Colunistas

Giba Um

"Não se provou corrupção ou uso indevido dos meios de comunicação, considerando que o investigado",

tinha, já muito tempo, ampla exposição midiática", de LUCIANO CARRASCO FALAVINHA // relator do processo contra Sérgio Moro no TRE-PR.

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A chamada “Operação recuo” da Vivara não se limita à desistência do acionista controlador Nelson Kaufman em ocupar o cargo de CEO. A empresa pisou no freio em seus planos de internacionalização. O projeto necessita ser melhor lapidado. 


Mais:  o mercado não digeriu bem a estratégia de Kaufman. Em 11 dias em que ele esteve na presidência da Vivara, a rede de joalherias perdeu um quinto de seu valor de mercado. Hoje, são 390 unidades espalhadas pelo país, fora quiosques. 


Como uma Fênix


A cantora e apresentadora Preta Gil, é uma das capas da revista Elle Brasil. Num ensaio bem divertido ela aparece em várias situações como uma noiva louca (e enfurecida), prestes a acertar as contas. Em outras fotos mostra seu lado sensual. A publicação diz que ela é como uma fênix, que ressurgiu das cinzas, depois de um ano de 2023 bem difícil (descoberta de um câncer, tratamento quimioterápico, infecções, traição, separação e várias outras cirurgias). Preta disse que o motivo do seu “renascimento” e exclusivamente porque Deus quis. “Não cuidei do meu corpo a vida inteira. Foi ele que cuidou de mim. Tenho gratidão por ele ter suportado, em um ano, mais de 12 procedimentos e cirurgias. Amo as minhas nove cicatrizes. São sinais da vitória. Assim como amo a minha menopausa, as estrias, as rugas e as manchas”. Sobre futuros relacionamentos é direta : “O par romântico é controle e limite. Entram na conta a noção de propriedade na mão do homem, a religião, a culpa católica. Feminismo é evolução. Vivemos teorias e práticas ainda sem completar a ruptura. Não fui criada no conservadorismo, mesmo assim caí na cilada. Descasquei a cebola para ir ao miolo. Quero chegar ao casamento não monogâmico”. E completa: “Na minha história, a metáfora é derrubar a codependência de um homem. Nunca é tarde. Mesmo aos 50 eu posso romper com os arquétipos de felicidade. O que é felicidade? Amor romântico? Não estou traumatizada, mas é melhor a mulher casar-se com a liberdade. Acabou, não tem mais amarra! Para mim, essa noiva loucona simboliza o amor-próprio. Ele é a chave da felicidade”.


Baioneta não cabe na Constituição


Em nenhuma hipótese, a Constituição submete o poder civil ao poder militar”. O ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Supremo Tribunal Federal, resume a tentativa de arrancar da Carta Magna o que ela não diz como “terraplanismo constitucional”. Já o ministro Gilmar Mendes emenda: “A baioneta não cabe na Constituição”, alertando que se trata de uma ofensiva das cúpulas militares em busca de protagonismo político. Já Flávio Dino define: “Não existe, no nosso regime constitucional, um poder militar. O poder é apenas civil”. Todos contrariam a tese das Forças Armadas atuando como “poder moderador”, já encerrando leitura distorcida do Artigo 142. Traduzindo: as Forças Armadas não podem romper a legalidade a pretexto de defender a ordem ou arbitrar disputa entre os Poderes. Atrás de tudo, interpretações que visam tirar inquéritos de Jair Bolsonaro do Supremo e jogar na primeira instância do Rio de Janeiro.


“Poder de nada”


O julgamento dessa novela golpista do “poder moderador” termina dia 8 quando ocorre o julgamentos no plenário virtual. Nem André Mendonça, nomeado por Jair Bolsonaro, entrou nessa e o próprio comandante do Exército, general Tomás Paiva, concorda com o posicionamento do STF. Para ele, a decisão reforça que o texto da Constituição “está consolidado e não existe poder moderador no Brasil”. Resumo da ópera: as Forças Armadas não são poder de nada. Os ministros acham que a decisão deve ser enviada a quartéis, academias militares, escolas, igrejas e “a bolsões da extrema direita que sonham com uma quartelada”. 


