Colunistas

Giba Um

"Ninguém pode ser investigado a vida toda. Não é só no inquérito das fake news. É em qualquer...

...inquérito. Processo penal não pode ser um ato de vingança. Inquérito eterno é o arbítrio", de Jorge Messias (AGU), sobre a falta de conclusão no inquérito das fake news

Continue lendo...

A pecuarista Teresa Vendramini, a Teka, é a favorita de Fernando Haddad para ser sua vice. Ela recusou as sondagens iniciais, mas aliados do ex-ministro agora têm mantido conversas com Teka, tentando convencê-la a aceitar a missão.

MAIS: no início do ano, ela se filiou ao PDT, que apoiará Haddad. Ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira, a pecuarista daria uma sinalização de diálogo com o agronegócio, setor normalmente refratário a candidatos do PT em São Paulo.

Custo alto

O Met Gala de 2026 ocorreu na segunda-feira (4), no Metropolitan Museum of Art, em Nova York. Este evento é amplamente considerado um dos mais exclusivos a nível mundial, reunindo estrelas, estilistas e personalidades de destaque da cultura em uma celebração que mistura arte, moda e glamour em sua forma mais intensa. O tema selecionado para este ano foi "Costume Art", e o código de vestimenta estabelecido foi "Fashion is Art". A ideia era mostrar que roupa vai muito além de tendência: é expressão, história e até obra de arte, tudo conectado ao corpo humano e à criatividade. Algumas das celebridades que compareceram realmente abraçaram o tema de maneira significativa e, apesar de seus trajes poderem ser alvo de críticas em outros ambientes, neste evento foram recebidos com aplausos, mesmo quando um pouco controversos. O custo para participar é elevado; em 2026, um ingresso individual custou cerca de US$ 100 mil, enquanto uma mesa pode chegar a até US$ 350 mil, o que representa aproximadamente R$ 1,7 milhão. Entretanto, a maioria dos convidados não paga essa quantia; marcas renomadas compram mesas e levam celebridades para representá-las, tornando sua presença não só relevante, mas também financeiramente viável. Além disso, o acesso ao evento é extremamente restrito; apenas aqueles que estão na lista, meticulosamente selecionada por Anna Wintour, podem entrar. Entre as personalidades presentes estavam Beyoncé, que atuou como coanfitriã, além de Heidi Klum, Madonna, Rihanna, Katy Perry, Blake Lively, o clã Kardashian-Jenner, Hailey Bieber, Cardi B, Sabrina Carpenter e Cher, só nomes de peso, todas conhecidas por sua influência no mundo da moda e do entretenimento.

Lula e Messias: um ano sem encontros

Lula e Jorge Messias fazem pose de amigos fraternais, mas a agenda oficial sinaliza que o presidente não se empenharia pelo escolhido para a vaga de Luís Roberto Barroso como ministro do Supremo Tribunal Federal. Lula não pediu voto para Messias a qualquer senador. Acreditava que sua indicação era mais do que suficiente para sua eleição. Os encontros privados entre os dois aconteceram até 2024 e, ainda assim, cada vez menos. Lula não repetiu 2023, quando recebeu Messias por dez vezes, mais do que qualquer deputado ou senador. Em 2024, depois de Lula preterir Messias e escolher Flávio Dino para a vaga de Rosa Weber, foram apenas quatro despachos privados. Na agenda oficial do presidente, não há registro de encontros com o titular da AGU em 2025. E nem mesmo neste ano, quando apostou que Davi Alcolumbre não impediria a vitória de seu indicado ao Senado. Achava que Alcolumbre já esquecera de que, quando Lula indicou Messias, não se dera ao trabalho de avisá-lo. A propósito: Messias não foi o único que Lula não recebeu; pelo menos 13 ministros não foram recebidos pelo petista em 2026.

