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"Seria mais duro do que fui na repressão"

de GONÇALVES DIAS // ex-ministro do GSI em depoimento à CPMI de 8 de janeiro

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“Seria mais duro do que fui na repressão. Faria diferente, embora tenha plena certeza de que envidei todos os esforços e ações que estavam ao meu alcance”, de GONÇALVES DIAS // ex-ministro do GSI em depoimento à CPMI de 8 de janeiro.

A IMC (International Meal Company) 3 procura um comprador para a tradicional Viena, rede com 39 restaurantes e faturamento anual de R$ 300 milhões. Entre os candidatos está um fundo norte-americano já com negócios em gastronomia e varejo no Brasil.

Mais: a IMC que, entre seus sócios, tem Carlos Wizard e seus filhos, vem passando por uma dieta. Já anunciou a venda da Olive Garden para a Wow Restaurantes e o grupo estaria disposto a manter apenas três marcas em seu cardápio no Brasil: Pizza Hut, KFC e Frango Assado.

IN: Plantas naturais

OUT: Plantas artificiais

Menos pressão

Pressionado a não reduzir a participação feminina nos primeiros escalões também no Judiciário, o presidente Lula assinou a indicação da advogada Daniela Teixeira para o Superior Tribunal de Justiça, esperando atenuar a provável nomeação de um homem para o Supremo Tribunal Federal. Nomes favoritos à vaga de Rosa Weber são Jorge Messias (advogado-geral da União) e Bruno Dantas (ministro do Tribunal de Contas da União). No STJ, presidido pela ministra Maria Thereza de Assis Moura, também há desproporcionalidade. Dos 33 ministros da composição apenas seis são mulheres. Em todos os tempos, chegaram a oito.

OFERTA E TANTO

Márcio França está alertando que entregar sua Pasta (Portos e Aeroportos) aos Republicanos fortalece o governador Tarcísio de Freitas e dá ao adversário o maior equipamento público federal de São Paulo, o Porto de Santos. Se desalojado, França resiste em ir para o Ministério de Pequena e Média Empresa porque sua área seria tirada da Pasta de Geraldo Alckmin, que não gosta da ideia. Mais: se o Republicanos participará do governo de Lula, o mesmo Tarcísio deixará o partido – seria recebido de braços abertos no PSD de Gilberto Kassab.

Ruim na foto

A FAO, órgão ligado à ONU, acaba de publicar documento sobre a evolução do estado nutricional da população em quase todos os países do mundo – e o Brasil saiu mal na foto. O percentual da população brasileira com insegurança alimentar saltou de 18,3% no período 2014-2016 para 32,8% nos anos 2020-2022. Quase um terço da população não se alimenta suficientemente. São 70,3 milhões de pessoas, 33 milhões a mais do que na medição anterior. O percentual para o Brasil é bem maior, por exemplo, do que o atribuído à África do Sul, país com renda per capita 11% menor do que a brasileira.

BEM NA FOTO

Já um estudo do banco suíço UBS, o Brasil aparece entre 2021 e 2022 como país onde mais cresceu o número de milionários (pessoas com patrimônio superior a R$ 1 milhão). Passou de 293 mil em 2021 para 413 mil no ano passado. No mundo a quantidade de milionários caiu 5,6% nesses dois anos, aqui subiu 41%. Na estimativa do banco, a parcela de 1% dos mais ricos brasileiros detém 48,3% da riqueza total da população.

Aliança

Depois de ser um dos artífices da entrada de novos membros no clube do Brics, ainda que em escala menor, o Brasil quer fazer algo similar na CAF (Corporación Andina de Fomento). O governo pretende liberar gestões para o ingresso dos Emirados Árabes e do Catar. O grande objetivo do Brasil seria trazer, sobretudo, a China e a Índia, o que aumentaria o poder de fogo da CAF, hoje um organismo de pequeno calibre se comparado a outras agências de fomento multilaterais. Os dois países já têm um pé na entidade: China e Índia, está por meio do Eximbank of Índia, figuram entre aliados globais do CAF.

