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Giba Um

"Olhem as eminhas que nasceram aqui no Alvorada. Elas vão crescer livres"

do presidente LULA // provocando Jair Bolsonaro, que em 2020 foi acusado de "supostamente" dar o medicamento as aves que viraram símbolo do Planalto.

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A guerra Israel-Hamas, se começa com uma carnificina, pode piorar com o atacado (Israel) bloqueando Luz, água e comida e se transformar num conflito internacional de consequências imprevisíveis. Bastaria o Hezbollah entrar na guerra atraindo o mundo árabe.

Mais: do outro lado, EUA e Europa assumem o lado de Israel e ninguém pode prever o que fariam, diante desse cenário trágico, como ainda pode acontecer na guerra Ucrânia-Rússia. Muitos apostam que bastam reféns serem assassinados para que os Estados Unidos entrem em campo. 

Fotos Reprodução


Ousadia na 
premiação

A 9ª edição da Premiação Geração Glamour (dedicado a celebrar os nomes femininos de maior destaque em diferentes segmentos como entretenimento, ciência, ativismo, engajamento social, tecnologia, moda entre outros), aconteceu  na segunda (9) no hotel JW Marriott, em São Paulo, com a temática: “Jornadas Brilhantes”. Dividido em 17 categorias diferentes, incluindo pela primeira vez, uma com votação popular. Com apresentação de Sabrina Sato e Linn da Quebrada,  show de Manu Gavassi em tributo à Rita Lee com o seu projeto “Fruto Proibido”, foi marcado de muita ousadia. Bastante corpo a mostra com transparências, tops, fendas e também muito brilho. Entra as que mais ousaram estavam, da esquerda para à direita, a cantora Marina Sena (que ganhou como cantora do ano) Bruna Gonçalves (companheira de Ludmilla), Jade Picon influencer que está esperando nova oportunidade como atriz, Letticia Munniz, modelo plus size e ativista body positive, a cantora Giulia Be, que foi indicada na categoria Melhor Interpretação Urbana em Língua Portuguesa da 24ª edição do Grammy Latino, e a deputada federal trans Erika Hilton que entregou o troféu da categoria Elas no Poder para Sonia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas. 


Manifestação 
de bom senso


 O Brasil respirou aliviado quando o presidente Lula, embora não citando o Hamas, que lhe cumprimentou pela vitória em 2022, não adotou publicamente qualquer posição desastrada (como as já ocorridas em relação à batalha Ucrânia vs. Rússia) e manifestasse total repúdio em relação aos ataques sofridos por Israel, classificando-os como “terrorismo”. O primeiro resultado dos terroristas foi a morte de mais de 900 pessoas, além de 150 reféns, incluindo mulheres e crianças (essas, presas em gaiolas), que agora ameaçam matar caso Israel não cesse os bombardeios. Os analistas condenam o que chamam de “guerra suja” por parte do Hamas e ninguém sabe se Israel recuará, depois da convocação de 300 mil reservistas. Agora, aviões do governo estão buscando brasileiros que querem cair fora de Israel. O Brasil, à propósito, neste mês, preside o Conselho de Segurança da ONU. O governo estima que serão necessários 15 voos para resgatar os brasileiros da zona de conflito entre Hamas e Israel. O número inicial dos que queriam vir embora de lá subiu para 2,3 mil. Antes, o total era de 1,7 mil. São usados aviões da FAB no processo e duas aeronaves já começaram o translado. O Itamaraty estima que há 1,4 mil brasileiros residentes em Israel e 6 mil brasileiros na Palestina. Além disso, o mesmo Itamaraty articula plano de evacuação de brasileiros na Faixa de Gaza. 


Fazendo
moda

A equipe feminina de ginástica artística do Brasil está com a vaga praticamente garantida para as Olimpíadas de Paris 2024 ao conquistar o  3º lugar no Mundial da Antuérpia.  A seleção  é formada por Rebeca Andrade, Flávia Saraiva, Jade Barbosa, Lorrane Oliveira e Júlia Soares. Além da conquista  do ouro no salto por Rebeca, os collants também chamaram a atenção do brasileiros. E a estilista da peça faz parte da equipe.  Jade Barbosa é a responsável  (pelo segundo ano consecutivo) da criação. Jade tem uma  empresa de roupas de ginástica juntamente com o pai. Jade lembrou: “O collant também faz parte da apresentação”. 

