

Mais: os cinco parlamentares que mais receberam foram senadores. No Senado, a maior liberação de verbas foi para senadores do PSD com R$ 241,1 milhões, seguido pelo MDB com R$ 148,9 milhões. O pessoal do PT ficou em terceiro com R$ 76,5 milhões.

In - Sopa de batata com frango

Out - Sopa de tomate com queijo quente

Sem chance

No final da semana passada, em meio aos desentendimentos públicos das ministras Marina Silva (Meio Ambiente) e Sonia Guajajara (Povos Indígenas), Lula se reuniu com as duas e depois, escalou Rui Costa (Casa Civil) para dizer que o Planalto iria atuar para reverter as mudanças. Sem Lula e com prazo curto, as duas não acreditaram. À propósito de Rui Costa: a mudança aprovada no ministério pelos parlamentares tirará o Sistema Brasileiro de Inteligência da Casa Civil e será comandada pelo general Marcos Amaro, do GSI. A Abin segue sob responsabilidade de Costa.

TERRAS INDÍGENAS

Ainda Rui Costa (Casa Civil): ele classificou como “inócua” a discussão sobre o Cadastro Ambiental Rural, cujo comando passou do Meio Ambiente para o Ministério da Gestão. Ele pondera que o acesso às informações acrescentadas pelos ruralistas seguirá aberta aos órgãos do governo. Apenas a homologação das terras indígenas foi deslocada para a Justiça e que as fases anteriores seguem com o ministério de Guajajara.

Motivo especial

O presidente Lula recusou convite do presidente Vladimir Putin para participar do Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo. O russo estava certo de que o brasileiro aceitaria depois de sua participação discutida em Hiroshima, onde fingiu ignorar o ucraniano Volodymyr Zelensky e não participar da decisão de todos os participantes do encontro contra a Rússia. Lula teria sido mais esperto (força de expressão): sabe que Putin não discutiria a paz, mas trataria de envolvê-lo para seu lado da guerra – e é o que ele menos quer, na tentativa de recuperar sua imagem.

CONDENADAS

Em situação financeira mais que complicada, as empreiteiras OAS e Andrade Gutierrez romperam, na semana passada, acordos fechados com o Cade há sete anos e voltam a ser processadas por formação de cartel em obras investigadas pela Lava Jato. Como confessaram os crimes na assinatura dos pactos, agora deverão ser condenadas, além de sofrerem mais sanções de quase R$ 17 milhões pelo descumprimento dos termos. Há pouco tempo, as duas procuraram o Cade: a OAS pediu mais prazo e a Andrade reclamou dos valores. Em seguida, avisaram que não pagariam mais e o Cade julgou os acordos rompidos.

Outra chinesa

Mais uma grande plataforma asiática de e-commerce prepara seu desembarque no Brasil. No rastro da Shein, Shopee e Aliexpress, a chinesa Banggood fez chegar às autoridades brasileiras o interesse de montar uma operação no país. A companhia já iniciou uma aproximação diplomática com o Ministério da Fazenda, acenando com investimentos. A Banggood quer montar, na largada, dois grandes centros de distribuição por aqui. Ela já vende para clientes brasileiros desde 2014, valendo-se do mesmo expediente das grandes plataformas do setor: milhões de pacote enviados da China não monitorados pela Receita.

Transparência está em alta

Aproveitando a 76ª edição do Festival de Cannes, como nos últimos anos a Fundação Americana para a Pesquisa da AIDS, realizou seu 29º amfAR de gala, o evento black-tie foi celebrado com uma brilhante lista de convidados, no Hôtel du Cap-Eden-Ro. A apresentação ficou por conta Queen Latifah que teve apresentações de Bebe Rexha, Halsey, Gladys Knight e Adam Lambert cantou “Who Wants to Live Forever” em homenagem a Tina Turner. E assim como no tapete vermelho do Festival, a tendência nos looks femininos, foram os decotes profundos, longas fendas e transparência, muita transparência, que veio para ficar e ditar a moda nas próximas estações. Entre tantas celebridades presentes exibiam suas curvas nas transparências, da esquerda para à direita, as modelos brasileiras Alessandra Ambrósio, Izabel Goulart e Isabeli Fontana, Carine Roitfeld a editora-chefe da revista Vogue Paris, no alto de seus 68 anos; a atriz Eva Longoria e talvez a mais ousada transparência a modelo sueca Elsa Hosk.

Lula não tem mais paciência

Depois de tantas derrotas, Lula estaria disposto a abrir as portas de seu gabinete para conversar com empresários, representantes de movimentos sociais e especialmente políticos. Nesses cinco meses, ele se reuniu apenas nove vezes com parlamentares aliados (no mesmo período, já se encontrou com 30 chefes de governos estrangeiros). Detalhe: aos 77 anos, Lula não tem paciência para conversas prolongadas. Não tem também o fôlego dos mandatos anteriores. Há quem diga que o churrasco da semana passada (com pouco mais de 20 convidados) foi um sinal de que Lula quer mudar seu comportamento dos velhos tempos, quando lotava a Granja do Torto para comer e jogar conversa fora. Almoça mais com a Janja do que com líderes partidários.

