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GIBA UM

"Os magistrados não podem deixar que o Poder Judiciário fique aprisionado em interesses...

...paroquiais, em conveniências econômicas ou em cálculos políticos. Importante é o saudável distanciamento das partes e dos interesses em jogo", de Edson Fachin, presidente do STF, a presidentes das cortes do país.

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A startup irlandesa Oraion pretende usar o Brasil como plataforma para acelerar sua expansão na América Latina. No setor, circulam informações sobre seu interesse na aquisição de empresas no país, notadamente nos segmentos de dados corporativos, analytics e automação de processos financeiros.
MAIS:   A startup (já presente no Reino Unido, e nos Estados Unidos) desenvolve uma plataforma de inteligência empresarial baseada em agentes da IA, capaz de integrar dados estruturados, como ERPs e CRMs - com informações não estruturadas presentes nos contratos e documentos. E acha que o Brasil é um mercado estratégico.

Quem pagava tudo

Para ler e guardar: Vorcaro pagou em Londres, em 2024, uma degustação de uísque escocês Macallan no George Club, durante um fórum jurídico, que custou perto de US$ 640 mil, aproximadamente R$ 3,3 milhões em moeda da época. O encontro teve a presença de ministros do STF como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, Paulo Gonet (PGR) e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Já em Nova York, em 2022, Vorcaro organizou e pagou um jantar para ministros do STF e autoridades brasileiras no Fasano New York, durante a Brazil Conference do Lide. Resumo da ópera: em apenas um mês de 2024, Vorcaro gastou mais de R$ 9 milhões com eventos, festas, viagens e bandas.

Só oito dias

Prazo para pedir dinheiro de volta termina no próximo dia 20: cerca de R$ 400 milhões ainda estão disponíveis para ressarcimento de aposentados e pensionistas do INSS que foram literalmente roubados. É o retrato ameaçador que o governo está impondo aos que tiveram surrupiados de suas aposentadorias, durante anos, quantias de institutos e entidades não reconhecidas e que não foram autorizadas. Nas agências dos Correios, que vêm recolhendo protestos contra a roubalheira identificada, não conseguem resposta. A todos,  é repetida a informação "Sob análise" - e nada além disso. Esses R$ 400 milhões são parte dos R$ 3,3 bilhões liberados.

Olho em Ibaneis

O escritório de advocacia do governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), pré-candidato ao Senado, fechou um contrato de R$ 38 milhões de venda de honorários de precatórios a um fundo ligado à Reag, gestora investigada pela Polícia Federal por fazer parte do esquema de desvio de recursos do Banco Master. O contrato foi fechado em maio de 2024, quando o Banco de Brasília (BRB) já vinha adquirindo carteiras da instituição de Daniel Vorcaro. A informação foi revelada pela jornalista Malu Gaspar. A PF e o Ministério Público Federal apontaram a Reag como uma estrutura central de esquema de fraudes do Master. 

Maranhão é problema 1

O Maranhão transformou-se num problema para Lula e o PT. A peça que atrapalha o jogo lulista é um aliado dos mais relevantes, o ministro do STF, Flávio Dino. Ex-mandatário do Maranhão, Dino trabalha pela candidatura do atual vice, Felipe Camarão (PT), ao governo do estado. É mais um capítulo da sua rixa política com quem foi um de seus mais importantes colaboradores, o governador Carlos Brandão, vice de Dino em seus dois mandatos. Ambos romperam e hoje têm uma relação das mais conturbadas.

Maranhão é problema 2

Brandão, sem partido, já deixou claro que não vai apoiar seu vice Camarão e quer lançar seu sobrinho Orleans Brandão (MDB). É um nó para o Planalto. De um lado, Dino; de outro, o MDB. Não dá para aferir quem pesa mais na balança de Lula. A questão é que o presidente almeja uma aliança com o MDB no plano nacional, o que significa engolir sapos nas coligações estaduais. O problema maior é convencer Dino a abrir mão de seu candidato no Maranhão.

