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"Senhor, obrigada por mais este dia. Que os teus olhos estejam sobre nós"

de MICHELLE BOLSONARO, no Instagram, no mesmo dia em que uma ação da Polícia Civil do Distrito Federal atingiu Jair Renan

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Cães, gatos e peixes, cada um com características de sua espécie, integram a população brasileira de pets, que já superam 168 milhões de figuras, uma das maiores do mundo. O Censo do IBGE contabilizou 203 milhões de cidadãos.  

Mais: bichanos ultrapassam a soma de quatro maiores torcidas de futebol – Flamengo, Corinthians, São Paulo e Palmeiras – que reúnem 100 milhões de torcedores. Cabem quase dois pets a cada um dos 90 domicílios do país, “um outro país”.


“Senhor, obrigada por mais este dia. Que os teus olhos estejam sobre nós”,
de MICHELLE BOLSONARO // no Instagram, no mesmo dia em que uma ação da Polícia Civil do Distrito Federal atingiu Jair Renan, com quem teve um embate no ano passado. 

In - Pantalona com cinto
Out  -  Pantalona com fenda

“Próxima Shakira”

Foi assim que a revista Rolling Stones Índia definiu a cantora, apresentadora e empresária Anitta. O grande fenômeno brasileiro acaba de debutar na nova campanha da Savage X Fenty da cantora Rihanna (escolhida por ela mesma) e comemorou o feito já que tem uma forte ligação também com a moda.

“Podemos ver algumas mudanças na indústria da moda vindas de algumas marcas, mas estaria mentindo se dissesse que isso já é um fenômeno global e que cada marca está realmente ligada a esses ideais. Mas a Savage X Fenty definitivamente é uma delas. Tenho grandes esperanças de que a indústria, um dia, perceba o valor da diversidade. Inclusão é a linguagem de amor que Savage X Fenty usa para abraçar a feminilidade. Todos deveríamos ser capazes de expressar nossa sensualidade e o quão bem nos sentimos sobre nós mesmos e Savage X Fenty tem tudo a ver com celebrar essa liberdade de ser. Eu sou uma grande fã”.

 Afirmando ser uma pessoa obstinada, revela que as vezes cansa e já está diminuindo o ritmo de seu trabalho de como gostaria de estar aos 40 anos. “Em 10 anos, quero estar mais tranquila, desapegada do dinheiro, morando no meio do mato, plantando a minha comida, com um ou dois filhos. Já ando diminuindo o ritmo, fazendo menos shows... Fazer muito cansa e te faz perder o prazer. Já fiz o meu papel, e arrasei”. 

Aécio, vai assumir  liderança tucana

Com a barba (branca) crescida, inocentado por conta da decisão da Justiça de arquivar os processos do caso JBS do qual era alvo e já reconquistando seguidores em Minas Gerais, Aécio Neves (mais de 15 milhões de votos para Presidência em 2014) está de volta e já despontando como nova liderança tucana.

Ele tem comandado movimento de diferentes estados que se queixam que o PSDB, agora nas mãos do governador Eduardo Leite, deixa passar oportunidades de marcar posição e fazer enfrentamento a Lula.

Ex-presidente do partido e deputado federal, ele acha que o PSDB deveria criticar a aproximação de Lula com siglas do Centrão. Leite já promoveu um desagravo a Aécio e acha que os tucanos (agora, com seu antigo logotipo de volta) devem evitar ser associado ao bolsonarismo.

Os dois discutem, mas não brigam e avisam que a legenda semidestruída está de volta à cena da política nacional. Mais: dirigentes do que sobrou do PSDB querem lançar a candidatura de Tomás Covas, 18 anos, filho de Bruno Covas, que foi prefeito de São Paulo, a deputado estadual ou federal em 2026.

Ele acaba de concluir o ensino médio nos Estados Unidos, quer continuar seus estudos em São Paulo e ter maior participação na vida do partido de muitos familiares. O PSDB tenta recuperar sua imagem depois de perder nomes importantes como Geraldo Alckmin (foi para o PSB) e mesmo José Serra (está se aposentando

Prêmio internacional

No próximo dia 10 de setembro a cineasta brasileira Carolina Markowicz  com o filme Pedágio será premiada no Festival Internacional de Cinema de Toronto, com o Tribute Awards do Festival na categoria emerging talent (talento emergente).

“É com imensa honra que recebi essa notícia incrível. O festival faz parte de minha história desde 2014, com meu segundo curta-metragem ‘Edifício Tatuapé Mahal’, nesse sexto ano em que tenho a alegria de voltar a Toronto com meu segundo longa, esse prêmio me comove imensamente”.