Juntos na rampa

Em suas últimas declarações, Flávio Bolsonaro vinha se considerando um "Bolsonaro moderado" e agora partiu para um "Bolsonaro vacinado", garantindo que não receberá o extremismo do pai. O PL da Dosimetria foi apenas, contudo, um passo para garantir impunidade aos golpistas, incluindo o ex-presidente. Ele não esconde que sua meta é emplacar uma anistia que tire Jair da prisão até o fim do ano, "para que ele possa subir a rampa comigo". Ele sabe, todavia, que, se eleito, seu pai governará ao seu lado, no seu estilo e "no seu sonho de vingança".

3   070526_1

Enchendo o porquinho

A atriz Juliana Paes, hoje aos 47 anos, se deu o luxo de encerrar o longo contrato que tinha com a Globo, podendo atuar e escolher os trabalhos, principalmente em plataformas de streaming. Com um tempo mais livre, ela pode se dedicar ao carnaval, ocupando o posto de Rainha de Bateria da Viradouro, que se sagrou campeã neste ano. Apesar de tudo, ela já avisou que, no ano que vem, não ocupará mais o cargo, mas, mesmo assim, permanecerá na escola como musa. Com mais pausa entre um trabalho e outro, Juliana também pôde realizar um sonho de infância: viajar para o Japão. Em suas redes sociais, compartilhou fotos dessa realização e contou que o sonho surgiu quando tinha 10 anos, com a memória de um papel de carta com uma menina sob cerejeiras floridas. “Mantive aquela imagem na cabeça por anos até descobrir que aquela paisagem (e talvez o sentimento que a imagem manifestou em mim) tinha tempo e lugar certo para acontecer: Japão na floração de cerejeiras! Esperei alguns bons anos até finalmente conseguir estar ali, debaixo das cerejeiras e suas flores que olham para baixo, como se quisessem olhar de volta quem as admira… Sentindo aquele senso de realização que tem a ver com a ordem do sonhar”. Além do trabalho como atriz, ela tem faturado bastante com propagandas ou publis (publicidade das redes sociais); entre tantas, Dakota (da qual é garota-propaganda), Resfenol, Natura, Clínica Even, entre outros.

2   070526_2_1

Outro filho

A equipe da campanha de Flávio Bolsonaro decidiu que vai começar a chamar o presidente Lula de "pai do Lulinha". É uma tentativa de desgastar o presidente com temas que estão no radar do eleitor, como as fraudes do INSS. Flávio também tem informações de que a Polícia Federal avançou significativamente, nas últimas semanas, em suas investigações contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A preocupação do presidente teria aumentado com essas informações, e ele tenta blindar o filho. Seus movimentos já foram mapeados pelos investigadores, e as diligências prosseguem. A PF prepara surpresas para os próximos dias.

Suplência, não!

Aliados de Fernando Haddad já acham que será difícil impedir Márcio França (PSB) de concorrer a uma vaga para o Senado por São Paulo, porque ele controla o partido no estado. A outra vaga deve ficar com Simone Tebet, também do PSB (já acertada com a cúpula do partido). Há quem ache que oferecer uma suplência para o Senado a Marina Silva (Rede) seria uma solução (ela não quer saber da Câmara). Ela já estrilou e avisou que as chances de suplência para o Senado são zero. "Esse debate não é condizente com o tamanho e a qualidade de nossa representação e contribuição".

Pérola

"Ninguém pode ser investigado a vida toda. Não é só no inquérito das fake news. É em qualquer inquérito. Processo penal não pode ser um ato de vingança. Inquérito eterno é o arbítrio",

de Jorge Messias (AGU), sobre a falta de conclusão no inquérito das fake news.

Virando as costas 1

Analistas de plantão lembram que Davi Alcolumbre tem um histórico de voo solo e rompimentos ou, simplesmente, de virar as costas. Matéria da revista Piauí mostra que, por anos, Alcolumbre foi aliado e assessor do ex-presidente Sarney. Aprendeu tudo com ele, até que o abandonou. Em 2014, contrariou Sarney, lançou-se candidato ao Senado e venceu. Sarney não o perdoou. Como presidente do Senado, foi aliado de Bolsonaro no início de seu governo, mas rompeu.

