Colunistas

CLÁUDIO HUMBERTO

"Não é de hoje que o governo Lula é próximo de ditaduras"

Eduardo Girão (Novo-CE) defende o fim de empréstimos para países 'amigos' do governo do PT

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Processo contra Moro e Deltan deve voltar a Curitiba

A tendência no Supremo Tribunal Federal (STF) é que o pedido de Deltan Dallagnol (Pode-PR) seja acatado e o processo com as acusações de Rodrigo Tacla Duran volte para a 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável pela Lava Jato. Além do deputado, o senador Sérgio Moro (União-PR) também é citado. O advogado narra suposto “bullying processual” e tentativa de extorsão no âmbito da operação.

Sobe

Como houve citação à parlamentares federais com prerrogativa de foro, o juiz de Curitiba Eduardo Appio mandou o processo para o Supremo.

Desce

A defesa de Dallagnol entende que o suposto fato teria acontecido quando não havia a prerrogativa de foro, portanto, é caso de Curitiba.

Movimentação

O movimento para acatar o pedido de Deltan tomou força no início da semana, mas a decisão ficou para ser anunciada após o feriadão.

Falou à coluna

Deltan reafirmou que quer o processo em Curitiba e diz que “Tacla Duran, pela terceira vez, está tentando vender narrativas mentirosas”.

Projeto de Fiúza é resgatado após 20 anos na gaveta

Somente agora, 20 anos depois, projeto de lei de um dos parlamentares mais destacados do seu tempo, Ricardo Fiúza, foi retirado do fundo da gaveta. Ele morreu em 2005 sem ver o projeto avançar. Era filiado ao PP e o poder estava nas mãos do PT com o mensalão a todo vapor. O deputado Fernando Rodolfo (PL-PE), atual presidente da Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância e Família da Câmara resolveu resgatar o projeto de Fiúza, dando-lhe a dignidade de um relator.

Trezentos na gaveta

Como o de Fiúza, o deputado Fernando Rodolfo encontrou mais de trezentos projetos engavetados na comissão que agora comanda.

Relatora definida

A deputada Meire Serafim (União-AC) será a relatora do projeto, que trata de benefícios para aposentados e pensionistas.

Clodovil, outra vítima

Outro discriminado, durante o poder petista há vinte anos, foi o também falecido Clodovil Hernandez, por homofobia e o discurso conservador.

Estranha coincidência

A oposição está intrigada com a coincidência da indicação de Dilma para o banco dos Brics e o acordo para dispensar o dólar nas relações comerciais. É que a China passará a transferir os fundos de sua conta para a conta do Brasil no Banco dos Brics chefiados por Dilma. Humm...

Filme queimado

O ex-presidente Jair Bolsonaro, que continua devendo explicações públicas sobre o caso das joias sauditas, colocou na geladeira o ex-ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque, figura central no caso.

Pescaria

A viagem de Lula à China virou instrumento para aliciar o PP à base governista, sobretudo políticos ligados a Arthur Lira e Ciro Nogueira. Nomes que não estavam na primeira lista da viagem e devem participar da comitiva: Lula da Fonte e AJ Albuquerque, do PP de Pernambuco.

Dinheiro público 0800

Zeca Dirceu (PT-PR) vai pela segunda vez à China em menos de um mês. Por conta do pagador de impostos, claro. Ele embarcou em março, mesmo com Lula cancelando a ida. Neste mês, repete o trecho.

Em alta

Os holofotes em Jair Bolsonaro desde seu retorno ao Brasil estão animando o cacique do PL, Valdemar Costa Neto. A sigla quer antecipar as caravanas do ex-presidente, que devem começar em maio.

Na correria

Após encontro com parlamentares para mostrar o ajuste fiscal, o ministro Fernando Haddad (Fazenda) saiu mal falado. Senadores reclamaram da correria, dizem que o encontro não durou nem 15 minutos.

Barco é um só

Petistas comemoram nas redes, sem saber, os R$51 bilhões a menos na poupança até agora, em 2023. É o pior resultado para três meses na História, mas eles alegam que “março de 2022 [sob Bolsonaro] foi pior”.

Ferida aberta

Ainda repercute nos Estados Unidos a hesitação de Lula e a decisão do Brasil de não assinar a declaração da Cúpula pela Democracia, encontro (virtual) promovido pelos EUA, que condenou a Rússia.

Pensando bem...

...o “desavanço” substituiu a “despiora”.

PODER SEM PUDOR

O peste de Buda

Em viagem à Hungria, o então presidente eleito Jânio Quadros jantava com d. Eloá num restaurante de Peste, do outro lado do distrito de Buda, quando ouviu ao fundo piadinhas sobre dele e risos altos de funcionários da embaixada do Brasil. Envergonhado com a balbúrdia, levantou-se, cumprimentou-os educadamente e avisou: “Os senhores terão notícias minhas.” De volta ao Brasil, determinou ao Itamaraty a remoção para postos remotos de todos os funcionários da embaixada na Hungria, a fim de não correr o risco de algum deles escapar da degola.

