Colunistas

Cláudio Humberto

"Não compareçam com faixa ou cartaz contra quem quer que seja"

Ex-presidente Jair Bolsonaro convoca manifestação cuidadosa para a Avenida Paulista

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Carnaval supera aflição da oposição contra ‘caçada’

Apesar das operações da Polícia Federal que miraram ex-integrantes do governo Jair Bolsonaro, incluindo o próprio ex-presidente, parlamentares da oposição decidiram tirar toda a semana do Carnaval de folga. Mesmo com a “corda no pescoço”, deputados e senadores deixaram qualquer ação concreta para, no mínimo, a próxima terça-feira (19), quando também começa oficialmente o ano legislativo no Congresso Nacional.

 

Câmara

Líder da oposição na Câmara e alvo da PF nas últimas semanas, Carlos Jordy (PL-RJ) confirmou que não há agenda para esta semana.

 

Senado

Eduardo Girão (Novo-CE), membro atuante da oposição a Lula também confirmou que, no Senado, não há previsão de encontros, reuniões etc.

 

Meio resultado

A oposição realizou uma reunião com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, antes do feriadão, depois da qual ele só anunciou intenções.

 

Cobrança

Além de Pacheco, parlamentares também cobraram o presidente da Câmara, Arthur Lira. Mas reunião, só após o início de fato dos trabalhos.

 

Sinecura militar paga bem até a civis em Washington

Antigas sinecuras do Exército, Marinha e Aeronáutica, principalmente em Washington, que garantem cargos com belos salários em dólares desde 1937, as comissões de compra também oferecem remuneração invejável a funcionários civis, os “locais”, recrutados em geral entre civis brasileiros ou não, residentes na capital dos Estados Unidos. Caso do felizardo de recente “processo seletivo simplificado”, tipo vapt-vupt, contratado como Auxiliar Administrativo pelo salário de 64.901 mil dólares anuais.

 

Salário invejável

Totaliza R$321,5 mil anuais ou R$26,7 mil mensais o salário lotérico de agente administrativo na comissão do Exército Brasileiro em Washington.

 

Motivo de greve

Para funções como digitar cartas, o Agente Administrativo de nível médio da Comissão do Exército ganha mais que um general no Brasil.

 

Todas são iguais

As outras comissões de compra não ficam atrás, em vantagens e regalias mantidas com o dinheiro de quem paga impostos.

 

Rejeição a Lula

A desaprovação do presidente Lula entre evangélicos é de 57,1%, segundo levantamento Paraná Pesquisas. Só perde para a desaprovação do petista entre moradores da região Sul: 57,7%.

 

Péssimo cresce

Brasileiros que avaliam a terceira administração Lula como “péssima” (a pior avaliação) atingiu o maior nível desde o início de 2023: 29,8%, diz o Paraná Pesquisas. Em março de 2023 o número era de 22,9%.

 

Defesa de partido

Parlamentares tentam nova reunião com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para discutir as operações da PF contra deputados da oposição. Lira avisou: “a principal fonte da democracia são os partidos”.

 

Apócrifos e diferentes

São ao menos dois os documentos chamados de “minuta do golpe” após operações da PF. Um foi apreendido com ex-ministro Anderson Torres e trata de “estado de defesa no TSE”. Outro rascunho, em poder de Mauro Cid, menciona “estado de sítio” após “ilegitimidade” de decisões judiciais.

 

Proposta quente

Parlamentares comemoraram esta semana a coleta de 80 assinaturas de apoio à Emenda à Constituição que submete a aval do Congresso as ações de busca e apreensão da PF nas repartições do Poder Legislativo.

 

Milhas PT

O presidente Lula (PT) tem a primeira viagem oficial internacional prevista para o Egito no dia 15. O petista depois vai à Etiópia para a reunião de chefes de Estado e de governo da União Africana.

 

De novo?

Após a eleição da nova gestão do time, corintianos torcem pela “interferência” de Lula (PT) no pagamento do calote que o time do presidente aplicou na Caixa Econômica pela bilionária Arena Corinthians.

 

Mosquitos coroados

Virou piada entre os ricos em Trancoso uma piadinha sobre o ataque inclemente de muriçocas. “Esses mosquitos vão sair daqui de coroa, de tanto sangue azul que sugam”, dizem eles, dando risadas.

 

Pensando bem...

...em breve vai virar ‘minuta institucional nº 1’.

 

PODER SEM PUDOR

Grampo torcedor

Quando estudava na União Soviética, o genial pianista Arthur Moreira Lima e sua família eram monitorados pela ditadura, que grampeava seus telefones, no Rio de Janeiro, por imaginá-lo “comunista”. Certa vez, ele esperou horas por uma ligação para saber o resultado de um jogo decisivo do time de coração, o Fluminense. Mas sua mãe de nada sabia, nem havia ninguém por perto para ela perguntar, quando a ligação foi completada na manhã de segunda-feira no Brasil. Arthur enlouquecia lá em Moscou, como sua mãe sem saber nada de futebol, quando o censor preferiu a solidariedade tricolor aos deveres com o regime. Fluminense doente, interrompeu a conversa de Arthur com a mãe aos gritos: “Flusão venceu! Flusção campeão! Dois a um!” E desligou.

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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