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Giba Um

"O presidente Lula perdeu a capacidade de dar esperança ao país. Ele tem pouca paciência",

para a política. Ninguém pode dizer nada a ele, que ele fica irritado",   de ALDO REBELO // ex-ministro e secretário de Relações Internacionais da prefeitura de São Paulo.

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 Outras mensagens encontradas no celular do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência, revelam que o PL, partido de Jair Bolsonaro, pode ter financiado golpistas do 8 de janeiro. Em um dos diálogos usados pelos investigadores para rastrear financiadores, Cid oferece ao major Rafael Martins Oliveira.

MAIS:   o valor que foi oferecido ao major Martins Oliveira seria um auxílio de cerca  de R$ 100 mil para bancar a “ida de um pessoal” para participar das manifestações em Brasília. O “pessoal” seria os “kids pretos”, elite das Forças Armadas que orientariam os vândalos que invadiram os prédios dos Três Poderes.


Bruna internacional

 Parece que a atriz Bruna Marquezine, 28 anos, protagonista do filme Besouro Azul, está sendo bem vista no mercado internacional, tanto que ela tem contrato com a UTA (United Talent Agency), uma das agências de talentos mais prestigiadas de Hollywood. A mais nova empreitada da atriz carioca é ser o rosto do perfume 212 VIP Rosé Elixir, da empresa Carolina Herrera, que possui notas de patchouli, baunilha e também efervescência do pêssego. A escolha de Bruna foi feita pela própria empresa do perfume, que afirma que a atriz é o rosto do que representa a nova geração de fragrâncias existentes. “Bruna tem forte senso de estilo e seu espírito latino incorporam a feminilidade liberada que esta fragrância representa. Forte, sensual, poderosa e ao mesmo tempo lúdica”. Mais: Bruna aparece num ensaio misterioso que foi compartilhado nas redes sociais pelo beauty artist Henrique Martins, em um cenário repleto de colchões e estofados estampados, sem dar detalhes.

Afago caro à classe média

O chamado “pacote da classe média” certamente exigirá o contingenciamento de recursos e algumas casas decimais acima do 0% de déficit fiscal ainda projetado pela Fazenda. Lula não está falando, nem governando para a classe média, que tem ficado fora de seus principais projetos voltados quase todos para o público eleitoral. Entre as medidas que podem agradar estão a queda da alíquota do IR, concursos públicos, corte nos juros no crédito para aquisição de automóveis, ajustes no consignado e outros. São medidas que atingem o público-alvo – e custa muito. O governo, quase inevitavelmente, terá de consignar recursos neste ano e em valor bem superior em 2025. É dinheiro que vai faltar para as despesas cruciais da gestão Lula, sem falar na renegociação das dívidas dos estados. É o que se pode chamar de “afago caro”.

General à salvo


O general Richard Nunes foi acusado pelo general da reserva Walter Braga Netto de ter nomeado, nos tempos da intervenção no Rio, o delegado Rivaldo Barbosa (agora preso por participação no assassinato de Marielle Franco) para a Polícia Civil. O ministro do STF, Alexandre de Moraes, tratou de telefonar rapidamente para o comandante do Exército, general Tomás Paiva, defendendo o general Nunes e também dizendo a seus pares no Supremo que os dois dias que Jair Bolsonaro dormiu na Embaixada da Hungria não era motivo para prisão preventiva por risco de fuga. 


Encontro familiar

Quem não lembra da personagem Lurdes vivido por Regina Casé (que marcou seu retorno as telenovelas) em  Amor de Mãe, a mais longa novela que teve seu primeiro capítulo exibido dia 25 de novembro de 2019 e o final dia 9 de abril de 2021. Brincadeiras à parte a gravação da novela teve que ser interrompida devido a pandemia da covid-19. A personagem fez tanto sucesso que virou filme. Dona Lurdes – o filme, dirigido por Cristiano Marques e roteirizado por Manuela Dias e Claudio Torres Gonzaga estreia amanhã nos cinemas. O longa é uma espécie de continuação da novela que conta a história da protagonista depois que os filhos saíram de casa, tem a síndrome do ninho vazio,  dá a volta por cima e passa a aproveitar ainda mais a vida, contando com a ajuda de uma amiga, vivida por Arlete Sales. A pré-estreia reuniu grande parte do elenco no Cinemark Village Mall, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Há quem deseje que a personagem Zoé de Todas as Flores, também mereça um longa para chamar de seu. 


