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GIBA UM

"Vocês, mulheres, tomem cuidado com essa tal de inteligência artificial. Eles são capazes de...

... tirar uma foto sua, sentada do jeito que você está aqui e colocar você pelada (em edição) no celular. isso que é a inteligência artificial", de Lula, em evento na Casa da Moeda

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O Sesc, que completa 80 anos em 2026, lança nova orquestra nacional, a Orquestra Sesc Jovem Brasil, formada por jovens músicos de todas as regiões do país. O grupo reúne 51 instrumentistas de 11 estados, com idades entre 18 e 29 anos. Todos foram selecionados a partir das orquestras mantidas pelo Sesc pelo Brasil.

MAIS: projeto do Sesc que combina formação musical e inclusão social. A estreia acontece no Festival Internacional Sesc de Música em Pelotas (RS). A apresentação está marcada para o dia 29 de janeiro, no Theatro Guarany. O repertório inclui obras brasileiras e internacionais, além de arranjos inspirados em trilhas sonoras conhecidas.

Em terras portuguesas

A atriz Vanessa Giácomo engrossou a lista de atores que fazem novelas em outros países, no  caso da atriz ela vive uma vilã na novela portuguesa ‘Vitória’ produzida pela SP Televisão e em parceria com a Disney que é exibida pela SIC em simultâneo no Disney+. Em entrevista a revista Mensch Vanessa conta que o ritmo de gravação é bem diferente da brasileira. “O ritmo de gravação é diferente do Brasil, sim, mas não menos intenso. Existe uma outra organização, um tempo de escuta maior, e isso tem sido muito enriquecedor para mim como atriz”. Com pouco mais de 20 anos de carreira ela conta que aprendeu a filtrar a fama, onde só guarda o carinho e o reconhecimento. “A fama pode ser uma ferramenta bonita quando vem acompanhada de respeito. Eu fico com o carinho, com o reconhecimento, e descarto o excesso, o ruído, aquilo que não me pertence”. Sobre sua carreira ela contou o que faz ela aceitar convites para cada trabalho: “Gosto de personagens que me tiram da zona de conforto, que me provocam, que me obrigam a olhar para mim e para o mundo de outro jeito, independentemente do formato. O desafio é o que me move”. Sobre a experiência de estar morando “temporariamente” em Portugal, ela contou que está sendo uma boa experiência. “Portugal é um país que acolhe com delicadeza, com afeto. A língua, a história, a cultura…tudo isso cria uma sensação de pertencimento. Me sinto respeitada, bem recebida e muito inspirada a viver esse novo momento”. E contou também seus planos para este ano: “2026 vêm com muitos desejos e alguns projetos já encaminhados, tanto no audiovisual quanto no teatro. Quero continuar transitando entre formatos, países e narrativas que façam sentido para mim neste momento da vida”.

"É a maior fraude bancária do país"

Na lista de pagamentos, alguns gloriosamente altos, do Banco Master, no entorno do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, já foram encontradas figuras de todos os naipes, empresários, políticos, ministros, advogados, tem para todos os gostos e habilidades. Vorcaro conseguiu armar um grande volume de amigos com poder no eixo Rio-São Paulo. O único que desde o começo dessa novela se recusou a ter um encontro com ele foi o ainda ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Resistiu por não conhecer o banco, depois por ter opiniões de outros amigos sobre a situação da instituição (todos diziam que iria "explodir" no curto prazo) e a distância permitiu a Haddad o direito de decretar hoje, com muita certeza, que "é a maior fraude bancária do país". Agora, o rombo já é estimado em R$ 50 bilhões. Enquanto isso, multiplicavam-se os mais chegados, de Rui Costa a Alexandre de Moraes, através de sua mulher advogada Viviane. E até mesmo quem diria - o ex-ministro Guido Mantega, o "homem das mil utilidades" do circo petista, que nesses dias até foi cogitado para o lugar de Haddad, que está arrumando as malas. estufando o peito: o tempo provou que ele estava certo ao evitar contato e menos ainda uma foto ao lado de Vorcaro.

Lula nas big techs

Lula demoniza as big techs, mas a Secom despejou R$ 537mil e R$ 632,6 mil em propaganda na plataforma Meta, controladora das redes sociais no Brasil como Facebook, Instagram, WhatsApp, Messenger e Threads. A dinheirama bancou propaganda entre dois dias (11 e 16). O anúncio mais caro foi divulgar, entre os dias 9 e 16, balões de Lula no Rio Grande do Sul. Custou entre R$ 90 mil e R$ 280 mil. No Ceará, gastos da Secom para propagandear o governo Lula custou entre R$ 119,2 mil e R$ 135,3 mil.