Virando as costas 2

Ainda Alcolumbre: ele foi aliado de Lula até ser contrariado com a escolha de Messias. Agora, a reaproximação com o bolsonarismo é um novo caminho. Sua sobrevivência vai além dos casos do INSS e do Master e chega à disputa pela reeleição para a presidência do Senado. Os pedidos de impeachment serão as moedas de troca pelo apoio bolsonarista à sua recondução. Lula e aliados já estão debruçados sobre um plano capaz de liquidar a tentativa de reeleição dele. Do Amapá, poderão surgir fatos surpreendentes, para dizer o mínimo.

Derrotas seguidas 1

As duas grandes derrotas do governo Lula no Congresso Nacional, na semana passada — primeiro com a rejeição de seu indicado para o Supremo, Jorge Messias, e depois com a derrubada do veto à lei que deverá reduzir penas dos condenados pelo 8 de janeiro — anunciam dificuldades que as pesquisas já indicam que o presidente enfrentará nas eleições. A média das principais pesquisas de segundo turno divulgadas em abril aponta Flávio com 44,8% e Lula com 44,3%.

Derrotas seguidas 2

Lula lidera numericamente as pesquisas Nexus/BTG e CNT/MDA; Flávio está à frente na Atlas/Intel, Genial/Quaest, Apex/Futura e Datafolha. Nas simulações do primeiro turno, todos os seis institutos apontam liderança numérica de Lula, com até cinco pontos de vantagem. Até mesmo resultados de plataformas de previsão e apostas, agora proibidas no Brasil, indicam chance cada vez menor de vitória de Lula.

Outback ameaçado 1

O cardápio societário do Outback Brasil deve passar por uma razoável transformação. Tanto a Vinci Compass, dona de 67% do capital, quanto a Bloomin' Brands, detentora dos 33% restantes, avaliam reduzir sua participação acionária. Se a gestora de Gilberto Sayão pretende abrir caminho para a entrada de outro investidor, capaz de acelerar o plano de expansão da rede de restaurantes, a motivação do grupo americano é outra. A Bloomin' Brands, dona global da marca Outback, precisa concentrar capital e energia no turnaround de sua operação nos Estados Unidos.

Outback ameaçado 2

No Brasil, a cadeia de restaurantes tem aberto 15 lojas por ano; nos Estados Unidos, teve de digerir oito trimestres seguidos de queda nas vendas, em uma verdadeira frigideira de óleo fervente: a Bloomin' Brands fechou 21 restaurantes nos Estados Unidos. Esse contexto empurra o grupo norte-americano para uma nova redução de sua fatia no Outback Brasil — a primeira se deu em 2024, exatamente com a venda de 67% para a Vinci Compass. Ainda com participação menor, a Bloomin' Brands pode preservar sua exposição a uma operação forte e liberar capital para arrumar a própria cozinha nos Estados Unidos.

Mistura Fina

Rejeitado para a cadeira do Supremo, o ministro Jorge Messias, que ainda pode se consolar chefiando a AGU (Advocacia-Geral da União), faturou mais de R$ 83,1 mil em penduricalhos de janeiro a março, última data disponível de seu holerite. O contracheque de Messias tem como remuneração básica bruta o valor de R$ 79.805,71, mas o abate-teto salva o contribuinte de ter de bancar a fatura e reduz R$ 46.593,83 do montante.

O salário de Messias foi engordado com "verbas indenizatórias" e "distribuição de saldo de honorários advocatícios". Os honorários extras, por ter feito o que já é pago para fazer, somaram R$ 77,2 mil, sendo R$ 35,2 mil apenas em fevereiro. O restante (R$ 5,9 mil) veio da nebulosa "verba indenizatória": R$ 2,1 mil em janeiro, considerando salário médio de R$ 3,7 mil (PNAD).