Influência, não


Lula promete “não poupar esforços” para ajudar no término da batalha. Não tem, contudo, poder de influência para essa quase impossível missão. Defende a adoção de termos dos Acordos de Oslo, selados há 30 anos entre os dois lados. Nos governos anteriores, o petista ficou contra desvios de Israel ao acerto de Oslo, que permitiam que o Hamas dominasse a população da faixa de Gaza. Desta vez, muitos correligionários de Lula esperavam dele uma posição pró-Hamas, cujo nome chegou a omitir de seu comunicado, deixando de lado a origem do conflito. 

In – Pink Fizz
Out – Royal Fizz
 

  


“Cotão” caro


Os 81 senadores adoram gastar a Cota para Exercício da Atividade Parlamentar, conhecida como “cotão” que eles usam para ressarcir quaisquer despesas, do restaurante de luxo ao aluguel de jatinho. De janeiro para cá, eles já embolsaram R$ 20,9 milhões, segundo registro da Transparência. Com esse dinheiro, pagam aluguéis, propaganda, passagens e também serviço de segurança privada. O senador que mais gastou foi Omar Aziz (PSD-AM), R$ 507,5 mil. E o único que superou meio milhão de reais. Já Jorge Kajuru (PSB-GO) nunca usou um centavo.

 

 

 

 

 

Despencando


Os pagamentos que o Brasil realiza à ONU todos os anos estão no menor nível desde 2019. Dados do Portal da Transparência revelam que, após receber mais de R$ 506 milhões em 2022, a ONU recebeu até agora no primeiro ano do terceiro governo Lula apenas R$ 134 milhões dos R$ 847 milhões que estavam previstos. Outros R$ 174,3 milhões foram pagos à título de “restos a pagar” do último ano da administração anterior. Em 2023, Lula fez três pagamentos à ONU. O maior de R$ 130 milhões (95% do total) foi em agosto, às vésperas da Assembleia em Nova York. 

OUTRO MINISTÉRIO


Arthur Lira, presidente da Câmara, quer derrubar o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro. Já fez chegar ao Planalto a indicação do deputado federal Pedro Lupion (PP-PR), presidente da Frente Parlamentar da Agricultura. Lira já tem conversado com o ministro Alexandre Padilha (Articulação Política) para reduzir dentro do governo restrições ao nome de Lupion. Ele é próximo de Jair Bolsonaro e costuma apoiar pautas e posições da ala mais radical da bancada ruralista e do agronegócio. 

Prefere o TCU


Senadores de diversos partidos estão desapontados com os sinais de que o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) está embarcando num projeto que acreditam que constrange por apequenar o próprio presidente do Senado. A ideia é garantir a boquinha de ministro do TCU, órgão de assessoramento do Poder Legislativo, desistindo do sonho de virar ministro do STF (e até mesmo de sua candidatura em 2026 ao governo de Minas Gerais). A jogada é apoiar o presidente do TCU, Bruno Dantas para a vaga do STF e, em troca, herdar o cargo dele. 

BOLSA CHEIA

A secretária de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente, Ana Toni, ouvida na CPI das ONGs na Amazônia, integrava o conselho do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia e em 2012, viu sua entidade assinar contrato com o BNDES e embolsar R$ 23,4 milhões. Depois, conseguiu mais R$ 7,8 milhões do governo federal. Tudo para dar apoio a “famílias assentadas” pelo Incra, compromissadas “com a redução do desmatamento no Oeste do Pará”.

Títulos verdes


O governo reserva um papel importante para o BNDES e a Petrobras no lançamento de títulos verdes já anunciados pelo ministro Fernando Haddad (Fazenda). A ideia da discussão na equipe econômica é usar o banco de fomento e a petroleira para garantir a emissão na Bolsa de Nova York, estimada em R$ 10 bilhões pela própria Pasta da Fazenda. BNDES e Petrobras estariam comprando parte dos títulos, como forma de estimular a demanda e assegurar a colocação dos green bonds. As duas estatais funcionariam como uma espécie de avalistas do lançamento. De quebra, BNDES e Petrobras colocariam na carteira papéis com um razoável potencial de rentabilidade.