Um novo desafio

Acostumado a grandes cobertura como  as Diretas Já, a visita do Papa João Paulo II , a greve dos metalúrgicos em São Bernardo do Campo, coordenada pelo então líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva, o jornalista Ernesto Paglia tem agora um novo desafio: a partir de fevereiro, logo após o Carnaval assumirá a apresentação do programa Roda Viva, transmitido pela Cultura. Ao anunciar sua nova função Ernesto, um dos jornalistas que inspira muitos a ingressarem na carreira falou: “É a chance de encarar um novo desafio na carreira. Prova de que é possível fazer coisas novas, mesmo depois de tanto tempo de profissão”. Paglia dedicou 44 anos de sua carreira à Globo, de onde deixou de ter contrato fixo em 2023. Em relação ao programa, é a atração mais antiga da Cultura e, ao longo de seus 40 anos, teve 14 apresentadores entre tantos Rodolpho Gamberini, Rodolfo Konder, Heródoto Barbeiro, Paulo Markun, Lillian Witte Fibe, Marília Gabriela e Vera Magalhães.

Com casca

O governador de Minas Gerais e pré-candidato ao Planalto, Romeu Zema (Novo) está circulando pelo país, participando de eventos e reuniões com representantes de áreas estratégicas. Na saúde, participa amanhã, em São Paulo, de encontro do SindHosp, que reúne hospitais e clínicas privadas e continuará mantendo agendas do tipo para se viabilizar nacionalmente. Detalhe: em muitas ocasiões, Zema é conhecido como "aquele que gosta de comer banana com casca", devido a um vídeo que ele exibiu nas redes sociais, que motivou diversos entendimentos.

"Puro sangue", não

Um pouco de memória: a pior derrota do PT na história das eleições presidenciais foi responsabilidade da única chapa "puro sangue" do partido desde a redemocratização. Em 1994, a dupla Lula/Aloizio Mercadante levou a pior surra, perdeu no primeiro turno para Fernando Henrique Cardoso (54% dos eleitores) com menos da metade dos votos (27%). Desde então, o PT foge do "puro sangue”. Para piorar, na primeira vitória de Lula, em 2002, o PT formou chapa com o PL, hoje partido de Bolsonaro. Já na reeleição, o vice era José Alencar do então PRB, atual Republicanos (vendido por José Dirceu), que depois integrou a coligação de Bolsonaro e hoje é partido de Tarcísio de Freitas.

Pérola

"Vocês, mulheres, tomem cuidado com essa tal de inteligência artificial. Eles são capazes de tirar uma foto sua, sentada do jeito que você está aqui e colocar você pelada (em edição) no celular. isso que é a inteligência artificial", 

de Lula, em evento na Casa da Moeda.

Olho em 2030

Facções do PT começam a pensar num nome que poderia suceder Lula, caso seja eleito (ou mesmo que perca) em 2030, quando terá avançados 85 anos. Os entusiastas da ideia citam dois ministros: Camilo Santana (Educação) e Fernando Haddad (Fazenda). Geraldo Alckmin segue como favorito para repetir a dobradinha, mas o vice precisa bater o martelo se fica ou disputa a majoritária em São Paulo. E o PT deixa claro ao PSB que a preferência não é do partido, mas de Alckmin. O MDB já está de olho  até na cadeira de vice.

Tiro no pé

Aliados de Tarcísio de Freitas apostam que a atuação dele ao lado da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro pela prisão domiciliar do ex-presidente e para reabilitar a candidatura presidencial do governador de São Paulo. Acha que o quadro atual ainda  pode mudar, apesar até de mais percentuais de votos dedicados a Flávio Bolsonaro nas últimas pesquisas. Entusiasta da candidatura do "01" afirmam que nem a prisão domiciliar poderia demover Bolsonaro de apoiar o filho. Apostem que não há nenhuma chance do senador desistir e que a articulação de Tarcísio pode ser um "tiro no pé" caso sugira que está conspirando contra a escola do Capitão.

"Unânime"

Bolsonaro, agora na Papudinha, queria livros para diminuir a pena, banhos de sol a qualquer hora e orientação religiosa. Foi autorizado o bispo Robson Rodovalho e a Smart TV também pedida, foi negada: ele já tem uma televisão com canais de TV aberta. Com referência a "orientação religiosa", a ideia era que o bispo autorizado se aproximasse do filho e candidato Flávio Bolsonaro e o levasse aos líderes evangélicos para que apoiassem sua candidatura. Rodovalho jogou um "balde d'água fria" nessa história: já avisou que as lideranças evangélicas têm "preferência unânime" por Tarcísio de Freitas.