Claudio Humberto

"Se você está endividado, a culpa é do governo Lula"

Flávio Bolsonaro (PL), candidato ao Planalto, ao prometer organizar as contas públicas

23/08/2026 08h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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Oposição critica PGR engajada à defesa de Lula

Opositores estão indignados com o procurador geral da República (PGR), acusado de “engajamento” na defesa de Lulinha, filho de Lula (PT), investigado por tráfico de influência e corrupção. Paulo Gonet tentou retirar a relatoria de André Mendonça, ministro do STF que não se submete a Lula, e depois tentou levar o processo à 1ª instância. “Absurdo”, diz Marcel van Hattem (Novo-RS), lembrando que, nomeado por Lula, Gonet se opôs a 1ª instância julgando casos do 8 de janeiro.

Batom na cueca
Gonet se esforça para tirar do STF dois dos três inquéritos contra Lulinha relatados por Mendonça. O outro permaneceria nas mãos de Flavio Dino.

Guinada ridícula
Para van Hattem, é até ridículo a PGR mudar de posição sobre 1ª instância quando o investigado é o filho do presidente da República.

Críticas na academia
Professor de pós-graduação da USP e mestre e doutor em Direito Constitucional, Rubens Beçak também se associa aos críticos da PGR.

Escândalo paralelo
Já Evair de Melo (PP-ES) acha que não tem como retirar o caso Lulinha do STF pelas conexões do filho de Lula com o escândalo do INSS.

PL espera ter duas vezes mais senadores que o PT
Nas primeiras pesquisas que já circulam dentro do PL, o partido projeta pelo menos o dobro de senadores em relação ao PT. A Casa Alta é a prioridade da sigla, que pretende lançar candidatura para a presidência do Senado, além de ter força política para andar com as pautas que viraram bandeiras do partido nesta eleição. Entre as principais prioridades, andar com pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), ainda que não haja votos para vitória.

Melhor cenário
Nas contas dos liberais, o partido pode chegar aos 28 senadores. Se Jair Bolsonaro estivesse na ativa, o número poderia bater os 32.

Com calma
Já as previsões mais conservadoras apontam para 20 senadores, mas com mais destaque, já que esperam nomes como Michelle Bolsonaro. 

Olho no vizinho
As planilhas trazem projeções para outras bancadas também. Petistas, nas contas do PL, devem beirar os 10 parlamentares.

Modus Operandi
“Do mar de lama do Sítio de Atibaia à Mansão do Lulinha em Brasília”, Sérgio Moro (PL-PR), juíz que condenou Lula na Lava Jato, sobre o elo de Lulinha, a lobista Roberta Luchsinger e testemunha do caso de Atibaia que voltou ao folhetim por assinar contrato da mansão do QG do Lobby.

Pesos e medidas
Carlos Bolsonaro (PL-SC) comparou o caso de Lulinha, cada vez mais imerso no triângulo com a lobista Roberta Luchsinger e o Careca do INSS, com o do pai, que teve até inquérito por se aproximar de baleia.

Preço artificial
O medo do impacto na campanha eleitoral bateu na equipe de Lula e o governo já estuda prorrogar o subsídio à gasolina. O benefício, que deveria ser provisório, pode ganhar mais 30 dias de sobrevida.

Na gaiola
Ronaldo Caiado, pré-candidato do PSD ao Planalto, lamenta a situação da segurança púbica no país, “O cidadão é obrigado a transformar o próprio carro em uma gaiola para tentar não ter o celular arrancado.”

Sem pudor
Após apontar tentativa de “balão” da PGR no ministro André Mendonça (STF), com pedido de enviar o caso Lulinha à 1ª instância, o candidato a vice-presidente Novo, Eduardo Girão, diz que “eles perderam o pudor”.

Ciência e coragem
Segundo Marcelo van Hattem (Novo-RS), candidato ao Senado, “não basta falar em impeachment [no STF] agora. É preciso conhecer fatos, reconhecer os abusos e ter coragem para agir quando eles acontecem”.

Jogo sujo
Ao anunciar sanções contra autoridades de Cuba, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, acusa a ditadura comunista de “décadas usando grupos de fachada para infiltrar, corromper e radicalizar americanos”.

Não era genocídio?
O deputado Osmar Terra (PL-RS) lembra da “lacração estúpida” de Lula e da ex-ministra da Saúde Nísia Trindade, que chamaram o governo Bolsonaro de “genocida” por mortes dos Yanomami... mesmo povo que registrou recorde de mortes entre 2023 e 2025, em pleno governo do PT.

Pensando bem...
...quando a propaganda é demais, o santo desconfia.

