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"Pochmann é intelectualmente desonesto. Ele não pode trocar o quadro técnico que faz esses cálculos"

de ALEXANDRE SCHWARTSMAN // ex-BC, sobre o novo presidente do IBGE

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“Pochmann é intelectualmente desonesto. Passamos a desconfiar dos números da inflação, do PIB. Ele não pode trocar o quadro técnico que faz esses cálculos”, 
de ALEXANDRE SCHWARTSMAN // ex-BC, sobre o novo presidente do IBGE.

 

A Stellantis apresentará esta semana as tecnologias que adotará para produção de veículos híbridos no Brasil. todos combinarão propulsão elétrica e a biocombustível. As três fábricas no país já estão preparadas para produzir a nova linha de automóveis.

Mais: o grupo tem como meta que, até 2030 20% de seu portfólio no Brasil será composto por veículos eletrificados. Globalmente, a companhia vai investir R$ 30 bilhões até 2025 em eletrificação e desenvolvimento de softwares e soluções correlatos a uso de novas matrizes energéticas.

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Mais mudanças

Malgrado a resistência do PSB quanto a redução de sua participação no governo, nada impede Lula de afastar o vice Geraldo Alckmin, também ministro  do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços dessa pasta, que poderia passar ao comando de Márcio França (os dois são do PSB). Ele abriria mão do Ministério de Portos e Aeroportos que poderia ser oferecido ao Republicanos ou ao Progressistas. Alckmin não tem nada contra, especialmente porque Lula lhe encarregaria de missões mais especiais ainda na condição de vice. E tudo com muito cuidado: França renunciou à sua candidatura ao governo de São Paulo dando espaço a Fernando Haddad.

CANDIDATO PRÓPRIO

O PSB não toca no assunto: seria colocar “o carro na frente dos bois”, como diz o velho proverbio. Contudo, o partido já pensa em ter candidatura própria à Presidência em 2026, especialmente se Lula não sair e lançar Fernando Haddad. O nome favorito do PSB é o do vice-presidente Geraldo Alckmin, que vem crescendo na cena nacional. O ex-governador de São Paulo também não toca nesse assunto. Se Tarcísio de Freitas perder o fôlego, o vice poderia também tentar retornar ao Palácio dos Bandeirantes. 

Segundas intenções

Arthur Lira, presidente da Câmara já avisou Alexandre Padilha, ministro das relações Institucionais, que não gostou das negociações diretas entre o Planalto e deputados do Centrão em torno da reforma ministerial. Ficou irritado com o episódio envolvendo Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), que esteve no Palácio para conversar diretamente sobre sua ida para o Ministério dos Esportes. O olhar de Lira vai mais longe: ele se concentra com que pode estar entre o Palácio e o Republicanos: o possível apoio de Marcos Pereira, presidente do partido, na eleição do comando da Câmara em 2025.

PREFERENCIAIS

Além do ministro Wellington Dias, do Desenvolvimento Social, agora também a titular do Ministério da Gestão e da Inovação de Serviços Públicos, Esther Dweck, integra o bloco dos futuros guilhotinados, mais Rita Serrano, da Caixa. Wellington poderia ir para o Ministério da Gestão e Esther assumiria posição de destaque no novo PAC, que será lançado em agosto. Dias foi fundamental para Lula no Piauí: na terra de Wellington ele teve 76,86% dos votos. Oito das dez cidades que mais votaram em Lula no segundo turno estão no Piauí. 

Ganhando peso

O Ministério do Meio Ambiente deverá participar dos grupos de discussão e implementação do novo PAC, por enquanto na esfera da Casa Civil. A combinação entre Marina Silva e Rui Costa é difícil, mas até faz sentido. Se o meio ambiente será transversal a todas as obras, é natural que a Pasta de Marina seja representada. Mais: o modelo para nortear o PAC já está pronto: é só revisitar o estatuto da Comissão Permanente de Negociação entre governos, centrais sindicais e entidades de construção civil, criada em 2011.

