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Oportunidades estratégicas na transição da reforma tributária

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Com a reforma tributária já em curso e regras estruturais definidas – como a substituição do PIS e da Cofins pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e a transição do ICMS e do ISS para o novo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) – empresas de todos os setores precisam se adaptar ao novo cenário. A extinção progressiva dos tributos atuais sobre o consumo impõe uma agenda prática necessária: revisar o passado para preservar valor no futuro.

É compreensível que, nesse processo de transição, surjam dúvidas e preocupações. A reforma tem trazido inúmeros desafios, especialmente para empresas com estruturas operacionais complexas, múltiplas unidades de negócio, regimes especiais ou modelos de tributação diferenciados. O momento exige uma reflexão estratégica: quais riscos e quais oportunidades a empresa enxerga nesse novo cenário?

Nesse contexto, ganha relevância um tema muitas vezes negligenciado: a análise fiscal retroativa. Com a proximidade do fim da sistemática atual, exige-se atenção redobrada para garantir a identificação, a apropriação e o efetivo aproveitamento de créditos fiscais dos antigos/atuais tributos que poderão ser resgatados durante o período de transição até a sua completa substituição.

Embora não haja um número oficial consolidado, sabemos que as empresas brasileiras têm volumes muito expressivos de créditos tributários ainda “adormecidos”, seja por inconsistências sistêmicas ou operacionais, divergência de classificação fiscal, alterações na jurisprudência ou pela complexidade do atual sistema de apuração. Apenas no âmbito federal, foram restituídos em espécie, em 2024, mais de R$ 40 bilhões, conforme informações disponibilizadas no Portal da Transparência da Controladoria-Geral da União (CGU).

Ainda que a Lei Complementar nº 214/2025 (art. 378[1]) assegure, por exemplo, a manutenção e a utilização futura de créditos do PIS e da Cofins acumulados e não aproveitados, há a previsão de condições relevantes para esse aproveitamento – como o devido registro em ambiente fiscal próprio e a observância das regras vigentes na data da extinção, mantida ainda a fluência do prazo para sua utilização. Ou seja, exige-se uma atenção importante aos prazos legalmente previstos.

A urgência, portanto, está em identificar, revisar e formalizar corretamente os créditos ainda não apropriados dos atuais tributos para que possam ser aproveitados mediante ressarcimento em espécie ou por compensação com tributos federais durante o período de transição da reforma do consumo, inclusive com a CBS.

E o tempo é curto: a extinção do PIS e da Cofins está prevista para 2027, o que significa que a janela para levantar e formalizar adequadamente esses créditos se fecha rapidamente. Assim como o PIS e a Cofins, o ICMS e o IPI também serão extintos ou transformados ao longo da próxima década. O ICMS, por exemplo, permanecerá vigente até 2032, o que permite planejamento e apropriação gradual de créditos – sobretudo considerando que a liquidez e o efetivo aproveitamento variam significativamente entre os estados.

Quanto ao saldo credor de ICMS existente até dezembro de 2032, a legislação prevê que, uma vez enquadrado nessa possibilidade, ele poderá ser: (1) compensado com o IBS a partir de 2033, em até 240 parcelas mensais; (2) transferido para terceiros, de forma tácita, a partir de 2038; ou, (3) na impossibilidade de compensação, ser convertido em ressarcimento também em 240 parcelas.

No entanto, a existência de um prazo mais longo não deve ser confundida com ausência de urgência. Justamente por envolver múltiplas normas estaduais, regimes especiais e realidades operacionais distintas, o ICMS exige um esforço estratégico ainda mais criterioso. É fundamental que as empresas revisem, validem e organizem os saldos credores ao longo da transição. De outro lado, o IPI, embora federal, também merece atenção específica – em especial na indústria, onde a possibilidade de ressarcimento direto justifica uma análise detalhada.

Deve-se, portanto, realizar uma análise individualizada por tributo e por operação, levando em conta não apenas o valor potencial dos créditos, mas também a efetiva utilização e o impacto financeiro, sempre considerando o novo regramento imposto pelas normas instituidoras da reforma tributária. O ideal é que as empresas realizem uma análise fiscal estruturada, com foco no levantamento de oportunidades e na definição de estratégias para a realização financeira desses créditos.

Primeiro, entender o que é feito hoje. Depois, potencializar e operacionalizar as oportunidades ainda não aproveitadas. E, por fim, planejar como se adaptar ao futuro. Afinal, a transição da reforma tributária é inevitável e tem prazos bem definidos. Adiar a organização da vida tributária da empresa pode significar perda real de ativos fiscais relevantes.

