Colunistas

CLÁUDIO HUMBERTO

"Vaia para quem deveria estar na cadeia cumprindo pena"

Deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) sobre a "recepção" a Lula no Chile

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Hotel de Lula no Chile tem suíte por R$20 mil ao dia

De volta ao Brasil, o presidente Lula trouxe do Chile souvenir característico de todas as viagens internacionais que faz: amarga fatura das hospedagens sempre luxuosas. Entre domingo (4) e ontem (6), Lula e numerosa comitiva com 14 ministros desfrutaram das regalias do The Ritz-Carlton, hotel cinco estrelas de Santiago, entre os melhores do Chile em rankings especializados. A suíte presidencial do lugar oferece diversos mimos em 180 m² ao custo de US$3,5 mil, quase R$20 mil.

 

Mansão suspensa

A luxuosa suíte presidencial tem mesa para oito pessoas, escritório, ampla sala com poltronas, além de cozinha própria na unidade.

 

Dois é bom

O banheiro em mármore conta com hidromassagem para dois e pias duplas. Há ainda outro banheiro na unidade, igualmente luxuoso.

 

Tem de tudo

O hotel oferece serviços como esqui, ciclismo, noites de jantar temático, pacotes de spa, belíssima piscina, passeios de bicicletas etc, etc...

 

Open bar

Por cerca de R$300, Lula ainda pode desfrutar do famoso open bar de bebidas, com espumantes, pisco sour e, neste mês, vinhos selecionados.

 

Ministro de Lula acusado de roubar emoção do ouro

Lula não viu problema em seu ministro Jucelino Filho (Comunicações) ser indiciado pela Polícia Federal por organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva, mas considerou a pressão para demiti-lo ontem, por outras razões. Foi o desgaste da apropriação indébita e adulteração da foto histórica em que atletas americanas reverenciam a brasileira Rebeca Andrade, ouro na ginástica. O governo Lula usou imagens sem autorização para fazer propaganda de um projeto oficial.

 

Uso do cachimbo

O caso repercutiu no Congresso: para a oposição, as mãos suspeitas na PF de roubar o erário agora são criticadas por roubar imagem alheia.

 

Vale-tudo antiético

Ao cometer o desatino, a turma esperta do ministro Jucelino cumpriu o objetivo de dar visibilidade à sua propaganda.

 

Tudo errado

A montagem grosseira excluiu Rebeca da foto e usou as imagens de Simone Biles e Jordan Chiles na propaganda oficial do governo petista.

 

Ignora que some?

Assim como Lula, o senador do PT Paulo Paim pediu “divulgação das atas” na Venezuela. Mencionou “democracia” 15 vezes no discurso de cinco minutos. Não falou “ditadura” nem “Nicolás Maduro” uma só vez.

 

Quem viu

Após a ONU finalmente admitir, após 10 meses, que nove funcionários do organismo estiveram envolvidos no ataque terrorista a Israel no 7 de outubro, o ex-deputado Roberto Freire cravou: “É uma vergonha”.

 

Olimpíada paralela

Internautas fazem enquete para saber qual ministério merece ouro pelo afano e adulteração da foto: Comunicações, por apagar Rebeca Andrade em montagem tosca, ou Esporte, por usar um macaco em post racista.

 

Sufoco a bordo

Caroline de Toni (PL-SC) passou por apuros enquanto ia para Joinville participar da convenção do PL. O motor do avião que levava a deputada falhou e a aeronave precisou fazer um pouso de emergência.

 

Sempre nossa conta

Agosto mal começou e o total que o governo Lula torrou com viagens já supera R$914,4 milhões este ano, com 335 mil voos. Desse montante, quase R$144 milhões foram gastos com viagens internacionais.

 

Modus operandi

Lembrou agressão à jornalista Delis Ortiz, esmurrada por capangas do ditador Maduro, o tratamento dispensado por segurança de Lula no Chile, agredindo repórteres chilenas. Sindicatos, ONGs etc silenciaram.

 

Roubo protegido

As vaias no Chile a Lula dão certeza de que sua proteção ao ditador não agrada nem à atrasada esquerda brasileira. Mary Anastasia O'Grady, colunista do Wall Street Journal, foi certeira: enquanto o petista “está até o pescoço” na defesa da ditadura “o venezuelano tenta roubar a eleição.”

 

Meia furada

O bloqueio de R$500 milhões em verbas do Pé-de-Meia ocorreu só três dias após o governo Lula anunciar a ampliação do programa. O corte não parou por aí, o Ministério da Educação terá que bloquear R$1,3 bilhão.

 

Pergunta em Haia

Apoio cúmplice a ditadura sanguinária rende denúncia no Tribunal Penal Internacional?

PODER SEM PUDOR

Sem desperdiçar munição

A política sempre produziu malucos. O ex-governador de Alagoas Silvestre Péricles, certa vez, recebia uma comissão que pretendia a criação de uma Faculdade de Filosofia quando puxou conversa com um dos presentes, padre Teófanes de Barros, educador emérito: “Veja, padre, que blasfêmia: meus inimigos espalham por aí que eu coloco os retratos deles no quintal do Palácio e fico treinando tiro ao alvo.” Homem gentil, o padre concordou: “Que calúnia, governador...” Silvestre seguiu: “Que besteira! Se fosse para atirar eu não ia ficar gastando munição em retratos. No dia que resolver, saio é atirando na bunda deles!"

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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