Colunistas

Cláudio Humberto

"Se tornaram obscurantistas tribalistas"

Ex-deputado Roberto Freire sobre chamados 'revolucionários disfarçados de progressistas'

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PT barganha por vice de Eduardo Paes, que rejeita

Bastou o deputado Pedro Paulo (PSD) titubear sobre o posto de vice na chapa do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), candidato à reeleição, que o PT voltou cobiçar a vaga e pressionar o PSD. O partido tem dois nomes: Adilson Pires, ex-vice-prefeito, e André Ceciliano, ex-presidente da Assembleia Legislativa. Paes resiste, munido de pesquisas que atestam que o apoio de Lula afasta boa fatia do eleitorado carioca. O prefeito tem possibilidade de liquidar a eleição já no 1º turno.

Números comprovam

Situação inversa a de Paes vive Alexandre Ramagem (PL), registra pesquisa Quaest (RJ-03444/2024), apadrinhado por Jair Bolsonaro.

Efeito Bolsonaro

O apoio de Jair Bolsonaro mais do que dobra as intenções de voto em Ramagem para prefeito do município, pula de 14% para 30%.

Nunca é demais

A cobiça do PT enche os olhos de Gilberto Kassab, dono do PSD, que vê a chance de levar mais uma generosa fatia de cargos federais.

Lá na frente

Pesa contra o PT a visão de longo prazo do PSD, que não quer deixar a prefeitura aos petistas. Paes é candidato natural ao governo do Estado.

Anistia ao 8/jan pode passar na Câmara este ano

Relator da proposta de emenda à constituição (PEC) que concede anistia a “todos que tenham participado de manifestações em qualquer lugar do território nacional” a partir de 30 de outubro de 2022 até a eventual aprovação da lei, incluindo o fatídico 8 de janeiro, o deputado Rodrigo Valadares (União-SE), espera que a PEC seja votada no plenário da Câmara dos Deputados antes das eleições municipais de outubro.

Ainda longe

A proposta tramita na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. PECs precisam de dois turnos de análise nas duas casas do Congresso.

Pressão da oposição

Segundo oposicionistas, o apoio à PEC seria compromisso do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), de olho na disputa de sua sucessão.

Tamanho do apoio

A bancada de oposição tem à disposição mais de 100 votos na disputa pelo comando da Câmara, que será realizado em fevereiro de 2025.

Nem começou direito

Já virou denúncia na Polícia Federal vídeo (mal) feito com inteligência artificial com reportagem falsa da TV Globo local, que bombou na pequena São Gonçalo do Amarante (CE), de 44 mil habitantes.

Junto e misturado

Apesar de projetos importantes, como a reforma tributária, PECs de anistias a partidos e 8 de janeiro, parlamentares estão fora de Brasília, com foco nas eleições nos municípios (e na Câmara e no Senado).

Novo líder

Para encorpar Elmar Nascimento (União-BA) como sucessor de Arthur Lira na presidência da Câmara, o deputado deve assumir a liderança do maior bloco da Casa, hoje com 161 deputados federais.

No bolso

O custo de R$39,5 mil para o conserto de viatura da PF fuzilada por Roberto Jefferson no cumprimento do mandado de prisão já é menor que o salário de um mês de ministros do STF, deputados na Câmara etc.

Realidade grita

Aliados no plano nacional, União Brasil e PT enfrentam dificuldades para compor chapa em diversos municípios. Um dos maiores gargalos é na Bahia, onde ACM Neto, destaque do União, é notório crítico dos petistas.

Churrasco queimado

  “Lula ficou com a carne para ele, deixou para o brasileiro só a brasa”, reage o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao relatório da ONU que aponta que a fome atinge 8,4 milhões de pessoas no Brasil.

Campanha

O deputado Osmar Terra (MDB-RS) avalia que a grande mídia brasileira está em campanha contra Donald Trump, candidato à presidência dos EUA. “Agora a inexpressiva e incapaz extremista de esquerda Kamala [Harris] virou a oitava maravilha do mundo”.

Presença confirmada

O ex-presidente Jair Bolsonaro estará presente na convenção que vai oficializar a chapa do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e do coronel da PM Mello Araújo (PL), em 3 de agosto, em São Paulo (SP).

Pensando bem...

...chá de sumiço não serve para rebater desmoralização do ditador Nicolás Maduro.

PODER SEM PUDOR

Em pé ou deitado

O general Ernesto Geisel baixou o Pacote de Abril de 1977, que instituiu a Lei Falcão e o senador biônico. Na Câmara amordaçada, o deputado Francisco Studart, do MDB, encontrou conversando os colegas Marco Maciel, que era presidente da Câmara e não impôs qualquer resistência ao ato de força, e Célio Borja, ex-presidente da Casa. Studart provocou: “Tínhamos o Célio, um presidente de um metro e meio, mas de pé. Hoje, temos Marco Maciel, um presidente de um metro e oitenta, mas deitado...”