De volta ao pop

No próximo dia 11 Durval de Lima Junior, ou melhor Júnior (ex-Sandy & Junior) lançará oficialmente seu primeiro álbum solo, como cantor, voltando as raízes do pop. Depois que a dupla com sua irmã chegou ao fim, Junior  passou a se dedicar a produção e integrou três bandas – SoulFunk, Nove mil anjos, Dexterz – mas nenhuma como vocalista.  Para divulgação ele fez uma brincadeira de que uma foto sua, de como veio ao mundo, que faz parte do clipe Seus Planos, teria sido vazada. 11 músicas compõe o novo trabalho chamado Solo 1, e apesar das críticas, promete fazer sucesso junto aos órfãos da dupla. “Além de serem um retrato da minha alma, as músicas são também um presente para cada um de vocês! Só tenho a agradecer pelos meus fãs nunca terem deixado de acreditar no meu voo solo”.

In –  Espaço gourmet: churrasqueira a bafo
Out – Espaço gourmet: churrasqueira embutida


Quem diria

O ministro Alexandre de Moraes (STF), quem diria, desponta hoje como o principal interlocutor do comandante do Exército, general Tomás Paiva, na Alta Corte. Na maioria dos casos, os contatos partem do próprio militar, que busca Moraes para saber dados sobre integrantes da caserna investigados e tirar dúvidas em relação ao cumprimento de ordens judiciais. A última conversa foi sobre a movimentação de um militar dentro da Força – caso da nomeação do general Richard Nunes para a chefia do Estado Maior. Antes de bater o martelo, Paiva quis ouvir Moraes porque o nome do general surgiu durante o caso de Marielle Franco.

 

Doações


O presidente francês Emmanuel Macron já havia prometido, há algum tempo, despejar dinheiro na Amazônia. No ano passado, Catherine Colonna, então chanceler francesa, veio ao Brasil e acenou com nova contribuição ao Fundo Amazônia. Depois de 13 meses, nem um centavo. Agora, Macron e Lula anunciaram doação de R$ 5,3 bilhões. O presidente Joe Biden, que se diz “amigo do verde”, prometeu R$ 2,5 bilhões – e nada. Também prometeram e não deram nada Noruega, Reino Unido, União Europeia e Dinamarca. Só a Alemanha mandou e pouco para seus padrões, R$ 20 milhões. 

Pérola

“Não se provou corrupção ou uso indevido dos meios de comunicação, considerando que o investigado tinha, já muito tempo, ampla exposição midiática”, 
de LUCIANO CARRASCO FALAVINHA // relator do processo contra Sérgio Moro no TRE-PR.

DESCONTOS  INDEVIDOS

O INSS abriu apurações internas para investigar a conduta de seis entidades suspeitas de efetuarem descontos indevidos diretamente da folha de pagamentos das aposentadorias. Desde o ano passado, 29 entidades faturaram mais de R$ 2 bilhões cobrando mensalidades de aposentados em troca de suposto benefícios. São os “descontos de mensalidade associativa” no último ano enquanto são acusados de fraudes por aposentados que nunca assinaram ficha de filiação e o desconto automático. O número de filiados explodiu em janeiro de 2023 e a arrecadação mensal saltou de R$ 85 milhões para R$ 250 milhões e todas foram autorizadas pelo INSS. 

Crítica e repúdio

Na Sexta-Feira Santa (29) o MTST (Guilherme Boulos já foi um dos principais líderes), publicaram uma imagem em seu perfil no X (antigo Twitter) em que Jesus Cristo aparece sendo crucificado com a frase “Bandido bom é bandido morto”. A publicação recebeu repúdio por parte de influenciadores e políticos da direita. Para alguns da esquerda foi vista como uma crítica social que lembra ações policiais recentes e frases frequentemente dita por nomes de ideologia oposta. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) disse que a candidatura de Boulos à prefeitura de São Paulo “já foi enterrada”. 

DESVALORIZAÇÃO

A suspensão do atacante Gabigol, do Flamengo, por dois anos decorrentes de uma tentativa de fraude em um exame antidoping teve um super impacto no seu valor de mercado. Segundo o site Transfermarket, o mais respeitado em avaliação de atletas, o atacante teve seu valor de mercado reduzido em quase 1/3. No auge da carreira, há dois anos, Gabigol estava avaliado em 26 milhões de euros, equivalente a mais de R$ 134 milhões na cotação da época. A suspensão depreciou seu valor para 9 milhões de euros ou cerca de R$ 48,8 milhões, segundo cotação mais recente. Seu contrato não será renovado e Flamengo e potenciais interessados ficarão de olho em seu futuro.


