Colunistas

Cláudio Humberto

"Onde há malfeito, seu governo está presente"

Deputado Alfredo Gaspar (União-AL), sobre o elo do governo Lula e o Banco Master

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Master queria Lewandowski em seu conselho

O contrato do Banco Master com o escritório de Ricardo Lewandowski objetivava recrutar o ministro aposentado do STF para seu conselho de administração, mediante R$250 mil mensais, totalizando de R$6,5 milhões. O contrato, a pedido do líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), fez Lewandowski participar de duas reuniões, mas sua posse no Ministério da Justiça mudou tudo. Durante 21 meses os R$250 mil foram pagos, até a Polícia Federal prender Daniel Vorcaro.

 

Tô fora

À coluna, a assessoria de Lewandowski garantiu que o convite para integrar o conselho do Master não aconteceu e que ele nunca aceitaria.

 

Sem ligação

Amigos de Lewandowski juram que a demissão foi por “motivo pessoal”, mas ele confessou a Lula o temor de o contrato constranger o governo.

 

Peso morto

Lewandowski se queixa do enfraquecimento do cargo, sem que o governo se empenhasse na aprovação das suas propostas, daí a saída.

 

O que sobrou

Ele sustenta que o contrato milionário, na pessoa física, não seria ilegal. Mas o Master o queria e não ao escritório tocado pelos filhos.

 

Violência contra mulher: 50% da verba está parada

Números da gestão de Ricardo Lewandowski ajudam a explicar o motivo de Lula não ter feito muita questão da permanência do ex-STF no comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A pasta tinha uma mixaria para investir em implementação de iniciativas voltadas ao enfrentamento à violência contra mulheres, por mais de R$1,5 milhão em 2025. Ainda assim, conforme registra o Portal da Transparência, o que foi efetivamente pago soma R$735.564,17, ou 48,35% do total.

 

4 mortes/dia

O baixíssimo valor coincide com o ano em que o Brasil registrou recorde no número de feminicídios, com 1.470 casos, dados do próprio MJ.

 

Caixa reforçado

O sucessor de Lewandowski, ministro Wllington César, terá um orçamento bem mais generoso na pasta, R$24 milhões.

 

Ritmo de tartaruga

Apesar de ter mais dinheiro em ano eleitoral, o MJ ainda não gastou nada. A execução do orçamento está em 0%, sem qualquer investimento.

 

São Tomé

Acredita quem quer, mas o Ricardo Lewandowski garante a quem pergunta que a saída do Ministério da Justiça e Segurança Pública nada teve a ver com o poupudo contrato da banca do ex-ministro e o Master.

 

Tô fora

Com sonho de disputar a Presidência da República, Ronaldo Caiado avisou ao União Brasil que vai meter o pé e procurar outro partido. O governador goiano vê a federação União-Progressista pouco empenhada

 

Master esquerda

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) respondeu provocação e afirmou que prefere “ser ultradireita, do que master esquerda. Nenhum deputado do PT assinou a CPMI do Banco Master”.

 

Só boataria

Governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB) dissipou boataria de que não disputaria uma vaga no Senado este ano, “tenho plena convicção de que o nosso projeto será vitorioso”.

 

Fazendo-se entender

O pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro quer acabar com a sequência de presidentes brasileiros monoglotas. Discurso em inglês, em Israel, criticando o apoio de Lula (PT) a terroristas.

 

No escurinho

A bancada no partido Novo enviou ofício à Casa Civil para cobrar explicações sobre o encontro de Lula com dirigentes do enrolado Banco Master. Foi tudo fora da agenda e dentro do Palácio do Planalto.

 

Por nossa conta

Já são ao menos cinco os destinos internacionais de Lula para este ano, sempre em hospedagens do mais alto luxo. Os destinos: Panamá, Índia, Coreia do Sul, Estados Unidos e Alemanha.

 

Mudança

Senador por Goiás, Jorge Kajuru (PSB-GO) avalia mudanças na carreira política. Estuda lançar candidatura a deputado federal e disputar a cadeira na Câmara representando São Paulo.