Dados do sistema de Gestão de Apostas do governo federal mostram que a cidade do Rio de Janeiro lidera a lista de municípios no país com mais pessoas físicas cadastradas em sites de apostas. Em março, um total de 1.793.348 estavam vinculados às bets. A cidade fica à frente até de São Paulo (715.256 CPFs cadastrados), cuja população é maior do que a carioca. No Brasil, como um todo, cerca de dez milhões tinham cadastros ativos.

Depois de uma reunião com Gabriel Galípolo, presidente do BC, a governadora do DF, Celina Leão (PP), tranquilizou muita gente: o BRB não será liquidado. Mais: os 318 deputados que votaram pela derrubada do veto de Lula à lei de Dosimetria são suficientes até para alterar a Constituição. Representam 62% de toda a Câmara e os 49 senadores, 60,4%. Partidos como PSD e MDB, que somados têm seis ministérios no governo petista, liberaram suas bancadas no Senado para a derrubada do veto de Lula à Lei da Dosimetria.

In - Livro: O fim chega para todos
Out - Livro: O diabo veste cor-de-rosa

Giba Um

"Agora tem uma profissão chamada 'influencer'? Um cara que trabalha na internet e tem 3 milhões...

...de seguidores. Não conheço ninguém que ensina uma coisa séria que tem 4 milhões, mas se fala bobagem, pode ter até 20 milhões", de Lula, sobre "influencers" nas eleições legislativas

06/05/2026 06h00

Giba Um

Giba Um Foto: Reprodução

Continue Lendo...

Nos meios políticos a pergunta é repetida diariamente: "E se Paulo Henrique falar?". Agora, parece que a delação premiada dele começa a avançar. Ele já enumerou 20 situações de negócios suspeitos e esquemas de fraudes dos quais participou ou teve conhecimento no Banco Master.

MAIS: o nome de Ibaneis Rocha, ex-governador do DF, não chega a ser novidade. O da governadora Celina Leão pode ser uma novidade. Na lista, há também um ministro do TCU, um dirigente partidário do Centrão, funcionários do BC e deputados distritais de Brasília, para começo de conversa.

Giba Um

Maior show da carreira

Shakira dominou o palco do evento Todo Mundo No Rio, proporcionando uma performance memorável, a maior de sua trajetória e também de uma artista latina. Mesmo iniciando com um atraso de 1h20 (problemas pessoais), trouxe toda a magnificência da turnê Las Mujeres Ya No Lloran, que já arrecadou mais de R$ 2 bilhões. Vestindo um traje nas cores do Brasil, a noite começou com drones formando a imagem de um lobo no céu, seguidos por fogos de artifício e efeitos deslumbrantes. No palco, ela apresentou sucessos como “Girl Like Me” e “Estoy Aquí”, com rápidas trocas de roupa que aumentaram ainda mais a energia do espetáculo. Emocionada, fez uma saudação à sua longa relação com os fãs brasileiros, uma conexão que já dura mais de três décadas. No entanto, nem tudo foi impecável: o setlist omitiu canções amadas como “Addicted to You” e “Gypsy” e incluiu faixas menos reconhecidas, o que gerou opiniões divergentes. Os momentos mais intensos surgiram com “Hips Don’t Lie” e as participações de Anitta, Ivete Sangalo, Caetano Veloso e Maria Bethânia, levando quase 2 milhões de pessoas em Copacabana à euforia. Entre os famosos que estiveram na área VIP estavam a vencedora do BBB26, Ana Paula Renault, a jornalista Tati Machado, a atriz Bianca Bin e a cantora Wanessa Camargo. E a artista não para: o grandioso encerramento da turnê será em Madri, em um estádio temporário exclusivo para ela batizado como “Estadio Shakira”. Serão 11 apresentações em 2026, dentro do Iberdrola Music, com uma estrutura inspirada no mundo de Gabriel García Márquez.