Além da brasileira também entre tantos premiados estão  Spike Lee ganhador do Prêmio Ebert de Diretor e Pedro Almodóvar no Prêmio Jeffrey Skoll na Impact Media. Bissexual assumida Carolina namora a atriz brasileira Maeve Jinkings há pouco mais de um ano. 

Três cirurgias

Em setembro, o ex-presidente Jair Bolsonaro vai se submeter a três cirurgias para tratar problemas de “septo, refluxo e abdômen”, segundo o assessor e ex-Secom Fábio Wajngarten publicou em sua página na rede social anteriormente conhecida como Twitter (hoje, é X).

E ele emenda: “Todos os sintomas e exames desse momento, por óbvio, decorrem do atentado contra sua vida em 6/9/18, ainda sem resolução”.

Plano C

Agora, não é mais Plano B, é Plano C: o novo desenho do ministério de Lula para agradar ao Centrão partiria para a divisão do Ministério de Portos e Aeroportos, hoje, Márcio França, que continuaria no comando só de Portos e André Fufuca (PP-MA) ficaria com Aeroportos.

Já Silvio Costa Filho (Republicanos-PE) herdaria outra pasta que é apenas uma secretaria no Ministério do Desenvolvimento, pilotada pelo vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin, Micro e Pequenas Empresas.

Relógios

Pouca gente sabe, mas o relógio de pulso Piaget que Lula usa até hoje, avaliado em R$ 80 mil, não constava na lista de 568 itens que o atual presidente teve de devolver, depois de um processo, ao TCU. O modelo foi dado pelo presidente da França, Jacques Chirac, em 2005.

O Piaget foi dado como perdido e Lula pagou R$ 11 mil em ressarcimento. Ainda relógios: nos presentes da Arábia Saudita havia um relógio Patek Philippe ao qual Bolsonaro não deu muita atenção. Não conhecia a famosa marca e tampouco seu valor. 

MAIS CITADAS

Lula está buscando informações sobre candidatas à vaga de Rosa Weber em outubro no STF. Ouve muitos, inclusive Janja, o que não quer dizer que vá se decidir por um nome de saias.

Por enquanto, as mais citadas são a ministra Regina Helena Costa (STJ), Simone Schreiber (TRF-2), as advogadas Dora Cavalcanti e Carol Proner e a procuradora federal Manuelita Hermes Rosa. Lula não conhece nenhuma delas. E continua mantendo sua listinha de homens: Jorge Messias (AGU), Flávio Dino (Justiça e Segurança Pública) e Bruno Dantas (TCU). 

Desconfiança

Holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista, a J&F ofereceu R$ 10 bilhões pela dívida bancária da Braskem, mas a oferta foi recebida com um pé atrás. Executivo de um banco credor da NovaCor, acionista da Braskem, avalia que a J&F “não tem caixa suficiente” nem para arcar com suas dívidas e ninguém sabe de onde sairia o dinheiro para o negócio.

A dívida da J&F dobrou de R$ 3,2 bilhões para R$ 6,5 bilhões em 2022, para se ter melhor ideia. O custo da dívida da holding também cresceu, com a taxa média de juros chegando a 18,3%.

PETROTUR

Só com viagens de funcionários, a Petrobras já gastou com passagens e diárias entre janeiro e maio nada menos do que R$ 17,8 milhões (último período disponibilizados). O mês que registrou maior gastança foi abril, mais de R$ 5,7 milhões. Março teve o menor custo, R$ 668,5 mil.

As viagens não se limitaram ao território nacional: há registros por diversas regiões do planeta, como Américas, Europa e Ásia. A viagem mais cara foi realizada em janeiro. Um funcionário saiu de São Paulo para Frankfurt, na Alemanha e custou R$ 75,6 mil. 

Também ‘04’

Os problemas financeiros – e sempre por conta da origem – da família Bolsonaro atingiram agora o filho ‘Zero Quatro”. O celular de Jair Renan Bolsonaro foi apreendido, numa operação que apura crimes de estelionato, falsificação de documentos e lavagem de dinheiro.

A Polícia Federal de Brasília se referiu a Jair Renan como “comparsa” do mentor do esquema, um golpista que já chegou a ter dez CPFs. Os dois são amigos e costumam circular juntos nas noites da capital consumindo muito champanhe.