 

Pergunta em Brasília

É normal encontro fora da agenda e dentro de resort?

 

PODER SEM PUDOR

Esportes favoritos

Meses depois da Copa do Mundo de 1994, quando o Brasil venceu a Itália e conquistou o tetra, o então vice-governador Geraldo Alckmin e o secretário de Planejamento paulista, André Franco Montoro Filho, conversavam em Roma com Giorgio Mottura, presidente da federação das indústrias da Itália. Para ser simpático, Mottura fez uma brincadeira: “Os italianos têm dois esportes favoritos: futebol e sonegação fiscal.” Montoro Filho respondeu na lata: “E são vice nos dois!”.

Giba Um

"A Carta da ONU está sendo rasgada e, em vez da gente corrigir a ONU com uma reforma, o que está...

acontecendo? O presidente Trump está propondo criar uma nova ONU em que ele, sozinho, é dono", de Lula, no 14º Encontro Nacional do MST, em Salvador (BA).

28/01/2026 06h00

Giba Um

Giba Um Foto: Reprodução

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Em 2022, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, foi beneficiado pelo voto "Lucema", quando conquistou quase 40% de mineiros que votaram em Lula. Esses votos não estão mais com ele, tanto quanto votos de bolsonaristas na mesma época quando ele se declarava a favor do Capitão.

MAIS: traduzindo, Romeu Zema não pode mais contar com esses dois blocos do passado para sua pretensão de chegar ao Planalto. Nas pesquisas, o máximo de intenções de voto que aparecem a seu favor, tem sido de 3%. Agora, ele sonha em ser vice de algum dos governadores que também sonham em subir a rampa.

Giba Um

Buscou harmonia

Vivendo a vilã Zulma, na novela ‘Etâ mundo melhor’, Heloisa Périssé, está dando um show de talento, mostrando  que seu dom vai além da comédia. Em entrevista ela desabafou que não gosta de ser rotulada como ‘guerreira’, depois de ter superado um câncer raro nas glândulas salivares em 2019. “ Saí dessa porque não era minha hora. Eu não sou uma guerreira. Eu não guerreei. Não gosto de entender a vida como uma guerra. O caminho que busquei foi o de me harmonizar. Quando você muda a si mesmo, o resto muda automaticamente”. Heloisa revelou que também não teve medo da morte, mas que tem medo de outras coisas. “Não tive medo da morte, fiz amizade com ela e com o tempo. Em compensação, tenho pânico de lagartixa!”.  Nesta harmonia que mencionou ela disse que criou um lugar em sua casa que batizou de “céuzinho”, onde se conecta com Deus e aproveita para agradecer tudo que tem. Sobre sua separação de Mauro Farias, depois de 22 anos de casada e seu novo relacionamento, diz que está vivendo uma nova adolescência. “Eu já fui casada outras vezes e já tinha me separado antes. Mas vou dizer: eu me considero vivendo a minha “segunda adolescência”. E vou além: a melhor adolescência é essa que a gente começa agora, aos 60. Entrei na menopausa, estou tendo a oportunidade de viver uma fase em que já tenho minha profissão, meu lugar consolidado, meu dinheiro, minhas filhas já estão grandes, já sei que não morro de amor. Separar não é fácil. Às vezes, é mais difícil do que casar. Por isso, muita gente “empurra com a barriga’’. Mas eu já tomei várias atitudes na vida e vi que não morri. O tempo faz as coisas se ajeitarem. Estar em dia com a sua verdade, sua cabeça e seu coração é o que faz de você uma pessoa melhor”.

Haddad-Lula: relação fria

Há uma importante mudança climática em Brasília: a relação entre Fernando Haddad e Lula, uma das principais âncoras do atual governo, esfriou consideravelmente. Haddad está decepcionado com toda dinâmica que cerca sua já anunciada saída do cargo. Não era esse o script que esperava. O acordo era que Haddad deixaria o governo mais à frente, preferivelmente após uma conquista – como a regulamentação da reforma tributária – e em data escolhida por ele próprio. O roteiro desandou e Haddad foi forçado a antecipar sua saída do Ministério da Fazenda pelo Planalto, notadamente os ministros Rui Costa (ele não suporta o ainda titular da Fazenda) e Gleisi Hoffmann, os dois principais vocalizadores do PT dentro do governo. Resumo da ópera: o "aviso prévio" pode até não ter partido de Lula, mas definitivamente ele não contou com a fidelidade do presidente. Na prática, Lula preferiu assistir ao desgaste de seu ministro sem oferecer respaldo público. 

