Colunistas

CLAÚDIO HUMBERTO

"O ministro [Dias Toffoli] não é burro, ele sabe o que está fazendo"

Senador Alessandro Vieira (MDB-SE) diz que Dias Toffoli quer a nulidade do caso Master

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Ministras estão entre as menos recebidas por Lula

Não bastasse ignorar a tal paridade de gênero na hora de escolher ministros de Estado ou indicações para tribunais superiores, Lula (PT) também coloca no fim das prioridades as agendas privadas com as mulheres que ocupam alguma pasta na Esplanada dos Ministérios. Dos 10 ministros com menor número de agenda reservada com o petista, sete são mulheres, todas com no máximo duas reuniões com o chefe.

Oi e tchau

Márcia Lopes (Mulheres), Margareth Menezes (Cultura) e Cida Gonçalves (Mulheres), tiveram apenas um despacho com Lula, em 2025.

Passe no RH

As três ministras empatam em reunião com Paulo Pimenta (ex-Secom), só que ele ficou apenas uma semana de 2025 no cargo até ser demitido.

Até repetiu

Sônia Guajajara (Povos Indígenas), Anielle Franco (Igualdade Racial), Luciana Santos (Ciência) e Macaé Evaristo (Direitos Humanos) têm dois.

Porta aberta

Rui Costa (Casa Civil) parece mesmo ter prestígio com o chefe, foi o mais recebido pelo segundo ano consecutivo, 36 despachos.

PT espera Tarcísio para definir estratégia em SP

A saída de Fernando Haddad do Ministério da Fazenda, sob justificativa de ajudar na coordenação da campanha de reeleição de Lula, deu tempo ao PT de esperar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Rep), se decidir se vai enfrentar Lula pela Presidência da República ou se, bem avaliado, partirá para a reeleição. Caso Tarcísio escolha tentar renovar o mandato, o PT não deve ter candidato próprio ao governo paulista ou se opor a apoiar um nome do PSB, que vai dar palanque a Lula no Estado.

Cenário 2

Se Tarcísio partir para voos mais altos, como o Planalto, aí sim o ministro da Fazenda deverá entrar na jogada e lançar candidatura ao governo.

Aos leões

No PSB, por enquanto, o escolhido deve mesmo ser Márcio França, ex-governador interino e ministro de Lula. Geraldo Alckmin não se animou.

Perto de zero

Simone Tebet, ainda no MDB, mas namorando o PSB, é apontada como nome ao Senado e com camisa socialista. O MDB-SP apoia Tarcísio.

Visita solidária

A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) aproveitou o recesso parlamentar e, durante viagem aos Estados Unidos, visitou o colega Eduardo Bolsonaro, que mora no país desde julho do ano passado.

Mais um

A caminhada por “liberdade e justiça” puxada por Nikolas Ferreira (PL-MG) ganhou mais um integrante: o deputado Carlos Jordy (PL-RJ). O ato começou em Paracatu (MG) e segue 240km até chegar em Brasília. Apoiadores de Alagoas e de outros estados estão a caminho.

Na bagagem

Ao antecipar o retorno a Brasília, Edson Fachin, presidente do STF, que assiste seus membros em ligações estranhíssimas com o enrolado Banco Master, vai tentar andar com o tal código de conduta de ministros.

Visita autorizada

O governador Tarcísio de Freitas (Rep-SP) ficou com o primeiro horário de visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, nesta quinta-feira (21). O encontro deve ocorrer entre 8h e 10h.

Tá um sufoco

Preocupa o PT o cenário no Ceará, que anda bem adverso para o governador Elmano de Freitas. Mesmo com a máquina na mão, o petista não consegue sair do empate com Ciro Gomes (PSDB) nas pesquisas.

Petista raiz

Com tudo para assumir a Casa Civil quando Rui Costa sair para disputar o Senado, Miriam Belchior está no PT desde 1981. Em 1986, casou-se com Celso Daniel, ex-prefeito de Santo André (SP), morto em 2002.

Memória

Hélio Lopes (PL-RJ) lembra quando o STF impediu Jair Bolsonaro de nomear o diretor da Polícia Federal, atribuição do presidente. O deputado comparou com decisão de Dias Toffoli (STF) de nomear peritos da PF para analisar provas do Banco Master, sem previsão constitucional.

Segue a briga

Nem de longe está pacificada a relação PT-PSD na Bahia. Famints por poder, petistas querem chapa puro sangue ao Senado, com Jaques Wagner e Rui Costa. Só que Angelo Coronel quer renovar o mandato.

Pergunta no Master

O enrolado banqueiro Daniel Vorcaro tem resort em Brasília?

PODER SEM PUDOR

Vaia silenciosa

Tancredo Neves queria popularizar sua candidatura a presidente no Colégio Eleitoral e foi a um comício em Goiânia (GO). Diante da rejeição ao vice, por suas ligações à ditadura, Tancredo pediu ao governador Íris Rezende para evitar vaias a José Sarney. Íris negociou e conseguiu que a esquerda não o vaiasse, mas no dia do comício, praça lotada, apareceram faixas tipo “Fora, Sarney!”. Ante o olhar de reprovação de Tancredo, Íris deu de ombros: “Vaiar, ninguém vaiou...