Terras raras: Vale e os irmãos Batista

Em meio à corrida global por minerais críticos, todos os caminhos e players se cruzam em alguma esquina. É o caso da Vale e da J&F, holding controladora da JBS e dos demais negócios dos irmãos Batista. Os dois grupos empresariais têm mantido conversas sobre possíveis investimentos conjuntos na exploração de minerais estratégicos, notadamente terras raras. Por enquanto, são tratativas preliminares que tendem a ganhar força diante do crescente interesse pela alta tecnologia. Não é de hoje que a LHG Mining, braço de mineração de Joesley e Wesley, avalia entrar na produção de minerais críticos. Trata-se de um negócio que extrapola as fronteiras brasileiras e conversa com as ambições globais da J&F. Já a Vale é a Vale. A empresa já tem dentro de casa um eldorado com notório potencial de crescimento, a Vale Base Metais, sua subsidiária voltada à produção de minérios estratégicos. A controlada vale quanto pesa e pesa quanto vale, seja pelo que já tem em seu portfólio — operações de cobalto, níquel e cobre no Brasil, Canadá e Indonésia — seja pela possibilidade de avançar sobre outros minerais críticos e terras raras.

Terras raras 2

A Arábia enxergou essa riqueza a valor presente e o valor futuro: pagou US$ 3,4 bilhões por 13% da Vale Base Metais, por meio da Manara Minerais, joint venture entre a Ma'aden e o PIF (Public Investment Fund), fundo soberano saudita. Vale lembrar que o próprio presidente da Vale, Gustavo Pimenta, já disse publicamente que a companhia avalia investimentos em terras raras. Uma eventual parceria entre Vale e J&F/LHG Mining teria forte potencial para ser um dos líderes de investimentos em minerais estratégicos no subsolo brasileiro.

Giba Um

Faz parte da fernanda

A atriz Fernanda Vasconcellos não tenta esconder que, em alguns dias, ao terminar as gravações de “Três Graças”, ela chorava. Na reta final da novela, a atriz de 41 anos se aprofundou no papel de Samira, uma chef de cozinha envolvida com o tráfico de bebês, um papel bastante intenso, especialmente por ser mãe de Romeo, que tem 3 anos. “Samira sente emoções, mas não as revela”. Após uma década longe da atuação, ela enfrenta a seriedade da trama com consciência: “Qualquer pessoa pode ter uma natureza boa ou má. E a mensagem da história é extremamente relevante”. Dividida entre São Paulo e Rio, Fernanda se esforça para manter a rotina de seu filho. Contudo, o momento de “tchau” ainda é difícil: “Não é simples, mas ele está se tornando mais independente.” Como uma mãe superprotetora, reconhece: “Penso em tudo, desde a alimentação até o banho”. Junto de Cássio Reis há 14 anos, ela comemora a parceria: “Somos excelentes companheiros, tudo realmente flui bem.” Após a maternidade, surgiram incertezas e pausas. “Cheguei a pensar que talvez não voltasse a trabalhar novamente.” Retornou com uma visão mais clara: “Ser atriz é uma parte essencial de quem eu sou. Aprendi que esta carreira demanda paciência”. E ela não tem a intenção de parar. “Após a novela, quero elaborar um novo projeto de teatro com a Ana Beatriz Nogueira. Nesse tempo de profissão, aprendi que ela é inconstante, não temos o controle de nada. Mas sei que ainda tenho um longo caminho pela frente.”

Giba Um

Saindo de cena

Lula ainda considera o senador Rodrigo Pacheco candidato ao governo de Minas Gerais. Ledo engano: ele já avisou que não quer ser candidato ao Supremo e tampouco ao governo mineiro. Nos dias que antecederam a votação, Pacheco chegou a dar demonstrações de apoio a Jorge Messias, subscreveu uma nota do PSB ao indicado, almoçou com o advogado-geral da União e apareceu em foto ao lado dele no encontro. Há quem insista em dizer que Pacheco não estava a par das manobras de Alcolumbre, seu grande amigo. O ex-presidente do Senado, contudo, não revelou se votou a favor ou contra Messias. Aos chegados, diz que abandonará a política.

