Colunistas

CLAÚDIO HUMBERTO

"Pelo conjunto da obra, não tem condições de continuar"

Adriana Ventura (Novo-SP) sobre a permanência do ministro Dias Toffoli no STF

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Senado tem 55 pedidos de impeachment contra o STF

Tramitam no Senado 55 pedidos de impeachment contra os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Alexandre de Moraes é o alvo do maior número de pedidos; 29, mas existem petições específicas contra Gilmar Mendes (9), Flávio Dino (8), Dias Toffoli (6), Cármen Lúcia (3), Cristiano Zanin (3) e Edson Fachin (2), além de petições conjuntas que incluem, por exemplo, o procurador-geral da República, Paulo Gonet. O novo pedido de impeachment contra Toffoli no caso Master não entra na conta.

Recorde 2025

Apenas no ano passado o Senado recebeu 38 pedidos de impeachment contra membros do Supremo. É o maior volume da História.

Primeiro do ano

O primeiro pedido de impeachment contra ministros do STF de 2026 foi contra Dias Toffoli, antes de se afastar da relatoria do caso Master

Barroso na mira

Somadas as petições contra o ministro aposentado (antecipadamente) Luis Barroso, ex-presidente do STF, o total de pedidos chega a 60.

Nunca na História

O Senado é o único órgão capaz de analisar impeachment de ministros do STF, mas nunca um membro da Corte foi cassado.

Governo Lula já pagou R$630 milhões em emendas

A plataforma de transparência do Tesouro Nacional revela que o governo Lula (PT) já distribuiu R$ 630 milhões em 2026 para bancar emendas parlamentares. Desde o início do ano, que mal começou em Brasília, foram pagos mais de R$438 milhões em emendas parlamentares individuais e outros R$191 milhões bancaram as emendas de bancada. Deputados e senadores estavam em recesso até o início de fevereiro.

Mecânica

Emendas são recurso público que deputados e senadores destinam a municípios Brasil afora. Parlamentares indicam e o governo federal paga.

Pai da mudança

Há dez anos, sob o então presidente da Câmara Rodrigo Maia, o Congresso aprovou tornar o pagamento de emendas “impositivo”.

Pré-requisitos e só

O governo é obrigado a pagar emendas “impositivas”, sem interferência política. Faz apenas avaliação técnica da ordem do parlamentar e paga.

Visão embaçada

O Portal da Transparência ainda não registrou nenhum real pago pelo governo Lula (PT) em emendas parlamentares, em 2026. Mas o Tesouro Nacional não pode deixar de fazer as contas: foram R$ 630 milhões.

Governo gastador

O governo do Brasil é, de longe, o maior anunciante da Meta (Facebook e Instagram no Brasil. Torrou R$2 milhões em anúncios no último mês. O segundo colocado, um “ICL Notícias”, torrou R$ 300 mil em 30 dias.

Conduta e honra

O ex-presidente Jair Bolsonaro tem até o final do mês (dia 27) para apresentar defesa no Superior Tribunal Militar, que julga se ele “mantém requisitos de conduta e honra” para conservar a patente e título militar.

Sob pressão

A CPI do Crime Organizado vai ouvir na terça-feira (24) o diretor-geral da Meta (Facebook, Instagram, Whatsapp etc.) no Brasil, Conrado Leister, sobre o uso das redes para disseminar e financiar o crime organizado.

Sempre eles

O Senado tem até o fim do mês para analisar a medida provisória que transforma a Autoridade Nacional de Proteção de Dados em agência reguladora, com autonomia administrativa e técnica... e muitos cargos.

Sem brincadeira

Projeto do deputado Duda Ramos (MDB-RR) prevê até dez anos de prisão para quem dopar outra pessoa sem consentimento. O texto será analisado pela CCJ da Câmara e depois segue direto ao Plenário.

Governo menor

A Câmara chegou ao Carnaval com a maioria das comissões permanentes instaladas: 25 das 30 têm presidentes. O PT tem quatro comissões, enquanto o maior partido de oposição PL emplacou cinco.

Três disputam

Pré-candidato ao Senado, o deputado Arthur Lira (PP-AL) visitou o Sertão alagoano essa semana já em articulação. Pesquisas indicam disputa acirrada com Alfredo Gaspar (União) e Renan Calheiros (MDB).

Pensando bem...

...virou ex-amigo do amigo do meu pai.

PODER SEM PUDOR

Disque-Hélio

Enfrentando o notório boêmio Hélio Garcia na disputa pelo governo de Minas, nos anos 1990, o governo tucano lançou um “disque-pileque”, para provocar o adversário. Era um telefone disponibilizado para quem, depois de entornar uns copos, não se sentia em condições de dirigir. Um PM seria destacado para conduzir o carro até em casa. A vice tucana Dorothéa Werneck percebeu a bobagem e ironizou: “Pronto. Já estão usando a máquina do Estado em favor do Hélio Garcia...”

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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