Paraná, não

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) não está disposta a concorrer ao Senado pelo estado do Paraná, caso o senador Sérgio Moro (União-PR) seja condenado à perda de mandato. Malgrado essa possibilidade seja vista com simpatia por Jair Bolsonaro (é um estado mais que bolsonarista), ela não deseja se mudar para Curitiba. Se decidir concorrer a algum cargo no Poder Legislativo, Michelle gostaria de fazê-lo pelo Distrito Federal, onde nasceu. Vitoriosa, ela estaria ao lado de sua amiga, a senadora Damares Alves. Nas pesquisas do Paraná, Michelle está em primeiro lugar. 

MAIS  ELEGANTES


Bolsonaristas ricas e fanáticas estão distribuindo nas redes sociais o resultado de uma lista das “10 mais elegantes do Brasil”, que inclui, entre outras, de Lalá Rudge a Fernanda Montenegro. No meio das eleitas, Michelle Bolsonaro, usando roupas criadas por suas costureiras favoritas e ganhando maior quantidade de votos do que as demais. A ex-primeira-dama, na legenda, ganha os maiores elogios. Quem cuida de seu visual é um faz-tudo e amigo chamado Agustin Fernandez.

MISTURA FINA

O EX-presidente Jair Bolsonaro não quer ver a ex-primeira-dama, Michelle disputando a eleição presidencial em 2026 (ela até gostaria, mas o maridão é radical). Agora, integrantes do Planalto já começa a afirmar que Lula já escolheu um sucessor quando deixar a Presidência: a primeira-dama Janja. Ele sempre repete que foi Janja que o dissuadiu a não decretar o GLO no 8 de janeiro, solução que ele achou das mais acertadas. Ela não esconde suas pretensões políticas, deixando claro que quer ressignificar o papel de primeira-dama – o que já começou. 

NA semana passada, Janja foi ao BNDES discutir com Aloizio Mercadante, presidente do banco e Tereza Campello, diretora socioambiental da instituição, dois projetos para aplicação de recursos do Fundo Amazônia. Em março, passou uma semana em Nova York, representando o Brasil num evento sobre a situação da mulher no mundo na ONU. O grande destaque de sua participação, contudo, foi o par de sapatos da grife Hermés, que custaram em torno de R$ 8,5 mil reais. 

A BOMBA  da Braskem vai acabar explodindo no colo do governo do Estado. O impasse em relação ao futuro da petroquímica deixou de ser assunto para a Petrobras, acionista da companhia e subiu para o governo. Planalto e Ministério de Minas e Energia já contemplam uma “estatização” à força da Braskem. Negociação sobre o controle se arrasta por dois anos. Nesse tempo, Unipar, J&F e o fundo norte-americanos Apollo entraram e saíram de cena. Agora, é a vez da Abu Dhabi National Oil Company (Adonoc). 

O MINISTRO do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, está batalhando na disputa de uma cadeira no STJ. Trabalha dentro do próprio Tribunal pela indicação do desembargador Carlos Brandão, do TRF-1, também piauiense. Detalhe: tramita na Corte uma ação que investiga a esposa de Wellington, Rejane Dias. Ela é suspeita de participar de um esquema de corrupção envolvendo transporte escolar no Piauí quando ocupava a Secretaria da Educação do estado. O suposto delito teria ocorrido durante a gestão de Wellington no governo do estado. 

A GOVERNADORA  de Pernambuco, Raquel Lyra (PSDB) vetou apoio à pré-candidatura de Tabata Amaral (PSB) e rejeita uma aliança com o prefeito Ricardo Nunes (MDB), que tenta a reeleição. Agora, procura outro nome para a eleição municipal de São Paulo. As alternativas estão sobre a mesa: José Luiz Datena (PSB), que estava contado para ser vice de Tabata e ainda não há nada decidido; Kim Kataguiri (União-Brasil) e Andrea Matarazzo (PSD), que deixou o PSDB em 2016.

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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