Foto da capa

Na semana passada, depois da segunda derrota do governo pelo Congresso, a foto unindo os senadores Davi Alcolumbre e Flávio Bolsonaro foi estampada na maioria dos grandes jornais brasileiros. Derrubado o veto presidencial ao Projeto de Lei da Dosimetria, Flávio foi abraçar Alcolumbre, e o presidente do Senado preferiu encostar o rosto, de olhos fechados, no peito do pré-candidato ao Planalto, parecendo dizer: "Estamos juntos e vencemos". Há quem tenha ouvido um comentário semelhante. O veto derrubado beneficiará — não exatamente no curto prazo — condenados por golpe, inclusive o ex-presidente Bolsonaro. Enquanto isso, em grande área do plenário, demais senadores davam pulinhos e sacudiam os punhos, numa espécie de dança, ritual que já havia sido cumprido na derrota de Jorge Messias, candidato ao Supremo indicado por Lula. Alguns emocionados da oposição acharam que o momento Alcolumbre-Flávio poderia ser a cena de um filme.

Pérola

"Agora tem uma profissão chamada 'influencer'? Um cara que trabalha na internet e tem 3 milhões de seguidores. Não conheço ninguém que ensina uma coisa séria que tem 4 milhões, mas se fala bobagem, pode ter até 20 milhões",

de Lula, sobre "influencers" nas eleições legislativas.

Roteiro e soberba

O benefício aos condenados, derrubado o veto, não é imediato. Espera-se que algum partido ou a PGR apresente ação no STF questionando a constitucionalidade do projeto de lei. Nesse caso, o tema será julgado pelos atuais dez ministros da Corte. Os senadores gritavam "Fora Lula" e Flávio respondia: "O governo Lula acabou". Mais tarde, já dizia que tem vários nomes para indicar ao Supremo. "Mas não vou adiantar nada. Ainda não sou presidente", emendava o "01", passando a impressão de que já se considera eleito. Bernardo Mello Franco acha que "a soberba pode cobrar um preço alto à campanha".

"Tradição brasileira"

O historiador Carlos Fico, professor da UFRJ e especialista em História do Brasil República, autor de várias obras sobre o assunto, acha que a mobilização do bolsonarismo e aliados para demolir o veto de Lula à Lei da Dosimetria, aprovado pelo mesmo Congresso Nacional, foi mesmo "mais uma vitória da tradição brasileira de tratorar a democracia". Numa tabela pública, ele enumerou 15 golpes (tentados ou consumados) e pronunciamentos militares. Na meia dúzia que fracassou (1902, 1922, 1924, 1956, 1959 e 1961), houve anistia. A sétima, pavimentada pelo Legislativo, facilita a progressão do regime de condenados pela trama golpista de 2022-2023, beneficiando Bolsonaro, três generais e o almirante. O bolsonarismo, ao lado do Centrão, viabilizou um próximo golpe.

"Olha eu aqui!"

Lula pensa em outros nomes para o Supremo e os mais chegados acham que ele deveria colocar Jorge Messias no Ministério da Justiça no lugar deWellington Lima apadrinhado de Jaques Wagner. Messias queria deixar a AGU, mas Lula o convenceu a ficar até o final de seu mandato. Aliados de Lula aconselham o presidente a escolher uma mulher para o STF, e especialmente uma negra. Gleisi Hoffmann gosta da ideia: "É uma oportunidade para a gente debater a indicação de uma mulher para a Corte". Antes de Flávio Dino ser escolhido para o STF, a própria Gleisi chegou a ter seu nome cogitado para a vaga. Ela é advogada diplomada pela Faculdade de Direito de Curitiba e, claro, gostaria de "usar" toga.

Oito votos 1

Na noite anterior à sabatina de Jorge Messias, o ministro Alexandre de Moraes ofereceu um jantar para recepcionar um velho amigo, o procurador e ex-secretário Nacional de Justiça, Mário Luiz Sarrubbo (ambos fizeram carreira no Ministério Público de São Paulo) e, entre outros convidados, estava o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Também lá estavam os ministros Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, além do senador Rodrigo Pacheco. Houve conversas sobre a votação de Messias e, apenas para Alexandre, Alcolumbre teria antecipado que o titular da AGU seria rejeitado pela diferença de oito votos.

