Colunistas

Cláudio Humberto

"Soltaram Lula o maior ladrão do país, soltar José Rainha é fichinha"

Deputado Éder Mauro (PL-PA) sobre soltura do ex-chefão do MST, preso em março

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Governo cede ao MST e dá fim a cadastro digital

O governo Lula (PT) tirou do ar a plataforma de pré-cadastro para famílias que querem participar dos programas de assentamentos do Incra. Em novembro de 2022, ainda na gestão Bolsonaro, foi criado um sistema de cadastro digital dentro da Plataforma de Governança Territorial (PGT) do Incra, com o objetivo de evitar invasões, violência e novos acampamentos. Bastava o pré-cadastro para dar início ao processo de assentamento. A consequência foi o fim das famosas listas em papel do MST, que controlavam eventuais beneficiários.

 

Stratego

O governo cedeu à vontade do MST, que exigiu cargos estratégicos. No Ceará, por exemplo, o movimento comanda o próprio Incra.

 

Método antigo

Órgão de controle, o Tribunal de Contas da União (TCU) aponta milhares de irregularidades na concessão de terra durantes os governos do PT.

 

Meio milhão de indícios

São mais de 580 mil indícios de irregularidades na manutenção da relação de beneficiários da reforma agrária, apontam acórdãos do TCU.

 

Prejuízo bilionário

O TCU estima em R$2,83 bilhões Prejuízos financeiros decorrentes dos indícios de irregularidades constatados nos acórdãos 775/16 e 1976/17.

 

CNJ quer saber paradeiro de bilhões da Lava Jato

Uma das frentes de trabalho da auditoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) na 13ª Vara da Justiça Federal em Curitiba quer jogar luz sobre o paradeiro dos cerca de R$3 bilhões que já estiveram sob tutela da Vara Federal. A fortuna veio dos acordos de leniência da Operação Lava Jato. A equipe do corregedor Luís Felipe Salomão, do CNJ, se debruça em planilhas com detalhes de parte do caminho do dinheiro.

Sobra

Uma das planilhas que passam por pente fino do CNJ indica, em agosto de 2022, saldo de pouco mais de R$840 milhões.

 

Siga a grana

Fatias do dinheiro foram parar com a Petrobras, União, Polícia Federal, Transpetro, Eletronuclear, Petros e Caixa Econômica Federal.

 

Não bate

À coluna, fontes envolvidas na auditoria revelaram que a estimativa é que há “apenas” R$200 milhões nas contas da Lava Jato, em Curitiba.

 

In loco

Nesta terça (13), o ministro Luis Felipe Salomão desembarcou em Curitiba, com encontro marcado na 13ª Vara Federal. De lá, segue para gabinetes do Tribunal Regional Federal da 4ª Região para continuar a investigação dos bilhões que estavam sob tutela da Lava Jato.

 

Pé no freio

O senador Carlos Portinho (RJ) negocia trocar o PL pelo Novo, de olho na disputa pela Prefeitura do Rio. As conversas iam bem até o senador sinalizar voto favorável a Cristiano Zanin para o STF. O café esfriou.

 

Em uma semana

O deputado Sanderson (PL-RS) conseguiu coletar 50 assinaturas de parlamentares no pedido de impeachment do presidente Lula (PT) pela recepção dada ao ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, em Brasília, e pela indicação do seu advogado pessoal ao Supremo Tribunal Federal.

 

Finalmente

Nesta quinta (15), o Senado deve instalar a CPI para apurar desmandos de ONGs picaretas que atuam na Amazônia. A vitória é do senador Plínio Valério (PSDB-AM), que luta há cinco anos pela instalação da comissão.

 

Faltou gente?

A Americanas finalmente admitiu em nota o que todo mundo já sabia: o rombo de R$50 bilhões é oriundo de fraude de funcionários. Bilionários controladores do fundo dono da empresa não foram mencionados.

 

Flop

Lulistas celebraram audiência de 6 mil espectadores simultâneos na ‘live’ do presidente Lula (PT) desta terça (13). O número é bem distante do recorde de Jair Bolsonaro, mais de 1,7 milhão de espectadores.

 

Lula dois e meio

Para o ex-senador Arthur Virgílio, o governo do PT não tem programa de Brasil. “Conversar parece que também não é mais o forte dele [Lula]. Em 2003, rápido como um galgo; em 2023, lento como uma tartaruga!”.

 

Retomada

A Justiça Eleitoral de Roraima marcou para 26 de junho o julgamento que pode cassar o mandato do governador Antônio Denarium (PP). Pode ser o quarto governador do estado cassado antes de concluir o mandato.

 

Pensando bem...

...o tal programa de carros de Lula não emplacou um veículo ainda, mas a gasolina já aumentou.

 

PODER SEM PUDOR

As podas do general

Às vésperas do golpe militar de 1964, José Aparecido de Oliveira era secretário do governador de Minas, Magalhães Pinto, e vizinho de um general Guedes, em Belo Horizonte. O militar tinha o hábito de podar, ele mesmo, as roseiras que separavam as casas só para bisbilhotar o vizinho, seus encontros e telefonemas. Após o golpe, ele tentou prender e cassar Aparecido, que foi salvo pelo chefe. Guedes foi à forra: usando a mesma tesoura de podar as roseiras, ele – literalmente – cortou a linha telefônica tão apreciada pelo secretário do governador.

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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