Colunistas

Cláudio Humberto

"Se querem CPMI para discutir joias, façam outra"

Deputado Arthur Maia (PP-BA) frustrando um pouco a caçada a Jair Bolsonaro

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Louco para aderir, partido deseja assumir Esportes

A minirreforma ministerial que Lula deve promover quando retornar do tour que faz pela África ainda desagrada o Republicanos, que está com um pé no governo. A sigla quer levar a pasta do Esporte, hoje ocupada pela ministra Ana Moser, que não tem um voto sequer no Congresso. Para o partido, apesar do orçamento mixuruca, o ministério tem capilaridade e serve como vitrine para os projetos da igreja que tem ligação com o Republicanos. São ações sociais voltadas ao esporte.

 

Capitação

A igreja tenta atrair os jovens oferecendo modalidades como futebol, futsal, voleibol, jiu-jitsu, muay thai, capoeira e taekwondo.

 

Quero não

No rascunho da nova Esplanada, Lula até insinuou criar a pasta da Micro e Pequenas empresas e empurrar no Republicanos, que rejeitou.

 

Consolação

Portos e Aeroportos, hoje com o PSB, foi a alternativa para substituir Esportes. Agrada por desenrolar a privatização do Porto de Santos (SP).

 

Independência

O presidente do Republicanos, Marcos Pereira, não assume que a sigla vai compor a base de Lula. Diz que segue independente.

 

Lira sabe que aderindo a Lula perderá poder político

O presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (AL), tem sido advertido por aliados experientes como o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, seu partido, de que perderá influência e poder caso permita que a adesão coletiva de parlamentares ao governo Lula, em troca de cargos sem significado político. Com os partidos de centro na coleira, Lula não precisaria mais recorrer a Lira para aprovar matérias do seu interesse.

 

Porteira fechada

Lula tem assediado Lira e líderes do centrão oferecendo-lhes favores e cargos que, a rigor, só interessam no caso de “porteira fechada”.

 

Só o escolhido

Oferecendo apenas o cargo de ministro e mais meia dúzia de posições, apenas o escolhido para chefiar a pasta seria beneficiado com a adesão.

 

Gazua virtual

Com fundão partidário e eleitoral, liberação impositiva de emendas etc, a turma já tem acesso livre a dinheiro público sem o risco de PF na porta.

 

Zagueira-zagueira

A ex-primeira-dama Michelle virou conselheira de Jair Bolsonaro contra “alpinistas” que buscam promoção às custas da família: “Eu sinto a energia dessas pessoas e aviso”. Garante que o marido a ouve mais.

 

Xô, imposto!

Ex-ministro da Economia Paulo Guedes ainda dispara contra a volta do imposto sindical: “se os sindicatos brasileiros funcionassem, não teriam sido esvaziados pelos trabalhadores que supostamente representam”.

 

É só comparar

O relator da CPI do MST, Ricardo Salles (PL-SP), fez breve comparativo sobre assentados: 8 anos de Lula foram 11 mil títulos definitivos, 4 anos de Bolsonaro foram 84 mil títulos definitivos. Proporção de 15 para 1.

 

Ressaca

À coluna, o deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) criticou a Câmara, suscetível a negociatas com o governo. Prevê que a consequência da aprovação do Marco Fiscal será o aumento de gastos e de impostos.

 

Quem manda

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, confirmou que será Bolsonaro quem vai definir as alianças da sigla em São Paulo. Destacou que foi o ex-presidente quem acertou no nome do governador e de um senador.

 

Pix de muletas

O Federal Reserve (Fed), banco central dos EUA, copiou mal o pix. Para fazer um “FedNow” é preciso ser antes aceito em uma "conta mestra" de 12 bancos regionais. Isso deixa muita gente sem acesso ao serviço.

 

Sonho de ditadores

A expansão dos BRICS é execrada até entre aliados de Lula, que veem possibilidade de benefício a ditaduras. “Dos possíveis países candidatos ao BRICS apenas a Argentina pode ser considerada uma democracia”, avalia Eduardo Leite (PV), ex-candidato à presidência da República.

 

Chope sem imposto

Porto Alegre mostrará na prática, domingo (27), o quanto a mão boba do governo tira do cidadão na mesa de bar: será o dia de “Chope sem Imposto”. Uma mobilização de entidades liberais como Instituto Atlantos.

 

Pensando bem...

Esconder relógio de R$80 mil foi mole para Lula 2; difícil foi arrumar lugar para o tesouro de presentes e peças do acervo levado do Alvorada em 11 caminhões de mudança.

 

PODER SEM PUDOR

Morando na filosofia

Reza o folclore que ao assumir o poder, em 1964, o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco encomendou ao romancista baiano Adonias Filho “uma filosofia para a revolução” de março de 1964, porque, para ele, “não há revolução sem filosofia”. O escritor encerrou a conversa com uma lição: “O senhor está enganado. Revolução já tem filosofia há mais de dois mil anos. Ela se chama democracia.”

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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