Bem preparado

Fernando Haddad é reconhecido como um dos quadros mais preparados do PT. Sempre lutou pelos projetos mais difíceis do governo, sempre em guerra com territórios hostis, especialmente o Congresso. Desde a campanha, foi o fiador de Lula Junto aos mercados. Por isso, é natural que alimente grande dose de mágoa, pelo jeito que está dizendo o Ministério quase na base da "ordem de despejo". Argumento do PT: Haddad conversava mais com a Faria Lima do que com o partido.

Giba Um

Tem que convencer

Substituindo Paolla Oliveira, como rainha de bateria da Grande Rio no Carnaval de 2026, a apresentadora, empresária e influenciadora digital Virginia Fonseca, apesar de ter contratado um professor para lhe ensinar o samba, não está convencendo muita gente. As constantes críticas têm atormentado as noites de Virginia ou não. A apresentadora do “Sabadoou” parece não dar muito ouvidos aos comentários negativos sobre seu samba no pé. As críticas aumentaram por suas constantes faltas aos ensaios gerais (na quadra ou no sambódromo), principalmente quando ela está fora do Brasil, respectivamente na Espanha, onde tem viajado com frequência por conta do namoro com Vini Jr. (ponta-esquerda do Real Madrid). Por outro lado, Virginia tem tirado o folego de muitos marmanjos quando posa com seus looks de ensaio, biquínis ou mostrando sempre algo que instiga a imaginação dos homens. 

Giba Um

Outra derrota

Ainda Fernando Haddad: ele teria sido escanteado para cumprir em nome de Lula e do PT mais uma missão de derrota prévia. Sairia candidato ao governo de São Paulo, pegando Tarcísio de Freitas pela frente, apenas para obter a quantidade de votos necessária no estado para a reeleição de Lula. Depois, poderia ir para a Casa Civil, Secretaria de Assuntos Estratégicos ou qualquer outro canto menos a Fazenda. E esperaria quatro anos para ver se o presidente apontaria o dedo em sua direção, ungindo-o como candidato à sucessão em 2030. Ele não topou. No passado, topou concorrer à Presidência e perdeu. Escalado para disputar o governo de São Paulo, perdeu novamente. Depois de Gleisi, foi quem mais visitou Lula em sua sala-quarto na Polícia Federal.

Conversa cordial

Na conversa que teve, há dias, com o ministro Alexandre de Moraes (também para o ministro Gilmar Mendes), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro detalhou todos os remédios que Bolsonaro tomou na prisão e os efeitos colaterais de cada um, incluindo risco de queda. Também atribuiu a efeito de medicamentos o episódio em que o marido violou a tornozeleira com um ferro de solda. Disse que Bolsonaro não teria mexido na tornozeleira se ela estivesse em casa, Michelle considerou a conversa como "cordial" e a transferência do ex-presidente para a Papudinha sinalizou uma possível e próxima "prisão domiciliar". Michelle, à proposito, mantem entrega de marmitas com comida especial para Bolsonaro.

Pérola

"A Carta da ONU está sendo rasgada e, em vez da gente corrigir a ONU com uma reforma, o que está acontecendo? O presidente Trump está propondo criar uma nova ONU em que ele, sozinho, é dono", 

 de Lula, no 14º Encontro Nacional do MST, em Salvador (BA).