PODER SEM PUDOR

Cláudio Humberto

Eu nomeio, você paga

O falecido Humberto Lucena (PB) adorava nomear parentes, quando presidiu o Senado. Ao ser tachado de “a caneta mais rápida de Brasília”, chamou o repórter que o ironizara ameaçando processo. E lorotou: “Nomear parentes só é pejorativo no Sul. No Nordeste, o povo até gosta”. O jornalista, nordestino de Pernambuco, perdeu a paciência. Puxou Lucena pelo braço e disse ao seu ouvido, firme, quase gritando: “Nós dois sabemos que o sr. está mentindo, mas vou fingir que não ouvi”. Lucena não tocaria mais no assunto. Nem processaria o jornalista.

Direito

O que a Justiça pode determinar quando o trânsito destrói uma família

Confira a coluna desta quinta-feira (13)

13/08/2026 00h03

Leandro Provenzano

Leandro Provenzano Foto: Montagem / Correio do Estado

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Recentemente, um caso que tramitou no Tribunal de Justiça de Minas Gerais manteve, no fim de julho, a condenação de uma concessionária de energia elétrica pela morte de um ciclista atropelado por um funcionário que prestava serviço à empresa.

Os dois filhos da vítima, adolescentes na época, receberão R$ 25 mil cada um por danos morais, além de pensão mensal equivalente a dois terços dos rendimentos do pai até completarem 25 anos. O atropelamento aconteceu em 2009, mas somente agora, 17 anos depois é que o caso foi julgado pelo Tribunal.

O caso é didático porque reúne, em um único julgamento, quase tudo o que uma família precisa saber depois de um acidente de trânsito, e quase tudo o que ela costuma ignorar.

O primeiro ponto é quem paga. Existe a crença de que a responsabilidade começa e termina no motorista. Não é assim.

A lei estabelece que o empregador responde pelos danos causados por seus empregados no exercício do trabalho, e responde independentemente de ter culpa própria. Ou seja: não interessa se a empresa treinou bem o motorista, se exigiu curso de direção defensiva ou se o veículo estava em ordem. Se o funcionário atropelou alguém trabalhando, a empresa responde.

Isso muda tudo na prática. Uma coisa é buscar reparação contra um motorista que não tem patrimônio algum. Outra, bem diferente, é acionar a empresa para a qual ele trabalha, que tem CNPJ, faturamento e, quase sempre, seguro de responsabilidade civil.

O segundo ponto é a prova. A defesa da concessionária sustentou que o ciclista teria entrado repentinamente na via, apoiando-se no boletim de ocorrência. A relatora rejeitou o argumento com uma observação que vale guardar: boletim baseado exclusivamente na versão do condutor envolvido é relato unilateral de quem tem interesse direto no resultado. Boletim de ocorrência não é sentença. 

Muitas famílias desistem de buscar seus direitos porque leram no documento uma versão que as culpa. Essa versão pode, e deve ser contestada com testemunhas, perícia, imagens e prova técnica. Vale lembrar, ainda, que o Código de Trânsito impõe ao motorista o dever de guardar distância lateral mínima de um metro e meio ao ultrapassar ciclistas, exatamente por serem eles os usuários mais frágeis da via.

O terceiro ponto é o que a Justiça pode determinar. Em caso de morte, a lei prevê o pagamento das despesas com tratamento, funeral e luto, além de pensão aos que dependiam economicamente da vítima. Para os filhos, os tribunais costumam fixar essa pensão em dois terços da renda até os 25 anos; para o cônjuge ou companheiro, até a idade provável de vida da vítima.

Soma-se a isso o dano moral, que é direito próprio de cada familiar, não se divide um valor único entre todos. 

Quando a vítima sobrevive, o raciocínio é o mesmo. A lei garante o custeio integral do tratamento, os lucros cessantes (o que a vítima deixou de ganhar) referentes ao período de afastamento e, havendo redução permanente da capacidade de trabalho, pensão correspondente a essa perda.

Cicatrizes, amputações e deformidades geram dano estético, que o Superior Tribunal de Justiça reconhece ser cumulável com o dano moral. São verbas distintas, e pedi-las separadamente pode alterar significativamente o resultado.

Resta o tempo

O caso mineiro levou dezessete anos entre o acidente e a decisão de segundo grau, mas o prazo para ingressar com a ação é curto. Provas se perdem, testemunhas somem, câmeras são sobrescritas.

Se você perdeu alguém no trânsito, ou ficou com sequelas depois de um acidente, e o responsável estava trabalhando quando aquilo aconteceu, existe muito mais em jogo do que um acordo rápido oferecido pelo seguro nas primeiras semanas. Vale conhecer o tamanho real do que a lei assegura antes de assinar qualquer coisa.

Leandro Amaral Provenzano - OAB/MS 13.035. Sócio do escritório Provenzano Advogados.

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