Oito votos 2

O ministro Alexandre de Moraes também não era favorável à aprovação de Jorge Messias (ele garante que jamais conversou com algum senador) e permaneceu com a informação na cabeça: "oito votos". Moraes conhece onde aperta o sapato de Alcolumbre. Ele é padrinho de Jocildo Lemos, que pediu exoneração do comando da Amapá Previdência (Amprev) após a Polícia Federal investigar um aporte de R$ 400 milhões feito pelo fundo do Banco Master. Lemos também foi tesoureiro da campanha de Alcolumbre. Depois do encontro entre ele e Moraes no jantar, redes sociais ironizaram um suposto pacto: "Você salva a minha pele e eu salvo a sua".

Mistura Fina

A costura política que levou o veto presidencial da Dosimetria à pauta do Congresso passou por um acordo entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e políticos bolsonaristas para enterrar a CPI do Master, cuja instalação vinha sendo pedida pela oposição. Um grupo de parlamentares planejava utilizar a sessão conjunta entre as duas Casas para cobrar que Alcolumbre autorizasse a abertura da CPI sobre o escândalo do banco de Daniel Vorcaro. A rejeição de Jorge Messias também entrou na conversa.

As tratativas foram conduzidas entre Alcolumbre (rotulado em editorial pelo Estadão de "egresso do baixíssimo clero") e o senador Jorge Seif (PL-SC). Parte dos deputados bolsonaristas diz não ter feito parte da negociação e se queixa de a CPI não ter sido instalada. O deputado Carlos Jordy (PL-RJ), autor do requerimento que pede a criação da comissão, reclamou da manobra e sustentou que ela fere o regimento. Agora, ele quer entrar com mandado de segurança no STF para tentar garantir a criação da CPI.

O presidente Lula e seus assessores mais próximos iniciam a semana estabelecendo uma série de providências a serem tomadas contra Davi Alcolumbre, com o qual não planeja "em hipótese alguma" ter uma reconciliação. De cara, servidores indicados pelo presidente do Senado serão demitidos e informados da causa da demissão. Aliados defendem que Alcolumbre "deve sofrer" sempre que possível por ter causado constrangimento ao próprio presidente. Lula quer força total contra candidatos de Alcolumbre no Amapá para diminuir sua força em Brasília. E nem agendas importantes (caso do 6x1) serão motivo para uma reaproximação.

Mais: enfurecidos governistas estão prevendo que Davi Alcolumbre terá destino semelhante ao de Eduardo Cunha, que liderou o impeachment contra Dilma Rousseff em 2016 e acabou preso. Para alguns deles, o presidente do Senado será afetado (de saída, pelo episódio dos R$ 400 milhões da Amprev no Amapá) por revelações de Daniel Vorcaro e não terá mais o governo para ajudá-lo. E alguns defendem que Lula deixe vago o cargo de ministro do Supremo para não correr risco de nova derrota.

In - Esmalte: rosa fosco
Out - Esmalte: rosa brilhante

CLAÚDIO HUMBERTO

"É muito bom que o povo tenha capacidade de se endividar"

Presidente Lula (PT), em mais um devaneio, ao assinar o tal 'Desenrola 2.0'

05/05/2026 07h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

Continue Lendo...


Penduricalhos de Messias somam mais de R$83mil

Rejeitado para a cadeira de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Jorge Messias, que ainda pode se consolar chefiando a Advocacia-Geral da União (AGU), faturou mais de R$83,1 mil em penduricalhos de janeiro a março, última data disponível do seu holerite. O contracheque do “Bessias” tem como remuneração básica bruta o valor de R$78.805,71, mas o abate-teto salva o pagador de impostos de ter que bancar a fatura e morde R$$46.593,83 do montante.

Manobra

O salário de Messias foi engordado com “verbas indenizatórias” e “distribuição de saldo de horários advocatícios”.