Na contramão


Muita gente – e até mesmo o próprio Lula – teria preferido que o ex-chanceler Celso Amorim, 81 anos, assistente de Relações Internacionais, ficasse de boca fechada. Ele preferiu dizer que “o ataque vem depois de anos e anos de tratamento discriminatório por parte de Israel”. E emendou: “O que acabou de acontecer (o ataque do Hamas) é apenas uma demonstração, grave, com consequências, do que acontece, pela perda de esperança na paz”. Analistas internacionais rebatem afirmando que, em décadas, o Hamas nunca teve nenhuma “esperança de paz”. Ao contrário, só pensou em destruir Israel que, agora, pediu licença ao mundo para tirar o Hamas de cena. 

VÍDEOS DE APOIO


O ex-presidente Jair Bolsonaro e sua mulher Michelle (ele é presidente de honra do PL e ela é coordenadora do PL Mulher) deverão fazer um giro eleitoral nos estados a partir de março para gravar vídeos com candidatos às principais prefeituras. Antigos aliados como o ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga, cardiologista, deverão concorrer. Outros serão deixados no caminho ou disputarão as Câmara de Vereadores, como é o caso do Major Vitor Hugo, em Goiânia. Ele foi deputado federal e líder do governo Bolsonaro na Câmara. Tentou ser governador de Goiás e ficou em terceiro lugar.

MISTURA FINA


 JEAN Paul Prates, presidente da Petrobras, tem usado, publicamente o termo “surpresas” e não é uma mera força de expressão. A estatal pretende retornar à distribuição de combustível e também ao setor de GLP. Lula já repetiu sua intenção de recomprar a antiga BR Distribuidora. “Surpresa” mesmo, contudo, seria o retorno da estatal à comercialização de combustível. Resumo da ópera: a Petrobras quer comprar a Ipiranga, do Grupo Ultra. No caso do GLP, entre as cartas colocadas sobre a mesa, a principal delas seria a recompra da Liquigás. 

 LONGE da cena política, Ciro Gomes (PDT) está apostando em canais de comunicação independentes. Mantém uma newsletter semanal paga, cuja assinatura custa R$ 20 ao mês e agora passou a levar parte do conteúdo para seu canal no YouTube. Já tem 4,2 mil assinantes e, como sempre, senta fogo nos adversários, especialmente em Lula, seu ex-aliado de muitos anos atrás. E não quer saber de quaisquer candidaturas em 2024.

 O JURISTA Ives Gandra Martins considera que o STF precisa voltar ao período de Moreira Alves (falecido há dias), um dos mais respeitáveis ministros da história da Corte. Diziam-se na época dele que “o Supremo é o guardião da Constituição e Moreira Alves é o guardião do Supremo” (ele foi um dos ministros mais qualificados). Mais: Ives Gandra é contra mandato do STF para evitar  contaminação política na Corte. “A solução é mudar o critério de escolha”, sugere. 

A FIXAÇÃO do mandato para ministros do STF pode se estender a ministro dos demais tribunais superiores. As mesmas alegações pró-mandato se aplicariam aos ministros do Superior Tribunal de Justiça, Tribunal Superior do Trabalho, Superior Tribunal Militar, além do TCU. A possibilidade foi suscitada na declaração do ministro do TST, Carlos Alberto Reis de Paula, atualmente aposentado e ganhou ampla repercussão. 

O SOFTBANK quer de desfazer da sua posição na Dotz, plataforma de benefícios. A ideia é vender a participação em bloco no mercado secundário e diferir as perdas. O investimento da empresa brasileira é responsável pelo amargo prejuízo na carteira do Softbank Latin America Fund LP, o principal fundo do banco japonês na região. De junho de 2021 para cá o papel caiu de R$ 13,20 para R$ 1,12, uma queda de 91%. O Softbank, maior investidor em venture capital do mundo, é um exemplo da mega crise que atinge o segmento. No último ano fiscal, registrou um prejuízo de mais de US$ 4 bilhões. 

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Claudio Humberto

"Se você está endividado, a culpa é do governo Lula"

Flávio Bolsonaro (PL), candidato ao Planalto, ao prometer organizar as contas públicas

23/08/2026 08h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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Oposição critica PGR engajada à defesa de Lula

Opositores estão indignados com o procurador geral da República (PGR), acusado de “engajamento” na defesa de Lulinha, filho de Lula (PT), investigado por tráfico de influência e corrupção. Paulo Gonet tentou retirar a relatoria de André Mendonça, ministro do STF que não se submete a Lula, e depois tentou levar o processo à 1ª instância. “Absurdo”, diz Marcel van Hattem (Novo-RS), lembrando que, nomeado por Lula, Gonet se opôs a 1ª instância julgando casos do 8 de janeiro.