Quase desistiu

A atriz Débora Falabella, 44 anos, que anda fazendo mais uma vez sucesso com sua personagem Lucinda em Terra e paixão, no qual já revelou que está apaixonada, porque é diferente do que já havia feito antes, (sofre de violência doméstica) e no qual pela primeira vez interpreta uma mãe.

Assim como na novela, Débora revelou que também tem uma ligação muito forte com a família, principalmente com sua irmã Cynthia. Em entrevista revelou que quase abriu mão da carreira depois de interpretar Nina em Avenida Brasil.

“Eu sempre fui muito fechada. Me assustei com a invasão de privacidade e comecei a questionar minha carreira. Eu ficava pesando os prós e contras de ser atriz. Talvez eu tenha ficado descrente, por causa da exposição grande. Eu tinha muitas questões, como: ‘será que vou para sempre estar com a minha cara num veículo fazendo com que as pessoas na rua me reconheçam?’. Isso em algum momento me incomodou. É muito absurdo você sair na rua e as pessoas te reconhecerem. Eu não consigo me acostumar com isso, acho esquisito. Teve uma época em que eu dei uma ‘panicada’, mas não desisti, né? Continuei. Entendi que a profissão não era só isso, mas dei uma apavorada, sim”. E conclui: “Entendo totalmente atrizes que desistiram da profissão, como Lídia Brondi e Ana Paula Arósio. Elas largaram no auge. Não é fácil lidar com uma exposição de vida”.

Argentina tem dólar colchón

Quem conhece os costumes dos argentinos, sabe por que o ultradireitista Javier Milei está na frente na corrida presidencial: entre suas propostas, uma já faz parte do cotidiano da população. Milei promete dolarizar a economia se for eleito. Analistas lembram que, diante de uma super inflação, a moeda norte-americana é usada para poupar e como referência para calcular o preço de muitas coisas: viagens, roupas, imóveis, cobranças de alugueis, até cardápio de restaurantes mais sofisticados (os que ainda resistem).

Mais: argentino têm cofres em casa ou escondem dólares em lugares secretos (vale até parede falsa). No mercado paralelo, surgiu o dólar colchón. Economistas e jornais do exterior garantem que o Banco Central de lá está quebrado. Oficialmente, há US$ 29 bilhões em reservas. Descontando-se dinheiro de pagamento da dívida, as reservas ficam negativas em US$ 5 bilhões.

Estreia em novela

A modelo Laura Fernandez, 25anos, irá estrear como atriz, na próxima novelas das 18h da Globo Elas por Elas, reescrita por Alessandro Marson em coautoria com Thereza Falcão, onde interpretará Carmem, personagem que faz parte do núcleo de Isabel Teixeira, a vilã Helena. Laura é ex-nora de Preta Gil com quem tem um ótimo relacionamento.

A modelo conta que sempre quis atuar, mas o sonho parecia muito distante. “Aquela clássica história do sonho distante, sem perspectiva, sem aquele ligamento. Vocês sabem que o roteirista dessa vida não brinca. Com muitos altos e baixos, plots twists inimagináveis, um pouco de ‘rir para não chorar’. Criamos o roteiro da minha vida para a chegada desse momento. Não sei ao certo que gênero seria mas agora o meu gênero dominante seria uma biografia cômica com muito drama (pois sou pisciana). O tanto que eu já ouvi nessa vida aquela grandíssima clássica frase: ‘A globo está te perdendo’... Bom, ela me achou”.

Blocos temáticos

O próximo desfile de Sete de Setembro, que está sendo produzido pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) terá quatro blocos temáticos, o que está provocando comentários nas redes sociais de que “terá um jeitão de desfile de escola de samba”. Os blocos serão: “Paz e Soberania”, “Ciência e Tecnologia”, “Saúde e Vacinação” e “Defesa da Amazônia”. Segundo Paulo Pimenta (Secom) serão resgatados os símbolos oficiais como a bandeira e o Hino Nacional. Além de militares, desfilarão escolas.

Vice, não

Ana Estela Haddad, mulher do ministro Fernando Haddad, secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde e cotada para ocupar o posto de vice na chapa de Guilherme Boulos para a prefeitura de São Paulo, não quer nem saber de disputar eleição. Quer continuar no atual cargo que reflete sua vida acadêmica e ficar perto do marido. Os dois moram em Brasília e os filhos vivem em São Paulo. Correndo por fora no PT os deputados federais Juliana Cardoso e Rui Falcão são cotados para vice e nenhum dos dois é unanimidade do partido.