Grandes comitivas de convidados em viagens internacionais não produzem resultados. Mas, quem imagina que Lula permanecerá mais tempo dentro do Planalto, pode esperar sentado. Ele quer viajar pelos Estados brasileiros, encontrar políticos nas principais cidades, prometer obras (não há como ir além das promessas hoje) e gravar uma live nesses municípios, ao lado de um ministro que levará junto. Aliados acham que, se ele não recuperar um pouco da paciência, nada dará certo. Encontros onde só ele fala – e não ouve – não encantam e nem aumentam a popularidade. Os mesmos aliados também acham que ele tem de ser menos agressivos nos discursos e nem dizer que “depois de oito anos no poder e do nível de popularidade, ele sabe tudo”.

Pessoas diferentes

No último dia no Teatro dos 4, no Rio de Janeiro, Lilia Cabral e sua filha Giulia Bertolli com a peça A Lista contou com a presença de alguns amigos e amigas na plateia. Entre tantas Mariana Ximenes e Marina Ruy Barbosa. Giulia também filha do economista Iwan Figueiredo, garante que adora trabalhar com a mãe, mas que no começo de carreira detestou as comparações. “As comparações são inevitáveis em qualquer família onde os filhos seguem a profissão dos pais. O que fiz foi seguir o meu caminho. Apesar de sermos mãe e filha, temos personalidades diferentes, somos duas pessoas diferentes. À medida que as pessoas vão conhecendo o meu trabalho, as comparações vão se atenuando. Cada um tem um caminho”.

Nada de terceira

Modelo e atriz, Silvia Pfeifer, 65 anos, acaba de voltar à passarela da São Paulo Fashion Week, o conhecido evento de moda no Brasil. No domingo (28), foi atração-extra vestindo peças do estilista Lino Villaventura. Ela está na tela na TV Globo na reexibição de O rei do gado, em que interpreta Léia Mezenga. “Uma mulher de 65 anos é uma consumidora de moda. Normalmente, a pessoa de mais idade é retirada dessa realidade. Não existe isso de “terceira idade”. Nós participamos dessa roda que gira todos os dias, em todos os lugares”.


Candidato

Depois que Jair Bolsonaro vetou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à prefeitura do Rio, ganhou força o nome do ex-ministro e general da reserva (e candidato à vice-presidente na chapa de Bolsonaro) Walter Braga Netto, que também foi interventor da Segurança Pública do Rio no governo de Michel Temer. O presidente do partido, Valdemar Costa Neto, também gosta da alternativa, embora as primeiras pesquisas internas não sejam muito favoráveis a Braga Netto. Nelas, a reeleição de Eduardo Paes (PSD) está muito à frente de todas as candidaturas.

Sem chance

No final da semana passada, em meio aos desentendimentos públicos das ministras Marina Silva (Meio Ambiente) e Sonia Guajajara (Povos Indígenas), Lula se reuniu com as duas e depois, escalou Rui Costa (Casa Civil) para dizer que o Planalto iria atuar para reverter as mudanças. Sem Lula e com prazo curto, as duas não acreditaram. À propósito de Rui Costa: a mudança aprovada no ministério pelos parlamentares tirará o Sistema Brasileiro de Inteligência da Casa Civil e será comandada pelo general Marcos Amaro, do GSI. A Abin segue sob responsabilidade de Costa.

TERRAS INDÍGENAS

Ainda Rui Costa (Casa Civil): ele classificou como “inócua” a discussão sobre o Cadastro Ambiental Rural, cujo comando passou do Meio Ambiente para o Ministério da Gestão. Ele pondera que o acesso às informações acrescentadas pelos ruralistas seguirá aberta aos órgãos do governo. Apenas a homologação das terras indígenas foi deslocada para a Justiça e que as fases anteriores seguem com o ministério de Guajajara.

Motivo especial

O presidente Lula recusou convite do presidente Vladimir Putin para participar do Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo. O russo estava certo de que o brasileiro aceitaria depois de sua participação discutida em Hiroshima, onde fingiu ignorar o ucraniano Volodymyr Zelensky e não participar da decisão de todos os participantes do encontro contra a Rússia. Lula teria sido mais esperto (força de expressão): sabe que Putin não discutiria a paz, mas trataria de envolvê-lo para seu lado da guerra – e é o que ele menos quer, na tentativa de recuperar sua imagem.

CONDENADAS

Em situação financeira mais que complicada, as empreiteiras OAS e Andrade Gutierrez romperam, na semana passada, acordos fechados com o Cade há sete anos e voltam a ser processadas por formação de cartel em obras investigadas pela Lava Jato. Como confessaram os crimes na assinatura dos pactos, agora deverão ser condenadas, além de sofrerem mais sanções de quase R$ 17 milhões pelo descumprimento dos termos. Há pouco tempo, as duas procuraram o Cade: a OAS pediu mais prazo e a Andrade reclamou dos valores. Em seguida, avisaram que não pagariam mais e o Cade julgou os acordos rompidos.