Batom na cueca
Gonet se esforça para tirar do STF dois dos três inquéritos contra Lulinha relatados por Mendonça. O outro permaneceria nas mãos de Flavio Dino.

Guinada ridícula
Para van Hattem, é até ridículo a PGR mudar de posição sobre 1ª instância quando o investigado é o filho do presidente da República.

Críticas na academia
Professor de pós-graduação da USP e mestre e doutor em Direito Constitucional, Rubens Beçak também se associa aos críticos da PGR.

Escândalo paralelo
Já Evair de Melo (PP-ES) acha que não tem como retirar o caso Lulinha do STF pelas conexões do filho de Lula com o escândalo do INSS.

PL espera ter duas vezes mais senadores que o PT
Nas primeiras pesquisas que já circulam dentro do PL, o partido projeta pelo menos o dobro de senadores em relação ao PT. A Casa Alta é a prioridade da sigla, que pretende lançar candidatura para a presidência do Senado, além de ter força política para andar com as pautas que viraram bandeiras do partido nesta eleição. Entre as principais prioridades, andar com pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), ainda que não haja votos para vitória.

Melhor cenário
Nas contas dos liberais, o partido pode chegar aos 28 senadores. Se Jair Bolsonaro estivesse na ativa, o número poderia bater os 32.

Com calma
Já as previsões mais conservadoras apontam para 20 senadores, mas com mais destaque, já que esperam nomes como Michelle Bolsonaro. 

Olho no vizinho
As planilhas trazem projeções para outras bancadas também. Petistas, nas contas do PL, devem beirar os 10 parlamentares.

Modus Operandi
“Do mar de lama do Sítio de Atibaia à Mansão do Lulinha em Brasília”, Sérgio Moro (PL-PR), juíz que condenou Lula na Lava Jato, sobre o elo de Lulinha, a lobista Roberta Luchsinger e testemunha do caso de Atibaia que voltou ao folhetim por assinar contrato da mansão do QG do Lobby.

Pesos e medidas
Carlos Bolsonaro (PL-SC) comparou o caso de Lulinha, cada vez mais imerso no triângulo com a lobista Roberta Luchsinger e o Careca do INSS, com o do pai, que teve até inquérito por se aproximar de baleia.

Preço artificial
O medo do impacto na campanha eleitoral bateu na equipe de Lula e o governo já estuda prorrogar o subsídio à gasolina. O benefício, que deveria ser provisório, pode ganhar mais 30 dias de sobrevida.

Na gaiola
Ronaldo Caiado, pré-candidato do PSD ao Planalto, lamenta a situação da segurança púbica no país, “O cidadão é obrigado a transformar o próprio carro em uma gaiola para tentar não ter o celular arrancado.”

Sem pudor
Após apontar tentativa de “balão” da PGR no ministro André Mendonça (STF), com pedido de enviar o caso Lulinha à 1ª instância, o candidato a vice-presidente Novo, Eduardo Girão, diz que “eles perderam o pudor”.

Ciência e coragem
Segundo Marcelo van Hattem (Novo-RS), candidato ao Senado, “não basta falar em impeachment [no STF] agora. É preciso conhecer fatos, reconhecer os abusos e ter coragem para agir quando eles acontecem”.

Jogo sujo
Ao anunciar sanções contra autoridades de Cuba, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, acusa a ditadura comunista de “décadas usando grupos de fachada para infiltrar, corromper e radicalizar americanos”.

Não era genocídio?
O deputado Osmar Terra (PL-RS) lembra da “lacração estúpida” de Lula e da ex-ministra da Saúde Nísia Trindade, que chamaram o governo Bolsonaro de “genocida” por mortes dos Yanomami... mesmo povo que registrou recorde de mortes entre 2023 e 2025, em pleno governo do PT.

Pensando bem...
...quando a propaganda é demais, o santo desconfia.

PODER SEM PUDOR

Cláudio Humberto

Eu nomeio, você paga

O falecido Humberto Lucena (PB) adorava nomear parentes, quando presidiu o Senado. Ao ser tachado de “a caneta mais rápida de Brasília”, chamou o repórter que o ironizara ameaçando processo. E lorotou: “Nomear parentes só é pejorativo no Sul. No Nordeste, o povo até gosta”. O jornalista, nordestino de Pernambuco, perdeu a paciência. Puxou Lucena pelo braço e disse ao seu ouvido, firme, quase gritando: “Nós dois sabemos que o sr. está mentindo, mas vou fingir que não ouvi”. Lucena não tocaria mais no assunto. Nem processaria o jornalista.

