Colunistas

Cláudio Humberto

"O que esperar de um governo que só quer aumentar a arrecadação?"

Rosangela Moro (União-SP) sobre Lula vetar desoneração da folha de pagamento

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Digitais do Planalto na PEC ficaram óbvias no STF

Ao menos um resultado prático na aprovação da PEC 8/2021, que limita poderes de decisões individuais no Supremo Tribunal Federal (STF): a falta de empenho do Palácio do Planalto e do presidente Lula para ajudar a barrar a decisão acachapante de 52x18 votos. Além do voto favorável do líder do governo, Jaques Wagner (PT), o STF percebeu a anuência de Lula na liberação dos governistas para votar como quisessem, com indicação de “sim”, incluindo a bancada do PSB do vice Geraldo Alckmin.

 

Rebeldia específica

Sete de oito senadores do PT votaram contra, mas Wagner, mais ligado a Lula, foi autorizado a apoiar o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco.

 

Maranhão: sim

Vice-líder do governo, Weverton Rocha (PDT-MA) votou a favor. Suplente de Flávio Dino, Ana Paula Lobato (PSB-MA) deu um jeito de faltar.

 

Bahia: sim

A bancada da Bahia, terra do ministro Rui Costa (Casa Civil), de Wagner e senadores do PSD Otto Alencar e Angelo Coronel, foi unânime: sim.

 

Estes têm ministérios

O União Brasil de Davi Alcolumbre foi unanime a favor da PEC: sete votos a favor. Entre os 11 do MDB, 4 faltas e 4 favoráveis, só três contra.

 

Ciro: presidente da Caixa caiu por incompetência

O presidente nacional do Progressistas (PP), senador Ciro Nogueira (PI), negou que os partidos de centro, aglutinados no “centrão”, tenham pressionado pela demissão da ex-presidente da Caixa Rita Serrano. “Ela foi demitida por incompetência”, afirmou o político, durante entrevista ao podcast do Diário do Poder, lembrando que a moça chegou ao cargo apenas como uma concessão aos sindicalistas, onde atuava na Caixa.

 

Sem perigo de dar certo

O senador está convencido de que não poderia dar certo. Para ele, Rita Serrano não tinha qualificação e principalmente experiência para o cargo.

 

Nunca foi nem gerente

“Ela nunca exerceu sequer a função de gerente de agência na Caixa”, diz ele, observando que o governo não demorou a perceber o erro.

 

Estofo é fundamental

Serrano foi substituída por Carlos Vieira Fernandes, que, ao contrário, tem experiência, foi até ministro e não teve veto das forças políticas.

 

Assalariado que se exploda

O veto de Lula à desoneração da folha de pagamento revela desdém aos trabalhadores dos 17 setores que mais empregam no Brasil: se prevalecer a estupidez, 600 mil perderão seus empregos em janeiro.

 

Não sabem o que fazem

Também revela ignorância da área econômica o veto à desoneração da folha: será gasto mais dinheiro que o montante que espera arrecadar, em seguro-desemprego, bolsa família etc. para os 600 mil desempregados.

 

PR & damage control

Após a aprovação da PEC 8, Jorge Seif (PL-SC) disse que senadores eram assediados por ministros do STF durante a votação no plenário. Jornalista do Estadão disse que ministro “respondia em tempo real” a entrevista de Rui Costa (Casa Civil), via mensagens (e até figurinha).

 

Quem define a pauta?

Após a PEC que limita decisões monocráticas anulando atos dos outros Poderes, o presidente do STF, Luis Roberto Barroso, quis até definir a pauta do Legislativo, citando temas “prioritários”. Se fosse o contrário...

 

Vergonha alheia

Advogados ficaram envergonhados com a atitude acovardada de Beto Simonetti, presidente da OAB. Em vídeo, nem sequer citou Alexandre de Moraes quando “reagiu” ao desdém do ministro ante eventual queixa da entidade por haver negado direito de sustentação oral a um advogado.

 

Pelo ralo

Os vetos de Lula a indenizações, licenças e aposentadoria integral para policiais civis não surpreenderam a deputada Rosângela Moro (União-SP): “Mais um papo eleitoreiro e populista que foi pelo ralo”.

 

Esqueleto de vidro

Rogério Marinho (PL-RN) ironizou o arcabouço fiscal de Lula & cia. após notícia que gastos continuam a superar a arrecadação: “imaginamos que não iria resistir ao primeiro ano, mas ele não resistiu nem ao preâmbulo”.

 

Ranking dos péssimos

As operadoras Claro, em 1º, Vivo e TIM lideraram a lista de empresas com maior número de reclamações no Procon de São Paulo, em 2023. O Pan é o primeiro banco do Top10. O bancão Itaú é a 8ª pior empresa.

 

Pensando bem...

...se o jogo esta semana foi combinado, os atores merecem Oscar.

 

PODER SEM PUDOR

Passando a sacolinha

Em campanha eleitoral, Jânio Quadros reuniu empresários para pedir dinheiro. Advertiu para o “perigo comunista” (Eduardo Suplicy, do PT, e Fernando Henrique Cardoso, PMDB, eram os adversários na disputa para prefeito de São Paulo) e pediu apoio “para salvar os próprios pescoços” dos empresários. Eles, no entanto, permaneciam relutantes. Jânio radicalizou: “Os senhores são tão usurários, tão miseráveis, que quando veem um pobre lhe pedem as horas!” Eles deram muitas risadas. E bastante dinheiro.

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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