Desde que eu nasci

A atriz Fernanda Paes Leme, está pela segunda vez à frente  da campanha da Morana, que desta vez foi inspirada na beleza única de cada mulher, sobretudo a singularidade de cada uma, apresentando peças que combinam com qualquer estilo. A escolha da ‘Fepa’ (apelido no qual seus amigos lhe chamam), tem muito a ver com sua personalidade que é extrovertida, forte e que ao mesmo tempo reconhece suas fragilidades. Ela que   estreou na televisão no seriado Sandy & Jr, tem se dedicado mais ao lado de apresentadora.  Nos últimos anos, participou dos programas Superstar, X-Factor Brasil e Desengaveta e agora comanda o vídeocast Quem pode pod ao lado de Giovanna Ewbank. E durante estas apresentações a já quarentona (apesar de não aparentar) tem feito algumas revelações  de seu passado. Já contou que o primeiro vibrador de sua vida foi presente de um ex-namorado, que transou com uma mulher (amiga) por curiosidade e por aí vai.  Sobre o feminismo falou: “Sou feminista desde que nasci. E é justamente na crescente do feminismo que o machismo se revela. Não podemos nunca descansar achando que o que fizemos e temos é o suficiente. Quanto mais mulheres vão criando consciência do feminismo, mais o machismo se sentirá ameaçado e fazendo jogo sujo. Então, novamente, precisamos crescer. Temos que melhorar tudo. Não existe ponto algum na sociedade onde a mulher está garantida, em todos os direitos. Viver é uma eterna evolução, isso também se aplica ao feminismo”.


Haddad-Tebet de olho em 2026

“Simone é disciplinada e leal ao presidente. Tem sido uma companheira de extremo valor”. O ministro Fernando Haddad (Fazenda), vira e mexe, elogia a atuação – e quase sempre a seu lado – de Simone Tebet, titular do Planejamento e Orçamento. No episódio polêmico da nomeação de Márcio Pochmann para a presidência do IBGE, decisão pessoal de Lula, garantiu que nada ameaçaria o trabalho de Tebet que, na semana passada,  sobre o parceiro da Fazenda, disse que “não nos vemos separados em 2026”. Foi o suficiente – embora precocemente – para que alas do PT e do MDB começassem a imaginar uma dobradinha Haddad-Tebet nas eleições presidenciais de 2026, na hipótese de Lula não se candidatar à reeleição. Nessa circunstância, o titular da Fazenda é o primeiro da lista de preferências do presidente. Mais: setores liberais da economia condenam a decisão de Lula porque acham que o atual presidente do Instituto Lula é um radical posicionado mais à esquerda do PT que defende mais gastos públicos e nenhuma preocupação quanto à responsabilidade fiscal, na contramão da equipe econômica do governo. Mais: acham ainda que a escolha enfraquece a linha moderada de Fernando Haddad e corrói a autoridade da ministra do Planejamento (além de quebrar a promessa de que ela teria autonomia nas nomeações). 

Polly no cinema

A Mattel é a maior fabricante de brinquedos do mundo, e nasceu em uma garagem na Califórnia, em 1945. Em 2016 a empresa resolveu explorar a imagens de seus brinquedos criando a Mattel Films (divisão de produção cinematográfica da companhia). E depois do sucesso estrondoso que o filme Barbie está fazendo, vai levar as telonas outra boneca da empresa: a Polly Pocket. A boneca já ganhou algumas versões em desenho, mas agora ganhará status cinematográfico. Para interpretar Polly a escolhida foi a atriz e escritora Lily Collins, que é conhecida por dar vida a Emily Cooper na série Emily in Paris. Filha do cantor e compositor Phil Collins ela vibrou de ser a escolhida: “Como uma criança obcecada por Polly Pockets, é um verdadeiro sonho se tornando realidade.


Ruim de voto

Márcio Pochmann, novo presidente do IBGE, nunca foi bom de voto. Ele concorreu duas vezes, em 2016 e 2021 à prefeitura de Campinas. Foi derrotado na primeira tentativa, mas chegou ao segundo turno e na segunda tentativa terminou em terceiro lugar. Dois anos mais tarde, também se candidatou, sem sucesso, a deputado federal por São Paulo. Ele andou pensando, de novo, na cadeira da prefeitura de Campinas, no ano que vem, agora que Lula está na presidência. Foi logo desestimulado por amigos (mais chegados) e já tirou a possibilidade da cabeça.