In –  Livro: Perca o controle
Out – Livro: Lidando com Pessoas Difíceis


Cidadã honorária

Na segunda (25) a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro recebeu o título de Cidadã Honorária da cidade de São Paulo. Autor da proposta para homenageá-la, o vereador Rinaldi Digilio (União-Brasil), diz que contraiu dívida de R$ 100 mil para viabilizar a cerimônia no palco do Teatro Municipal, onde ocorreu o evento. O Tribunal de Justiça havia bloqueado o uso do teatro nessas condições, argumentando que a cerimônia deveria ocorrer na Câmara Municipal de São Paulo. Havia multa de R$ 50 mil se a decisão não fosse cumprida. Digilio, então decidiu alugar o teatro. 

 

 


“Esfarrapada”

A estadia de dois dias de Jair Bolsonaro na Embaixada da Hungria, em Brasília, em fevereiro, será investigada pela Polícia Federal que quer saber se o ex-presidente tentava armar uma manobra para evitar de ser preso pela tentativa de golpe de Estado – e pedir asilo. Ele chegou na embaixada dia 12 de fevereiro, uma hora depois de convocar o ato de 25 de fevereiro na Avenida Paulista, em São Paulo, quando já tinha entregado seu passaporte à Justiça. A informação foi divulgada pelo The New York Times, com exclusividade, na frente de toda mídia brasileira. Justificando, Bolsonaro disse que “frequenta embaixadas de outros países no Brasil”, o que nunca aconteceu antes em sua gestão. E ninguém acreditou: era uma “desculpa esfarrapada”, a se usar uma expressão popular. 


“O presidente Lula perdeu a capacidade de dar esperança ao país. Ele tem pouca paciência para a política. Ninguém pode dizer nada a ele, que ele fica irritado”,  
de ALDO REBELO // ex-ministro e secretário de Relações Internacionais da prefeitura de São Paulo.


LULA TAMBÉM

Para quem tem memória curta: em 2016, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, Lula relutava em se entregar à Justiça. Refugiou-se no sindicato dos metalúrgicos no ABC (grande São Paulo) e tinha planos para escapar da prisão: pediria asilo à Itália. Sua mulher Marisa (na época) e seus filhos tinham cidadania italiana. O atual presidente também teve seu passaporte apreendido, obrigando-o a cancelar uma viagem à África. A Justiça temia que ele fugisse. Muito tempo depois confessou: “Eu poderia ter fugido. Estive na divisa do Paraguai com o Brasil, estive em Foz do Iguaçu, vizinho do Uruguai e da Argentina.

Super empréstimo  1

Dilma Rousseff, presidente do novo Banco de Desenvolvimento, também chamado de Banco dos Brics, acaba de aprovar o que será um dos maiores empréstimos da instituição (R$ 4 bilhões) ao Programa de Modernização e Transformação Ecológica dos Correios. A liberação da montanha de dinheiro depende da aprovação do Senado, que ninguém duvida que virá. A Comissão de Financiamento Externo do Ministério do Planejamento publicou no Diário Oficial a autorização aos governo do empréstimo. Só que nem o Diário Oficial nem o Planejamento, souberam explicar para que servirá o super ervanário.

SUPER EMPRÉSTIMO 2

A operação é toda muito peculiar. De janeiro a setembro de 2023, os Correios acumularam prejuízo de R$ 824 milhões. O resultado contábil do ano passado ainda não está fechado e há quem aposte que o saldo negativo permaneça. Em 2022, o resultado também foi negativo e da ordem de R$ 809 milhões. O super empréstimo pode ser algo a ver com a logística ou sistemas avançados de digitalização. No governo passado, Paulo Guedes colocou os Correios entre as cinco estatais que deveriam ser privatizadas em primeiríssimo lugar.

