Colunistas

CLÁUDIO HUMBERTO

"Na democracia relativa, perseguições nunca faltaram"

Carlos Portinho (PL-RJ), após o indiciamento de Jair Bolsonaro no caso das joias

Continue lendo...

Lula boicota Estados de oposição há 18 meses

A agenda oficial do presidente Lula revela que a conversa de “pacificação do país” fica apenas no discurso. Desde que tomou posse, Lula nunca pisou em cinco estados brasileiros em compromissos oficiais, todos liderados por governadores de oposição: Acre (Gladson Camil, do PP), Goiás (Ronaldo Caiado, União), Rondônia (Marcos Rocha, União), Santa Catarina (Jorginho Mello, PL) e Tocantins (Wanderlei Barbosa, Rep).

Um ano depois

Minas Gerais do governador oposicionista Romeu Zema (Novo), também foi deixada de lado por Lula em 2023. Só pisou lá em fevereiro passado.

A lista é longa

Em 2024, Lula também não pisou no Amazonas, Espírito Santo, Mato Grosso, Paraíba, Paraná, Rio Grande do Norte, Roraima e Sergipe.

O motivo

O destino nacional mais visitado por Lula é São Paulo, Estado e Capital, onde Lula tenta emplacar candidatura de extrema-esquerda à prefeitura.

Aliado escanteado

Alagoas, governado por um aliado de Lula, Paulo Dantas (MDB), só foi ver o petista este ano, em maio, em comício fora de época no interior.

Traição do PP mina candidatura em Pernambuco

O PSD pernambucano, aliado de primeira de Raquel Lyra (PSDB) e presidido pelo ministro André de Paula (Pesca), é peça-chave na confusão que Eduardo da Fonte, presidente do PP-PE, armou para que a governadora apoie Clarissa Tércio (PP) na tentativa de se eleger prefeita de Jaboatão dos Guararapes, segundo maior município pernambucano. O PP quer apoio de Raquel para apoiar Daniel Coelho (PSD) no Recife, ou ameaça lançar a neo-deputada federal Michelle Collins para o pleito.

Pedra no sapato

Em Jaboatão, o prefeito Mano Medeiros (PL), colado em Raquel, tem apoio do PSD, que não dá brecha para o PP por lá ou em Recife.

Brocha na mão

De Paula não quer ver Da Fonte nem pintado de ouro. Não esquece eleição passada com combinado não cumprido de apoiar Marília Arraes.

Golpe

De Paula largou o PSB e apoiou Marília em 2022, o que custou os cargos ocupados pelo PSD no estado, herdados por Dudu da Fonte.

Brasília disparou

Sob gestão do governador Ibaneis Rocha (MDB), Brasília alavancou 65 posições e está em 4º lugar no ranking de cidades mais empreendedoras do País. Os números são do Índice de Cidades Empreendedoras (ICE).

Pressão é grande

Deputados relatam pressão do presidente da Câmara, Arthur Lira, para aprovar os detalhes da reforma tributária. “Até para marcar sessão solene você precisa dizer que é a favor”, ironizou um parlamentar.

No vermelho

O número de famílias endividadas subiu em junho e alcançou 47,6%, registra a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Cartão de crédito é o vilão, 86,4% do total dos débitos.

Terceirizando culpa

Viralizou vídeo de Alexandre Schwartsman, ex-diretor do BC no primeiro governo do PT, criticando Lula por atacar Roberto Campos Neto para não assumir responsabilidades, provocando altas do dólar e desarrumando a economia: “O cara, aos 80 anos, não assumiu a culpa uma vez na vida”.

Retrocesso ao velho

Para o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, a briga de Lula com o atual titular do cargo, Roberto Campos Neto, mostra “retrocesso” e classificou as ideias do governo como “velhas”.

Troca à vista

O deputado José Nelto (GO) está de malas prontas para deixar o PP. O parlamentar deve se filiar ao União Brasil, partido do governador Ronaldo Caiado, que é pré-candidato a presidente em 2026.

Falta firmeza

“Falta posição firme do Congresso. À medida que ele não responde, eles [STF] vão avançando.  Não dá para admitir ministro com uma canetada, por exemplo, cassar um governador”, diz o senador Izalci Lucas (PL-DF).

‘SUS da segurança’

O deputado delegado Palumbo (MDB-SP) diz que a PEC da Segurança, anunciada pelo Ministério da Justiça significa ‘o SUS da segurança’. “Querem o monopólio da segurança para decidir o que irão investigar”.

Pensando bem...

...o mercado considera Lula, calado, um poeta.

PODER SEM PUDOR

Tancredo e a pneumonia

A Câmara discutia em 1974 a cassação do deputado Francisco Pinto (MDB-BA), por suas críticas ao ditador Augusto Pinochet. Ernesto Geisel mandou o caso ao Supremo Tribunal Federal, que condenou Chico Pinto e a mesa da Câmara o cassou, num episódio vergonhoso. Tancredo Neves ouviu um deputado da Arena argumentar que não foi o AI-5, mas o STF que o cassou. Tancredo contou numa história ocorrida em sua São João Del Rey: “Morreu o vizinho de um compadre meu. Um homem bom, trabalhador, honrado. Morreu de pneumonia, coitado. De madrugada, um parente dele chegou de viagem e perguntou à viúva: ‘Ele morreu de pneumonia simples ou dupla, Mariazinha?’ Ela respondeu chorando: ‘Simples’. Ele: ‘Ah! Ainda bem!’”.

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

Continue Lendo...

Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

Continue Lendo...

Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).