Questão de argumento

Não há o menor interesse que o Brasil hostilize para valer Trump, proponente do Conselho da Paz e seus membros já confirmados. Jorio Dauster, escritor e diplomata, acha que a recusa pode ser por "razões constitucionais". E explica que a Carta Magna lista princípios que regem relações institucionais do Brasil e entre eles a igualdade entre Estados. O estatuto do Conselho viola esse princípio ao estabelecer diferenças entre: a) Estados convidados e não convidados por Trump e b) Estados com mandato inicial de três anos, sujeito à renovação por decisão monocrática de Trump e Estados com assento permanente caso paguem R$ 1 bilhão pela cadeira cativa. Pelo que se vê, uma “questão de argumento" para não entrar no barco.

"Forte impulso"

Na semana passada, Lula manteve uma conversa telefônica de 45 minutos com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, líder com histórico marcado por controvérsias internacionais, acusações de violência sectária e decisões econômicas criticadas. O diálogo tratou dos preparativos da visita de Lula a Índia entre os dias 19 e 21 de fevereiro, quando acertarão fortalecimento de cooperação bilateral em diversas áreas. Quando Modi era ministro-chefe de Gujarat, mais de mil pessoas  morreram em distúrbios sectários. Agora, Modi diz que ele e Lula estão movidos por "forte impulso" e querem" reforma abrangente"  da ONU e de seu Conselho de Segurança.

Olho lá em cima

Tem motivo para que Camilo Santana fique com a coordenação da campanha de Lula no Nordeste: o risco de humilhante derrota do PT em dois Estados, mesmo com a máquina na mão. No Ceará, Santana conseguiu eleger o sucessor Elmano de Freitas, mas parece que o raio não vai cair no mesmo lugar duas vezes. Pesquisas mostram o favoritismo do principal adversário Ciro Gomes (PSDB), O afastamento permite que Santana dispute o governo cearense e empurre Freitas para o Senado. Mais: Bahia também preocupa o PT. ACM Neto está dando canseira ao governador Jerônimo Rodrigues e sem muita adesão ainda na defesa de testar Rui Costa (Casa Civil) para o governo - e não para o Senado.

Fachin em cena

Na semana passada, o presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, deu uma entrevista sobre o código de conduta que quer lançar na Corte, que vem sendo combatida por colegas do STF. E embora o PGR já tivesse decidido arquivar representação de deputados que pediram afastamento de Dias Toffoli do caso Master, Fachin aproveitou para apoiar a atuação do mesmo Toffoli nos inquéritos que apuram um suposto esquema de fraude na instituição. Dois dias depois, novamente o presidente do Supremo volta a dar entrevista para outro veículo, falando sobre o código, mas sem citar Toffoli e Alexandre de Moraes. E a certa altura, sentenciou: "Ou nos autolimitamos ou poderá haver limitação de um Poder externo". Muita gente está pedindo tradução até agora.

"Fanatismo e idolatria"

As redes sociais pilotadas por figuras religiosas não deixaram por menos as críticas ao episódio do raio que, no domingo (25) atingiu a caminhada de Nikolas Ferreira (PL-MG), atingindo 72 pessoas. Texto de uma delas:" O episódio evidencia os riscos do fanatismo e da idolatria. Não há o que comemorar, mas ficar desprotegido sob chuva intensa é perigoso. Que sirva de lição: nenhum político merece que coloque a saúde e a segurança do povo em risco "... Nikolas Ferreira ignorou o incidente, cobrou de Davi Alcolumbre presidente do Senado uma CPMI para investigar o Banco Master e criticou Lulinha, filho de Lula, acusado de estar envolvido com a roubalheira do INSS. O protesto da caminhada era a favor da anistia de Bolsonaro.

Mistura Fina

A Operação Overclean, investigação da Polícia Federal sobre corrupção em emendas parlamentares, descobriu a existência de uma verdadeira "bancada" de deputados metidos em desvios. As investigações iniciadas em dezembro de 2024 atingiram prefeitos, quatro deputados e servidores públicos. O caso, sob sigilo, é tocado pelo ministro Kássio Nunes Marques do Supremo. Agora, mais seis deputados estão na mira do STF. Além de focar em novos parlamentares, a investigação chegará a outros estados. O método de desvios foi replicado país afora.
 