Claudio Humberto

"Se você está endividado, a culpa é do governo Lula"

Flávio Bolsonaro (PL), candidato ao Planalto, ao prometer organizar as contas públicas

23/08/2026 08h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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Oposição critica PGR engajada à defesa de Lula

Opositores estão indignados com o procurador geral da República (PGR), acusado de “engajamento” na defesa de Lulinha, filho de Lula (PT), investigado por tráfico de influência e corrupção. Paulo Gonet tentou retirar a relatoria de André Mendonça, ministro do STF que não se submete a Lula, e depois tentou levar o processo à 1ª instância. “Absurdo”, diz Marcel van Hattem (Novo-RS), lembrando que, nomeado por Lula, Gonet se opôs a 1ª instância julgando casos do 8 de janeiro.

Batom na cueca
Gonet se esforça para tirar do STF dois dos três inquéritos contra Lulinha relatados por Mendonça. O outro permaneceria nas mãos de Flavio Dino.

Guinada ridícula
Para van Hattem, é até ridículo a PGR mudar de posição sobre 1ª instância quando o investigado é o filho do presidente da República.

Críticas na academia
Professor de pós-graduação da USP e mestre e doutor em Direito Constitucional, Rubens Beçak também se associa aos críticos da PGR.

Escândalo paralelo
Já Evair de Melo (PP-ES) acha que não tem como retirar o caso Lulinha do STF pelas conexões do filho de Lula com o escândalo do INSS.

PL espera ter duas vezes mais senadores que o PT
Nas primeiras pesquisas que já circulam dentro do PL, o partido projeta pelo menos o dobro de senadores em relação ao PT. A Casa Alta é a prioridade da sigla, que pretende lançar candidatura para a presidência do Senado, além de ter força política para andar com as pautas que viraram bandeiras do partido nesta eleição. Entre as principais prioridades, andar com pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), ainda que não haja votos para vitória.

Melhor cenário
Nas contas dos liberais, o partido pode chegar aos 28 senadores. Se Jair Bolsonaro estivesse na ativa, o número poderia bater os 32.

Com calma
Já as previsões mais conservadoras apontam para 20 senadores, mas com mais destaque, já que esperam nomes como Michelle Bolsonaro. 

Olho no vizinho
As planilhas trazem projeções para outras bancadas também. Petistas, nas contas do PL, devem beirar os 10 parlamentares.

Modus Operandi
“Do mar de lama do Sítio de Atibaia à Mansão do Lulinha em Brasília”, Sérgio Moro (PL-PR), juíz que condenou Lula na Lava Jato, sobre o elo de Lulinha, a lobista Roberta Luchsinger e testemunha do caso de Atibaia que voltou ao folhetim por assinar contrato da mansão do QG do Lobby.

Pesos e medidas
Carlos Bolsonaro (PL-SC) comparou o caso de Lulinha, cada vez mais imerso no triângulo com a lobista Roberta Luchsinger e o Careca do INSS, com o do pai, que teve até inquérito por se aproximar de baleia.

Preço artificial
O medo do impacto na campanha eleitoral bateu na equipe de Lula e o governo já estuda prorrogar o subsídio à gasolina. O benefício, que deveria ser provisório, pode ganhar mais 30 dias de sobrevida.

Na gaiola
Ronaldo Caiado, pré-candidato do PSD ao Planalto, lamenta a situação da segurança púbica no país, “O cidadão é obrigado a transformar o próprio carro em uma gaiola para tentar não ter o celular arrancado.”

Sem pudor
Após apontar tentativa de “balão” da PGR no ministro André Mendonça (STF), com pedido de enviar o caso Lulinha à 1ª instância, o candidato a vice-presidente Novo, Eduardo Girão, diz que “eles perderam o pudor”.

Ciência e coragem
Segundo Marcelo van Hattem (Novo-RS), candidato ao Senado, “não basta falar em impeachment [no STF] agora. É preciso conhecer fatos, reconhecer os abusos e ter coragem para agir quando eles acontecem”.

Jogo sujo
Ao anunciar sanções contra autoridades de Cuba, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, acusa a ditadura comunista de “décadas usando grupos de fachada para infiltrar, corromper e radicalizar americanos”.

Não era genocídio?
O deputado Osmar Terra (PL-RS) lembra da “lacração estúpida” de Lula e da ex-ministra da Saúde Nísia Trindade, que chamaram o governo Bolsonaro de “genocida” por mortes dos Yanomami... mesmo povo que registrou recorde de mortes entre 2023 e 2025, em pleno governo do PT.

Pensando bem...
...quando a propaganda é demais, o santo desconfia.

