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A esquecida área de serviço

A esquecida área de serviço

MARCELLA BRUM, BOLSA DE MULHER

22/01/2010 - 06h42
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Existe um local em nossa casa que nem todas as pessoas dão o devido valor: a área de serviço. Esse é um ambiente que precisa atender à necessidade de cada pessoa. Desde o tamanho até a sua maior função necessitam ser pensados antes de preparar um projeto para este local da casa. Muita gente acha que, por ser um lugar mais “escondido”, pode ser um cômodo da bagunça, porém o arquitetos informam que é necessário muita organização e beleza no local. Dessa maneira, se torna mais fácil organizar a lavagem de roupas, conservar os materiais de limpeza e não permitir desperdícios e compras desnecessárias. É necessário observar a prioridade do espaço. Há área de serviço que é própria para a atenção com as roupas, porém existem casas e apartamentos em que o ambiente é compartilhado com a dispensa ou até com o local onde se guardam equipamentos como aspirador de pó, ferro de passar, ferramentas e outras coisas. Por isso, é muito importante ter um armário no local para permitir que fique bem harmonioso para as pessoas que frequentam e trabalham no ambiente. De acordo com os arquitetos, o espaço retangular é mais fácil de aproveitar para uma área de serviço. Eles informam que em um cômodo quadrado, perdemos muito espaço porque, geralmente, o centro do espaço fica sem utilidade. Além disso, a área retangular permite uma disposição dos móveis de maneira mais equilibrada. Elementos Para conseguir uma área de serviço com boa funcionalidade é preciso cuidar de dois elementos básicos: a luminosidade e a ventilação. Pela lógica de sequência de serviços, lavar, secar e passar. É preciso ter um ambiente organizado e que tenha o contato com o ar e com a iluminação natural. E mesmo se há uma máquina de secar na casa da pessoa, é mais econômico, natural e menos poluente deixar as roupas secarem naturalmente. Além dos elementos básicos para se obter um conforto no local, é orientado que haja uma humanização do ambiente, seja através da colocação de cestos com frutas naturais e coloridas ou de vasos com plantas, já que as pessoas julgam que é um local que não precisa estar bem arrumado, mas pelo contrário, enquanto há gente no ambiente, é preciso que ele seja adequado e agradável. Os arquitetos informam que as cores mais claras devem ser preferidas para a área de serviço. Paredes com tons claros como bege e branco permitem maior reflexão da luz, o que permite melhor secagem da roupa e até mais conforto para os olhos da dona de casa ou da empregada doméstica. Para o revestimento do chão, é aconselhado o uso de materiais que facilitam a limpeza como mármores ou azulejos em granito. Na parede, os arquitetos informam que a variedade é agradável. Nos locais onde vai mexer muito com água como próximo à pia e à máquina de lavar, pode-se usar azulejos, mas em outras paredes pode-se explorar a tinta, até porque ela é mais versátil e permite que a pessoa mude as cores conforme desejar com mais facilidade do que o azulejo. Dicas

- A área de serviço pode ter também um estilo diferente ou seguir o padrão dos outros cômodos da casa. Tudo vai depender da criatividade. É importante ter móveis que ofereçam facilidade de limpeza e que sejam resistentes e funcionais. E, claro, com estilo, pois a lavanderia é uma extensão da casa e não podemos deixá-la de lado. - Um dos itens mais importantes da lavanderia é o tanque, que deve ser de preferência embutido e em aço inox, material que tem maior resistência. Sendo o tanque embutido, é possível aproveitar a parte de baixo para instalar um armário onde podem ficar baldes e banheiras. Deve-se pensar também nos armários para guardar os eletrodomésticos e vassouras, a escada e a tábua de engomar, sim porque estas ferramentas de trabalho podem atravancar o local caso fiquem por aí jogadas. - Já a máquina de lavar roupa e a secadora pedem nichos adequados. Portanto, quem pensa em projetar armários, deve prever os espaços com as medidas necessárias para instalar cada uma. E engana-se quem pensa que só pode adquirir esses produtos na cor branca. Hoje em dia, é possível comprar as máquinas com acabamento em aço inox, de côr preta e até vermelha, em modelos exclusivos. Existem ainda as versões com abertura frontal, que podem ficar embutidas sob uma bancada de trabalho, o que otimiza o espaço. Sem contar as versões 2 em 1, que lavam e secam. A tecnologia é de ponta, além de ser mais um recurso para quem quer ganhar espaço. - Se possível, a área de serviço deve contar com local apropriado para engomar roupas. Alguns projetos oferecem uma tábua de engomar embutida no armário. Ela pode ser retrátil e ficar acomodada sob uma bancada. Um cabideiro também ajuda a organizar as peças engomadas. Gavetões profundos são uma boa sugestão para guardar as roupas antes de ser engomadas, em substituição aos tradicionais cestos. - Por fim, o varal é imprescindível, seja ele de parede, teto ou chão.

