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"Para que não se sintam semideuses, como alguns se sentem"

Senador Plínio Valério (PSDB-AM), sobre sua proposta de mandato de oito anos para ministros do STF

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EUA investigam corrupção que STF ‘descondenou’

Poucos dias após a visita de Lula (PT), o Departamento de Justiça do governo Joe Biden e o FBI anunciaram a abertura de investigação de um esquema de corrupção (pagamento de suborno e lavagem de dinheiro) envolvendo empresa americana e funcionários da Petrobras, durante os governos Lula, Dilma e Temer.

Se no Brasil o Supremo Tribunal Federal (STF) “descondenou” e viabilizou sua candidatura presidencial, nos EUA toda corrupção é punida com rigor, aplicando-se a Lei Anticorrupção contra empresas americanas que atuam de forma desonesta no exterior.

Pagou, levou

Documentos judiciais apontam que Glenn Oztemel e o ítalo-brasileiro Eduardo Innecco pagaram propina para obter contratos na Petrobras.

Petróleo e gás

A dupla representa empresas que atuam na comercialização de petróleo e gás, e deitaram e rolaram na ladroagem petista.

Consultoria de araque

Os pagamentos de propina eram “disfarçados como supostas taxas de consultoria e comissões”, disse o Departamento de Justiça.

Para ocultar

Os envolvidos usaram linguagem codificada para se referir a subornos, nomes fictícios e aplicativos de mensagens criptografadas, diz o DOJ.

TSE confirma doação ao PT por juiz da Lava Jato

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou à coluna a doação feita por Eduardo Appio, novo juiz da Lava Jato, à campanha presidencial de Lula (PT). O TSE informou que o depósito é de um “CPF válido e existente na Receita Federal” e que “confere com o titular do documento”. Nas prestações de contas do PT, o magistrado aparece como doador de R$13 para Lula e R$40 para a deputada estadual Ana Júlia (PT-PR).

PT foi que contou

O TSE destacou que é recorrente o uso de CPF por terceiros, mas a declaração de doação é de responsabilidade do partido e do doador.

Tá tudo certo

A Justiça Eleitoral disse ainda que as contas do PT foram aprovadas e que não há nenhuma apuração sobre o caso da doação do juiz.

Nada a declarar

A coluna procurou Eduardo Appio, que anteriormente não reconheceu a doação. Desta vez, o juiz não se manifestou sobre a posição do TSE.

Cavalinho fora da chuva

O presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), não amenizou sobre a pretensão do presidente Lula (PT) de interferir na independência do Banco Central: “revisão de reformas” não é prioridade.

Fazendo número

Deputados que visitaram os presos acusados de participarem da quebradeira de janeiro, relataram à coluna abusos como o de motorista de Uber que acabou na jaula porque passava pelo acampamento. O rapaz foi retirado do seu carro, cujo paradeiro ele ignora.

Questão legal

O senador Rogério Marinho (PL-RN) reconheceu esforços do governo do DF para melhorar as condições dos presos na Papuda, mas persistem problemas com saúde e alimentação e sobretudo espaço.

É má notícia?

O interesse na internet pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem caído desde o auge recente, em outubro, diz o Google Trends. O interesse por Lula (PT) cresceu a partir de janeiro, pela primeira vez desde 2018.

Direito à propriedade

O número de titulação de terras no último ano de Bolsonaro, divulgado pelo ex-presidente, supera os concedidos por Lula entre 2003 e 2010. Foram 124.954 de Bolsonaro em 2022 e 112.651 no período de Lula.

Futuro

O ex-ministro do Turismo de Bolsonaro Gilson Machado, derrotado na disputa pelo Senado por Pernambuco, tomou gosto pela política. Vai disputar a Prefeitura do Recife nas próximas eleições.

Sem erro

Autora do “furo” sobre o balão espião que sobrevoava os EUA, a Reuters chama o objeto de “balão chinês” e diz que autoridades americanas de “contrainteligência” analisam o vasto material recuperado.

(Des)ConectCar

A ConectCar não cansa de aborrecer corajosos que compram uma tag da empresa para ter agilidade no pedágio. Mesmo com erro reconhecido, a ConectCar sujeita os clientes a meses de espera por reembolso.

Pensando bem...

...mentiras na economia, investigação de corrupção na Petrobras... o começo do novo governo do PT se parece muito com fim do último.

PODER SEM PUDOR

Pimenta malagueta

Logo que assumiu o governo paulista, o sempre esquecido Franco Montoro, durante uma solenidade, fez a defesa de mudanças no IVC (finado Imposto sobre Vendas e Consignações).

Queria referir-se ao ICMS. Mas ninguém conteve as gargalhadas quando resolveu saudar um ilustre visitante: “Seja bem-vindo, deputado Pimenta do Reino!” Era o deputado Pimenta da Veiga (MG), como ele, fundador do PSDB.


 

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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