Insuficiência cardíaca

A cardiologista Ludhmila Abrahão Hajjar, chefe da cardiologia do Icesp e coordenadora da cardio-oncologia do Incor, está avisando que falta de ar, cansaço até para escovar os dentes e pernas inchadas são sintomas do cotidiano de paciente com insuficiência cardíaca.

Hoje, cerca de 26 milhões de pessoas no mundo tem a doença e, no Brasil, perto de 2 milhões. É uma das principais causas de morte no mundo  e uma das principais causas de hospitalizações em adultos com mais de 60 anos. Nas próximas décadas, a doença pode ter seu número de pacientes dobrado. 

RETRATO

A Organização Mundial de Saúde estima que 55,2 milhões de pessoas vivam com demência no mundo. Esse número pode chegar a 139 milhões em 2050. No Brasil são cerca de 1,8 milhão de pessoas acima de 60 anos com demência, mas a grande maioria, 77%, nunca teve um diagnóstico formal.

A estimativa é que em 2050 o Brasil possa ter 5,5 milhões de pessoas vivendo com demência. Em 2019, o custo global de demência foi estimado em US$ 1,3 trilhão, cerca de US$ 23,8 mil por caso.

MISTURA FINA

  • VALDEMAR Costa Neto, dono do PL, vai lançar, dentro de dias, podcasts próprios. A estrutura está quase pronta na  sede do partido em Brasília e a ideia é criar pelo menos um programa fixo, com o próprio Valdemar na condição de âncora. Jair Bolsonaro frequentará, com constância, o podcast do presidente da legenda e, de quebra, também terá outras participações de Michelle, a ex-primeira-dama. Valdemar quer treinar Bolsonaro para aprender a segurar seus arroubos para não dar mais munição à Justiça e a adversários, mesmo na condição de inelegível. 
  • NINGUÉM sabe o que fazer exatamente – e a nova Rede Nacional de Patrimônio Público também não – com os 700 mil imóveis da União, 10 mil desocupados e sem manutenção. Estão avaliados em R$ 1,36 trilhão e a depreciação é de R$ 18 bilhões por ano. mesmo assim, a despesa anual com alugueis chega a R$ 1,6 bilhão. 
  • OS maiores bancos credores da Americanas são Bradesco (R$ 5,1 bilhões), Santander (R$ 3,6 bilhões), BTG (R$ 3,5 bilhões), Itaú-Unibanco (R$ 2,7 bilhões) e Safra (R$ 2,5 bilhões). E não aceitam a proposta de trocar mais da metade da dívida da rede varejista como contrapartida para a injeção de até R$ 12 bilhões na empresa pelos acionistas Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles. Já se fala em recuperação judicial. A dívida total da companhia é de R$ 43 bilhões. 
  • CONFRONTOS políticos entre EUA e China estão atingindo laços comerciais entre as duas maiores economias do mundo. O Financial Times diz que a fatia da China nas importações feitas pelo Estados Unidos, que chegou a 21,9% em 2017, caiu para 13,6% na sua menor participação nos últimos 20 anos. O México tornou-se o principal parceiro dos EUA, seguido pelo Canadá, empurrando os chineses para terceira posição. 
  • A MINERVA Foods estuda, por um lado, paralisar uma fábrica em Rosário, na Argentina, por outro lado já trabalha no projeto de expansão do frigorífico uruguaio Breeders and Packers, comprado em janeiro. A capacidade do abate deverá subir de 1,2 mil para quase dois mil animais por dia. A empresa foi comprada por US$ 40 milhões, mas pode valer muito mais caso o Uruguai avance nas tratativas para um acordo bilateral com a China. 
  • O CENSO 2022 derrubou a favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, em terreno de encosta e com 30.955 domicílios da primeira colocação nas maiores comunidades do país. Agora, o primeiro lugar é da Favela Sol Nascente, em terreno plano, em Brasília, que lidera o bloco, com 32.081 domicílios. Hoje, estima-se que 17 milhões de pessoas vivam em comunidades no país. E segundo o Instituto DataFavela, essas comunidades movimentaram uma renda de R$ 202 bilhões no ano passado. 
  • AS duas lesões na coxa de Neymar doeram fundo nos executivos da Netshoes, leia-se Magazine Luiza. A empresa fechou um contrato de patrocínio exclusivo da Band, detentora dos direitos de transmissão da Liga Saudita para TV aberta no Brasil. Diante da contusão do jogador, a Netshoes pensa em rever algumas ações de marketing. Neymar, contratado por 160 milhões de euros por ano deverá ficar um mês sem entrar em campo. Aí, vai ficar difícil a Band sustentar os índices obtidos no sábado retrasado.

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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