Dá para comprar

Nos velhos tempos a época da Páscoa era um período de muita empolgação e ansiedade, assim como Natal. Todos ficavam esperando para receber seus ovos de Páscoa. Só que com o passar dos anos, os tão esperados ovos foram diminuindo de tamanho, com escassez do recheio (bombons ou algo similar) e os preços subiram. Por isso a revista Degusta fez uma comparação dos preços dos ovos com barras de chocolate, ou seja, quantas barras dá para comprar com o valor da guloseima de chocolate. No total do comparativo, os ovos têm, hoje em média, 325 gramas (com recheio) com o valor médio de cerca de R$ 52. Levando em conta o comparativo daria para se comprar 12 barras em média do mesmo chocolate que pode totalizar algo em torno de 1kg da guloseima derivada do cacau. 

CAMINHO MAIS CURTO

A Embraer está negociando mais um expressivo contrato de financiamento com o BNDES, que parece ser o caminho mais curto entre a empresa e a Arábia Saudita. O crédito envolveria a venda de 33 cargueiros militares C-390 Millenium para o país saudita. Dependendo da configuração da aeronave, o contrato pode chegar a US$ 4 bilhões. O BNDES é, historicamente, um dos maiores financiadores do fabricante de São José dos Campos (SP). No ano passado, o banco aprovou sete operações de financiamento para a Embraer, um pacote que englobou R$ 10 bilhões e a venda de 67 aeronaves.

MISTURA FINA

DIPLOMATAS garantem que o ex-presidente Jair Bolsonaro nunca frequentou embaixadas estrangeiras no Brasil e que “não tem boas relações internacionais”. Ao contrário, chefes de Governo de países ocidentais, desde seu governo, não lhe poupam críticas. Num evento do PL, Bolsonaro aproveitou para defender Israel: “Não tenho passaporte, está detido. Se não, estaria com Tarcísio e Caiado, nessa viagem que fizeram a Israel, um país irmão e fantástico sob todos os tempos”. Está longe da verdade: nesse conflito Hamas-Israel, ele nunca defendeu o país israelense. 

O EMBAIXADOR da Hungria em Brasília, Miklos Halmai, não forneceu explicações ao governo brasileiro na reunião com o Itamaraty, convocada depois da revelação do ‘esconderijo’ de Jair Bolsonaro na sede da representação diplomática do país, em fevereiro. Halmai ficou em silêncio a maior parte do tempo. E em outra ficou trocando mensagens com superiores pelo celular. 

JAIR Renan Bolsonaro, filho “04” do ex-presidente Jair Bolsonaro, acaba de entrar para a política e se filiou ao PL (claro). Acompanhado pelo governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, ele anunciou que será candidato a vereador em Balneário Camboriú, cidade do litoral catarinense. Jair Renan ocupa cargo de assessor parlamentar do gabinete do senador Jorge Seif (PL-SC) em Balneário. Recebe líquido da função R$ 7.642,84.

DESDE sua posse até agora quando chega aos 100 dias de seu discutido governo, o presidente Javier Milei, da Argentina, mantém o aparato do poder a serviço da guerra cultural. Há duas semanas, o alvo foi o Instituto Nacional de Cinema (a Argentina, hoje, tem excelentes produções cinematográficas conquistando espectadores em todo mundo). Ao anunciar “cortes drásticos” no órgão, o Ministério do Capital Humano (?) usou uma nota oficial para atacar artistas e realizadores. “Terminaram os anos em que se financiavam festivais de cinema com a fome de milhares de crianças”. 

A BIOGRAFIA  Susana Vieira: Senhora do Meu Destino, que ela escreveu junto com Mauro Alencar, especialista em teledramaturgia, entra em pré-venda nos próximos dias, editado pela Globo Livros. Num trecho, a atriz diz que “a vida vivida não se ensina”. E emenda: “Mas, por meio deste livro, quero compartilhar a fascinante experiência humana que representa meu equilíbrio entre a Susana Vieira e a Sônia Maria (é seu nome verdadeiro).

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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