Domiciliar tem preço: o isolamento de Bolsonaro
A decisão de Alexandre de Moraes de vincular a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro ao estado de saúde, devido à pneumonia, deixou felizes os inimigos do ex-presidente no Planalto. É que a decisão impede que ele receba aliados políticos, limitando espaço de articulação em momento crucial para alianças com vistas as eleições no Senado, prioritárias para a direita porque é ali onde se pode deflagrar impeachment de ministros do STF. Moraes limitou as visitas só a advogados, médicos e familiares.
Tudo costurado
O ministro amarrou a domiciliar à condição de saúde e justifica a suspensão das visitas com “evitar risco de sepse e controle de infecções”
Tarde piaste
Se Começar hoje (25), a domiciliar termina a menos de um mês do início das convenções partidárias, quando partidos oficializam os candidatos.
Mãos atadas
Na Papudinha, Bolsonaro podia receber aliados. A depender da prorrogação da domiciliar, só volta após candidaturas já registradas.
Ainda pior
Sem poder receber outras visitas, eventual prorrogação da domiciliar, como apontado no despacho, segura Bolsonaro até o fim de setembro.
Lula manda PT priorizar palanque em Minas Gerais
Com o palanque em São Paulo definido, o presidente Lula quer que o PT priorize uma solução para Minas Gerais. Em agenda no Estado, semana passada, Lula esteve com Rodrigo Pacheco (PSD), que já se mostra menos resistente e deve migrar de partido, com mais chance de ir para o União Brasil ou PSB. O petista quer aproveitar a indefinição do palanque da oposição para consolidar o nome governista no Estado e “compensar” eventuais votos perdidos no palanque paulista de Fernando Haddad (PT)
Metido a independente
O “plano B” de Lula não agrada o diretório mineiro do PT: Alexandre Kalil (PDT). O partido não coloca a mão no fogo pelo ex-prefeito de BH.
Vice, ok
Kalil tem menos resistência no PT para vice de Pacheco, com quem mantém boa relação, ou até uma das vagas ao Senado.
Chama o centrão
Outra chance é o MDB ficar com a vice. O presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Tadeu Leite, seria o escolhido.
Motivo real
“O motivo real é político-institucional: reduzir desgaste, aliviar a pressão sobre o Supremo”, disse à coluna, sobre a prisão domiciliar de Bolsonaro o deputado príncipe Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP).
Negócios abertos
O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC, em inglês) dos EUA autorizou, ontem (24), transações financeiras para a Embaixada da Venezuela e outras missões diplomáticas em território americano.
De volta
Anthony Garotinho quer voltar à política. Diz que, por ora, é pré-candidato a deputado federal. Mas falou com a cúpula do Republicanos e acertou que, se crescer nas intenções de voto, tenta o governo do Rio.
Migalha celebrada
Sobre a prisão domiciliar temporária de Jair Bolsonaro, o vice-líder do PL na Câmara, Rodolfo Nogueira, celebra “a migalha do estado totalitário”, mas avalia que “a verdadeira comemoração seria a absolvição total”.
Veja bem
Carlos Bolsonaro diz que está sim aliviado com a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, mas cobra que isso não seja visto como justiça e diz que é um “processo repleto de ilegalidades” contra o pai.
Espelho meu
Gilberto Kassab, dono do PSD, levou 10 dias para confirmar publicamente o que leitores da coluna souberam com antecedência: o partido vai fechar o nome do candidato ao Planalto ainda este mês.
Alguém vai negar?
O Senado analisa nesta quarta (25) projeto, já aprovado na Câmara, que cria 232 cargos de analista judiciário, 242 de técnico judiciário, 75 cargos comissionados e 245 funções comissionadas na Justiça Eleitoral.
Melhora ao contrário
O deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS), ironizou o envolvimento de Fábio Luís, filho do presidente Lula (PT), em mais um escândalo: “A coisa só ‘melhora’ para Lulinha”.
Pensando bem...
...a decisão é ‘sabor’ prisão domiciliar.
PODER SEM PUDOR

Ano sabático, segundo Arraes
O mítico político Miguel Arraes acumulou experiências de vida que gostava de compartilhar. Certa, durante bate-papo, o ex-senador Álvaro Dias, que governou o Paraná enquanto Arraes governava Pernambuco, confessou sua curiosidade sobre o período em que o líder nordestino esteve preso na ilha de Fernando de Noronha, durante o regime militar. Arraes respondeu, segundo contou o ex-senador ao podcast Direto de Brasília, de Magno Martins: “Acho que todo político deveria ficar preso ao menos durante um ano”. Diante do espanto de Álvaro Dias, Arraes explicou: “Nunca li tanto, nunca me preparei tanto quanto naquele período de prisão”.



