Colunistas

CLÁUDIO HUMBERTO

"Nós estamos passando por cima do legislador"

Ministro André Mendonça (STF) contra a descriminalização do porte de drogas

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Ministros como alvo impulsionam CPI do Arrozão

A oposição viu saltar a adesão à CPI para investigar denúncias de falcatruas na suspeitíssima decisão de importar arroz sem a menor necessidade e contrariando previsão da própria Conab de safra maior em 2024/2025. Para o deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS), os depoimentos do ministro Carlos Fávaro (Agricultura) e do ex-secretário de Política Agrícola Neri Geller implicam dois figurões do governo Lula: Rui Costa (Casa Civil) e Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário).

Faltam... 13

O dia amanheceu com 158 assinaturas pela instalação da CPI do Arrozão. Para sair do papel, são necessários 171 signatários.

Sai um, vêm dois

A 158ª adesão à CPI eras mantida em segredo ontem, após uma deputada sucumbir à pressão do Planalto, retirando a assinatura.

Cabo de guerra

Três deputados que orbitam ao redor de Arthur Lira (PP-AL) garantem que o presidente da Câmara é um entusiasta da criação da CPI.

Boi de piranha

Lira tem boa relação com Geller, de quem é correligionário. Entre os deputados, a avaliação é de que o ex-secretário virou bode expiatório.

Aliados resistem à chapa e querem escantear PT

O plano do PT de registrar candidaturas em todas as capitais, nas eleições deste, ano virou dor de cabeça para prefeitos que preferem não colar a imagem no partido de Lula. Em Recife (PE), João Campos (PSB) vive às turras com os petistas e deve oferecer a cadeira de vice ao PCdoB ou ao MDB, apesar da pressão da presidente do PT, Gleisi Hoffmann. Campos não confia nos petistas e tem como favorito Victor Marques Alves (PCdoB), ex-chefe de gabinete de antigo elo ao PSB.

Feriado no domingo

O grupo de João Campos avalia que não soma votos dar a vaga de vice a petista: eleitores de esquerda tendem a votar no prefeito socialista. 

Antes só...

Eduardo Paes (PSD), prefeito do Rio, reduto eleitoral de Jair Bolsonaro, sabe que dobradinha com o PT não corre o risco de dar certo.

O contrário existe

Em São Paulo, é o inverso. É o PT que reluta em assumir chapa com Guilherme Boulos (Psol). Há até apoio velado a Ricardo Nunes (MDB).

Pedalada 2.0

O Tribunal de Contas da União investigará (?) a contabilidade criativa do governo que alterou dados da Previdência para reduzir projeções de despesas e liberar recursos a aliados. “Práticas típicas do padrão PT”, conclui o autor do pedido, senador Rogério Marinho (PL-RN).

Galípolo no telhado

Com a derrota de Lula no Copom, que ignorou seus esperneios e cravou a Selic em 10,50%, subiu no telhado a opção do diretor Gabriel Galípolo para assumir a presidência do Banco Central no fim do ano. 

Sem ter o que fazer

Sem temer o ridículo, o PT entrou na Justiça contra o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, por “articulação política”. Faltou explicar que os indicados de Lula votaram pela manutenção da Selic.

Sr. Desajuste

“Desajustado é um presidente que mente desse jeito sem qualquer constrangimento”, rebate o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em defesa de Roberto Campos Neto, do BC, chamado de desajustado por Lula.

Bebê não é ‘monstro’

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) cobrou retratação do presidente Lula por chamar bebê fruto de estupro de “monstro”. “Que culpa ela tem? Equiparar a criança de um estupro ao estuprador é barbárie”.

Nissan lacradora

Desde 2021, a Nissan participa do ‘Princípios de Empoderamento das Mulheres’ da ONU Mulheres e o Pacto Global das Nações Unidas. Mesmo assim, até hoje, na América do Sul, há apenas uma mulher em cargo executivo de direção e nenhuma no Brasil.

Mentira como ‘prova’

A deputada Silvia Waiãpi (PL-AP), cassada pelo TRE-AP, diz que não fez harmonização facial com dinheiro de campanha. A parlamentar diz que o recibo é falso e que não fez tratamento dentário e nem harmonização.

Ativista expulso

Esquentou o clima entre um militante da esquerda e Gilvan da Federal (PL-ES), em reunião de comissão da Câmara. O ativista radical mostrou o dedo ao deputado, que levantou, enquadrou e providenciou a expulsão.

Pensando bem...

...“enviado especial” à cabeça do presidente não é cargo novo em muitas redações.

PODER SEM PUDOR

Ele era do contra

Presidente do Corinthians, Vicente Matheus usava as ligações com o poder, no regime militar. Teve um problema com terrenos na praia do Guarujá, em São Paulo, e um oficial da Marinha o ajudou. Ficou tão grato que lhe ofereceu uma festa. Orgulhoso, apresentava-o assim: “Este é o meu amigo almirante!” O oficial nada dizia, até que perdeu a paciência: “Eu não sou almirante. Eu sou contra-almirante.” O presidente do Corinthians não contou conversa: “Você é contra almirante? Pois também sou. São todos uns vigaristas!” Quase foi preso.

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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