Cláudio Humberto

"[A CPMI do INSS] não pode ser liquidada pelos poderosos de plantão"

Senador Eduardo Girão (Novo-CE) defende a prorrogação da investigação da comissão

03/03/2026 07h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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Lula aconselhado a se livrar de assessor radical

Petistas mais moderados dizem ter recomendado a Lula (PT) reavaliar o que dita ao seu ouvido o assessor Celso Amorim, ministro de fato das Relações Exteriores, cujas recomendações têm feito o Brasil se situar sempre no lado errado das disputas – da invasão na Ucrânia às ações no Irã, passando pela guerra de Israel contra os terroristas do Hamas. Cada vez mais radical à medida que a vida encurta, Amorim, 83 anos, tem sido péssimo conselheiro para o chefe de governo, na opinião desse grupo.

 

Seu nome é atraso

A cabeça atrasada de Amorim tem contribuído para a perda progressiva de prestígio de Lula mundo afora, segundo avaliam esses assessores.

 

Assessor não fala

Acharam o fim da picada Amorim dar entrevistas atacando o governo dos EUA por “matar o líder de um país” etc. Não lhe cabe esse protagonismo.

 

Queridos ditadores

Amorim também fez Lula defender o ditador corrupto Nicolás Maduro e outros tiranos amigos, situando o Brasil na escória que defende tiranias.

 

Cavalo de pau

Os petistas palacianos querem Lula com atitude atualizada, moderna e democrática, priorizando interesses do País, não de ideologia decadente.

 

Caso Master é ‘impossível de segurar’, diz deputado

O deputado Sanderson (PL-RS) aposta que “muita gente vai cair” se as investigações sobre o caso do Banco Master prosperarem no Congresso Nacional. “A situação é tão grave, que é impossível de segurar”, afirmou o parlamentar em entrevista ao podcast Diário do Poder. O deputado vê indícios de envolvimento de grandes autoridades da República, da esquerda à direita, e defende que todos sejam punidos: “ladrão é ladrão”.

 

Inércia

Sanderson criticou a inércia do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que até o momento não instalou a CPI do Banco Master.

 

Geral

Apesar da falta de ação de Alcolumbre, o deputado afirmou também que muitos parlamentares “se escondem” atrás do presidente do Senado.

 

Nunca antes

Sanderson, que é pré-candidato ao Senado, vê “crise sem precedentes” no Brasil com o escândalo do INSS, Banco Master e acusações no STF.

 

Supremo tirano

Curioso como a mídia só se refere a Ali Khamenei como “líder supremo” do Irã, como exigia ser chamado o ditador explodido no fim de semana. Ele instalou o regime que persegue e mata opositores, mulheres e gays.

 

Terror terrorista

A nova cúpula do Hezbollah nem teve tempo para o primeiro cafezinho: assumiu e disparou bombas em apoio ao Irã. Dez minutos depois, esses terroristas eram eliminados por Israel, com a habitual precisão cirúrgica.

 

INSS ordinário

Imigrante se aposentou após ralar muito no Brasil, mas não tem acesso ao INSS: o sistema de reconhecimento facial é o da Justiça Eleitoral e, como não é eleitor no Brasil, para o INSS, ele simplesmente não existe.

 

Apoio geral

Secretário-geral da Otan, Mark Rutte elogiou a incursão no Irã que anulou o ditador Ali Khamenei e boa parte do sistema de mísseis balísticos do país. Ele garantiu que há “apoio amplo” dos principais líderes europeus aos planos do presidente dos EUA, Donald Trump.

 

Interesses difusos

O plenário do Senado tem duas sessões marcadas para esta semana. A pauta prevê acordos internacionais e outros projetos que criam datas comemorativas, mas nada da CPI do Banco do Master.

 

Senado submisso

Gera discussão entre senadores a omissão do presidente da Casa, Davi Alcolumbre, a cada estocada do Supremo Tribunal Federal em suas prerrogativas. Dizem não saber se é medo, rabo preso ou parceria.

 

Mais rico, mais seguro

Durante entrevista no Jornal Gente, da Radio Bandeirantes, ontem, o brasileiro Rodrigo Paiva, que tem empresas nos Emirados, país vizinho do Irã, mostrou sentir-se mais seguro em Dubai do que no Brasil.

 

Prevenção ou remédio

Está na agenda da Câmara dos Deputados, esta semana, um projeto de 2019 criando “novos regimes para socorrer instituições financeiras”. Se aprovado, fundos públicos é que irão “fornecer liquidez ao sistema”.

 

Pensando bem...

...é longe do ideal, mas a PEC da Segurança ao menos não cria “guarda revolucionária”.

 

PODER SEM PUDOR

Quebra-quebra

O saudoso deputado Maurício Fruet adorava pegadinhas. Certa vez, o mau tempo fez o voo Rio-Curitiba seguir para São Paulo, depois para Londrina, onde pernoitaram em hotel. Na manhã seguinte avisaram que o voo iria para Florianópolis. Fruet entrou em ação, falando alto: “O pior é que eles querem nos cobrar o pernoite em Londrina!...” Os passageiros foram contidos à força. Teve gente querendo quebrar tudo.

CLAÚDIO HUMBERTO

"[Lula] não consegue organizar a própria gestão e quer dar pitaco em convocação da Seleção?"

Deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), após Lula dar indireta à CBF sobre convocar Neymar

02/03/2026 07h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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STF já admite que haverá impeachment em 2027

Com o desgaste reputacional do Supremo Tribunal Federal (STF), a conclusão dos seus ministros é que a situação “virou”, a Corte perdeu apoio da mídia tradicional e a indignação superou o medo, após o escândalo de envolvimento de dois dos ministros com o Banco Master. A maioria avalia, em conversas reservadas, que em 2027 processos de impeachment de ministros do STF serão “inevitáveis”, seja qual for o vencedor nas presidenciais e ainda que a direita não controle o Senado.

Pá-de-cal

Sentenças raivosas contra opositores de Lula desgastaram o STF, mas o Master, em avaliação interna, pode ter o significado de “pá-de-cal”.

Contenção

Para ministros, o impeachment será usado para contenção do STF, com apoio explícito de partidos de centro, de direita e de setores da esquerda.

Fim da letargia

A maioria via a imprensa “sob controle”, mas a letargia cessou após “autoritarismo estarrecedor” apontado pela Transparência Internacional.

Libertação

O caso Unafisco e ameaças de retaliação, avaliou um ministro à coluna, “deu o motivo que jornalistas esperavam para se libertar desse vínculo”.

Motta faz da FAB transporte de excursão de amigos

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Rep-PB), não apenas lidera o ranking de autoridades que mais se utilizaram dos jatinhos da Força Aérea Brasileira (FAB) desde o início do ano, mas também é quem mais levou passageiros nas suas viagens. No total, Motta realizou 22 voos nos dois primeiros meses do ano e levou de carona 285 pessoas, uma média de 13 acompanhantes por voo.

Virou mistério

A FAB decretou sigilo de cinco anos para as despesas realizadas com os voos do presidente da Câmara. Agora só disponibiliza quantitativos.

Eixos

Os voos de Hugo Motta se concentraram no eixo Brasília–João Pessoa–São Paulo, mas incluem também agenda internacional.

FAB-Uber

Na viagem internacional para Cali, na Colômbia, e San José, na Costa Rica, Motta levou 24 passageiros de carona.

STF: segredo garantido

A tentativa do Planalto de reverter a quebra de sigilo de Lulinha na CPMI busca impedir que a opinião pública conheça o que isso pode revelar. Houve quebra de sigilo por decisão do STF, mas protegida por segredo.

PEC na mesa

A PEC da Segurança pode ser votada até quarta (4). A proposta original era imprestável, Lula tentando “compensar” os estragos provocados por sua atitude em defesa dos bandidos, na megaoperação contra traficantes no Rio. Mas o relator, Mendonça Junior (União-PE), deu decência à PEC.

Recorte regional

Segundo o Paraná Pesquisas (BR-07974/26), apenas no Nordeste a maioria diz que Lula (PT) deve ser reeleito: 59,2%. Nas demais regiões, em média, 60,1% dizem que o petista não deve voltar ao cargo em 2027.

Há quatro anos

Pesquisa do instituto Ipespe na última semana de fevereiro de 2022 apontava que Lula venceria o segundo turno contra Jair Bolsonaro por 54% a 32%. Acabou Lula com 50,9% e Bolsonaro com 49,1%.

Domínio

A eleição 2026 será apenas a décima vez que os brasileiros escolherão o presidente por voto direto. O PT venceu 5 das 9 eleições (a primeira em 2002). É de longe o partido mais longevo no poder desde 1989.

Mais uma pesquisa

O instituto Real Time Big Data registrou pesquisa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na última quarta-feira (25). Serão 2 mil entrevistados em todo o País e a divulgação está marcada para esta terça-feira (3).

Só um acordinho

O acordo Mercosul-União Europeia prevê “salvaguardas” contra produtos sul-americanos. Significa a suspensão temporária das tarifas baixas quando o aumento de importações “cause ou ameace causar dano à produção doméstica”, aponta a Frente Parlamentar da Agropecuária.

Transparência opaca

Apesar de o governo Lula (PT) já ter distribuído ao menos R$1,1 bilhão em emendas parlamentares, este ano, o Portal da Transparência ainda não registrou um centavo sequer com essas despesas, em dois meses.

Pensando bem...

...o “tarifaço” que realmente sufoca o brasileiro não vem de Washington, nasce em Brasília, no gabinete de Lula.

PODER SEM PUDOR

Cláudio Humberto

Sem medidas

O deputado Clodovil Hernandes (PTC-SP) estreou em grande estilo na Câmara, em 2007, ao exigir silêncio durante seu discurso de estreia, calando 368 parlamentares presentes no plenário. E ainda deu um pito em Paulo Maluf (PP-SP), que insistia em conversas paralelas. Em seguida, uma repórter quis saber como ele votaria medidas provisórias que entupiam a pauta. Clodovil fez graça: “Que medida o quê, minha filha... Eu não estou aqui para fazer roupa!”

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