Marajá na AGU

Os honorários extras, por ter feito o que já é pago para fazer, somaram R$77,2 mil, sendo R$35,2 mil apenas em fevereiro.

Na conta

O restante (R$5,9 mil) veio da nebulosa “verba indenizatória”: R$2,1 mil em janeiro; valor que se repete em fevereiro, e R$1,6 mil em março.

Só em penduricalhos

Messias recebeu em 90 dias o que o brasileiro levaria quase dois anos (22 meses) ganhar, considerando salário médio de R$3,7 mil (Pnad).

Congresso ainda tem 80 vetos para analisar

Ainda estão pendentes de análise no Congresso Nacional 80 vetos presidenciais. Quase todos (79) foram assinados pelo presidente Lula (PT) no atual mandato, mas um deles permanece intocado desde junho de 2022, quando o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) vetou trechos da lei aprovada na Câmara dos Deputados e no Senado que previa o despacho gratuito de bagagens em viagens em companhias aéreas.

Prazo curto

O Congresso tem mais seis semanas de trabalho no primeiro semestre, antes do recesso parlamentar e depois só volta após as eleições.

Em tese

São 77 os vetos “sobrestando a pauta”, ou seja, deveriam ser analisados antes de qualquer outra matéria em sessão conjunta do Legislativo.

Presidente manda

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, explicou na sessão que derrubou o veto à Lei da Dosimetria: ele define a ordem da análise.

Constrangedor

A OAB fez que não viu e nem ouviu o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Luiz Philippe de Mello Filho, declarando-se “vermelho”, em um discurso que chocou e indignou juízes “azuis” de todo o País. A OAB mostra que o aparelhamento esquerdista é mais amplo do que se supõe.

Nem pensar

O jurista Alexandre Rollo disse à TV BandNews que, além da OAB, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão de controle externo da magistratura, pode agir no caso do presidente do TST. Mas não o farão.

Não é negócio

Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP) condena a barganha com o drama dos presos do 8 de janeiro e diz que a dosimetria é um direito, “questão humanitária não se negocia”, diz o deputado príncipe.

46 vezes

A ida de Lula (PT) para encontro com Donald Trump em Washington, nos Estados Unidos, vai marcar a 46ª vez que o presidente brasileiro realiza uma viagem internacional, somente durante o terceiro mandato.

Só coincidência

“Que coincidência!”, reagiu o ex-deputado Eduardo Bolsonaro sobre a decisão do governo Lula (PT) de proibir plataformas de previsão e apostas “logo quando disparam” as chances de vitória do irmão Flávio.

Como decide?

O furo na alfândega, na volta da viagem ao Caribe do presidente da Câmara, Hugo Motta (Rep-PB), agora está há uma semana nas mãos da Procuradoria-Geral da República, que vai decidir o destino do inquérito.

Andrei na mira

Deve dar em nada, mas o Novo acionou a sonada Comissão de Ética da Presidência e a Procuradoria da República contra o diretor-geral da PF. Andrei Rodrigues desfrutou de convescote (2024) bancado pelo Master.

Viagem perdida

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, deve ir hoje (5) à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado falar sobre o Banco Master. Como a CAE é dominada por lulistas, pouco deve sair de lá.

Pensando bem...

...o melhor programa de “desenrola” vai ficar para outubro.

PODER SEM PUDOR

Cláudio Humberto

Quem tem votos

De Dinarte Mariz aos jornalistas Carlos Castello Branco e Murilo Melo Filho: “Eu vetara a candidatura de Aluízio Alves ao governo do Rio Grande do Norte, quando ouvi do marechal Castelo Branco, no Planalto, a advertência: ‘Lá no seu Estado, segundo estou informado, quem tem votos é o dr. Aluízio’, disse. “Não seja por isto, presidente. Se fosse só por ter voto, quem devia estar sentado aí era Juscelino (Kubitscheck), que tem muitos votos, e não o senhor, que não os tem”.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).