POSICIONAMENTO POLÍTICO

Pesquisa revela que 46,31% da população de MS se diz de direita ou centro-direita

Levantamento do Correio do Estado/IPR ocorreu em 17 cidades que representam 68% do total da população sul-mato-grossense

14/03/2026 08h00

Gerson Oliveira

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A maioria da população sul-mato-grossense se considera mais alinhado à direita ou à centro-direita, conforme pesquisa de intenções de votos, registrada sob os números BR-02995/2026 e MS-00334/2026, contratada pelo Correio do Estado e realizada pelo Instituto de Pesquisa Resultado (IPR).

De acordo com o levantamento, 46,31% dos entrevistados se consideram mais alinhados à direita ou à centro-direita – 38,78% da direita e 7,53% de centro-direita –, 14,41% se posicionaram de centro e 18,24% dos entrevistados se declararam de esquerda ou centro-esquerda – 7,53% de centro-esquerda e 10,71% de esquerda –, enquanto 21,05% não sabem ou não quiseram responder.

Nessa escala de posicionamento político, a pesquisa Correio do Estado/IPR também questionou aos entrevistados em qual grupo eles se encaixam e a maioria, ou seja, 27,7%, disse que é independente, enquanto 25,64% não se consideram bolsonaristas, mas gostam mais das ideias da direita.

Além disso, 19,77% dos entrevistados falaram que se consideram bolsonaristas, 13,65% não se declararam lulistas, mas gostam mais das ideias da esquerda e 9,57% se disseram lulistas, enquanto 4,21% não sabem ou não quiseram responder.

ANÁLISE

Segundo o diretor do IPR, Aruaque Fressato Barbosa, a pesquisa mostra que o ambiente político do Estado continua estruturalmente mais inclinado à direita, mas longe de ser homogêneo quando o tema deixa de ser ideologia abstrata e passa a ser a escolha concreta de um candidato.

“Em termos agregados, isso significa que o bloco de direita e centro-direita soma 46,31%, enquanto esquerda e centro-esquerda reúnem 18,24%, sinalizando um terreno eleitoral mais favorável a candidaturas identificadas com o campo conservador”, analisou o diretor do IPR.

Conforme ele, quando a pesquisa aprofunda a autodefinição ideológica e pede aos entrevistados que se encaixem em uma escala política mais concreta, o quadro fica ainda mais nítido, pois, somados os que se consideram bolsonaristas e os que não se consideram, mas gostam mais das ideias da direita, esses dois segmentos formam um bloco de 45,41%.

Do outro lado, entre os que não se consideram lulistas, mas preferem as ideias da esquerda, e os que se declaram lulistas somam 23,21%, enquanto o grupo dos independentes aparece com 27,17%, a maior fatia isolada da escala.

“Em termos analíticos, isso indica que Mato Grosso do Sul tem uma base ideológica majoritariamente inclinada à direita, mas com uma parcela relevante de eleitores que não quer se comprometer identitariamente com nenhum polo”, comentou.

Em síntese, de acordo com o diretor do IPR, o cenário desenhado pela pesquisa é o seguinte: o Estado é majoritariamente inclinado à direita, enquanto o bolsonarismo, somado ao eleitorado simpático às ideias da direita, forma um bloco robusto.

DADOS

Com intervalo de confiança de 95% e margem de erro de 3,5 pontos percentuais para mais ou para menos, a pesquisa Correio do Estado/IPR ouviu 784 pessoas com 16 anos ou mais de idade, moradoras de 12 regiões referenciadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que englobam os municípios de Amambai, Aquidauana, Campo Grande, Sidrolândia, São Gabriel do Oeste, Corumbá, Coxim, Dourados, Maracaju, Rio Brilhante, Bonito, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.