PSD sem chance

O plano de Gilberto Kassab, dono do PSD, de lançar candidatura própria para disputar a Presidência, não vai dar certo: hoje, cinco estados (e poderão vir mais) tem resistência de pesselistas que tem vínculo total com o PT de Lula. No Piauí, o PSD já trocou juras de fidelidade ao governador Rafael Fonteles e dificilmente caciques irão pedir votos para Ratinho Jr e menos ainda para o gaúcho Eduardo Leite. Alas do PSD mineiro, também nutrem simpatia ao PT e igualmente há dissidentes na Bahia, onde Otto Alencar emplacou o filho no TCE.

Memórias de Dirceu

José Dirceu já terminou de escrever seu segundo livro de memórias (primeiro saiu em 2018), que tem o título provisório "Escritos da prisão". O lançamento será apenas no ano que vem porque ele prefere não publicar em ano eleitoral. O segundo livro de memórias abordará os três períodos em que ficou preso no século passado, entre 2013 e 2019.  E o livro terá uma avaliação do governo Dilma Rousseff.

Pregando união

O candidato Flávio Bolsonaro publicou vídeo pregando união em seu campo político. "Como unir o Brasil se a gente não consegue unir a direita antes?". E elogiou governadores pré-candidatos ao Planalto pedindo que ataquem o governo Lula nas redes sociais (alguns ironizaram achando que Flávio "já está se considerando eleito"). Depois, disse que um palanque conjunto dele com a madrasta Michelle e Tarcísio de Freitas "acontecerá no momento certo". E emendou:" Tarcísio é um aliado fundamental e Michelle tem um papel importantíssimo".

Mistura Fina

Na última reunião de 2025 com seus ministros, o presidente Lula deixou uma lição de casa para seus 38 auxiliares: fazer um pente fino em suas equipes para exonerar quem não estiver totalmente engajado com o governo. Neste ano eleitoral, ele não quer saber de manter nos ministérios quem, daqui a alguns meses, estará pedindo votos para seus adversários na disputa pelo Palácio do Planalto.

Ganha força no Congresso movimentações para apresentar propostas que disciplinam a conduta de ministros do STF. Um fator propulsor é a ligação de magistrados e familiares com Daniel Vorcaro, figura central da megafraude. Há grande bloco, o esforço é andar com o projeto que cria o "código de conduta" para ministros do Supremo. A oposição considera o "código" proposto pelo Psol, pano de fundo para ajudar na criação de um "código" próprio, gestado pelo STF.

A ofensiva quer avançar com textos como os que ampliam  as hipóteses de crimes de responsabilidade e suspeição de ministros. Já para o primeiro semestre, a pressão deve ser em cima do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) para criar a CPI do Banco Master. Davi Alcolumbre, presidente do Senado, que já avisou que não quer saber de CPI "em ano eleitoral". As investigações em curso garantem que ele também tinha relações com Vorcaro.

Não será apenas Antônio Fagundes que estará de volta à Rede Globo na próxima novela das nove "Quem ama cuida": também Alexandre Borges acaba de assinar contrato com a emissora e estará no mesmo elenco. Viverão dois irmãos. A Globo, à propósito, capitulou diante de condições especiais de contrato de Fagundes, que chegou a recusar o primeiro contato e a emissora tratou de correr atrás dele. Também Flávia Alessandra deverá estar na mesma novela.

A CNBC Brasil está completando pouco mais de um ano no ar, sem menor impacto, com audiência irrisória e nenhuma repercussão. No YouTube, os números são simbólicos: 75 espectadores em um dia, 130 no dia seguinte. Motivos: programação poluída, mudança de marca (nem foi lançada com alguma pompa e por isso, nem foi percebida) e uso ostensivo de IA. É tão invisível quanto a CNT. Por outro lado, a recém-lançada SBT News já tem 6 mil espectadores ao vivo, a CNN Brasil, cerca de  10 mil  e a Record News, 8 mil.

In – Livro: A mulher em silêncio
Out – Livro: O último voo

CLÁUDIO HUMBERTO

"É inegável que a crise desgastou a nossa campanha"

Edinho Silva, presidente nacional do PT, sobre os escândalos do Master e do STF

20/09/2026 07h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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Pesquisas previam vida fácil de Lula. Mas a realidade...

A duas semanas do primeiro turno em 2022, o Datafolha previa Lula 12 pontos à frente de Jair Bolsonaro no primeiro turno e o Ipec (que era Ibope) chutava vitória de 15 pontos do petista.