Bilhões perdidos

Quando, num repente, Elon Musk anunciou que pretendia mudar o nome da rede social, quem entende de marca levou um susto. Em menos de 24 horas, o nome Twitter desapareceu de toda a rede e muita gente começou a fazer as contas. De acordo com a revista Time, na decisão intempestiva, Musk queimou algo entre US$ 4 bilhões a US$ 20 bilhões em valor de marca. Ele pôs no cabeçalho da rede uma marca improvisada, uma letra X estilizada, sugestão de um usuário. O Twitter acabou.

 

Lembrando 2022

No recente almoço na casa da empresária Marly Mansur, no Morumbi, em São Paulo, para lideranças do PL, políticos e representantes do setor produtivo, com muito esforço a favor da tentativa de reeleição de Ricardo Nunes, o ex-presidente Jair Bolsonaro reviveu um clima de campanha de 2022. Fábio Wajngarten (ex-Secom) e o marqueteiro Duda Lima, que articulam a campanha de Nunes, providenciaram um coro para o Capitão com gritos de “mito”. De quebra, tocaram o jingle da campanha de reeleição à Presidência. 

NA MIRA

Paulo Guedes, agora sócio e CEO da Legend Capital – private equity, reestruturação de empresas e administração de fortuna, em associação com o BGT Pactual – já tem três companhias na mira. Guedes é considerado um dos mais preparados leitores do cenário econômico. Foi assim no Pactual, no JGP e na Bozano Investimentos, sua última parada antes do Ministério da Economia. Uma das empresas na mira é do setor de educação. Já foi um dos sócios da Ibmec, Anima Educação e Abril Educação.


MISTURA FINA

NO entorno de Lula, o advogado e futuro ministro do STF Cristiano Zanin tem se notabilizado como uma das principais vozes favoráveis à permanência de Augusto Aras na PGR. Em conversas reservadas, Zanin costuma deixar palavras elogiosas a Aras pelo desmonte da Lava Jato, especialmente da “República de Curitiba”. Há semanas, o próximo ministro do STF já se declarou contrário à escolha de um nome da lista tríplice por conta da politização dentro do Ministério Público.

um lado de Márcio Pochmann, novo presidente do IBGE, que Lula gosta muito. Ele é contra a autonomia do Banco Central, defende a revogação da lei e ataca o Boletim Focus, que faz projeções semanais sobre indicadores. Chama o BC de “sindicato dos banqueiros” e vive disparando contra Roberto Campos Neto. Num de seus antigos ataques à instituição não deixou por menos: “Até quando o BC continuará emitindo como sua a opinião média de ideólogos do próprio mercado financeiro?”.

ATÉ no governo a escolha de Márcio Pochmann para presidir o IBGE é vista com desconfiança. O instituto apura índice de inflação, IPCA, pesquisas sociais, emprego/ desemprego e outros. A falta de dados confiáveis afasta investidores. Foi o que aconteceu na Argentina de Cristina Kirchner: aparelhou o Indec, o IBGE de lá e passou a fraudar indicadores econômicos, que acabou num desastre. O governo foi acusado de fraude, que ajudou a destruir a economia e a reputação do Indec. 

ESTÁ praticamente acertada a volta de Paulo Okamoto para o Instituto Lula. Ele dirigiu a instituição e está à frente da Fundação Perseu Abramo, considerado braço intelectual do PT. No passado, o instituto enfrentou um fogo constante dos adversários, que queriam averiguar como as palestras de Lula entravam na contabilidade da entidade. Okamoto também comandou o Sebrae, é amigo pessoal do presidente e tem ligações sólidas em Brasília.

O PSD de Gilberto Kassab já fez chegar ao Planalto uma indicação para a presidência da Funasa. Trata-se de Marlos Costa de Andrade, que também tem como padrinho o deputado federal Domingos Neto (PSD-CE). Contudo, Marlos carrega contra si o fato de ter sido diretor do Departamento de Engenharia de Saúde Pública da própria Funasa durante o governo Bolsonaro. O PSD quer desvincular essa ligação dizendo que seu protetorado político é desde a gestão de Michel Temer. 

MESMO depois de Daniela Carneiro perder o Ministério do Turismo, o prefeito de Belford Roxo, Waguinho (Republicanos), tem frequentado o quarto andar do Planalto. Espera a “retribuição” prometida pelo presidente, que poderá visitar Belford Roxo em agosto, se as dores no quadril permitirem. A cidade deverá ganhar um hospital do câncer e o Instituto Federal de Educação. 
 

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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