Essas 17 localidades representam 68% do total de 1,8 milhão de eleitores sul-mato-grossense, ou seja, 1,2 milhão de eleitores, e ao ser realizado nesses municípios do Estado, o levantamento cobre onde está a maior parte da capacidade eleitoral de Mato Grosso do Sul, isto é, oferece uma fotografia extremamente fiel do cenário real, já que os pequenos municípios têm baixo peso estatístico.

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ENTREVISTA

"Quando o discurso é maior do que a prática, a integridade vira estética"

Especialista analisa por que programas de integridade ainda enfrentam dificuldade para sair do papel e virar cultura nas instituições públicas e privadas

14/03/2026 08h00

Marco Aurélio Borges de Paula - Especialista em compliance

Marco Aurélio Borges de Paula - Especialista em compliance Divulgação

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“Quando o discurso é maior do que a prática, a integridade vira estética, parece existir, mas não se sustenta no dia a dia”. A frase resume um dos principais desafios enfrentados hoje por governos e empresas que adotaram programas de compliance, mas ainda buscam transformá-los em prática cotidiana.

Nos últimos anos, o tema ganhou espaço no Brasil, impulsionado por mudanças legais e pela pressão por mais transparência e boa governança.

Em Mato Grosso do Sul, a discussão voltou ao centro do debate após o governo Estadual anunciar a meta de chegar a 100% dos órgãos com programas de compliance até 2027.

Ao mesmo tempo, em Brasília, a integridade institucional também entrou na pauta com a defesa, feita pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, da criação de um código de conduta para ministros da Corte, em meio às discussões sobre confiança pública e previsibilidade institucional.

Para entender o que faz um programa de compliance sair do papel e virar cultura organizacional, o Correio do Estado ouviu o especialista em ética e compliance Marco Aurélio Borges de Paula, professor e mestre em Direito.

Na entrevista a seguir, ele analisa os avanços e limitações do compliance no Brasil e explica por que liderança, confiança e coerência entre discurso e prática são decisivas para que a integridade deixe de ser apenas um conceito formal dentro das instituições.

O governo de MS anunciou recentemente que quer chegar a 100% dos órgãos com compliance até 2027. Em paralelo, reportagens e comunicados oficiais têm mostrado o tema ganhando espaço em outros governos e empresas.O Brasil está vivendo uma consolidação do compliance em instituições públicas e privadas? Ou ainda prevalece o compliance que existe mais no papel do que na prática?

Tivemos uma evolução consistente do compliance em pouco mais de 10 anos, muito por avanços normativos. O ponto é que, mesmo com todo o avanço, ainda falta maturidade para fazer o mais difícil: transformar regras em cultura e ver a integridade como pilar estratégico.

E é aqui que mora o risco do chamado ‘compliance de fachada’ ou ‘ethics washing’, ou seja, quando o programa existe no discurso, no marketing, em reuniões e documentos, mas não entra no coração do negócio, na rotina diária.

Tirar o compliance do papel, com coerência prática, é o maior desafio do momento. Resumindo: há avanços, mas há também muito ‘compliance para inglês ver’.

Então esse é o gargalo do compliance no Brasil hoje: muita regra e pouca capacidade de transformar isso em cultura?

Exatamente. Gasta-se muita energia na criação e divulgação de regras, mas muitos programas não engajam e não mudam o comportamento.

Na maioria dos casos, a boa intenção existe, o investimento também, só que falta clareza de método para criar cultura. E aqui entra um ponto que muita gente subestima: técnica é indispensável, mas não basta.

Se o diretor de compliance não sabe liderar, com método adequado para inspirar e mobilizar pessoas, o compliance vira um conjunto de documentos bem escritos e pouco vividos.

Em outros casos, o problema é mais grave: quando a liderança maior não está comprometida com a ética, o programa de compliance será ‘de fachada’. Mas, olhando para o mercado, eu diria que a maior parte dos insucessos que vejo hoje resulta mais de deficit de repertório de liderança do que de falta de caráter.

O senhor está falando de soft skills. É isso o que falta para o compliance se consolidar no Brasil?

Em certo sentido, sim. ‘Soft skills’ ou “real skills’ geram confiança, diminuem custo de transação, aceleram cooperação, enfim, geram resultados. Por isso, de ‘soft’ elas não têm nada. Ao mesmo tempo, competência técnica dá credibilidade.