"Conexão cerebral"

Conexão cerebral foram as palavras usadas pela aplaudidíssima Fernanda Montenegro em  entrevista para a revista Vogue, no qual é capa, para se referir ao momento em que pretende parar de trabalhar.  “Caminho para 100 anos. Será um milagre se eu ainda tiver fôlego para mais um filme. Terei fôlego? É claro que o corpo vai se desplugando com os anos, mas, muitas vezes, o cérebro do idoso aguenta até um pouquinho mais. O teatro é eterno. Enquanto eu tiver conexão cerebral, estarei, sim, lendo Nelson Rodrigues, Simone de Beauvoir. Também estou preparando a leitura de uma obra do filósofo romano Cícero, a propósito de envelhecer e morrer. Essa obra é um grande documento sobre a sobrevivência humana”.  Pronta para voltar às telonas no filme ‘Velhos Bandidos’ (estreia dia 26), uma comédia depois de vários papéis dramáticos, o longa é dirigido por seu filho Cláudio Torres. “Fazer rir é muito mais difícil do que o drama. A carga de humor já tem de fazer parte de nós. Ou se nasce com ela ou o ator tem de caçá-la. Nem sempre conseguimos encontrá-la. Na tradição do teatro, a tragédia, o drama e a comédia são comportamentos cênicos com a mesma importância criativa, cultural e existencial. Portanto, viva a comédia! Amo a comédia!”.

Ao lado de outros veteranos, como Ary Fontoura, Nathalia Timberg, Vera Fischer, Reginaldo Faria, Tony Tornado e Teca Pereira, ela brinca: “Nesse nosso filme, nós, os NOLTs (New Older Living Trend  ou Nova Tendência de Viver a Maturidade) somamos quase mil anos de vida”. Sobre a boa fase do cinema nacional, que estão sendo indicados, foi direta: “O nosso cinema sempre existiu. E existe. Por incrível que pareça, já fiz quase 40 filmes. Nenhum que não tivesse uma boa qualidade em sua feitura, mesmo com dificuldades de investimento. Damos conta, sempre, de uma linguagem muito criativa sobre o que somos como caráter de uma nação. Ainda mais sendo parte de uma América Latina e, acrescento, abaixo da linha do Equador”.

Interferência militar dos EUA ameaça Brasil

A pressão do governo dos Estados Unidos sobre o presidente Lula aumentou depois do Departamento de Estado, órgão comandado por Marco Rubio, afirmar que a gestão de Donald Trump considera facções criminosas brasileiras "uma ameaça significativa à segurança regional". A Casa Branca indica a possibilidade de enquadrar esses grupos como "terroristas", o que tira o sono de Lula, que não está conseguindo marcar um encontro com o presidente americano devido à guerra no Oriente Médio. Segundo formuladores da política externa brasileira, a denominação poderia servir como um aval para uma interferência militar direta no Brasil, atingindo a soberania nacional. A avaliação dos Estados Unidos é que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) são organizações que preocupam os responsáveis pela segurança do hemisfério. Essa classificação de "terroristas" faria os EUA utilizarem sanções e instrumentos contra determinados grupos.

Contra o governo Lula

Nos últimos dias, a situação parece ter piorado com a chegada ao Brasil de Darren Beattie, assessor sênior do governo Trump, responsável, no Departamento de Estado, por propor políticas em Washington em relação a Brasília. Ele é contra o governo Lula e crítico da atuação de Alexandre de Moraes (STF) no processo que resultou na condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. No próximo dia 18, Beattie vai conversar com Bolsonaro na prisão, a pedido do ex-presidente, e Flávio, seu filho "01” trata de espalhar que Lula e seu governo são os responsáveis por essa "situação ameaçadora".

 De volta ao passado

Miley Cyrus está pronta para revisitar um dos momentos mais icônicos de sua trajetória profissional. A artista retornará ao universo de Hannah Montana para celebrar 20 anos da série que a impulsionou ao estrelato e a consagrou como um fenômeno global. O especial comemorativo, com lançamento marcado para 24 de março no Disney+, promete uma imersão profunda na produção que definiu uma geração e deixou sua marca na cultura pop dos anos 2000. Na última terça-feira (10), foi divulgado um teaser do especial com 15 segundos de duração, exibe Miley usando a lendária peruca loira da personagem enquanto percorre cenários marcantes da série, dando uma prévia da celebração que antecipa as duas décadas do programa, a serem completados oficialmente em 2026. Essa jornada nostálgica permitirá aos fãs revisitarem a icônica casa da família Stewart e explorarem materiais inéditos dos bastidores. Entre os destaques estão registros únicos, como interações entre Miley Cyrus e seus pais. Em uma cena, ela aparece folheando um álbum de fotos ao lado de sua mãe, Tish Cyrus-Purcell, no famoso closet de Hannah; em outra, é vista junto a Billy Ray Cyrus — que, além de ser seu pai na vida real, interpretou o mesmo papel na série — na sala de estar do cenário original. Gravado com uma audiência ao vivo, o especial também contará com uma entrevista exclusiva em que Miley reflete sobre o impacto cultural da série. No bate-papo, a cantora revisita os bastidores de canções que marcaram época e compartilha detalhes do processo criativo por trás da construção da inesquecível personagem que cativou o mundo.