Direito

O que a Justiça pode determinar quando o trânsito destrói uma família

Confira a coluna desta quinta-feira (13)

13/08/2026 00h03

Leandro Provenzano

Leandro Provenzano Foto: Montagem / Correio do Estado

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Recentemente, um caso que tramitou no Tribunal de Justiça de Minas Gerais manteve, no fim de julho, a condenação de uma concessionária de energia elétrica pela morte de um ciclista atropelado por um funcionário que prestava serviço à empresa.

Os dois filhos da vítima, adolescentes na época, receberão R$ 25 mil cada um por danos morais, além de pensão mensal equivalente a dois terços dos rendimentos do pai até completarem 25 anos. O atropelamento aconteceu em 2009, mas somente agora, 17 anos depois é que o caso foi julgado pelo Tribunal.

O caso é didático porque reúne, em um único julgamento, quase tudo o que uma família precisa saber depois de um acidente de trânsito, e quase tudo o que ela costuma ignorar.

O primeiro ponto é quem paga. Existe a crença de que a responsabilidade começa e termina no motorista. Não é assim.

A lei estabelece que o empregador responde pelos danos causados por seus empregados no exercício do trabalho, e responde independentemente de ter culpa própria. Ou seja: não interessa se a empresa treinou bem o motorista, se exigiu curso de direção defensiva ou se o veículo estava em ordem. Se o funcionário atropelou alguém trabalhando, a empresa responde.

Isso muda tudo na prática. Uma coisa é buscar reparação contra um motorista que não tem patrimônio algum. Outra, bem diferente, é acionar a empresa para a qual ele trabalha, que tem CNPJ, faturamento e, quase sempre, seguro de responsabilidade civil.

O segundo ponto é a prova. A defesa da concessionária sustentou que o ciclista teria entrado repentinamente na via, apoiando-se no boletim de ocorrência. A relatora rejeitou o argumento com uma observação que vale guardar: boletim baseado exclusivamente na versão do condutor envolvido é relato unilateral de quem tem interesse direto no resultado. Boletim de ocorrência não é sentença. 

Muitas famílias desistem de buscar seus direitos porque leram no documento uma versão que as culpa. Essa versão pode, e deve ser contestada com testemunhas, perícia, imagens e prova técnica. Vale lembrar, ainda, que o Código de Trânsito impõe ao motorista o dever de guardar distância lateral mínima de um metro e meio ao ultrapassar ciclistas, exatamente por serem eles os usuários mais frágeis da via.

O terceiro ponto é o que a Justiça pode determinar. Em caso de morte, a lei prevê o pagamento das despesas com tratamento, funeral e luto, além de pensão aos que dependiam economicamente da vítima. Para os filhos, os tribunais costumam fixar essa pensão em dois terços da renda até os 25 anos; para o cônjuge ou companheiro, até a idade provável de vida da vítima.

Soma-se a isso o dano moral, que é direito próprio de cada familiar, não se divide um valor único entre todos. 

Quando a vítima sobrevive, o raciocínio é o mesmo. A lei garante o custeio integral do tratamento, os lucros cessantes (o que a vítima deixou de ganhar) referentes ao período de afastamento e, havendo redução permanente da capacidade de trabalho, pensão correspondente a essa perda.

Cicatrizes, amputações e deformidades geram dano estético, que o Superior Tribunal de Justiça reconhece ser cumulável com o dano moral. São verbas distintas, e pedi-las separadamente pode alterar significativamente o resultado.

Resta o tempo

O caso mineiro levou dezessete anos entre o acidente e a decisão de segundo grau, mas o prazo para ingressar com a ação é curto. Provas se perdem, testemunhas somem, câmeras são sobrescritas.

Se você perdeu alguém no trânsito, ou ficou com sequelas depois de um acidente, e o responsável estava trabalhando quando aquilo aconteceu, existe muito mais em jogo do que um acordo rápido oferecido pelo seguro nas primeiras semanas. Vale conhecer o tamanho real do que a lei assegura antes de assinar qualquer coisa.

Leandro Amaral Provenzano - OAB/MS 13.035. Sócio do escritório Provenzano Advogados.

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