PODER SEM PUDOR

Cláudio Humberto

Eu nomeio, você paga

O falecido Humberto Lucena (PB) adorava nomear parentes, quando presidiu o Senado. Ao ser tachado de “a caneta mais rápida de Brasília”, chamou o repórter que o ironizara ameaçando processo. E lorotou: “Nomear parentes só é pejorativo no Sul. No Nordeste, o povo até gosta”. O jornalista, nordestino de Pernambuco, perdeu a paciência. Puxou Lucena pelo braço e disse ao seu ouvido, firme, quase gritando: “Nós dois sabemos que o sr. está mentindo, mas vou fingir que não ouvi”. Lucena não tocaria mais no assunto. Nem processaria o jornalista.

Direito

O que a Justiça pode determinar quando o trânsito destrói uma família

Confira a coluna desta quinta-feira (13)

13/08/2026 00h03

Leandro Provenzano

Leandro Provenzano Foto: Montagem / Correio do Estado

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Recentemente, um caso que tramitou no Tribunal de Justiça de Minas Gerais manteve, no fim de julho, a condenação de uma concessionária de energia elétrica pela morte de um ciclista atropelado por um funcionário que prestava serviço à empresa.

Os dois filhos da vítima, adolescentes na época, receberão R$ 25 mil cada um por danos morais, além de pensão mensal equivalente a dois terços dos rendimentos do pai até completarem 25 anos. O atropelamento aconteceu em 2009, mas somente agora, 17 anos depois é que o caso foi julgado pelo Tribunal.

O caso é didático porque reúne, em um único julgamento, quase tudo o que uma família precisa saber depois de um acidente de trânsito, e quase tudo o que ela costuma ignorar.

O primeiro ponto é quem paga. Existe a crença de que a responsabilidade começa e termina no motorista. Não é assim.

A lei estabelece que o empregador responde pelos danos causados por seus empregados no exercício do trabalho, e responde independentemente de ter culpa própria. Ou seja: não interessa se a empresa treinou bem o motorista, se exigiu curso de direção defensiva ou se o veículo estava em ordem. Se o funcionário atropelou alguém trabalhando, a empresa responde.

Isso muda tudo na prática. Uma coisa é buscar reparação contra um motorista que não tem patrimônio algum. Outra, bem diferente, é acionar a empresa para a qual ele trabalha, que tem CNPJ, faturamento e, quase sempre, seguro de responsabilidade civil.

O segundo ponto é a prova. A defesa da concessionária sustentou que o ciclista teria entrado repentinamente na via, apoiando-se no boletim de ocorrência. A relatora rejeitou o argumento com uma observação que vale guardar: boletim baseado exclusivamente na versão do condutor envolvido é relato unilateral de quem tem interesse direto no resultado. Boletim de ocorrência não é sentença. 

Muitas famílias desistem de buscar seus direitos porque leram no documento uma versão que as culpa. Essa versão pode, e deve ser contestada com testemunhas, perícia, imagens e prova técnica. Vale lembrar, ainda, que o Código de Trânsito impõe ao motorista o dever de guardar distância lateral mínima de um metro e meio ao ultrapassar ciclistas, exatamente por serem eles os usuários mais frágeis da via.

O terceiro ponto é o que a Justiça pode determinar. Em caso de morte, a lei prevê o pagamento das despesas com tratamento, funeral e luto, além de pensão aos que dependiam economicamente da vítima. Para os filhos, os tribunais costumam fixar essa pensão em dois terços da renda até os 25 anos; para o cônjuge ou companheiro, até a idade provável de vida da vítima.

Soma-se a isso o dano moral, que é direito próprio de cada familiar, não se divide um valor único entre todos. 

Quando a vítima sobrevive, o raciocínio é o mesmo. A lei garante o custeio integral do tratamento, os lucros cessantes (o que a vítima deixou de ganhar) referentes ao período de afastamento e, havendo redução permanente da capacidade de trabalho, pensão correspondente a essa perda.

Cicatrizes, amputações e deformidades geram dano estético, que o Superior Tribunal de Justiça reconhece ser cumulável com o dano moral. São verbas distintas, e pedi-las separadamente pode alterar significativamente o resultado.

Resta o tempo

O caso mineiro levou dezessete anos entre o acidente e a decisão de segundo grau, mas o prazo para ingressar com a ação é curto. Provas se perdem, testemunhas somem, câmeras são sobrescritas.

Se você perdeu alguém no trânsito, ou ficou com sequelas depois de um acidente, e o responsável estava trabalhando quando aquilo aconteceu, existe muito mais em jogo do que um acordo rápido oferecido pelo seguro nas primeiras semanas. Vale conhecer o tamanho real do que a lei assegura antes de assinar qualquer coisa.

Leandro Amaral Provenzano - OAB/MS 13.035. Sócio do escritório Provenzano Advogados.

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