Nas urnas, o placar válido foi 48,4% a 43,2%. No segundo turno, o Datafolha previa vitória de Lula com 16 pontos de vantagem, enquanto o ex-Ibope calculava vitória do petista por 19 pontos. Na realidade, a vantagem foi de 1,8% no 2º turno.

Repeteco?

A 15 dias da eleição de 2026, o Datafolha prevê Lula com 39% a 35% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e 46% a 44%, no segundo.

Muro estreito

O Quaest viu vitória de 8% de Lula em 2022 nos dois turnos. Agora prevê Lula à frente por 5% no primeiro, mas derrotado no segundo turno.

Instituto fechou

A duas semanas da eleição 2018, o Ibope errava em 18% o resultado de Bolsonaro no 1º turno. E ainda previu empate com Haddad no 2º turno.

Chegou perto

O instituto Paraná Pesquisa foi quem mais acertou em 2022. A 14 dias da eleição previa vitória de Lula por quatro pontos no primeiro turno.

Especialista vê presidência de Moraes como surreal

Próximo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a tradição, Alexandre de Moraes pode ter o comando da Corte sob impedimento perante a opinião pública, é o que avalia à coluna o professor, mestre e doutor em Direito Constitucional da USP Rubens Beçak, caso o Supremo abra investigação contra o magistrado.

Beçak diz ainda que os ministros deveriam examinar administrativamente se Moraes poderia continuar com os processos relacionados ao Master.

Peça o boné

Para Max Kolbe, advogado especialista em Direito Constitucional, Moraes deveria até se abster de disputar a presidência, caso investigado.

Situação surreal

Kolbe considera “estarrecedor” um investigado comandar a instituição responsável por supervisionar a apuração da própria conduta: “surreal”.

Não dá

No campo político, as críticas ao ministro são ainda mais incisivas, “é um escárnio com a cara do povo”, disse à coluna Rodrigo Valadares (PL-SE).

Tradição não é regra

Por tradição, o presidente o Supremo Tribunal Federal é o ministro mais antigo que ainda não tenha ocupado o posto. A eleição para sucessão de Edson Fachin deve ocorrer em agosto de 2027. Kassio Nunes Marques é o próximo da fila após Alexandre de Moraes.

Caravana

A chapa Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar, do PL, tem investido no Nordeste nestes dias. A meta é percorrer os nove estados da região, tida como prioridade para a campanha.

Arruda no TSE

Derrotado no TRE-DF, José Roberto Arruda (PSD) tenta no TSE validar a indeferida candidatura ao governo do Distrito Federal. Quem vai relatar o recurso na mais alta corte eleitoral é o ministro Dias Toffoli.

Sangria na pauta

O julgamento do dissídio coletivo dos funcionários dos Correios, sem dó da combalida estatal, será nesta segunda-feira (21). Os grevistas querem coisas tipo adicional de 70% sobre férias e 200% sobre repouso ou feriado trabalhado, além de manter regalias tipo vale extra de Natal.

Picadeiro ocupado

Na polêmica sessão do STF que deveria definir se Alexandre de Moraes será investigado pela relação com Daniel Vorcaro, Gilmar Mendes falou durante mais tempo que Cármen Lúcia e André Mendonça... somados.

Foi pouco

Segundo a oposição no Congresso, o aumento do auxílio anunciado por Lula (PT) poderia ser maior do que 15%. “Desde que o imenso rombo da corrupção e do empreguismo público fosse eliminado”, diz um auxiliar.

Nome dado

Rogério Marinho (PL-RN) revelou ao Jornal Gente, da Bandeirantes, que o então líder do governo Lula, Jaques Wagner (PT-BA), recebeu ligação do decano do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, reclamando e “cobrando” após o Senado aprovar projeto que o STF não gostou.

Detalhe

O projeto que os ministros e Gilmar Mendes não gostaram, disse Rogério Marinho, determinava prazo curto para o plenário do STF analisar decisões monocráticas, aquelas expedidas por um só ministro.

Pensando bem…

... no Brasil, nada mais real do que o surreal.

PODER SEM PUDOR

O delegado professor

O jovem Tancredo Neves foi ser promotor em São João Del Rey. Foi chegando e arranjando uma namorada. Mal sabia que o delegado havia proibido namoro nas praças, por isso ele se misturou aos muitos casais que ocupavam um dos jardins públicos da cidade.

A polícia chegou de repente e expulsou todo mundo. Tancredo já ia protestar quando o delegado o percebeu. Rápido, o policial mostrou que tinha muito a ensinar a ele: “Doutor, botei esse pessoal para fora para deixar o senhor à vontade...”. Ah, bom.

 

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

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