O governador de São Paulo, Tarcísio De Freitas, que deverá visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na próxima quinta-feira, 29, na Papudinha, voltou a falar que pretende concorrer à sua reeleição no Estado e reforçou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Tarcísio disse que é leal ao Capitão e que ele era seu candidato ao Planalto até indicação de Flavio. E avisou que irá ajudar o filho "01" de Bolsonaro na campanha. Detalhe: até dentro do PL, há quem aposte que Michelle ainda não desistiu de ver Tarcísio candidato à Presidência.

Para manter os palácios presidenciais sempre tinindo para receber Lula e Janja, o contribuinte, que banca essa fartura toda, desembolsou mais de R$ 8,4 milhões desde 2023, quando Lula subiu a rampa do Planalto, palácio e manutenção mais cara, inclusive. Dados da Casa Civil consideram o Planalto, Alvorada, Jaburu e à Granja do Torto, espécie de casa de campo da Presidência, como palácios utilizados pelo casal. Nos três anos de Lula, a manutenção do Planalto custou mais de R$3,6 milhões; em 2025, R$ 1 milhão.
 
Com emas, vigeiros e até piscina olímpica, o Alvorada consumiu mais de R$ 2,5 milhões no período. No ano passado, a fatura bateu os R$ 937 mil. Usada em cinco eventos em três anos, a Granja do Torto também custou cara, superando R$ 1,5 milhão. Foram R$ 633 mil só em 2025. E a fatura deve ficar pior porque os dados de dezembro ainda não foram lançados. O gasto mensal dos palacetes chega até aos R$ 593 mil (setembro de 2025).

In – Cheesecake de Batata-Doce

Out – Cheesecake de abacate e matcha

artigos

O limite da carcaça: um invólucro invisível que destrava o progresso humano e da máquina

27/01/2026 07h45

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Há uma dicotomia que muitas vezes passa despercebida. O interior representa a potência e o resultado. O envoltório, por sua vez, exibe e protege essa potência. É assim entre o alimento e sua embalagem, entre os componentes internos de um eletrônico e o seu chassi, entre as estruturas internas de um animal e seu esqueleto. O interior é força, mas, sem o envoltório adequado, o alimento estraga, o eletrônico se oxida, o animal sucumbe. Cuidar apenas do potencial é expô-lo à vulnerabilidade.

O progresso humano também segue essa configuração simbiótica. Mentes brilhantes, currículos destacados, rotinas disciplinadas são indicadores de crescimento exponencial. Porém, o que envolve o indivíduo, como equilíbrio, pausa e moderação, são igualmente necessários. A negligência dessas demandas silenciosas catalisa fragilidades diante dos grandes desafios contemporâneos: mudanças climáticas e saúde mental.

A inteligência artificial (IA) reflete essa lei da interdependência. Seu poder de cálculo e geração é imenso, mas, sem propósito ético e regulatório, pode se tornar uma força descontrolada. Modelos generativos podem criar mundos virtuais fascinantes, mas também desinformação em escala. Algoritmos de recomendação podem impulsionar negócios, mas também fragilizar a saúde mental. O potencial da IA é o interior, enquanto o propósito, apoiado pela ética e pela governança, representa o envoltório que o protege e direciona.
Temas-chave para o debate são a responsabilidade algorítmica (garantir que decisões automatizadas sejam auditáveis e justas), governança de IA (estruturas regulatórias que modulam riscos e benefícios), IA explicável (transparência nos processos de decisão), reconhecimento dos vieses (bias) e assumir responsabilidade (accountability).

Sendo a inteligência artificial um novo elemento dos ecossistemas habitados pelo homem, a máxima do naturalista britânico do século 19 Charles Darwin permanece atual: “Não é o mais forte das espécies que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças”. Adaptar-se, neste caso, significa equilibrar potência e envoltório, resultado e propósito.

O que está dentro é potente e merece se expandir. Mas não a qualquer custo nem sem moduladores que mantenham o equilíbrio. O discernimento do limite da carcaça destrava a potência. Vale para a inteligência artificial, vale para o indivíduo, vale para o mundo. Equilibrar força e envoltório é o segredo para transformar avanço em permanência.

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