Não volta

O apresentador Fausto Silva, que acaba de ser submetido a um transplante de coração, permanece na UTI do Einstein onde seus médicos acompanha a possibilidade de rejeição. Antes do transplante, já avisara que não quer voltar à televisão, nem com um programa nos moldes do Perdidos na Noite, que apresentou também na Band. Quer contudo, participar do Roda Viva (Cultura) e das comemorações do aniversário da TV Record. Mais: entre os médicos do Einstein, seu sangue foi considerado “de tipo raro”.

SÓ NA EXAME

A contratação do ex-ministro das Comunicações Fábio Faria no início deste ano acendeu no mercado a certeza de que o BTG estaria preparando a criação de um império da mídia. Nada disso: a operação de André Esteves no setor ficará circunscrita à revista Exame. E o BTG também está descartando a aquisição do SBT. No setor, havia quem cravasse o pedido de Silvio Santos no valor de R$ 1 bilhão. Faria, marido de Patrícia Abravanel, e genro do homem do baú e estava cotado para colaborar com Esteves na estruturação de seus negócios de mídia. Fica tudo na intenção.

MISTURA FINA

A POLÍCIA Civil do Distrito Federal andou pesquisando a vida de Jair Renan, o “04” do clã Bolsonaro, mas não encontrou ainda nada que o condene. Ele é assessor de Jorge Seif (PL), senador de Santa Catarina e ganha R$ 9,5 mil mensais, sem a obrigatoriedade de bater ponto. E agora ocupa um apartamento em Balneário de Camboriú, avaliado em R$ 1,3 milhão. Tem 98 metros quadrados, suíte e sacada com churrasqueira e fica a 100 metros da praia. Há dias, o imóvel foi alvo de busca e apreensão, mas nada de comprometedor foi encontrado.

NINGUÉM perguntou, mas o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, também tratou de dizer que “o transplante do coração do apresentador Fausto Silva correu dentro da regra do jogo”. Segundo o chefe do Executivo paulista, “não houve favorecimento a Faustão e a fila do transplante foi respeitada. É bom saber que o sistema de transplante está funcionando e que a pessoa que recebeu o órgão, que passa bem, vai ganhar nova perspectiva de vida e um sopro de esperança”. Só faltou divulgar o boletim médico.

tem data marcada para nova revoada de grandes figuras da política e da área empresarial para mais um encontro promovido pela LIDE, do ex-governador paulista João Doria. Todas as autoridades viajarão em voos de primeira classe e hospedagem em cinco estrelas de luxo, tudo pago pela empresa. E como o evento cai numa quinta-feira, a maioria poderá emendar num feriadão esticado até o fim de semana.

A SECRETARIA de Políticas para as Mulheres, braço do antigo ministério comandado por Damares Alves, não produziu quaisquer dados sobre violência contra mulheres no Brasil nos últimos cinco anos. O próprio Ministério das Mulheres confirma esse quadro entre janeiro de 2018 e o primeiro mês deste ano. E para o futuro, não há sinal de produção de novas estatísticas.

HOJE, existem 50.932 funcionários da Justiça do Trabalho: são 3.614 magistrados, 38,358 servidores e 8.960 auxiliares. O relatório Justiça em números 2023, no período avaliados (2022) o custo da justiça trabalhista superou os R$ 20 bilhões, dos quais R$ 19,4 bilhões (96,8%) pagaram salários e benefícios de magistrados, servidores, estagiários, terceirizados e comissionados. Outras despesas como Informática e TI, custaram R$ 151,7 milhões no ano passado.

DEPUTADOS do PSDB estão reclamando do assédio a prefeitos do partido por parte de membros do governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) para que se filiem ao PSD, presidido pelo Secretário Geral do governo, Gilberto Kassab. Tarcísio já recebeu as reclamações e o processo também foi condenado por Arthur Lima (Casa Civil) que não suporta Kassab, que garante não haver interferência entre suas funções.

*Colaborou: Paula Rodrigues

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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