Outra chinesa

Mais uma grande plataforma asiática de e-commerce prepara seu desembarque no Brasil. No rastro da Shein, Shopee e Aliexpress, a chinesa Banggood fez chegar às autoridades brasileiras o interesse de montar uma operação no país. A companhia já iniciou uma aproximação diplomática com o Ministério da Fazenda, acenando com investimentos. A Banggood quer montar, na largada, dois grandes centros de distribuição por aqui. Ela já vende para clientes brasileiros desde 2014, valendo-se do mesmo expediente das grandes plataformas do setor: milhões de pacote enviados da China não monitorados pela Receita.

Fazendo as contas

De olho nos carros baratos: 70% dos brasileiros ganham até dois salários-mínimos. A manutenção de um carro, incluindo licenciamento, IPVA, combustível, estacionamento, troca de óleo e prestação fica em torno de R$ 1.500 por mês. Ou seja: não é nada popular para essa legião de brasileiros, mesmo que o fiscal também vai para ricos que compram carros de R$ 120 mil. Mais: para receber a isenção de impostos, os carros devem ter “eficiência energética”, que ninguém sabe o que é. No Sensacionalista: “Os carros mais baratos poderiam ser vendidos sem acessório como pneus e volante. Sem seta e farol baixo, a gente vende, porque o brasileiro não usa”, diz o diretor de marketing de uma montadora. Os carros baratos estão cada vez menores, e as montadoras estão mirando nos muito ricos para vender os novos modelos para usar de chaveiro para seus carrões.

COFRINHO

A Adidas encaminhou aos profissionais que cuidam da imagem de Vinicius Jr. uma oferta cheia de dígitos para patrocinar o atleta a partir do segundo semestre. Além de polpudas bonificações financeiras, a empresa alemã teria colocado sobre a mesa uma série de ações para apoiar campanhas globais sobre racismo, usando o jogador como uma espécie de embaixador contra a intolerância étnica. A Adidas é a fornecedora de material esportivo do Real Madri, o que pode encurtar o caminho de Vini Jr. A assinatura com novo patrocinador depende da resolução entre ele e a Nike, sua parceira desde os 13 anos.

MISTURA FINA

A EX-primeira-dama Michelle Bolsonaro acaba de fazer sua estreia como coordenadora do PL Mulher em comerciais do partido, onde convoca as mulheres para se filiarem. Valdemar Costa Neto, dono do PL, que perdeu filiados nos últimos dois anos, quer atingir um milhão de filiados. Michelle aparece com uma postura calma, sem exageros, fruto de gravações com teleprompter, com o qual logo se habituou.

O POLÊMICO ministro do STF, Alexandre de Moraes é o novo poderoso de Brasília. Duas vagas do TSE, que preside, foram preenchidas por indicações suas em tempo recorde. Almoçou num dia com Lula e no dia seguinte, seus indicados estavam nomeados. De quebra, foi o articulador da condenação de Deltan Dallagnol: Moraes queria um decisão no TSE sem dissidências para fortalecer a Corte.

O MINISTRO Paulo Pimenta (Secom) tem se queixado de tentativas de desestabilização de aliados que ambicionam seu cargo. Agora, André Janones, que esperava ter o cargo de Pimenta, na formação do governo, tem dado conselhos a Pimenta, como se ensinasse um principiante. À propósito: Pimenta é um dos poucos ministros de Lula que tem estabilidade no emprego.

ARTHUR Lira, presidente da Câmara, não perde nunca. Os deputados federais já apresentaram cerca de R$ 200 milhões em emendas junto à Codevasf, uma espécie de “agência de fomento do Centrão”. Os pedidos de verbas se intensificaram nas últimas duas semanas diante da votação do projeto do arcabouço fiscal na Câmara. Com a ida da proposta para o Senado, a contrapartida deve aumentar nos próximos dias. Olho vivo.

O FIRST Citizens Bank estuda abrir um escritório de representação em São Paulo. Seria parte do esforço da instituição norte-americana de reaproximação com as grandes startups brasileiras. A First Citizens comprou a parte boa da Silicon Valley Bank, que entrou em colapso há cerca de dois meses. A parte boa, mas não muito. No caso do Brasil, as startups rasparam seus depósitos no Silicon Valley, sacando quase US$ 3 bilhões. O desafio do SVB é fisgar ao menos parte dessa dinheirama de volta.

ATÉ o jornal britânico The Guardian lembrou, na semana passada que a TV Globo tem hoje protagonistas negros em suas novelas das 18h, das 19h e das 21h. Os telespectadores de plantão tratam de emendar: a tendência atinge também os comerciais que são veiculados nos intervalos das produções, de clientes de setores de alimentação até de vestuário feminino das grandes lojas varejistas.

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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