Colunistas

Cláudio Humberto

"Não tínhamos outra pessoa"

Gleisi Hoffmann sobre o apoio do PT a Arthur Lira, que ela acusava de "rebaixar a Câmara a serviçal"

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Kassab se consolida como homem forte de Tarcísio

Fundador e presidente do PSD, o ex-ministro Gilberto Kassab exercita a especialidade de manter um pé na canoa governo Lula e outro no futuro governo de Tarcísio de Freitas (Rep). Politicamente muito hábil, Kassab tem diálogo fácil com o presidente eleito e só não será chefe da Casa Civil do bolsonarista Tarcísio se não quiser. Kassab garantiu seu lugar na “janela da frente do ônibus” de Tarcísio graças a ajuda de dois amigos e correligionários: Guilherme Afif e Felicio Ramuth, futuro vice-governador.

Emplacou

O ex-prefeito já emplacou na Secretaria de Comunicação o ex-assessor Marcus Vinícius Sinval, atual secretário da prefeitura paulistana.

Controle total

Kassab deve ficar com a caneta de nomeações para negociar apoios a Tarcísio, em tabelinha com Afif. Eles conhecem bem a política paulista.

Labirinto político

O governador eleito orientou escolhas técnicas para seu governo, mas o desafio é não ser engolido pela esperteza política.

Troca de bastão

Gilberto Kassab deve assumir no futuro governo paulista o protagonismo que na campanha foi exercido pelo experiente Guilherme Afif.

Troca de deputados cria até ‘comércio paralelo’

A disputa dos novos deputados federais pelos apartamentos funcionais em Brasília criou uma espécie de comércio paralelo nos últimos meses do ano. A demanda é tão grande que os atuais deputados, derrotados nas últimas eleições, que estão de partida, podem até cobrar “pedágio” para ceder o ambicionado apartamento funcional. A troca é simples: o ocupante cede o imóvel antes dos três meses regulamentares, desde que o novo inquilino tope pagar pelo mobiliário no qual investiram.

Business

Deputados novatos conseguem moradia mais cedo e os derrotados na eleição levantam verbas para pagar, inclusive, as dívidas de campanha.

Disputa silenciosa

Imóveis funcionais bem localizados e conservados, alguns repaginados por decoradores, são uma das disputas silenciosas do poder, na cidade.

Mais que feudo

Na Câmara, por exemplo, são 432 imóveis. Cabe ao poderoso 4º Secretário da Mesa Diretora, a prerrogativa por administrar os imóveis.

Eles estão de volta

A invasão de antigos lobistas a Brasília, muitas deles com passagens pela política, fazem a festa de bares e restaurantes da cidade, agora lotados. Andavam sumidos desde a posse de Bolsonaro no Planalto.

Opções abertas

Com o apoio da esquerda à reeleição do presidente da Câmara, Arthur Lira, ganham força os ex-ministros e senadores eleitos Tereza Cristina (MS) e Rogério Marinho (PL) para presidir o Senado em 2023. O PL elegeu a maior bancada e, pela tradição, deve presidir o Senado.

Mau presságio

A Comissão de Orçamento aprovou verba extra de R$380 milhões para a Petrobras por aditivo a contrato do gasoduto Rota 3, que escoará gás do pré-sal de Santos. Em tempos de “novo governo”, nunca se sabe.

Censura vergonhosa

Após reativar de 50 mil contas banidas no Twitter, nenhuma delas de esquerdistas, Elon Musk promete abrir os arquivos da censura. Tomara que inclua o vergonhoso histórico da censura da rede social no Brasil.

Agora vai?

Virou notícia no ex-relevante LeMonde Diplomatique visitas do editor do Wikileaks a líderes latinos e Lula para pedir apoio no caso de extradição de Julian Assange, preso no Reino Unido... com apoio dos EUA.

Atitude responsável

O líder republicano, partido que comandará o Senado dos EUA em 2023, avisou que estão com os dias contados “gastos irresponsáveis” de Joe Biden. No Brasil, a irresponsabilidade está definida. Falta acertar o valor.

Ataque de nervos

Questionado durante um voo, ontem, sobre sua omissão no apoio à CPI da Toga, o deputado Fabio Trad (PSD-MS) ficou nervoso e saiu pela tangente atacando o presidente da República, que chamou de “ladrão”.

Olha a diferença

O total estimado de gastos do Catar com a Copa do Mundo é de US$300 bilhões, cerca de R$1,55 trilhão. O custo estimado da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, de R$38 bilhões, equivale a 2,4% dos gastos cataris. 

Pensando bem...

...melhor deixar 2023 para o ano que vem.