O ponto é combinar as duas coisas: um compliance tecnicamente sólido, conduzido por alguém que consegue dialogar, escutar e criar segurança para as pessoas falarem. Quando isso acontece, muita coisa aparece antes de virar crise, e o programa ganha tração.

E o que falta para os profissionais da área darem esse passo?

Além de consultor, sou mentor de profissionais que buscam aumentar seu repertório de liderança. Às vezes, eu preciso dar um toque neles para caírem na real [risos], ou seja, para tratarem as ‘soft skills’ como habilidades centrais, obrigatórias.

Nessa era de inteligência das máquinas é urgente a ampliação desse repertório. As chamadas ‘hard skills’ já são commodities. As habilidades humanas, que geram conexão emocional, são hoje o único diferencial insubstituível.

Porque, se entendi bem, compliance é engajamento. E isso só vem quando existe confiança em quem lidera o processo.

Exato. Ocorre que existem crenças que travam a área e a efetividade de muitos programas. A primeira é achar que ‘soft skills’ são opcionais ou traço de personalidade. Mas elas podem ser aprendidas e treinadas.

A segunda é tratar compliance como puro improviso. Como não é disciplina comum na graduação, muita gente aprende na prática, sem fundamentos teóricos sólidos e sem método claro. Isso prejudica a criação de cultura.

Poderia citar um exemplo prático sobre esse ponto?

Veja: confiança é a palavra-chave. O pressuposto metodológico fundamental para o sucesso de um sistema que busca, prioritariamente, disseminar cultura de integridade é a confiança nas pessoas.

Por isso, precisamos comunicar, de modo muito amplo, que confiamos nos nossos pares e liderados, que reconhecemos, desenvolvemos e libertamos o que eles têm de melhor. 

Isso significa focar nos acertos e nas condutas positivas, e não só nos erros. E isso muda o perfil do sistema de integridade: ele deixa de ser um sistema de controles internos, auditoria e corregedoria e passa a priorizar a criação e gestão da cultura organizacional.

Aqui, o foco central é a prevenção. A identificação dos desvios e a repressão seguem relevantes, mas como complemento.

No Brasil de hoje, esse pressuposto de confiança vira alvo fácil de crítica. O senhor entende essas críticas?

Entendo as críticas, porque confiar sempre envolve algum risco. Mas não confiar é um risco maior. E aqui o dano aparece tanto na eficácia quanto na eficiência, além da legitimidade.

Um ambiente de desconfiança afasta bons profissionais, reduz cooperação e encarece tudo, do processo interno ao serviço entregue ao cidadão.

Por isso, o modelo prioritariamente ancorado em controle, auditoria e punição pode até gerar medo, mas dificilmente gera cultura. Cultura vem quando a organização é firme com desvios e, ao mesmo tempo, madura o suficiente para tratar gente como gente.

O senhor enxerga exemplos de instituições que já operam esse modelo mais moderno, baseado em cultura e confiança?

No âmbito privado, há muitas empresas que investem de forma sistêmica em cultura de integridade. Eu gosto de um exemplo simples: uma companhia criou um comitê permanente de cultura, com representantes de vários níveis, escolhidos pelos próprios colegas.

Isso é governança de cultura, não campanha barata. Cultura é uma infraestrutura psicossocial, a energia organizacional que conecta as pessoas em torno de um objetivo comum.

Por isso, ela é um ativo tão crucial quanto os ativos físicos, intelectuais e tecnológicos. Quando a empresa trata cultura como ativo, a integridade deixa de ser discurso e vira realidade.

E na esfera pública, onde o senhor vê esse modelo ganhando forma, na prática?

O compliance é muito novo no setor público. Por isso, ainda é cedo para falar em resultados sistêmicos na cultura de integridade. Mas me chamou a atenção, positivamente, uma fala recente do atual controlador-geral de Mato Grosso do Sul, colocando confiança e cultura como eixo central do programa deste Estado.

Eu não sei lhe dizer como isso está acontecendo na prática, ou se isso está acontecendo, mas a consciência do que é prioritário já é um ótimo sinal de maturidade institucional.

Quais são os principais movimentos de integridade no poder público de MS?

A meu ver, o principal movimento é o do Poder Executivo estadual. O governador Eduardo Riedel veio do mundo corporativo e demonstra tratar o compliance como instrumento de boa governança. Isso faz a diferença.