Ainda a "valuation"

Sidônio Palmeira ainda quer saber quando a "valuation" de Lula pode render votos. Está convicto de que o Lula que aparece lá pode ser um bom cabo eleitoral do Lula que pedirá votos aqui dentro. Os tropeços serão usados pela oposição. A "química" com Donald Trump, patrimônio que o clã Bolsonaro evocava como seu, o consequente tarifaço sobre uma série de produtos brasileiros, o balão de ensaio para o Nobel da Paz, todos são ativos de Lula na agenda externa. O desafio é converter em voto. Uma das mensagens que já pululam na Secom é mostrar como a diversificação do comércio exterior contribuíram para a queda da inflação. Agora, contudo, tem problema de transformar "facção" em terroristas (vide abertura da coluna).

Tiro no pé coletivo

As mudanças na programação noturna do SBT foram um verdadeiro "tiro no pé" coletivo: atingiram apresentadores e seus programas e derrubaram a audiência. O programa "Galvão F.C.", sempre às segundas, passou para o terceiro lugar, abaixo da Record TV (sem merchandising e sem comerciais). O "SBT Brasil" mudou para as 20h30 (estão tentando trazê-lo de volta ao horário anterior), bateu de frente com o "Jornal Nacional" e levou um tombo. Ratinho, há 27 anos se mantendo como vice-líder do Ibope, passou para as 21h30 e perdeu mais de 60% da audiência. Agora, nenhuma das herdeiras de Silvio Santos sabe o que fazer.

Almanaque

A candidatura de Aldo Rebelo à Presidência da República pela Democracia Cristã pode figurar em qualquer almanaque de curiosidades, por assim dizer. Ele era do PCdoB e hoje é porta-voz de latifundiários, garimpeiros e desmatadores. Ataca o Supremo e Lula, e sua proposta de governo é aumentar o número de ministros no Supremo. Já tentou proibir o uso de palavras estrangeiras e criou o Dia Nacional do Saci. Fala fluentemente o idioma Tupi-Guarani. Bernardo Mello Franco acaba de lhe dedicar um rótulo: é o "candidato laranja", seu novo figurino porque só circula de paletó e chapéu panamá. 

Mistura Fina

O presidente Lula optou por não estar presente na cerimônia de posse do novo presidente do Chile, José Antonio Kast, que aconteceu na quarta-feira (11). Esta decisão surgiu após Kast estender convites a Flávio e Eduardo Bolsonaro, que são aliados próximos do novo chefe de Estado, frequentemente identificado como o "Bolsonaro chileno". Kast começa sua administração após vencer a esquerdista Jeannette Jara nas eleições de 2025, dando início a um mandato de quatro anos que sinaliza uma mudança à direita na região.
 
Durante o processo judicial em curso contra parlamentares suspeitos de manipulação de emendas, o ministro Flávio Dino apoiou as atuações do STF, destacando que as críticas feitas à Corte são desnecessárias e ignoram que a instituição possui mais acertos do que erros. Dino sublinhou a relevância da transparência na gestão dos recursos públicos como um fator essencial.  “Este Supremo que erra, e erra como instituição humana, acerta também”. O caso em questão menciona uma organização criminosa supostamente liderada pelos deputados Josimar Maranhãozinho e Pastor Gil, que estariam envolvidos na prática de exigir propinas que chegariam a até 25%. 
 
Uma pesquisa conduzida pelo instituto Paraná Pesquisas em Minas Gerais, entre 4 e 7 de março, indica que, se as eleições presidenciais  fossem realizadas hoje no primeiro turno, Lula estaria à frente, com 36,7%, enquanto Flávio alcançaria 32,1%. No entanto, considerando a margem de erro, ambos os concorrentes se situam em patamares semelhantes. Em relação às projeções para um possível segundo turno, Lula registraria 45,1% e Flávio Bolsonaro, 42,7%, o que configura um empate técnico. 

O vice-presidente Geraldo Alckmin declarou, em entrevista concedida a José Luiz Datena, Fernando Haddad representa, em suas palavras, "o melhor candidato para tudo". A afirmação surge como uma resposta direta à indagação do apresentador, que questionou se Haddad seria a escolha mais adequada para disputar o cargo de governador de São Paulo nas próximas eleições,  “Ele foi prefeito de São Paulo, disputou a última eleição ao governo e foi para o 2º turno, Ele tem experiência e espírito público. Eu digo que o Haddad é o melhor candidato para tudo, não é só para governador”.

In - Groselha Spritz
Out - Bombeirinho

 

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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