CLÁUDIO HUMBERTO

"É inegável que a crise desgastou a nossa campanha"

Edinho Silva, presidente nacional do PT, sobre os escândalos do Master e do STF

20/09/2026 07h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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Pesquisas previam vida fácil de Lula. Mas a realidade...

A duas semanas do primeiro turno em 2022, o Datafolha previa Lula 12 pontos à frente de Jair Bolsonaro no primeiro turno e o Ipec (que era Ibope) chutava vitória de 15 pontos do petista.

Nas urnas, o placar válido foi 48,4% a 43,2%. No segundo turno, o Datafolha previa vitória de Lula com 16 pontos de vantagem, enquanto o ex-Ibope calculava vitória do petista por 19 pontos. Na realidade, a vantagem foi de 1,8% no 2º turno.

Repeteco?

A 15 dias da eleição de 2026, o Datafolha prevê Lula com 39% a 35% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e 46% a 44%, no segundo.

Muro estreito

O Quaest viu vitória de 8% de Lula em 2022 nos dois turnos. Agora prevê Lula à frente por 5% no primeiro, mas derrotado no segundo turno.

Instituto fechou

A duas semanas da eleição 2018, o Ibope errava em 18% o resultado de Bolsonaro no 1º turno. E ainda previu empate com Haddad no 2º turno.

Chegou perto

O instituto Paraná Pesquisa foi quem mais acertou em 2022. A 14 dias da eleição previa vitória de Lula por quatro pontos no primeiro turno.

Especialista vê presidência de Moraes como surreal

Próximo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a tradição, Alexandre de Moraes pode ter o comando da Corte sob impedimento perante a opinião pública, é o que avalia à coluna o professor, mestre e doutor em Direito Constitucional da USP Rubens Beçak, caso o Supremo abra investigação contra o magistrado.

Beçak diz ainda que os ministros deveriam examinar administrativamente se Moraes poderia continuar com os processos relacionados ao Master.

Peça o boné

Para Max Kolbe, advogado especialista em Direito Constitucional, Moraes deveria até se abster de disputar a presidência, caso investigado.

Situação surreal

Kolbe considera “estarrecedor” um investigado comandar a instituição responsável por supervisionar a apuração da própria conduta: “surreal”.

Não dá

No campo político, as críticas ao ministro são ainda mais incisivas, “é um escárnio com a cara do povo”, disse à coluna Rodrigo Valadares (PL-SE).

Tradição não é regra

Por tradição, o presidente o Supremo Tribunal Federal é o ministro mais antigo que ainda não tenha ocupado o posto. A eleição para sucessão de Edson Fachin deve ocorrer em agosto de 2027. Kassio Nunes Marques é o próximo da fila após Alexandre de Moraes.

Caravana

A chapa Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar, do PL, tem investido no Nordeste nestes dias. A meta é percorrer os nove estados da região, tida como prioridade para a campanha.

Arruda no TSE

Derrotado no TRE-DF, José Roberto Arruda (PSD) tenta no TSE validar a indeferida candidatura ao governo do Distrito Federal. Quem vai relatar o recurso na mais alta corte eleitoral é o ministro Dias Toffoli.

Sangria na pauta

O julgamento do dissídio coletivo dos funcionários dos Correios, sem dó da combalida estatal, será nesta segunda-feira (21). Os grevistas querem coisas tipo adicional de 70% sobre férias e 200% sobre repouso ou feriado trabalhado, além de manter regalias tipo vale extra de Natal.

Picadeiro ocupado

Na polêmica sessão do STF que deveria definir se Alexandre de Moraes será investigado pela relação com Daniel Vorcaro, Gilmar Mendes falou durante mais tempo que Cármen Lúcia e André Mendonça... somados.

Foi pouco

Segundo a oposição no Congresso, o aumento do auxílio anunciado por Lula (PT) poderia ser maior do que 15%. “Desde que o imenso rombo da corrupção e do empreguismo público fosse eliminado”, diz um auxiliar.

Nome dado

Rogério Marinho (PL-RN) revelou ao Jornal Gente, da Bandeirantes, que o então líder do governo Lula, Jaques Wagner (PT-BA), recebeu ligação do decano do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, reclamando e “cobrando” após o Senado aprovar projeto que o STF não gostou.

Detalhe

O projeto que os ministros e Gilmar Mendes não gostaram, disse Rogério Marinho, determinava prazo curto para o plenário do STF analisar decisões monocráticas, aquelas expedidas por um só ministro.

Pensando bem…

... no Brasil, nada mais real do que o surreal.

PODER SEM PUDOR

O delegado professor

O jovem Tancredo Neves foi ser promotor em São João Del Rey. Foi chegando e arranjando uma namorada. Mal sabia que o delegado havia proibido namoro nas praças, por isso ele se misturou aos muitos casais que ocupavam um dos jardins públicos da cidade.

A polícia chegou de repente e expulsou todo mundo. Tancredo já ia protestar quando o delegado o percebeu. Rápido, o policial mostrou que tinha muito a ensinar a ele: “Doutor, botei esse pessoal para fora para deixar o senhor à vontade...”. Ah, bom.

 

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

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