PODER SEM PUDOR

Proibido para ingênuos

Prefeito de São Paulo no final da gestão, em 1988, Jânio Quadros pensou em Sílvio Santos para sua sucessão e pediu ao deputado Gastone Righi para reuni-los em almoço. Jânio foi direto ao ponto, perguntando a Sílvio se ele se relacionaria com os vereadores. “Simples”, reagiu Sílvio, explicando: “Os vereadores foram eleitos pelo povo e como sou vou mandar projetos de interesse do povo, eles vão aprovar tudo. Vai ser tranquilo.” Jânio pigarreou, soltou um “compreendo”, percebendo que tratava com um principiante e, após alguns instantes de silêncio, pediu ao anfitrião: “Gastone, meu bem, seria bom mandar servir o almoço.” E não se falou mais no assunto.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

Cláudio Humberto

"Mostrou roubalheira enorme"

Romeu Zema (Novo), sobre queda do sigilo do caso Master

13/09/2026 07h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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Moraes lidera número de pesquisas em crise do STF

Apontado como partícipe de intensa troca de mensagens com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes liderou o interesse de pesquisas no Google no último mês, conforme dados da plataforma. O pico da pesquisa foi em 1º de setembro, quando o ministro André Mendonça levantou o sigilo de relatório da Polícia Federal que revelou mensagens de Vorcaro a número atribuído a Alexandre de Moraes.

 

Interesse na capital

O índice do interesse tem escala de 0 a 100. O Distrito Federal liderou as pesquisas (100), seguido por Mato Grosso (66) e Rondônia (66).

 

Diferença

Enquanto Moraes bateu os 100, as pesquisas por André Mendonça bateram o pico na mesma data, mas com menos da metade (44).

 

Epicentro da crise

Até pesquisas por “STF” despertaram mais interesse do brasileiro do que Mendonça, atingiu 58 no índice de pesquisas.

 

Ninguém liga

Os números mostram que o interesse pelo filme “Dark Horse” não decolou. O pico foi na quinta-feira, só 23 na escala.

 

Governo Lula: R$90 milhões com viagens em 14 dias

O governo Lula (PT) conseguiu torrar cerca de R$90 milhões com viagens nas últimas duas semanas. Segundo dados do Portal da Transparência, o total de despesas com descolamentos já ultrapassa R$1,3 bilhão em 2026. Foram R$735,8 milhões com diárias distribuídas a funcionários e outros R$560,3 milhões com as passagens aéreas. O total não inclui a fortuna gasta nas viagens de Lula e da primeira-dama Janja.

 

Em dólar

Viagens internacionais do governo do PT já custaram R$161,7 aos pagadores de impostos. Foram R$8 milhões nas últimas duas semanas.

 

Tem mais

O governo petista conseguiu torrar também R$7,8 milhões com “outros gastos” de viagens. São taxas, seguros de viagens etc.

 

Número 1

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, é número um entre os gastões com viagens: R$510 mil com passagens e diárias, diz a Transparência.

 

Falta combinar com o eleitor

A ordem na campanha de Lula é evitar que a eleição vire, nas palavras de petistas, “Fla x Flu” de ministros do STF. A estratégia é deixar Moraes e Mendonça brigando e tentar puxar o eleitor para outros assuntos.

 

Combustível eleitoral

Medidas do governo para segurar os preços dos combustíveis devem custar R$40 bilhões por seis meses, diz Bruno Moretti (Planejamento). O alívio é no posto e a conta estaciona no bolso do pagador de impostos.

 

Tudo certo, mas...

O TCU encontrou as projeções fiscais do governo formalmente dentro das metas, mas apontou aumento do déficit efetivo e problemas de transparência e consistência das estimativas. “Certo” com “ressalvas”.

 

Soberba na conta

Internamente, a campanha de Lula reconhece que subestimou a dificuldade da disputa contra Flávio Bolsonaro (PL). Até prepara mobilização neste domingo (13) para tentar “chacoalhão” na candidatura.

 

Cara de pau

Lula tomou invertidas ao celebrar o fim da taxa das blusinhas, criada por ele mesmo. Seguidores nas redes sociais não perdoaram, “a quadrilha do PT é assim, te quebram uma perna, depois te dão uma muleta”.

 

Na terça

Já tem data o novo depoimento de Daniel Vorcaro na Polícia Federal sobre as fraudes financeiras em operações com o BRB. O ex-banqueiro dono do Master falará à PF na terça-feira, dia 15.

 

Em queda

Caiu 66,6% o número de crianças registradas como cidadãs italianas no Brasil em 2025. O dado é do Instituto Nacional de Estatística da Itália (Istat), que relacionou parte da redução às novas regras para a transmissão da cidadania aos filhos nascidos no exterior.

 

Fatura petista

Rogério Marinho (PL-RN) apontou os R$120 bilhões a mais em tributos sobre consumo para 2027. Diz o senador que é o método do PT: aumentar gastos e empurrar a dívida para cima de quem trabalha.

 

Pensando bem...

...a aliança com Lula deu PT.

 

PODER SEM PUDOR

Cláudio Humberto

Greve teatral

O Ato Institucional nº 5, que revogou as liberdades democráticas no Brasil de 1968, levou muitos adversários do regime militar à cadeia. Entre eles Carlos Lacerda, que resolveu iniciar uma greve de fome no cárcere. O médico e amigo Antônio Rebello, que monitorava o pulso de Lacerda, começou a ficar preocupado e vivia implorando para que o líder carioca suspendesse a greve. Um dia fez uma comparação definitiva: “Você está tentando fazer Shakespeare no País da Dercy Gonçalves!”. Percebendo o ridículo da situação, Lacerda desistiu da greve na hora.

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