Além disso, temos um controlador-geral muito qualificado e experiente. Mas é difícil dizer algo sobre o que está sendo construído no dia a dia, porque não estou lá dentro.

Nessa expansão do compliance no governo Estadual, o que precisa acontecer para isso virar cultura?

Eu vejo como muito positivo o Estado ter um marco e uma meta clara. Isso dá direção e escala. Compliance vira cultura pela combinação de fatores, e alguns são justamente os que eu trouxe aqui hoje: liderança ética, competente e humanizada, bem como método e confiança nas pessoas.

Mas sempre há variáveis individuais, relacionais e de contexto que podem acelerar ou travar esse processo. E como eu não acompanho o dia a dia do governo por dentro, eu prefiro não especular.

O que eu posso dizer com segurança é que os fundamentos de efetividade não mudam. A infraestrutura ética precisa ser construída sobre bases sólidas e com os pés no chão.

Dá para aplicar esse modelo no Ministério Público, no Poder Judiciário, no Poder Legislativo e no Tribunal de Contas, ou cada um tem uma lógica própria?

Boa pergunta. Sim, cada uma dessas instituições tem sua lógica, suas normas e seus riscos. Mas todas giram em torno de elementos comuns, como gente, comunicação, poder e ambiente de trabalho.

Uma pergunta comum a todas elas: como o poder é exercido e cuidado no dia a dia? Porque, quando o poder é malcuidado, aparecem desvios de todo tipo, como corrupção e assédio.

Por isso, se o objetivo é tirar o compliance do papel, integridade pública precisa olhar para o ambiente de trabalho. Fraude e corrupção são essenciais, mas não esgotam o tema.

Sem enfrentar o assédio com seriedade, o objetivo da criação de cultura cai por terra, porque esse tipo de abuso corrói a saúde psicossocial, a motivação e a confiança.

Quando o senhor diz que tudo gira em torno de gente e comunicação, que implicações práticas isso traz para o modelo de compliance que o senhor defende?

No fator gente, a implicação é a humanização do sistema. Por trás de qualquer função de autoridade há um ser humano falível, sujeito a vieses, pontos cegos e pressões do dia a dia.

Por isso, eu fujo da lógica de ‘caçar maçãs podres’ e olho para o ‘barril’, ou seja, para o ambiente que pode estar deteriorado e puxando a conduta na direção errada.

Se quisermos entender como o barril apodrece, precisamos olhar para os discursos, as decisões e as interações que o constroem, ou seja, para a comunicação, que molda a percepção e o comportamento.

Quando o discurso é maior do que a prática, a integridade vira estética, ou seja, parece existir, mas não se sustenta no dia a dia. Se o servidor não percebe essa coerência, o programa vira burocracia, não cultura. Se a sociedade não percebe integridade na prática, a confiança pública cai e, com ela, a legitimidade democrática se enfraquece.

O presidente do STF, Edson Fachin, defende um código de conduta para ministros. Que princípios e temas esse debate precisa enfrentar para fortalecer confiança pública, sem comprometer a independência da Corte?

Falo em caráter pessoal. Debaixo da toga há seres humanos falíveis. Por isso, sou a favor de um código de conduta, como parte de um sistema de integridade, não como solução isolada.

Evidentemente, o desenho do código precisa ser feito por quem vive a instituição, especialmente os seus membros, ainda que sugestões de terceiros interessados precisem ser ouvidas e consideradas.

Ao mesmo tempo, é difícil fugir de alguns temas que o próprio presidente Fachin vem colocando no debate público, como transparência, parâmetros para gestão de potenciais conflitos de interesses e cuidados com a exposição institucional em agendas e eventos, entre outros.

A lógica é simples: regras claras não enfraquecem a independência, elas protegem o ambiente institucional e fortalecem a confiança pública.

Marco Aurélio Borges de Paula - Especialista em compliance

{Perfil}

Marco Aurélio Borges de Paula

Marco Aurélio Borges de Paula é mestre em Direito pela Universidade de Coimbra. Possui certificações internacionais em compliance e gestão de riscos. Atua há mais de 10 anos na área de ética e compliance.

É autor de cinco livros sobre compliance e liderança ética. Integra o Observatório Nacional da Integridade e Transparência do Poder Judiciário (CNJ) e é professor de Compliance na pós-graduação em ESG, Liderança e Inovação da FAAP.

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